Uma garota e um filme exemplar

0 31 outubro 2014 | 11:31

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Uma obra cinematográfica não sobrevive apenas de uma boa história. Assim como um casamento não depende apenas do amor entre duas pessoas para superar os conflitos da vida real. No cinema, como arte e também enquanto experiência, é preciso mais do que uma sinopse envolvente: da escolha dos atores e das locações, passando pela direção de fotografia, pela trilha sonora e até mesmo pela montagem final das cenas, tudo precisa estar em harmonia para que um filme seja um sucesso. Tal qual um relacionamento. Esse é o caso de Garota Exemplar, que, mesmo com duas horas e meia de duração, tem levado cada vez mais e mais pessoas aos cinemas e merece a dedicação.


O rapaz do interior que se apaixona pela menina da cidade grande: um clássico
[FONTE: Divulgação]

Conhecido por dirigir outros filmes de sucesso, como A Rede Social, Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, O Curioso Caso de Beijamin Button e o clássico cult O Clube da Luta, David Fincher consegue se superar. Garota Exemplar (Gone Girl, em inglês), baseado no livro homônimo de Gillian Flynn, imprime na telona uma complexidade que só estamos acostumados a encontrar na literatura. Definitivamente, esse não é o tipo de obra que fica muito aquém do livro que serviu de inspiração. Em Garota Exemplar, o espectador encontra mais de um filme: os subtextos parecem incontáveis. Além disso, ele é exatamente esse tipo de longa metragem que não só ecoa no cérebro por dias, como desperta a vontade de ser visto várias vezes de tantos pensamentos que suscita.

A começar pela história, que parece falar de amor, em seguida trata das amarguras do casamento e, mais tarde, como o próprio trailer do filme deixa escapar, de uma história de terror que nasce a partir do desaparecimento de Amy, a protagonista, e da suspeita que recai sobre Nick. À história, aliás, podemos acrescentar a interpretação do casal Amy e Nick.

Rosamund Pike, acostumada a papeis de coadjuvante, brilha como Amy, uma nova-iorquina que é tão incrível e criativa quanto seus pais crêem, e Ben Affleck, que vive Nick, o típico rapaz do interior do Missouri que se aproveita da cara de bom moço para mostrar que até mesmo os "bons partidos" podem ser suspeitos de um crime. E, se não bastasse um casal de protagonistas que tira o melhor de si para os personagens, o filme está cheio de coadjuvantes que se sobressaem em seus momentos na tela, como a irmã de Nick, vivida por Carrie Coon, ou pela dupla de detetives encarregados do caso, Rhonda Boney, interpretada por Kim Dickens, e o policial Jim Gilpin, vivido por Patrick Fugit.

Mas Garota Exemplar não seria um filme tão marcante não fosse a trilha sonora. A parceria de Fincher com Trent Reznor, do Nine Inch Nails, e deste com Atticus Ross, é digna de prêmio. A dupla de compositores, que já levou dois Oscar para casa pelo trabalho que fizeram em outros filmes do diretor mostra a importância do som para o cinema. Especialmente quando se está em uma sala de projeção, percebemos o quanto a trilha sonora pode ser essencial para marcar as reviravoltas de um roteiro, dar pistas sobre a história e, mais do que isso, prender a atenção do telespectador durante duas horas e meia de filme.


Ben Affleck é o bom moço que nem é tão bom assim, cuja esposa é complicada e perfeita
[FONTE: Divulgação]

Quanto à história, pouco se pode falar sem comprometer a experiência. Em Garota Exemplar, Fincher, que em vários filmes já tentou imprimir seu pensamento a respeito dos relacionamentos, parece finalmente ser bem sucedido em deixar sua marca. A história de Amy e Nick começa açucarada como muitos romances, chega a ser chata de tão perfeita. Mas logo os dois se depararam com os problemas e as diferenças que, mais cedo ou mais tarde, sempre alcançam os casais e, por vezes, balançam as estruturas dos casamentos. A diferença é que algumas relações se fortalecem com os terremontos, enquanto outras se despedaçam para sempre. Qual é o tipo de casamento que Amy e Nick têm só o telespectador poderá dizer. ;)

eBook: o que é afinal?

3 29 outubro 2014 | 15:54

Estar atento às inovações, sabemos, não é apenas uma opção. Todos precisam se atualizar, especialmente professores que lidam com alunos nascidos em uma época totalmente diferente, que não viram o Ayrton Senna correr, o Muro de Berlim cair, e que lêem eBooks. Mas, afinal, você sabe o que é um eBook? Quando o termo livro eletrônico (electronic book, em inglês) surgiu, muitos acharam que era um arquivo de computador sem a necessidade de ser impresso, quase como um arquivo.doc, desses compatíveis com programas como o Word. Mas a verdade é que os eBooks são arquivos mais complexos e que foram evoluindo com a própria tecnologia, especialmente com a chegada dos leitores de livros digitais, os e-readers.

Arquivos no formato PDF foram os primeiros a se popularizarem. Tanto que o PDF deixou de ser um padrão proprietário da Adobe para se tornar de uso comum. Outros surgiram ao longo dos últimos anos para aproveitar melhor essa característica eletrônica dos eBooks. O ePub é um deles, e permite muita mais interações do leitor com a obra do que um estático PDF. Hoje, existem até opções mais específicas como as extensões CBR e o CBZ, para livros de quadrinhos, que exigem não apenas textos, mas também desenhos, balões e um outro tipo de diagramação.

