Uma fábula de amor por Woody Allen

0 26 setembro 2014 | 12:37

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Woody Allen traz a seu fiel público mais um filme em terras europeias. Assim como em Meia Noite em Paris, Vicky Cristina Barcelona e Para Roma, com amor, também em Magia ao Luar o nova-iorquino assume a direção e o roteiro, mas sai de cena e deixa a interpretação a cargo dos mais jovens. Na França dos anos 1920, uma americana se apresenta como médium a uma família milionária e um dos maiores mágicos do planeta é chamado para verificar se a garota não passa de uma fraude.


Sophie enxerga o passado com apenas um colar de pérolas
[FONTE: CraveOnline

Colin Firth interpreta Stanley, que viaja o mundo apresentando seu espetáculo de truques e ilusões, como fazer desaparecer um elefante e serrar uma mulher ao meio. O papel da médium Sophie fica nas mãos de Emma Stone, bela e delicada jovem que recebe “vibrações” e visões do mundo oculto. Se, por um lado, Allen parece ter errado a mão na direção de elenco (os atores entregam um resultado apenas satisfatório), a cenografia e o figurino beiram o impecável.

Da mesma forma como é fácil para o espectador se apaixonar pelos cenários da Costa Azul, percebe-se que será inevitável para o mágico apaixonar-se pela mulher que decidiu desmascarar. Apesar de toda a descrença de Stanley, o mais cético dos homens que não acredita em nada além do que vemos no mundo físico, Sophie parece ser uma genuína médium, capaz de revelar informações às quais ela nunca teve acesso antes.

Hospedada na casa da família Cartledge, Sophie já conquistou as graças da matriarca e o coração de seu deslumbrado filho Brie, cujo único desejo na vida passou a ser casar-se com a alegre americana. Mas a relação entre ela e Stanley se torna mais sedutora que todas as promessas de roupas, joias e viagens que Brie poderia oferecer. Só que nem mesmo a visionária Sophie consegue prever o futuro dessa relação, já que Stanley tem uma noiva que o espera nos Estados Unidos.

É quase impossível falar mais sem entregar spoilers. Se você quiser saber o desfecho do romance e descobrir se Sophie é paranormal ou charlatã, será necessário ver o filme. O que podemos dizer é que Woody Allen nos traz um conto de mistério, encanto, religião, psicanálise, loucura e, claro, amor. Com truques no palco e sessões espíritas na sala, o que o diretor parece querer provar é que a verdadeira magia está nas pequenas coisas da vida :)


A magia do apaixonamento e o brilho no olhar
[FONTE: Mongrel]

Final feliz na telona e na vida

0 23 setembro 2014 | 14:11

As estatísticas atuais não são nada generosas com os casamentos. Em países como os Estados Unidos, metade deles termina em divórcio, muitos dos quais em seus primeiros cinco anos de vida. Parece que o “felizes para sempre” está cada vez mais condenado a ficar apenas na ficção. Mas nem tudo está perdido! Não estamos aqui querendo acabar com a fé do leitor no amor. Pelo contrário, iremos renová-la. Um estudo realizado na Universidade de Rochester acredita ter encontrado um antídoto para o divórcio prematuro e é muito simples: basta que os pombinhos assistam a filmes juntinhos e os comentem depois. 


Assistir a um filme de casalzinho não é apenas romântico como também pode ser terapêutico. 
[FONTE: Favim]

O experimento durou cerca de três anos e foi realizado com 147 casais. A interferência na vida de cada par de voluntários foi bastante simples: durante um mês, de forma controlada pelos cientistas, eles assistiram a filmes e, após, os debateram, com base em perguntas pré-determinadas pela equipe de cientistas. E aí vem um twist: não pode ser qualquer filme, sequer qualquer filme romântico. A maior parte dos romances mostra a conquista, as barreiras ultrapassadas pelos apaixonados até ter para si o ser amado. Todo o sofrimento, sim, mas só o que vem antes do beijo. O casal fica junto na última cena do filme, lindo, mas e o que vem depois? E a rotina massacrante do relacionamento? E as dicussões infinitas pra ver de quem é a vez de lavar a louça? Por essas e outras, os filmes utilizados no estudo e indicados para quem quiser tentar isso em casa (dessa vez pode!) são aqueles que mostram as reais pendengas do casamento, com o casal tentando, de fato, resolver seus problemas e manter a união.


