BlogA entrevista: Luciene Machado

5 25 fevereiro 2015 | 16:04

Destinado aos mais variados profissionais da moda, o livro Ilustrações de moda: do conceito à criação traz uma abordagem passo a passo do desenho de peças de roupas. Escrita por Steven Stipelman, a obra apresenta mais de mil ilustrações coloridas feitas pelo próprio autor, professor da Fashion Institute of Technology e ex-ilustrador da Henri Bendel e da Womens Wear Daily. O material ainda é acompanhado por um DVD no qual Stipelman demonstra diversas técnicas de representação, fazendo deste título um excelente guia para profissionais experientes e estudantes.

Traduzido por Luciene Machado, o livro parte da identificação dos elementos das vestimentas, aborda as técnicas básicas e até as mais complexas. O autor ainda se aprofunda em conceitos avançados, como a manipulação da figura de moda, o desenho de peças drapeadas e a criação de desenhos planos, sem deixar de lado a história da moda. A revisora técnica é mestre em Design pela Unisinos, especialista em Moda pela ESAMC-SP e professora de Design e Design de Moda da ESPM-Sul, com quem conversamos a respeito da obra de Stipelman e sobre as características das ilustrações de moda.

O livro Ilustração de moda foi escrito por um norte-americano, mas sabemos que a moda é bastante globalizada. Como os conceitos e ideias de ilustração de outras partes do mundo podem ajudar os profissionais brasileiros?

Os conceitos e ideias sobre ilustração de moda partem de um mesmo princípio: o de representar de modo mais fiel possível a criação de uma peça ou peças de roupa, sendo vestidas em um manequim de moda, através do desenho ilustrado e em cores. Esta representação inclui mostrar o caimento do tecido, além de outras características como transparências, texturas de superfície, estampas, brilho, tudo por meio da técnica de luz e sombra combinada com o uso adequado das cores. Isso auxilia os profissionais para uma melhor compreensão e visualização das ideias do criador de moda, quando as transfere para o papel, em forma de desenho ilustrado.

Qual a contribuição da obra para o cenário da profissionalização da produção de moda no Brasil?

A obra tem grande contribuição, no sentido de mostrar um passo a passo de modo bem didático e fácil de seguir, mostrando a construção, a ilustração e a representação de ideias através do desenho de moda. Traz algumas referências de peças ícones, como alguns tipos de casacos, em que há uma descrição bem detalhada das partes que compõem a peça, de acordo com a moda da época. Traz não só a representação do corpo feminino e suas proporções (que é a mais comum de se encontrar em outras obras deste tipo), mas também a dos corpos masculino e infantil de forma bastante detalhada, além de representações de diversos estilos. Também há um enfoque em como desenhar acessórios, desenho técnico das peças, breve histórico das silhuetas, representação detalhada de algumas características de tipos distintos de tecidos e estampas. É uma obra bastante completa.


[Reprodução]

A história da moda também é abordada pela obra, qual a importância, para o futuro profissional da área, de adquirir esse conhecimento?

Sem o conhecimento do passado, não se pode projetar inovações no futuro. Portanto, a abordagem da história da moda torna-se um elemento fundamental para complementar a ilustração de moda, em que se pode observar as diferentes silhuetas, comprimentos, e estilos das roupas. Alguns usamos ainda hoje e retornam sempre como tendências redesenhadas para nossa época. A moda é um ciclo, no qual tendências passadas sempre voltam com um toque de modernidade, sem deixar de ter um ar de retrô ou nostálgico. Daí a importância da história. É uma busca de referências para novas criações.

Ilustração de moda vem acompanhado de um DVD. O que o leitor pode esperar desse material e como melhor utilizá-lo?

O DVD ilustra de modo também didático e complementa todo o passo a passo descrito de como fazer os desenhos. Está separado por assuntos em formato de videoaulas curtas e inspiradoras. Pode-se ver o DVD após a leitura do assunto relacionado para obter uma melhor compreensão de como fazer. Os vídeos mostram o processo e a técnica de desenho do próprio autor, bem como, outros materiais alternativos que podem ser utilizados para ilustrar um desenho, além do lápis de cor.