O formato ePub, de electronic publication, em inglês, é um dos mais usados. É um padrão aberto para livros digitais definido pela International Digital Publishing Forum, uma organização do setor de publicações. Com o ePub, o texto se redimensiona ao tamanho de tela de qualquer aparelho, ampliando as possibilidades de leitura e tornado-a mais fluída. Outros recursos interessantes são o de poder aumentar o tamanho das letras e escolher a forma que você lerá seu livro, se em texto corrido ou diagramado em páginas, como vemos nos feitos em papel.



eBooks não são estáticos como os livros impressos
[FONTE: The Wall Street Journal]

Nesse cenário, algumas empresas optam por tipos específicos de ePub. O Grupo A, por exemplo, trabalha com um dos padrões mais utilizados pelo mercado, o VBK. Desenvolvido pela empresa norte-americana VitalSource, ele é fundamentado na linguagem XML (Extensible Markup Language) de computação. Uma das suas vantagens é que, com esse padrão, as obras podem ser lidas nos principais navegadores da web e em dispositivos móveis que rodem iOS, da Apple, ou Android. Ou seja, comprar livros digitais não necessariamente exige que o leitor tenha um leitor de livros digitais em casa, o chamado e-reader. Ler no computador, no smartphone ou no tablet também é possível.

Diferente de outros ePUBs, a extensão VBK não permite que o usuário faça anotações ou modifique o texto. Por isso, o Grupo A disponibiliza um aplicativo que dá ao leitor essa possibilidade de interagir com o conteúdo. Afinal, essa deve ser uma das vantagens desse formato: digitalizar também marcações e anotações e tornar a leitura um hábito mais interativo do que é.

O Vitalsource Bookshelf, por exemplo, é um aplicativo que permite ao leitor acessar seus livros digitais em três locais diferentes: no computador, na web (pelo navegador) ou ainda pelo smartphone. Uma das vantagens desse app é que ele permite que o leitor faça anotações, escolha seu layout preferido de leitura, seja avisado das novidades da editora, pesquise palavras e ainda compartilhe suas notas com amigos. Para professores que já estão entrando nesse novo mundo, esse é um recurso bastante interessante, pois permite que o aluno se conecte com colegas e mestres fora de aula também, quando está lendo o livro indicado, por exemplo.

 


eBooks não fazem pilha, não pegam pó e podem ser acessado de muitos lugares (tudo plural ou tudo singular)
[FONTE: Pubslush]

A portabilidade também é uma grande vantagem para o meio educacional. Se, no passado, os colégios precisavam disponibilizar armários para os alunos deixarem seus livros, ou fazê-los trazer os volumes sempre que necessário em pesadas mochilas, hoje nada disso é necessário. Com um leitor digital ou mesmo acessando um aplicativo, os livros estão lá, na mesma página em que foram deixados e com todas as marcações feitas anteriormente guardadas no armazenamento na nuvem. Na Holanda, por exemplo, existe unidades experimentais de ensino chamada SteveJobsSchool que defende o uso de iPads já no ensino infantil.

É ou não é muito mais fácil de compartilhar conhecimento dessa forma? É claro que existe quem acredite que um livro digital não substitui um impresso, e vice-versa, mas a verdade é que cada um conquistou o seu espaço. 

Câncer de mama e o Efeito Angelina

0 28 outubro 2014 | 10:38

Nesse mês de outubro, como acontece desde 1997, está sendo celebrada a campanha Outubro Rosa. Mais do que uma forma de homenagear todas as mulheres que lutam contra o câncer de mama, o movimento pretende chamar a atenção para a gravidade da doença e a importância da realização de exames preventivos, que aumentam consideravelmente as chances de cura. Um estudo recente demonstrou que a campanha ganhou um reforço bastante curioso na conscientização sobre o câncer de mama e na busca pela prevenção: o chamado Efeito Angelina. 


A conscientização acerca do câncer de mama ganhou um reforço inesperado e hollywoodiano. 
[FONTE: Virgin]

Em maio de 2013, a atriz e diretora de cinema Angelina Jolie publicou uma carta aberta no The New York Times, na qual relatava sua escolha médica. Após perder a mãe em uma longa batalha contra o câncer, Angelina realizou exames de rastreamento genético e descobriu uma grande chance de vir a desenvolver a doença. Considerando os riscos e, principalmente, o bem estar de seus filhos, Jolie optou por realizar uma dupla mastectomia antes mesmo de desenvolver tumores nas mamas. A atitude gerou bastante polêmica na época, mas a verdade é que foi muito corajosa. 

O fato de Angelina ter tomado pública sua decisão teve impacto não apenas na sua própria saúde, mas na de muitas outras mulheres. Imediatamente após a carta, houve um aumento na busca pelo exame feito pela atriz. Na Inglaterra, de acordo com a pesquisa, houve uma mudança considerável: os 1.900 exames realizados por mês pularam para cerca de 4.800 mensais.  