Em Um Caminho para Dois, um casal relembra, durante uma viagem pela Europa, os momentos bons e difíceis da relação de 12 anos. 
[FONTE: Prazer Cinematográfico]

Dentre os títulos sugeridos pelos pesquisadores (anotem aí!) estão: 

- Um Caminho para Dois (Two for the Road, 1967), de Stanley Donen

- Lar… Meu Tormento (Mr. Blandings Builds his Dream House, 1948), de H. C. Potter

- Maridos e Esposas (Husbands and Wives, 1992), de Woody Allen

- ...E o Vento Levou (Gone with the Wind, 1939), de Victor Fleming

- Nosso Amor de Ontem (The Way We Were, 1973), de Sydney Pollack

- Melhor é Impossível (As Good As It Gets, 1997), de James L. Brooks

- A Costela de Adão (Adam’s Rib, 1949), de George Cukor 

- Love Story - Uma História de Amor (Love Story, 1970), de Arthur Hiller

Ou seja, a lista contém muitos filmes clássicos e de diretores consagrados. Além de salvar o casamento, a dupla ainda pode ganhar muito em cultura cinéfila. ;)


Casal que assiste a ...E o Vento Levou unido, permanece unido (ao menos pelo tempo de projeção do filme, o que já é bastante).
[FONTE: Blog do Jotacê]

Após a intervenção com os pares voluntários, os resultados obtidos pelos cientistas de Rochester demonstraram uma diferença no número de divórcios ocorridos nos três anos seguintes, na comparação entre o grupo participante e grupo controle. De acordo com o Dr. Ronald Rogge, foram 50% menos separações dentre aqueles que assistiram aos filmes durante o experimento. Para ele, apesar de ter sido voltada aos novos casais, a pesquisa pode beneficiar também os casais mais antigos, que podem aproveitar para analisar sua relação à luz do conteúdo visto na telona. Embora os primeiros anos sejam os mais difíceis, isso não significa que os casamentos veteranos sejam à prova de bala, por isso é importante tirar um tempinho para cuidar e cultivar o relacionamento. 


O final feliz dos flimes é possível na vida real também.
[FONTE: SOC]

Para os enamorados que se empolgaram com a possibilidade de praticar essa divertida e prazerosa terapia de casal, não podemos deixar de fazer uma indicação de leitura. Em O Amor e seus Labirintos, Gley P. Costa fala de forma erudita e bem-humorada sobre relacionamentos, sem lentes cor de rosa, mas também sem perder a esperança no amor. Pronto! Com filminho, debate, leitura de especialista, açúcar e afeto na receita, não tem amor que não dure. 

Pequenas criaturas inspiradoras

0 22 setembro 2014 | 16:32

Qual criança nunca imaginou um mundo em miniatura logo que ouviu falar de duendes, seres pequenos com grandes poderes mágicos? Ou passou a tarde deitado na grama pensando em como seria a vida secreta das formigas, o que elas realmente fazem dentro de suas casas quando ninguém está olhando. E, ainda, ao despertar no meio da noite, procurou se certificar de que os brinquedos não haviam ganhado vida. Se você se viu em umas dessas situações vai sorrir quando conhecer mais do trabalho de Isaac Cordal. E refletir também.


Morri e fiquei aqui abandonado
[FONTE: So bad, so good]


Envelhecer a dois é isso

Artista espanhol versado na arte da escultura e da fotografia, Cordal criou um mundo paralelo de seres minúsculos que habitam as ruas do México na série Cement Eclipse, ou, na tradução livre, eclipse de cimento. O nome, aparentemente lúdico e sem sentido, na verdade dá pistas do que o escultor pretende com seus pequenos bonecos de cimento, todos feitos à semelhança do criador, ou seja, humanizados. E tal qual o fenômeno responsável por cobrir a lua com o sol ou vice e versa, a série Cement Eclipse evidencia um pouco do que nós, seres humanos, somos, mas às vezes não queremos ver


Eu vejo flores em você


Alguém me tire daqui!
[FONTE: Fusion]

A série de bonecos encontrados nas ruas de Chiara pode parecer só mais uma expressão de arte urbana, outra vertente do trabalho de Isaac Corral, mas é muito mais do que isso. Com suas figuras esqueléticas, o artista não só homenageia a cultura local, sua predileção por caveiras e sua relação com a morte, como faz uma critica sutil àquela sociedade, parte do todo em que vivemos. Em seus trabalhos, ele critica a política, a falta de cuidados com o meio ambiente e até mesmo o fato das pessoas passarem todos os dias por obras de arte e não as apreciarem. As criações de Corral podem ser pequenas, mas não são invisíveis e, se apreciadas com atenção, abrem um mundo de possíveis leituras.