Qual a importância da ilustração para a moda? Quais são as principais técnicas?

A ilustração é muito importante para poder transmitir a ideia de uma peça ou look de moda criados, assim como para vender essa ideia. Também é importante no desenvolvimento de coleção de moda, a qual é a ferramenta de representação bidimensional utilizada para expor as ideias do estilista ou designer de moda. Na criação de uma coleção, é a partir da ilustração dos desenhos (denominados de desenhos de estilo ou croquis) que são realizados os desenhos técnicos da peça, com sua descrição em uma ficha técnica. Em seguida, vem o desenvolvimento dos moldes, na sequência, a confecção da peça piloto e, posteriormente, a produção em larga escala. Deste modo, a ilustração é o ponto de partida para representar as ideias para uma coleção. Dentre as técnicas de ilustração, pode-se usar materiais distintos, como grafite (em P&B), lápis de cor comum ou aquarelável, canetas hidrocor, tinta guache, entre outros materiais, além de trabalhar com luz e sombra dando uma sensação mais realista para o desenho, ou então, em cores sólidas com aspecto de quadrinhos.

Qual o conceito de representação dentro das técnicas de ilustração de moda?

O conceito de representação é visualizar uma ideia, fazer ver a ideia, por meio da ilustração de moda, tornando tangível o produto de moda criado (as roupas, acessórios). A representação pode ser mais artística, quando se tem um desenho bem próximo a uma foto, mostrando as características físicas do manequim de moda de forma detalhada, com expressões na face, movimento dos cabelos, do corpo, a pose, o andar, o movimento da roupa... Ou pode ser de forma estilizada, onde o enfoque são os detalhes da roupa e não muito no corpo do manequim de moda, o qual pode mostrar apenas linhas básicas de contorno. Tais tipos de representação estão ilustrados no livro.  

O livro Ilustração de moda já está em sua terceira edição e é um dos mais importantes guias para os profissionais que desejam trabalhar com desenho de peças de roupas. A obra é um título do selo Bookman e um dos manuais mais bem conceituados da área.

Você viu? Inglaterra proíbe fumar em carros com crianças

3 20 fevereiro 2015 | 18:35

Não é apenas no Brasil que as leis antifumo estão cada vez mais rígidas, a Inglaterra também acaba de aprovar maiores restrições aos fumantes. A nova lei britânica proíbe que se fume dentro de carros que estejam transportando crianças. O objetivo é manter os jovens afastados do cigarro tanto quanto possível, evitando que eles se tornem fumantes passivos desde cedo.

A exposição precoce ao tabaco pode trazer graves problemas às crianças. Conforme explica o pneumologista Luiz Carlos Corrêa da Silva, autor do livro Tabagismo, “até os oito anos de idade, os pulmões ainda não estão totalmente desenvolvidos, e tudo que prejudicá-los terá consequências muito mais graves”. Além do cigarro aumentar os riscos de asma, meningite e morte súbita, existem mais de cinquenta problemas advindos da fumaça. “Tudo dependerá da suscetibilidade individual e do inóculo de produtos nocivos, como tempo de exposição, número de pessoas fumando no ambiente fechado, grau de vedação e volume deste ambiente”, completa o médico, que é Pneumologista da Santa Casa de Porto Alegre e coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.


Crianças são mais sensíveis aos perigos do cigarro
[FONTE: Driver Layer

Além dos riscos impostos aos fumantes passivos, a exposição das crianças ao cigarro aumenta a chance de que elas se tornem fumantes no futuro. Para Corrêa da Silva, “pais são modelos para seus filhos e não terão autoridade para o aconselhamento de um estilo de vida saudável”, além de estarem facilitando o inicio da dependência química nas crianças que inalam as substâncias presentes na fumaça.

Questão de saúde pública

Leis que interferem nos hábitos individuais das pessoas sempre geram resistência junto a alguns segmentos da sociedade. Regras similares à britânica já existem em partes do Canadá, da Austrália e dos EUA, enquanto a Escócia estuda aprovar a mesma medida em seu território. Afinal, casos como esse se tornam do interesse da gestão pública da saúde, uma vez que afetam crianças, ainda incapazes de se protegerem sozinhas de situações que envolvem fumantes adultos. 