Mãe e filha posam juntas: a beleza é herança genética, mas, infelizmente, alguns tipos de câncer também são.  
[FONTE: Mirror]

O exame realizado por Angelina Jolie é feito a partir de uma tecnologia recente capaz de detectar mutação nos genes BRCA, que é hereditária e maléfica, aumentando o risco de câncer de ovário e de mama. Embora a mãe, Marcheline Betrand, tenha falecido após desenvolver a doença nos ovários, a filha detectou um alto índice com 87% de chances de apresentá-la nas mamas. A mutação do BRCA não é a única causa possível para esse tipo de câncer, mas a questão genética é um dos grandes fatores de risco. A detecção dessa mutação não necessariamente levará a uma mastectomia preventiva, mas aumentará a chance de um diagnóstico precoce, multiplicando as chances de sucesso no tratamento. 

Os responsáveis pelo estudo, no entanto, alertam para o lado negativo da influência da atriz. Para mulheres que não possuem a mutação do BRCA, a mastectomia preventiva pode fazer mais mal do que bem. Por isso, é importante evitar cirurgias desnecessárias e ter o acompanhamento profissional adequado. Com as devidas indicações médicas, porém, a escolha final sobre sua saúde pode ser da mulher, e esse empoderamento é muito importante. 


O histórico das mulheres da família também é um dado importante na prevenção do câncer de mama. 
[FONTE: Brookside Baby]

O Efeito Angelina, portanto, se alinha à proposta do Outubro Rosa por mostrar às mulheres que é necessário estarem atentas aos riscos do câncer de mama e familiarizadas com a biologia da doença, a fim de que estejam preparadas não apenas para combatê-la, mas para poder prestar suporte a outras mulheres diagnosticadas. Além disso, a atitude da atriz foi essencial para desmistificar a mastectomia, responsável por salvar muitas vidas, mas que nem sempre é encarada com naturalidade pela sociedade. O que podemos desejar é que cada vez mais mulheres possam ter acesso a exames preventivos como os realizados por Jolie e que possam gerar efeitos positivos como esse em sua comunidade. ;)

Oscar de la Renta: o mito da moda

4 27 outubro 2014 | 12:32

Quem deseja trabalhar na indústria da moda precisa conhecer os grandes mestres que vieram antes e hoje nos servem de inspiração. Oscar de la Renta é um desses grandes nomes da moda. Conhecido por vestidos sofisticados, que iam desde os tons pasteis aos estampados exuberantes, por suas jaquetas alinhadas e trajes de noite glamourosos, o estilista se dedicou à moda até seus últimos dias de vida.

Adorado por celebridades e primeiras-damas ao redor do mundo, o estilista faleceu no último dia 20 deixando milhares de fãs e admiradores de sua trajetória criativa e seu legado ao mundo fashion. Aos 82 anos, Oscar ainda era um mestre da costura de moda. Tanto que um de seus últimos grandes vestidos foi aquele usado pela advogada Amal Alamuddin em seu casamento com George Clooney. Além dela, as mais célebres estrelas de Hollywood já desfilaram em suas criações e declararam seu apreço pelo designer.


Amal Alamuddin tornou-se esposa de George Clooney vestindo Oscar de la Renta
[FONTE: US Weekly


A valorização das formas femininas é um dos traços marcantes do estilista
[FONTE DAS IMAGENS: Vogue


A atriz Jessica Brown Findlay foi fotografada por Boo George em maio de 2014

Nascido na República Dominicana, ele começou sua carreira na Europa, quando foi estudar arte na Espanha. Em pouco tempo, as aulas de costura, modelagem e corte foram substituídas por dias em cafés e noites em clubes. Grande parte de sua renda acabava nas mãos de um alfaiate que lhe fazia ternos sob medida, como convém a um homem que, desde cedo, aprendeu a valorizar a estética.

Seus primeiros desenhos de roupas nasceram quase no improviso. Oscar os vendia a jornais e revistas e ganhava um pouco de dinheiro extra. Nas palavras do próprio, seu trabalho, na época, não era original nem tecnicamente competente, ao contrário do que se esperaria de um estudioso do bem vestir. Mas o treino faz o especialista, e o dominicano logo pegaria o jeito das tesouras.


Oscar de la Renta deixa suas modelos brilharem na apresentação da coleção de primavera/verão de 2013


Gisele Bündchen também teve a honra de vestir as criações do designer


As origens latinas de Oscar transparecem em alguns de seus trabalhos

Apesar da autocrítica, os desenhos de Oscar chamaram a atenção de Francesca Lodge, esposa do embaixador americano. Ela pediu ao estilista iniciante um vestido para a festa de debutante de sua filha, e essa foi sua primeira grande aparição, quando a menina estampou a capa da revista Life naquele mesmo ano. Pouco depois, Oscar passou a trabalhar com Cristobal Balenciaga, um dos melhores desenhista da época. Afinal, trabalhar com quem tem.experiência é parte importante da formação de um estilista. Daí em diante, sua ascensão foi rápida.


Sarah Jessica Parker, outro ícone da moda, era fã de Oscar de la Renta


A cantora Taylor Swift pisou no tapete vermelho desfilando uma criação do estilista

Logo, ele trocou a Espanha por Paris, onde começou a colaborar com Antonio del Castillo, designer da Lanvin. Depois de dois anos, se mudou para os Estados Unidos, e se uniu a Jane Derby. Quando ela se aposentou, ele assumiu a empresa, que só cresceu sob sua liderança inspiradora. Circulando com naturalidade entre EUA e Europa, Oscar foi a estrela de inúmeros desfiles, conquistou fãs e entrou para a história da moda.