Dois menores abandonados


A eterna espera
[FONTE: So bad, so good]

Segundo o próprio artista, a ideia é que os bonecos funcionem como fósseis da cidade, e, não por acaso, são encontrados em poças d'água, em restos de canos ou simplesmente atirados no chão. Uma crítica semelhante e que mostra onde Cordal quer chegar pode ser encontrada na série anterior, a Follow The Leaders, na qual as mãos inteligentes do espanhol transformam pequenos homens de negócios em retratos que bem poderiam ser da vida real. Coloca homens de terno e suas pastas em situações que nos fazem refletir sobre o capitalismo nosso de cada dia. 


Afinal, quem é ladrão?
[FONTE: Fusion]


Vamos discutir… glub, glub, glub

Marginalizadas, as esculturas de cimento de Isaac não têm futuro, especialmente se pensarmos nas esqueléticas encontradas no México, mas será que sua existência, em cenários reais, não é capaz de nos fazer ver a beleza nos pequenos detalhes? Pense nisso e compartilhe conosco sua impressão sobre mais essa inspiração semanal. ;)

Um mundo sem passado

0 19 setembro 2014 | 14:26

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

A sinopse de O Doador de Memórias pode parecer quase um lugar comum: em uma sociedade futurista, as emoções são apagadas em nome da ordem, do controle, da paz e da civilidade. Devido a injeções diárias, todas as pessoas que habitam “a comunidade” são privadas de suas emoções mais profundas e vivem conforme as regras estabelecidas pelos anciãos, um grupo de homens e mulheres mais velhos que tomam todas as decisões relacionadas à vida em sociedade.


Jonas é um dos únicos que enxerga o mundo colorido
[FONTE: The Suffolk Voice

A vida é relativamente fácil: desde o nascimento, todos os passos de um indivíduo estão planejados. Aos nove anos de idade, todos ganham uma bicicleta. Aos dezoito, os anciãos determinam para cada jovem uma carreira profissional. Não há questionamentos, angústias e muito menos o peso da dúvida ou da decisão. Basta seguir o roteiro e a harmonia se mantém. As únicas pessoas nesse mundo quase perfeito que têm noção do quanto a natureza humana está sendo reduzida nesse contexto são os que possuem uma memória coletiva da civilização. No caso, temos o doador de memórias, um ancião vivido por Jeff Bridges, e o receptor de memórias, nosso jovem protagonista Jonas, interpretado por Brenton Thwaites. O primeiro detém as lembranças do mundo, o segundo está em treinamento para recebê-las e armazená-las em sua cabeça, utilizando-as apenas quando os anciãos precisam de conselhos na resolução de problemas novos.

Desde criança, Jonas desconfiara ser diferente dos outros, mas jamais tivera coragem de dizer que, em um mundo no qual todos enxergam em preto e branco, ele enxergava cores e sentia emoções mais delicadas do que os outros, como o medo. Apenas quando conhece o doador, Jonas passa a compreender que, com o intuito de evitar sentimentos negativos como ódio, inveja e egoísmo, toda a sociedade era castrada em seu mais íntimo e vivia aos moldes de uma lógica fria e robótica.

O roteiro nasce do conflito que Jonas enfrenta ao pesar as duas realidades em que vive. Do lado de cá, uma comunidade pacífica e igualitária, mas sem calor humano, nem amor ou alegria. Nas memórias do passado, o mundo que conhecemos, cheio de amor, ódio, generosidade, desprezo, guerras, famílias e perdas. Por circunstâncias pouco explicadas no filme, o jovem tem uma escolha que beira o sobrenatural. Caso ele se aventure em território desconhecido e alcance um determinado ponto na “fronteira da memória”, todas as lembranças da história humana voltarão às mentes e corações de seus compatriotas. Como num passe de mágica, ou por algum mecanismo que, na transição do livro escrito por Lois Lowry para o roteiro, acabou ficando de fora da adaptação.