Para o pneumologista Corrêa da Silva, a instauração de leis como a britânica é “correta e adequada”, uma vez que é difícil mudar o comportamento das pessoas quando se trata de hábitos diários relacionados a tabaco, álcool, trânsito e outras situações corriqueiras. Para muita gente, é impossível fiscalizar os motoristas e passageiros de todos os carros, mas associações antitabagismo garantem que é melhor regulamentar a situação do que fazer vista grossa ao problema. “Leis se fazem necessárias por constituírem a maneira mais rápida e impactante de obter resultados em curto prazo”, conclui.


Uma mão para fora é uma mão a menos no volante
[FONTE: Huffington Post

Por fim, como lembra o profissional, os motoristas fumantes ainda assumem outros riscos ao dirigirem com um cigarro na mão, já que queimaduras podem gerar acidentes. Independente das opiniões pessoais, a tendência mundial mostra estar em uma só direção: restringir a exposição ao cigarro e garantir a segurança e a saúde de quem não é fumante. Você concorda com medidas nessa linha? Deixe aqui seu comentário.

Ficha técnica: Técnicas em Estética

2 18 fevereiro 2015 | 08:11

Uma área em constante expansão e que cada vez mais coleciona adeptos é a estética. Antes usualmente relacionada às mulheres, hoje, os tratamentos estéticos não têm distinção de gênero. A busca por esse tipo de intervenção, no entanto, pode expor clientes a situações de risco, especialmente quando esses procedimentos não são aplicados corretamente. O livro Técnicas em estética, novo lançamento da Artmed, apresenta uma visão diferenciada desses tratamentos. Voltado, principalmente, para os alunos de cursos profissionalizantes, a obra possui capítulos dedicados ao estudo da anatomia e da fisiologia, além de temáticas voltadas ao atendimento ao cliente, saúde e segurança. Tornando-se, assim, um manual essencial para o profissional da área.


O livro também está disponível na versão eBook.

Além disso, Técnicas em estética apresenta guias passo a passo das principais técnicas de tratamento de corpo e face, com fotos e ilustrações. Dentre os procedimentos abordados pelo livro estão depilação, maquiagem, manicure e design de sobrancelhas, passando por técnicas que têm se destacado como as unhas decoradas (disponível na versão online) e a depilação com linha. A distribuição de capítulos, quase que cronológica, permite ao futuro profissional uma visão global não apenas de como organizar o atendimento em uma clínica estética, mas como orientar sua carreira na área. Ademais, a contribuição de profissionais da área e os estudos de caso que permeiam os textos enriquecem a obra, permitindo que o leitor tenha uma visão realista do mundo do trabalho em estética. 

A equipe por trás desse guia completo é igualmente formada por profissionais da área, todas residentes do Reino Unido. Judith Ifould é coordenadora do curso Beauty therapy, nail techniques and complementary therapies, oferecido pela Basignstoke College of Technology; Debbie Forsythe-Conroy é diretora de qualidade na Bradford College e responsável pelo currículo do curso de estética oferecido por essa instituição, além de contar com mais de 30 anos de experiência profissional; e Maxine Whittaker é diretora do curso Beauty Therapy, hairdressing and complementary therapies da Montfort University e oferece treinamento para profissionais. 

No Brasil, a revisão técnica ficou por conta de Márcia Gerhardt Martins, graduada em fisioterapia pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), especialista em fisioterapia dermatofuncional, coordenadora do curso técnico em estética da Escola de Educação Profissional Senac Canoas e professora da Ulbra. 


Embora seja uma técnica antiga, a depilação com linha é tendência e é contemplada pelo livro.
[FONTE: Harmony]

Como visto, não apenas pelo conteúdo do livro, mas também pelo currículo dos profissionais envolvidos com a obra, a estética é uma área que está se profissionalizando cada vez mais, tornando-se um mercado de trabalho amplo e especializado. E certamente Técnicas em estética tende a se tornar uma ótima referência para a área. 