Elegância e irreverência eram traços marcantes de seu trabalho


A atriz Audrey Tautou apareceu vestindo o designer na revista Vogue de 2009


Modelagem impecável: as roupas do designer se ajustam perfeitamente ao corpo feminino

Uma das chaves de seu sucesso foi saber diferenciar o que acontece nas passarelas e o que as mulheres usam na vida real. Certa feita, ele definiu: “a passarela é um espetáculo. Só se transforma em moda quando uma mulher veste as roupas. Estar bem vestido não tem tanto a ver com possuir boas roupas, é mais uma questão de ter equilíbrio e bom senso”. A editora britânica da Vogue assina embaixo. Para ela, nenhum outro estilista era tão competente em fazer uma mulher se sentir bonita. “Ele era a primeira opção para quem queria se sentir no seu melhor”, ela resumiu. 


Oscar de la Renta: * 22 de julho de 1932 + 20 de outubro de 2014

Uma preciosa lição de vida

3 24 outubro 2014 | 14:19

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Preciosa é um dos filmes mais tristes de que se tem notícia. Embora não seja nem um pouco sentimentalista, nem, de fato, repleto de cenas emocionantes, a narrativa seca, crua e bruta apresenta uma história que choca sem precisar de artifícios de linguagem. Claireece Precious Jones (interpretada por Gabourey Sidibe) é uma adolescente do Harlem, em Nova York, que sofre constantes abusos dentro de casa. Estuprada pelo pai, ela está grávida do segundo filho dele, e a escola onde estuda a expulsa devido à sua resistência em falar sobre a vida familiar. A decisão da instituição parece cruel, mas a diretora é a primeira educadora que começará a transformar os rumos da vida de Precious.


Na mãe, Precious encontra apenas violência e desprezo
[FONTE: riverbank arts centre

Em uma noite chuvosa, a diretora vai à casa da família Jones e encontra apenas resistência: a mãe de Precious não aceita que ninguém entre em sua casa, constate o ambiente terrível e ameace retirar os auxílios financeiros que ganha do governo. Ainda assim, a diretora consegue contar à adolescente sobre uma escola alternativa, na qual ela teria melhores chances de seguir estudando.

Felizmente, Precious tem sede de conhecimento. Contrariando as vontades da mãe, que gostaria de ver a filha apenas recebendo mais auxílios governamentais, a menina faz questão de continuar estudando. É na escola alternativa, voltada a adultos que não completaram os ensinos fundamental e médio, que Precious encontrará sua única chance de salvação. Na professora Blu Rain (vivida por Paula Patton), ela vê não apenas uma fonte de inspiração, mas também encontra força e incentivo para abraçar a vida.


Finalmente, um ambiente que acolhe as diferenças
[FONTE: Picturehouse blog

Em meio a colegas que não param de brigar umas com as outras - mas que nutrem, no fundo, um grande carinho mútuo - Precious ganha a confiança para falar de si mesma. A professora Rain exige que sua turma escreva todos os dias, a fim de desenvolver as habilidades de leitura e escrita. Mas ela também faz muito mais que isso. Praticando o que chamaríamos de pedagogia diferenciada, ela consegue colocar todas as estudantes na mesma página, apesar de suas histórias serem completamente díspares e únicas.


Também no hospital, Precious encontra uma mão amiga
[FONTE: Lionsgate

O desfecho da história se aproxima com o nascimento do segundo filho de Precious. A situação em casa se torna insuportável com as crescentes agressões físicas que sofre por parte da mãe. Contando com a ajuda da professora, a adolescente investigará novos caminhos para sua própria vida, mas o mais importante é que ela finalmente assumirá a responsabilidade de decidir como será sua existência. Precious não ganha um futuro brilhante, mas se torna independente e determinada. Um filme que começa no mais absoluto desespero ainda consegue nos brindar com um sopro de esperança.

BlogA Entrevista: autores da obra Psicoterapia de Orientação Analítica

3 23 outubro 2014 | 15:09

Com o objetivo de ajudar os pacientes a desenvolverem sua personalidade de maneira positiva, surgiu a Psicoterapia de Orientação Analítica. O livro de mesmo nome, editado pela Artmed, chega à sua terceira edição em 2014 com novidades gráficas, como destaques ao longo do texto, ilustrações clínicas e quadros com pontos-chave ao fim dos capítulos, tornando a leitura mais clara, dinâmica e prática.

A obra traz fundamentos teóricos essenciais para a aplicação das intervenções psicoterápicas nos principais quadros psicopatológicos encontrados pelos profissionais da área em seu dia a dia de trabalho clínico. O livro amplamente reconhecido e adotado em todo o Brasil foi elaborado por três grandes nomes da área: Cláudio Laks Eizirik, Rogério Wolf de Aguiar e Sidnei S. Schestatsky. Nesta entrevista, eles discutem os benefícios da terapia baseada na palavra, abordam as diferenças entre psicoterapia e psicanálise e pensam a relação médico-paciente. 


O que é a psicoterapia de orientação analítica e quais são seus objetivos?

É uma forma de tratamento baseado na palavra, com os objetivos de modificar e reduzir sintomas, promover a compreensão das motivações inconscientes das condutas do paciente que lhe produzem sofrimento psíquico e promover o desenvolvimento positivo de sua personalidade.

Quando o paciente deve procurar uma análise? Existem situações em que esse tipo de tratamento é especialmente recomendado?