Jeff Bridges é o doador de memórias assombrado por suas próprias lembranças
[FONTE: Wallpaper series

O longa de Phillip Noyce tem falhas inegáveis, sobretudo nesses furos de roteiro que permeiam a trama. Ainda assim, a história é envolvente, os atores cumprem bem seu papel e a direção de arte é impecável em seu objetivo de emocionar a plateia. Ao mesmo tempo em que Jonas desperta emoções em Fiona, a menina que ele aprende a amar, o filme amolece os corações dos espectadores, com cenas de grandes vitórias históricas, trilha sonora inspiradora e discursos comoventes do doador.

O Doador de Memórias não é um filme para mudar sua vida, mas vai facilmente mudar sua semana. Depois de acompanhar a saga apaixonada de Jonas, é impossível não sentir vontade de colocar um pouco mais de cor e sabor na vida cotidiana. Em apenas uma hora e meia, a história torna evidente a essencialidade da emoção e da memória na construção social e cultural do que significa ser humano. Animais racionais, talvez, mas com força e mistério que não podem ser deixados de lado. O que o doador tenta dizer desde o princípio é que nunca teremos o nosso melhor se não formos capazes de abraçar e controlar o nosso pior.

Por trás do crachá: Juliana B. de Freitas

0 18 setembro 2014 | 17:44

Sabe aquele livro que você adora? Ou aquele eBook sensacional, aplicativo superútil ou o Blackboard Learn que você usa em sala de aula? Para que eles existam, profissionais de várias áreas trabalham todos os dias até eles chegarem à sua mão – ou ao seu computador, tablet, celular e afins. Quer saber um pouco mais sobre quem faz uma empresa de Educação? Convidamos você a conhecer o Grupo A mais de perto, por trás do crachá!

Uma empresa não sobrevive sem ao menos tentar se aprimorar de vez em quando. Aqui no Grupo A procuramos integrar a inovação em nosso dia-a-dia, mas, para não sairmos às cegas, contamos com a Controladoria. É esse o setor que recebe informações de toda a empresa, analisa, e aponta direções para seguirmos. Para apresentar um pouco melhor a área, conversamos esta semana com a Juliana, Analista de Controladoria por aqui.


O que você faz no Grupo A?

Eu desempenho um trabalho mais focado na área fiscal, que inclui em minha rotina demandas internas e externas. Resumidamente minhas atividades são ligadas a apuração de impostos e obrigações acessórias.

Qual a sua formação profissional e como ela se relaciona com suas atividades?

Conclui o técnico em contabilidade antes de entrar no Grupo A, o que me ajudou a decidir pela graduação em Ciências Contábeis. Já estou cursando o 7 º semestre, com formação prevista para final de 2015. O curso tem toda a relação com as tarefas da controladoria. Claro, tem situações que eu não exerço diretamente, mas consigo acompanhar o que meus colegas fazem.

Há quanto tempo está no Grupo A?

6 anos e 5 meses.

Qual seu livro preferido?

Eu acompanho mais publicações da Bookman, que integra minha área de estudo. Um livro que me ajudou muito na faculdade foi o IRFS 2012, que utilizei para pesquisa no 6º semestre.

Um momento marcante no Grupo A? 

Foram dois momentos marcantes para mim. O primeiro quando entrei na Artmed para trabalhar no Setor Financeiro, mesmo não sendo minha maior área de interesse. O segundo momento marcante ocorreu em meu 2º ano de empresa, após eu já ter migrado para a Controladoria, foi quando saímos em férias coletivas e tivemos o privilégio de ainda receber uma gratificação financeira, fiquei realizada por trabalhar em uma empresa que reconhece o valor do colaborador. Isso não tem preço.

Um talento ou hobby que você esconde dos colegas?

Simples: Gosto muito de dançar.

O conhecimento transforma porque... o ser humano se satisfaz pessoalmente e profissionalmente.

Como nascem os livros

0 17 setembro 2014 | 16:31

Até o leitor menos atento já sabe que livros são a nossa paixão. Nós os amamos em todos os formatos, sejam impressos ou digitais. Livros nos trazem conhecimento, e eles mesmos são produtos de uma longa evolução de técnicas de impressão, reprodução e tipografia. Hoje, vamos mostrar um pouco de como se costumava fazer e como se fazem atualmente esses objetos maravilhosos :)

Birth of a Book from GLEN MILNER on Vimeo
Neste vídeo, você acompanha o nascimento de um livro impresso, tão complexo quanto um parto

Nos primórdios da fabricação de livros, o processo era todo manual. Cada cópia era escrita à mão por um escriba, profissional especializado em caligrafia e que, supomos, deveria sofrer imensuráveis dores nas costas após cada jornada de trabalho curvado sobre papéis. O escriba ainda nem sabia o que é tendinite, mas certamente sofria desse mal. Devido ao enorme esforço dispendido em cada exemplar, os livros eram raros e caríssimos. Em 1424, a Universidade de Cambridge tinha pouco mais de uma centena de livros, e cada um deles valia o mesmo que uma fazenda.