BlogA Entrevista: Odette Pinheiro

3 13 fevereiro 2015 | 10:49

Você já se perguntou o porquê de cada pessoa ter uma personalidade diferente? Pois muitos estudiosos ao longo da história se debruçaram sobre esse campo de atuação e definiram distintas teorias para a manifestação da personalidade humana, desde a psicanálise de Sigmund Freud à teoria social cognitiva de Albert Bandura, passando pela psicologia analítica de Carl Jung e pela psicologia existencial de Rollo May. Em sua 8ª edição, o livro Teorias da personalidade, apresenta todos esses teóricos (e muitos mais) e centra-se na premissa de que essas teorias são um reflexo da bagagem cultural, das experiências familiares, da personalidade e da formação profissional de seus criadores. A obra, portanto, é essencial para a compreensão dessas teorias em sua totalidade, ao uni-las com os dados biográficos de cada autor. A professora Odette de Godoy Pinheiro, revisora técnica no livro e docente aposentada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), conversou com BlogA e falou um pouco sobre a importância da publicação:


A personalidade, bem como suas teorias, está relacionada a diversos fatores. 
[FONTE: Deviant art]

Qual a contribuição do livro Teorias da personalidade para estudantes e profissionais da área de Psicologia?

Como afirmam seus autores, o livro é destinado a estudantes de graduação e, cumprindo esse objetivo, apresenta as principais teorias seguindo um critério histórico e conceitual. Trata-se de um manual completo e criterioso que pode indicar caminhos para o estudante de psicologia pesquisar e se aprofundar. A forma didática como os capítulos são construídos possibilita a comparação, nem sempre fácil, entre as diferentes teorias classificadas em: psicodinâmicas, humanistas-existenciais, disposicionais, biológicas-evolucionistas, cognitivas e de aprendizagem. Para os profissionais pode servir como referencia.

Existem diversos teóricos das teorias da personalidade. A opção por associar suas teses com suas biografias teve qual propósito?

Os autores partem do princípio de que características pessoais, história de vida, contexto social influem na formulação de uma teoria. Ressaltam que este é um dos fatores que devem ser levados em conta. A nosso ver, é interessante conhecer os fatos relacionados às escolhas feitas pelos autores, com a ressalva que o resumo das biografias é apenas um foco entre outros possíveis.

A obra levanta a hipótese de que as teorias da personalidade podem estar associadas à bagagem cultural e à personalidade de seus próprios criadores. 

Confirmando essa hipótese, há alguns fatos marcantes que inegavelmente influenciaram as escolhas dos autores, mas, a meu ver, é importante perceber como a psicanálise, por exemplo, se constituiu como um núcleo de intelectuais progressistas em sua época e que se aproximaram de Freud como pacientes ou discípulos. Muitas mulheres fizeram parte desse círculo e passaram a criar suas próprias teorias, reivindicando novas interpretações sobre a sexualidade feminina. Exemplo disso é encontrado na obra de Karen Horney, que acreditava que a cultura, e não a anatomia, era responsável, pela diferença entre homens e mulheres.

Que outros pontos podem ser destacados em Teorias da personalidade?

Para análise das teorias, os autores propõem critérios que traduzem suas posições que podem não ser totalmente aceitas por teóricos da área. Mas, considerando os objetivos da obra, são facilitadores para comparar um universo tão extenso e diversificado como o das teorias de personalidade. A análise está presente em todos os capítulos. O primeiro critério é a chamada utilidade da teoria, quer para o desenvolvimento de pesquisas quer para a aplicação na prática profissional. Em seguida, é apresentado o conceito de humanidade, que pode ser inferido da proposta teórica de cada autor, e, por último, como entendem a natureza humana a partir das seguintes perspectivas: determinismo versus livre-arbítrio, pessimismo versus otimismo, causalidade versus teleologia, consciente versus inconsciente, fatores biológicos versus sociais e singularidade versus semelhança entre as pessoas.

Por ser tão abrangente, a obra Teorias da personalidade, na opinião de Odette, não traz em profundidade conceitos que possam servir ao profissional em sua prática clínica, mas é certamente uma obra de referência para a área.