Quando se identifica um transtorno de personalidade, em especial narcisista, obsessivo, evitativo, histérico, quando há manifestações psicossomáticas ou em casos de personalidade borderline. Quando o paciente tem sofrimento psíquico, que o impede de viver com sua família, afeta seu trabalho e sua vida social, e reconhece que a origem de tais problemas está em si mesmo.


A terapia pela fala traz grandes benefícios ao paciente
[FONTE: Billie Pivnick

Quais são as diferenças entre a psicoterapia e a psicanálise?

Há mais semelhanças que diferenças, mas, em seus extremos, a análise tem maior frequência de sessões, duração mais longa e objetiva modificações na estrutura da personalidade; a psicoterapia tem menor frequência de sessões, tem objetivo de ajudar o paciente em situações de sua vida atual e de relações amorosas e profissionais. A primeira busca mais as origens infantis, a segunda aborda mais as situações cotidianas . No entanto, há mais semelhanças, pois, muitas vezes, uma psicoterapia evolui por meio do exame dos conflitos infantis, uma análise não atinge seus objetivos, e se pode dizer que a zona cinza intermediária é maior que os extremos de cada método.

Há algum preconceito por parte do senso comum a respeito da psicoterapia analítica?

Pode haver, tanto quanto o que há quanto a consultar psiquiatras, por achar que se trata de uma coisa para loucos. Mas cada vez mais pessoas procuram e se beneficiam das psicoterapias, pois se trata de um método necessário e eficiente, quando bem indicado.

Que atitudes e posturas o paciente que procura a psicoterapia deve esperar do profissional que irá o acolher?

Uma escuta atenta e acolhedora, respeitosa e que busca um trabalho conjunto de desvelamento de motivações inconscientes para os problemas do paciente. Não deve esperar conselhos, orientações ou tomadas de partido em conflito, mas uma atitude que estimule o paciente a encontrar suas respostas e os melhores caminhos para sua vida e suas dificuldades.


Médico e paciente devem ter uma relação de respeito e atenção
[FONTE: Enclyclopedia of Mental Disorders

Qual a importância de se valorizar as terapias pela fala atualmente? A psicoterapia pode ajudar a reduzir o uso excessivo de drogas medicinais?

Depende das indicações de uma e de outra abordagem. As drogas, quando necessárias e bem indicadas, trazem efetivo benefício, tanto como as psicoterapias. Dificilmente um paciente poderá ser atendido só com drogas, sem algum tipo de psicoterapia, desde o apoio até a psicanálise. Cada vez mais há tratamentos combinados dos dois métodos. Muitos casos que necessitam análise ou psicoterapia não necessitam de medicação

Cláudio Laks Eizirik é psiquiatra e psicanalista. Atua como professor associado do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da UFRGS e foi presidente da Associação Psicanalítica Internacional (IPA) e da Federação Psicanalítica da América Latina (Fepal). Rogério Wolf de Aguiar é psiquiatra forense e psicoterapeuta. Foi professor adjunto do Departamento de Psiquiatra da FAMED e supervisor de Psicoterapia da Residência em Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Sidnei S. Schestatsky é psiquiatra e psicanalista. É mestre em Saúde Pública pela Harvard University e Doutor em Psiquiatria pela UFRGS.

Vá sem Deus, mas com valores morais

0 21 outubro 2014 | 14:41

Os tementes a Deus que nos perdoem, mas parece que a devoção religiosa, embora possa tornar mais rica a experiência de vida de muita gente, não transforma ninguém em uma pessoa melhor. Um estudo realizado nos Estados Unidos realizou testes de moralidade com pessoas religiosas e outras sem religião para verificar se havia diferenças em seus comportamentos diários. O resultado mostrou que não é apenas aos olhos de Deus que somos todos iguais.


O diabinho e o anjinho estão dentro de todos nós
[FONTE: Deviant Art

Um estudo publicado no portal da Universidade de Illinois em Chicago, responsável pela pesquisa, entrevistou mais de 1200 pessoas, entre 18 e 68 anos, por meio de formulários enviados a seus smartphones. Entre os participantes, havia norte americanos e canadenses, e todos tiveram que se declarar praticantes ou não de alguma religião. Ao longo de três dias, todos receberam cinco mensagens diárias no celular. Cada uma pedia que eles descrevessem algum ato moral ou imoral que tivessem cometido, testemunhado ou tomado conhecimento na última hora.


Dilema moral à frente: tenha cuidado e evite manobras arriscadas
[FONTE: Disjointed Thinking

Os pesquisadores chegaram à conclusão que devotos e pagãos têm os mesmos valores e juízos morais. O que é certo para os de cá, também é correto para os de lá; e o que uns julgam errado, os outros também consideram inapropriado. A única diferença é que as pessoas religiosas experimentaram emoções mais fortes diante das ações que julgaram. Elas ficavam mais orgulhosas quando praticavam atos morais e se sentiam mais envergonhadas e enojadas quando eram culpadas de atos imorais. Enquanto isso, os não devotos tinham reações mais comedidas ao se autoavaliarem.


A justiça pode ser cega, mas a sua consciência não é
[FONTE: The Tormey Law Firm

Esse chão comum mostra que independente de crenças ou descrenças, as relações humanas são pautadas muito mais por princípios éticos que estão fora da alçada de Deus. Por isso que temas tão comumente abordados pelo viés religioso, também são profundamente debatidos no campo da Filosofia, como no livro A Coisa Certa a Fazer, no qual polêmicas como eutanásia, clonagem humana e casamento homoafetivo são analisados sem a intervenção divina.