Até hoje, grandes livros precisam ser costurados em pequenos cadernos
[FONTE: Zoe Scharf

Naturalmente, essas dificuldades incomodavam muita gente, como, por exemplo, Johannes Gutenberg, um ourives alemão que passou anos pesquisando técnicas de impressão. É verdade que os chineses já haviam criado um processo mecânico para a tarefa, mas os moldes móveis de cada letra usados na China, feitos de madeira, duravam pouquíssimo tempo. O escriba não se desgastava tanto escrevendo, mas passava horas na preparação dos moldes. Gutenberg foi o homem que, em 1455, conseguiu criar uma prensa com tipos móveis de longa duração, feitos de metal e, portanto, mais fortes ao marcarem o papel e mais resistentes à ação do tempo. Nascia a impressão em massa.


Quando fazer livros ainda parecia coisa de magia

Em pouco tempo, as prensas se espalharam pela Europa e permitiram toda a efervescência cultural do Renascimento, facilitando a disseminação do conhecimento por meio da escrita. Os processos atuais de fabricação não são tão diferentes daqueles dos anos 1960. O vídeo abaixo, que mostra a impressão de um dos livros da trilogia Crepúsculos nos Estados Unidos, é surpreendentemente semelhante ao vídeo quase cômico que vimos acima. Ou seja, Gutenberg fez tão bem o seu trabalho que os princípios da impressão continuam os mesmos. Uma salva de palmas ao inovador ourives alemão!


Tem quem preferisse que esse livro em particular nunca tivesse sido impresso...

Se ficou curioso para conhecer ainda mais do universo de produção de livros, o site Brain Pickings traz mais vídeos de prensas em ação! E não esqueça que toda nossa seção Sobre Livros é dedicada a essa grande paixão pelas letras impressas (ou grafadas digitalmente, por que não?). Enquanto houver escritores e leitores, haverá maneiras de disseminar o conhecimento da forma mais ampla possível!

A felicidade está mesmo no ordinário

0 16 setembro 2014 | 14:32

A sabedoria popular prega que a felicidade está nas pequenas coisas. Pelo jeito, nesse quesito, a ciência está correndo atrás do ditado e somente agora começa a provar que, realmente, as lembranças de momentos corriqueiros são as que mais nos trazem alegria. Uma série de estudos, recentemente publicados no jornal Psychological Science e divulgados pelo PsyBlog, mostra como, via de regra, as memórias com maior potencial de nos trazerem alegria são as que menos valorizamos enquanto as criamos. 


A felicidade se manifesta da cabeça aos pés
[FONTE: Engaged Marriage

Todos se ocupam com fazer fotos de aniversário, de formatura e casamento, mas muitas vezes nem pensamos em registrar o dia a dia, momentos da rotina que passam quase despercebidos na correria da vida diária. No entanto, as pesquisas mostram que fotografias de acontecimentos banais, que não impressionariam seus amigos no Facebook, podem ser as que mais vão nos alegrar no futuro.

Para chegar a essa conclusão, cientistas realizaram um estudo no qual pediram a 135 estudantes que criassem uma cápsula do tempo na qual deveriam salvar para o futuro uma conversa recente, algum registro do último evento social de que tivessem participado, um trecho de um artigo próprio e as três músicas favoritas do momento. Os voluntários também tiveram que imaginar o quanto eles gostariam de reencontrar esses itens anos depois. O resultado: os alunos erraram - e muito - na previsão do efeito que a reabertura da cápsula do tempo teria sobre eles.


Quem já soprou um dente-de-leão sabe que essa é uma das pequenas alegrias da vida
[FONTE: ooh pretty shiny over there

Todos acreditavam que seria interessante reencontrar esses itens do passado alguns meses depois, calculando o quanto seria curioso revê-los. Mas ninguém imaginou a cápsula como fonte de sentimentos de alegria ou felicidade, e foi isso o que aconteceu. Um dos autores do estudo, Ting Zhang, da Faculdade de Negócios de Harvard, ressaltou a surpresa em aprender que não percebemos como eventos ordinários de hoje podem se transformar em lembranças extraordinárias no futuro.