Para a professora Linda Skitka, coautora da pesquisa em Chicago, estudos como esse são importantes para mostrar que as populações em geral estão preocupadas com questões abrangentes como justiça, honestidade, autoridade, subversão e maldade. Para a gente aqui no Brasil, pode ser especialmente importante lembrar disso nessa semana de eleições. Qual a coisa certa a fazer?

As maravilhas da engenharia

1 20 outubro 2014 | 16:17

O que seria do mundo sem os engenheiros? O primeiro de nossos ancestrais que decidiu sair da caverna para construir sua própria moradia certamente foi um dos precursores da engenharia civil. E o que dizer de quem descobriu a roda? Homenagearemos essa incrível e útil ciência em nossa Inspiração da Semana, trazendo uma lista com dez grandes feitos da engenharia moderna.

Todas essas incríveis construções foram possíveis graças a mentes brilhantes da engenharia, cujas capacidades devem ir além da criatividade e da excelência em cálculo. O livro Habilidades para uma Carreira de Sucesso na Engenharia, novidade no catálogo do Grupo A, demonstra que outras capacidades que muitas vezes não estão nos currículos dessa graduação são essenciais para esse profissional, tais como boa comunicação, gestão de equipe e tempo e gerenciamento de projeto.

#1 A grande pirâmide de Gizé

Nosso primeiro feito não está apenas nessa lista, mas é também a única remanescente dentre as Sete Maravilhas do Mundo. Também conhecida como Pirâmide de Queóps, a maior das três tumbas de luxo que se encontram na necrópole de Gizé seguiu sendo a maior obra feita pelo homem de 2550 a.C. até 1989, quando foi erguida a Torre Eiffel. O trecho “feita pelo homem” permanece sendo questionado por algumas teorias da conspiração, mas não há dúvida sobre a genialidade dos engenheiros envolvidos. O fato é que a habilidade de gerir equipes não faltou para os projetistas, afinal, foram necessários milhares de trabalhadores para erguer esses incríveis monumentos. 


Ninguém sabe ao certo como foi feito, mas quem fez está de parabéns. 
[FONTE: Bright Hub]

#2 A Muralha da China

O leitor mais atento pode perguntar: mas é apenas um muro enorme, por que seria um feito da engenharia? Nós respondemos: não é apenas o maior muro de todos os tempos, como permanece em pé! Nós diríamos também que pode ser visto da Lua, mas isso já foi desmentido. Aparentemente, se tratava de um rio o que foi visto pelos astronautas que inocentemente propagaram o boato. Mas aí reside o maior mérito: o paredão chinês é tão grande que o primeiro pensamento de quem viu, do espaço, um risco na China, foi: “só pode ser a Grande Muralha!”. E, como essa foi uma estratégia militar de defesa das fronteiras, não temos dúvida de que habilidade de liderança não faltou aos responsáveis pelo projeto. 


São mais de 20 mil quilômetros construídos para a defesa militar do país. 

#3 Channel Tunnel

Carinhosamente chamado de chunnel, o túnel do Canal da Mancha liga a França à Inglaterra por meio de um sistema ferroviário embaixo d’água. São quase 40Km de túnel submerso, sendo que o trecho mais profundo está a 75 metros da superfície. E aí? Bateu uma claustrofobia só de se imaginar viajando nesse trem? Certamente um projeto bastante ousado. 


Embora a ideia de ir de um país a outro por um túnel embaixo d’água possa ser assustadora, os passageiros viajam em altíssima velocidade. Quando viu, já foi. 

#4 CN Tower

Localizada em Toronto, no Canadá, a Torre CN foi construída inicialmente para telecomunicação, mas, hoje, é também um grande ponto turístico. Do alto dos seus 553 metros de altura, a CN Tower foi nomeada pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis (juntamente com o chunnel) como uma das Maravilhas do Mundo Moderno. Muitas mídias transmitem programação por meio de sua estrutura, que conta ainda com observatórios e até mesmo um restaurante. Essa é uma prova física de comunicação e engenharia andam de mãos dadas.


Precisou rolar muito a página para chegar até aqui? Pois esse é só o topo da torre. 

#5 Estádio Nacional de Beijing

Também conhecido como The Bird’s Nest (ou o ninho do pássaro), o estádio erguido para as Olimpíadas de 2008 tem mais aço em sua estrutura do que qualquer outra construção no planeta: 110 toneladas. No início desse mês, esse foi o cenário do Superclássico das Américas de futebol, disputado por Brasil e Argentina. A imagem noturna do estádio é de tirar o fôlego. Os engenheiros que idealizaram o Estádio Nacional de Pequim foram hábeis ao capturar informação para trazer a identidade nacional ao projeto, de modo que o povo chinês se sentisse bem representado nessa grande construção. 


Ninho do Pássaro é um apelido fofo, mas imagina o tamanho do passarinho que viveria aí. 

#6 Projeto Delta

Localizado na Holanda, essa maravilhosa engenhoca foi idealizada para ser um sistema de defesa contra as subidas de marés. Aqueles são países baixos, sabemos, e, em 1953, uma brecha em um dique provocou a morte de quase duas mil pessoas, além de ter foçado outras 70 mil a evacuarem a área. O projeto é extremamente inteligente e ambicioso. Merece com louvor seu lugar na lista. Podemos imaginar que talvez os idealizadores do Projeto Delta tenham corrido contra o tempo ao erguer esse sistema de defesa, sem saber quando uma nova maré alta poderia assolar a costa. O gerenciamento de tempo, sabemos, é uma grande habilidade a ser trabalhada por um engenheiro. 