“As pessoas se alegram imensamente em reencontrar uma lista de músicas de meses atrás ou relembrar uma piada que disseram ao vizinho, mesmo que essas coisas não parecessem significativas no momento”, comenta Zhang. O conselho é tirar um tempinho para tirar fotografias mesmo de situações que pareçam sem graça. Mas, claro, sem exagerar! Zhang alerta que também não é interessante gastar tanto tempo preparando a foto e esquecer-se de viver o momento.

A felicidade é mesmo um mistério, e embora ela desempenhe um papel mais que importante em todas as esferas da vida humana, da aprendizagem aos relacionamentos sociais, nós continuamos na busca pela compreensão desse sentimento. Talvez nunca cheguemos a uma só resposta, ou a uma conclusão definitiva, mas, como disse o poeta, a felicidade “tem a vida breve”, então o único caminho possível é aproveitar ao máximo quando a tivermos do nosso lado!


Momentos banais podem ser importantes recordações
[FONTE: Ned Hardy

Dançando os males para longe

0 15 setembro 2014 | 12:40

A dança é uma das formas de expressão mais antigas da humanidade. Já dançamos para a natureza, pedindo comida e bons ventos, já dançamos pela chuva e até em rituais sagrados, nos quais dançávamos para os deuses. Na Idade Média, a dança, como quase toda a prática que utilizasse o corpo como instrumento, foi banida. Após, no Renascimento, voltamos a bailar, cada vez com mais classe e técnica. Atualmente, a dança pode ser diversão, sedução ou até mesmo libertação. Nossa inspiração hoje traz esses movimentos ritmados que trazem tanto da natureza humana e que são capazes de expressar tantos sentimentos. Dance! E dance como se ninguém estivesse olhando. ;)

#1 Bailando na cidade

A série Dance (Dança),  do fotógrafo norte-americano Cole Barash traz algumas de suas características mais marcantes: o equilíbrio entre paixão e precisão e a intensidade das imagens. O instante congelado é estático, mas ao observar as imagens, não temos dúvida: a modelo está dançando. E com gosto!


O contraste entre a leveza e o movimento da dançarina. 
[FONTE: Cole Barash]


Na dança, o corpo é etéreo.
[FONTE: Cole Barash]


A janela dos contrastes. 
[FONTE: Cole Barash]

#2 O corpo e o pó

Dust and Dance (Poeira e Dança) é uma interessante série de imagens propostas por Thomas David. Nela, o fotógrafo dá um banho de talco em dançarinos antes de fotografá-los em sua performance. Dessa forma, o pó torna-se uma extensão do bailarino, dando prosseguimento aos movimentos executados por seu corpo. No making of, o trabalho parece muito simples, mas transformar um pequeno instante em uma bela fotografia exige muita técnica e a busca da exposição perfeita


Um pequeno gesto, uma grande foto. 
[FONTE: Thomas David]


Pó, cabelos e corpo na composição da imagem fazem com que ela quase se mova diante de nossos olhos.
[FONTE: Thomas David]


Efeitos especiais? Dispensamos. 
[FONTE: Thomas David]

#3 O corpo líquido

Famoso por suas esculturas com água, o fotógrafo japonês Shinichi Maruyama resolveu liquefazer o corpo humano em sua série sobre dança. Nude (Nu) traz a composição de imagens de dançarinos fotografados durante sua performance, criando belos desenhos feito por seus corpos. Para chegar a esse resultado Maruyama utilizou cerca de 10.000 cliques, em sequencias de 2 mil por segundo, na composição de cada fotografia. Da união entre tecnologia e técnica fotográfica temos um conjunto de imagens de tirar o fôlego. 


O mais interessante é que quase conseguimos visualizar a coreografia que originou a imagem.
[FONTE: Shinichi Maruyama]


Alguém mais enxerga dois bailarinos nessa foto?
[FONTE: Shinichi Maruyama]


Com tantos rodopios, confessamos que ficamos cansados só de olhar. 
[FONTE: Shinichi Maruyama]

E aí? O leitor se animou a dar uma dançadinha para dar um up nessa segunda-feira? 