É útil, salva vidas e, ainda por cima, uma bela paisagem.

#7 Canal do Panamá

Uma das maiores amostras da capacidade do homem em usar a natureza a seu favor, o Canal do Panamá liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. A travessia é feita por navios, dura entre 20 e 30 horas e é essencial para o comércio marítimo internacional. Mas o sucesso não veio fácil: a construção do canal durou muitos anos e foi interrompida diversas vezes devido à alta mortandade dos trabalhadores por doenças tropicais. Nesse momento, podemos dizer que os responsáveis pela construção do canal se viram diante de dilemas éticos. Essa é uma realidade enfrentada por muitos engenheiros, e é imprescindível saber como agir diante dessas dificuldades. 


Não tem passagem aquática por aqui? Sem problemas, a gente constrói. 

#8 Golden Gate Bridge

Personagem de muitos filmes de Hollywood, a ponte localizada na Califórnia é um famoso cartão postal norte-americano. Além disso, a belíssima construção liga a cidade de São Francisco, que é uma península, a regiões vizinhas. Para o delírio dos engenheiros de plantão, ela se utiliza da teoria da deflexão, por ser suspensa por cabos. Isso quer dizer que a ponte tem capacidade de ondular de forma compensatória sob fortes ventos, mantendo intacta sua estrutura.


Olhando essa imagem, alguém lembrou de algum filme estrelado pela Golden Gate?

#9 Viaduto de Millau

Sim, amigos, são nuvens o que cerca o viaduto na imagem. Localizado na França, essa é a ponte mais alta do Europa, chegando a ficar a 343 metros do chão. Em seu ponto mais alto, o Viaduto de Millau supera até a mesmo a Torre Eiffel, se tornando a construção mais alta daquele país. 


Viajar pelo Viaduto de Millau é estar com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. 

#10 Estação Espacial Internacional

Não é apenas um projeto de engenharia, mas um projeto conjunto de diversos países e que – um plus – está no espaço. Essa é a única estrutura permanente que foi boa parte construída em órbita, o que exigiu muitas missões espaciais russas, americanas, além da colaboração da Agência Espacial Europeia, para sua conclusão. E você aí reclamando de ter que pegar duas conduções para o serviço, hein? A confecção da EEI traz à tona a abordagem sistêmica na engenharia, na qual os conhecimentos de diversas ciências são conjugados para chegar ao resultado final. E que resultado!


Olhando assim parece pequenininha, mas a Estação Espacial Internacional contém diversos módulos e abriga seis tripulantes por vez. 

Menção honrosa: o hotel de gelo

Não basta fazer um grande projeto de engenharia e construí-lo, é preciso reerguê-lo anualmente, em diferentes locais. Essa é a proposta do Ice Hotel, cuja estrutura é toda feita de esculturas de gelo. Sua montagem exige que os construtores encarem temperaturas de até 40 graus negativos durante o trabalho (brrrrrr). Ponto para os projetistas – e para todos que tornaram esse hotel possível – especialmente no quesito criatividade. 


A rainha de gelo do desenho animado bem podia dar uma mãozinha pro pessoal da montagem, né?

E você? Ficou interessado pela profissão? É certamente um desafio e tanto. ;)

A genética da esperança

2 17 outubro 2014 | 14:12

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Talvez hoje nos pareça banal pensar que algumas formas de câncer de mama têm origem genética. Já estamos tão conscientes desse fato que até resulta absurdo imaginar uma época em que médicos e pesquisadores sequer imaginassem a origem do câncer que mais mata mulheres ao redor do mundo. Mas houve, sim, um tempo em que a ideia de hereditariedade no câncer de mama parecia um conceito absurdo, e Mary-Claire King, uma das maiores geneticistas da história, teve que enfrentar muita briga e resistência para comprovar sua teoria.


Diante da doença, Annie tenta entender o funcionamento dos tumores
[FONTE: New York Post

O filme Unidas pela vida apresenta ao espectador duas histórias emocionantes: de um lado, Mary-Claire (vivida por Helen Hunt), mulher que, não bastasse ter mapeado o genoma humano, descobriu o gene que contribui fortemente para a ocorrência do câncer de mama; e, de outro lado, a de Annie Parker (em interpretação de Samantha Morton), uma norte-americana que perdeu a avó, a mãe, tias e a irmã para a doença, mas nunca encontrou alguém que acreditasse em sua intuição de que o mal corria na família. Embora paralelas, as vidas de Mary-Claire e Annie se entrelaçam e se encontram conforme os avanços científicos comprovam que a família de Annie não é apenas vítima de um "grande azar" como sugere um de seus médicos.

 

Um dos maiores méritos do longa-metragem é, sem dúvida, a abordagem sincera e honesta ao tema. Sem trilha sonora emocionante, sem momentos milagrosos de superação nem cenas de desespero diante da tragédia, o roteiro nos coloca lado a lado com Annie, como se a acompanhássemos de perto. Há inúmeras cenas engraçadas, todas devido ao inteligente senso de humor da protagonista, mas também há muito aperto no coração e o constante medo pelo desfecho: conseguirá nossa heroína sobreviver aos insistentes tumores que lhe atacam?