Lucy e o cérebro pós-humano

0 12 setembro 2014 | 15:03

Com Scarlett Johansson encarnando uma anti-heroína, Lucy conta a história de uma jovem que se envolve acidentalmente com tráfico de substâncias ilegais e acaba se metendo em tremendas confusões. Parece meio bobo, e talvez seja, porém Lucy não é necessariamente um filme a ser levado totalmente a sério. O próprio longa parece não se importar muito com isso.

Fazendo uma boa bilheteria, inclusive no Brasil, a película polarizou a crítica entre os que não viram sentido nenhum na miscelânea científica do roteiro misturada à ação e os que a definiram como uma boa diversão com questionamentos relevantes acerca da capacidade humana. Sem tomar lados em um primeiro momento, podemos dizer que toda a crítica é legítima, mas se tratando de um filme de Luc Besson, com Johansson destruindo tudo e Morgan Freeman “explicando coisas” (impossível não acreditar no que esse homem diz!), por mais que flerte com o trash, o longa já nasce um pouco cult


Sai da frente que lá vem a Lucy, e ela não está muito feliz, não. 
[FONTE: Divulgação]

Apesar de a teoria de que usamos apenas 10% do cérebro ser um mito, é interessante a explanação do neurocientista Norman (Freeman) no início do filme sobre a evolução do cérebro e a imortalidade da célula, que se perpetua por meio de seus iguais. Embora bem didática, essa é a única explicação que temos no longa, pois, desde seu primeiro ato, no qual vemos Lucy sendo arrastada para essa cilada neurocientífica (em uma sequência genial que mescla os acontecimentos iniciais do filme com cenas da natureza selvagem), o ritmo frenético é mantido. Parece meio contraditório, pois as cenas de ação perdem em número para as de contemplação, mas essas correspondem ao roteiro estilo correria por meio de seus muitos efeitos especiais.  

No filme, a capacidade exponencial do cérebro de Lucy é causada pela ingestão acidental de uma quantidade absurda da droga CPH4 que ela transporta em seu estômago, como mula. Na história, se trata da versão sintética de um hormônio produzido durante a gestação, responsável por gerar energia para o feto. Em doses cavalares, porém, os efeitos são inimagináveis. Em uma atuação que tem sido elogiada, Scarlett nos apresenta uma Lucy que vai se tornando cada vez mais robótica à medida que seu cérebro vai atingindo seu potencial máximo. 

Capaz de controlar suas próprias células e as de outrem, além de basicamente toda a matéria que há no universo, a jovem logo percebe que não tem muito tempo e sai em busca do que sobrou da droga sintética, dos traficantes que a colocaram nessa enrascada e da ajuda do professor Norman. Com um contador de percentagem aparecendo em tela de tempos em tempos, o filme se atém ao suspense sobre o que acontecerá à moça quando seu cérebro chegar à capacidade máxima


Se até o Morgan Freeman parece preocupado, o que sobra para nós?
[FONTE: Divulgação]

O melhor conselho para os que vão assistir ao longa é: não questione a teoria dos 10% ou a capacidade do CPH4, assim como nunca questionamos o fato de uma picada de aranha radioativa transformar um estudante em super-herói. Faz parte da ficção ser aceita em seu desapego à realidade. Mas, se os que gostam de seus filmes com bastante precisão científica devem ser alertados para uma possível decepção, o mesmo não pode ser dito dos que apreciam bons questionamentos acerca da existência

A transformação de Lucy enquanto seu cérebro vai chegando mais perto dos 100% nos faz pensar: o que nos torna humanos, afinal? Está aí uma pergunta que vem se mostrando cada vez mais relevante ao passo em que evoluímos (ou seria o contrário?). Se, ao final, depois de tantos orientais derrotados e humilhados, tiros de bazuca, carros capotando em via pública e efeitos especiais insanos, você ainda não encontrar o sentido dessa bagunça toda, não se preocupe. Lucy diz a que veio na última frase do filme, deixando no ar a reflexão. E é aí que o espectador decide: valeu a experiência? Nós achamos que vale, sim, a pipoca. 