Annie perdeu a avó, viu a mãe sucumbir à doença e ainda enterrou a própria irmã em sua juventude. Não tardou para que seu diagnóstico confirmasse as suspeitas de que ela também era vítima do câncer de mama. Mas, ao contrário de sua família, o tratamento de Annie tem sucesso, e ela se livra completamente dos tumores. Infelizmente, isso não significa que as outras áreas de sua vida, como o casamento, não sofrerão golpes devastadores.


A pesquisadora Marie-Claire, que dedicou anos ao estudo do câncer de mama
[FONTE: trailer todo dia]

Enquanto Annie aprende a lidar com a doença e os efeitos que ela causa em sua vida pessoal, Mary-Claire precisa desvendar o labirinto do genoma humano para tentar comprovar sua teoria. Com uma equipe formada por jovens médicos - os únicos da área da saúde que parecem levar a sério suas crenças - a cientista entrevista, examina e cataloga milhares de casos de câncer de mama. Em uma época em que os computadores ainda pesavam toneladas e cálculos complexos podiam levar alguns anos para serem resolvidos, Mary-Claire King luta contra todas as probabilidades até chegar ao resultado que hoje conhecemos.

Duas mulheres fortes e batalhadoras, duas trajetórias de vida que marcaram época, uma por sua singularidade, outra por sua universalidade, duas vidas que, unidas pela doença, ajudaram a salvar milhares de pessoas até hoje. Mary-Claire e Annie são figuras reais, seus legados persistem e entraram para a história da medicina. Neste outubro rosa, temos a elas e a outras tantas mulheres como elas para agradecer pelos diagnósticos que, por mais trágicos que sejam, hoje nos chegam acompanhados de esperança, conhecimento científico e histórias de superação.

Uma breve história da Tipografia

4 15 outubro 2014 | 14:13

Hoje, compartilhar conhecimento é fácil. E nós não estamos falando apenas da internet, das redes móveis, de computadores e dos gadgets nossos de cada dia. É claro que tudo isso é importante para que a sabedoria se espalhe aos quatro ventos e ganhe o mundo. Mas muito antes da tecnologia como a conhecemo, existiu uma invenção tão revolucionária quanto. Sem ela, você não poderia estar lendo esse texto. Sim, estamos falando dos tipos, ou, como nos acostumamos a chamar, das fontes.

Pare e pense. O que seria das nossas vidas se ainda estivéssemos presos ao tempo em que o conhecimento era passado de geração para geração oralmente? Impossível, certo? Pois bem, como a grande maioria das pessoas, talvez você agradeça a Johannes Gutemberg pela imprensa, mas a verdade é que o nascimento da tipografia é muito anterior a isso. Afinal, antes mesmo de termos livros e jornais para ler, já éramos capazes de nos comunicar utilizando símbolos abstrados que juntos ganham forma e significado.


Quem disse que sua letra manuscrita não pode virar uma fonte?
FONTE: IWS

A tipografia enquanto estudo das letras impressas mostra que o começo desse vasto campo remonta séculos antes de Cristo, uma vez que até as letras manuscritas são consideradas tipos. Ou seja, muito antes da imprensa, já existiam exemplos de fontes espalhados pelo mundo. O alfabeto hieróglifo do Egito, por exemplo, é datado de 3.000 a.C, enquanto o alfabeto fenício é de 1.000 a.C e o Grego de 600 a.C. O alfabeto romano, que deu origem ao nosso atual, é de 100 d.C, muito antes dos tipos móveis de 1440 de Gutemberg.

A grande invenção de Gutemberg que, sim, é muito importante para a tipografia, foi tornar os tipos não só móveis como resistentes. As primeiras fontes móveis da história da humanidade na verdade apareceram na China, por volta de 1040, pelas mãos de Shen Kuo. Só que enquanto o professor chinês usava tipos móveis de madeira, que por sua característica orgânica, eram mais perecíveis, o alemão forjou símbolos de ferro, que, por serem resistentes, tornaram a impressão algo passível de ser feito em larga escala


A tipografia é anterior à imprensa de Gutemberg
FONTE: Flickr

Com a facilidade de imprimir não é de se espantar que logo em seguida surgissem variações tipográficas. Afinal, quem não gostaria de ter um livro totalmente impresso com uma fonte única? Foi assim que surgiram a Bookhand e a Human, duas fontes que são apontadas como as bases de várias outras que encontramos hoje em nossos computadores. Mesmo a Garamond remonta a esse período: foi inventada por Claude Garamond em 1541. Já em 1600 nascia o itálico pelas mãos de Aldus Manutius. Por sua vez, a famosa Times Roman surgiu em 1932 como uma crítica de Victor Lardent, que trabalhava no The Times, às fontes arcaicas utilizadas pelo periódico.

Não precisa nem dizer que a tipografia virou não apenas uma área de estudo como também uma peça importante do design gráfico, como mostra Ellen Lupton, um dos grandes nomes da área, no seu livro Design/Escrita/Pesquisa. É só olhar para a quantidade de opções de fontes que temos em simples programas de edição de texto para ver a importância dos tipos. Não é só uma questão de estética: alguns tipos são mais efetivos para cada leitura, plataforma, mas esse é assunto para um próximo texto. Por enquanto, fiquem com esse divertido vídeo (em inglês) sobre a tipografia.

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