BlogA Entrevista: Dr. Elvino Barros

0 11 setembro 2014 | 15:19

Que os medicamentos transformam a nossa vida, não há dúvidas: quem aqui gostaria de arrancar um dente sem analgésicos ou enfrentar uma vida sem remédios para a pressão? Mas, como tudo no mundo, eles podem ser usados para o bem e para o mal, e é preciso ter cuidado na administração de drogas a pacientes. No livro Medicamentos de A a Z, o Dr. Elvino Barros traça um amplo panorama dos principais fármacos à disposição da medicina moderna e facilita a vida dos médicos ao agilizar o acesso às informações mais relevantes. Além da versão impressa, a obra está disponível em e-book e em um aplicativo próprio para celular, cujo download pode ser feito na iTunes Store e no Google Play. Barros é médico e professor associado do Departamento de Medicina Interna da UFRGS, atua no Serviço de Nefrologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e é Doutor em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina. Nesta entrevista, ele fala sobre Google, automedicação, genéricos e crenças populares. Imperdível para médicos e pacientes.

1) Em tempos de Internet, o Google muitas vezes é a primeira consulta dos pacientes. Isso ajuda ou atrapalha o trabalho do médico?

O Google tem se tornado uma importante ferramenta para todos nós, pacientes ou médicos. Ele ajuda, mas pode atrapalhar. Ajuda porque faz com que o médico esteja mais atento às dúvidas do paciente que fez uma pesquisa na internet e tem muitas informações a respeito de sua doença. O médico precisa estar bem atualizado para não deixar de responder corretamente às questões que o paciente leva ao consultório e com uma profundidade maior do que era no passado. Pode atrapalhar porque o paciente não tem os conhecimentos necessários para distinguir o que é importante na fisiopatologia e no tratamento para sua doença. É necessário haver um bom relacionamento entre médico e paciente: esse deve informar aquele sobre a pesquisa na internet e colocar as dúvidas de forma clara. O médico pode aprofundar as explicações sobre a doença conforme o entendimento de seu paciente.

2) Quais os principais perigos da automedicação?

A automedicação deve ser desestimulada, pois pode trazer inúmeros problemas para o paciente. Dependendo da medicação usada, pode mascarar os sintomas de uma doença que deve ser avaliada desde o início pelo médico. Um exemplo mais significativo é o uso de analgésicos e anti-inflamatórios que podem causar problemas renais, inclusive com perda da função renal, se usados por longos períodos. Muitas medicações usadas, como antigripais, são inúteis. Além disso, existe um gasto substancial de dinheiro usado para comprar medicamentos sem efeitos benéficos, como os hepatoprotetores.

 3) Ainda existe desconfiança com relação aos medicamentos genéricos?

Sim, ainda existe muita desconfiança no uso de medicamentos genéricos. Eles são muito usados nos Estados Unidos: mais de 50% dos medicamentos vendidos na América do Norte são genéricos. No Brasil, houve um aumento substancial nos últimos anos, e o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro em que mais são consumidos os medicamentos genéricos, em torno de 30%. Algo interessante e que aumentou a credibilidade nos medicamentos genéricos foi a compra de muitos laboratórios que fabricam os medicamentos genéricos por aqueles detentores da marca original do medicamento.


Tomar remédios: apenas quando vierem das mãos de um médico
[FONTE: Medimoon

4) O uso abusivo de medicamentos comuns, como para dor de cabeça, pode causar vício no paciente?

Não, em geral o uso de medicamentos comuns para dor, tratamento da hipertensão, do diabetes, etc. não causam nenhum tipo de vício.

5) Existe a crença popular de que os remédios usados com frequência perdem efeito ao longo do tempo. O corpo realmente cria resistência?

Muitos medicamentos são de uso comum e por toda a vida. Como disse anteriormente, os medicamentos usados para dislipidemia, aumento do colesterol, hipertensão ou diabetes não causam resistência para o indivíduo, que deve usá-los muitas vezes por toda a vida. Mas existem medicamentos que podem diminuir o seu efeito se usados por muito tempo, são os hipnóticos e sedativos. De preferência, esses medicamentos devem ser usados com cautela e, se possível, por períodos curtos. 

Como de costume, vale a instrução máxima de sempre procurar um médico quando aparecerem problemas de saúde (mesmo que o Google seja consultado antes). Para os profissionais interessados na obra, o aplicativo disponível na iTunes Store e no Google Play foi totalmente atualizado para o biênio 2014-2015.

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Sobre o BlogA

Será que de médico, artista e louco todo mundo tem mesmo um pouco? Aqui no BlogA você vai encontrar de medicina a design, de filosofia a psicologia, de ilustração a poesia; pinceladas divertidas de todas as áreas de publicação do Grupo A. Quer nos enviar dicas ou sugestões? É só escrever para bloga(arroba)grupoa(ponto)com(ponto)br.

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