Publishers e Editors

2 12 fevereiro 2015 | 11:40

*Por Cristina Ustárroz

Estávamos comemorando o aniversário de um parente querido, que abria seus presentes com a avidez de quem devora pipoca no cinema. Ao vê-lo arrancar o papel que embrulhava um livro, reconheci o selo da editora. Foi quando pulei da cadeira: “Este livro da Artmed é bárbaro! Procura aí dentro o nome da editora!“ Pra quê!!! Recebi uma enxurrada de ”Hein?“, “Como assim?“, “Bebeu?“ e “O nome da editora não é Artmed?“ Com o entusiasmo de  sempre, respondi.


[Fonte: Blog Habitantes da Estante]

Acontece que editora é a corporação responsável pela impressão, distribuição e comercialização de publicações digitais ou impressas. Mas também é a pessoa, mais especificamente a profissional – do sexo feminino - que supervisiona, revisa e corrige um texto para publicação. Enfim, aquela que edita! Daí a confusão. Em inglês a distinção entre esses dois significados é reforçada pelos vocábulos publisher e editor. A empresa e seus donos são os publishers. A profissional que gerencia todas as etapas de uma publicação chamamos de editor

Neste caso, os gringos que estudam português se deram bem. Afinal, duas palavras deles equivalem a somente uma nossa: publisher / editor = editora! É matar dois coelhos com uma cajadada. É como estar dirigindo em uma estrada e chegar a um estreitamento de pista. O que era dois ficou reduzido a um! Sem chance de errar. 

É sob a ótica do falante de língua portuguesa que a coisa realmente complica. Em vez de dois coelhos, ficamos com dois cajados na mão. E meio coelho! No lugar do estreitamento de pista, subitamente aparece uma bifucarção em Y. Se soubermos somente uma das duas palavras palavra teremos 50% de chance de empregá-la em um contexto errado. É muita margem de erro! Quer ver?


[Fonte: Rosteck]

Responda rapidamente: como se diz assinatura em inglês? Se você respondeu signature, contemplou apenas parte da pergunta. Uma perninha da bifurcação. Assinatura é signature quando se refere à ação de assinar, de escrever o nome de forma única e original em um documento, por exemplo. Mas e se o que tenho em mente é a assinatura de uma revista? Ou de um jornal? Da TV a cabo? Esse tipo de assinatura é subscription. Eis a outra perninha! Uma edição somente para assinantes? Subscription edition. Renovar sua assinatura? Renew your subscription

E como se diz perder? Você sabe por que dizemos lose the keys e miss the flight? É que o verbo miss é usado no sentido de perder uma oportunidade, perder um evento, perder o ônibus. Você não estava lá quando eles aconteceram. Perdeu, merrmão! You miss an opportunity. You miss an event. You miss the bus. Já lose significa perder um objeto ou algo que possuimos. Perder peso? Lose weight! Perder dinheiro? Lose money. Perder o emprego? Lose the job. Lose também é antônimo de vencer: perder o jogo, perder uma batalha. You lose a game, you lose a battle. Ficou perdido? Don´t get lost

Situação semelhante diz respeito à palavra noiva. Se a noiva em questão é a que vem toda de branco, diga bride – ♪here comes the bride♫. Mas se for noiva no sentido de noivar, firmar compromisso, diga fiancée. Assim, com acento e dois ee. Vem do francês – oui mademoiselle! O mesmo vale para noivo: o do altar é bridegroom. Ou apenas groom. O do noivado é fiancé! É o francês marcando forte presença no vocabulário inglês. 

Aliás, a palavra casamento, quando empregada no sentido de relacionamento duradouro, é marriage. Mesmo que não seja tão duradouro assim.  Já cerimônia de casamento, vestido de casamento, bodas de casamento, dia do casamento, enfim, é wedding cerimony, wedding dress, wedding anniversary, wedding day. Bolo de casamento? Wedding cake! Entendeu? Wedding!


[Fonte: Business Inside]

Falando em bolo, e receita? A do chef é recipe. A do médico é prescription. E esse tal de anniversary? Não era birthday? É que um se refere ao dia do nascimento de uma pessoa, enquanto que o outro é usado para falar do aniversário de casamento, da comemoração de fundação de uma empresa, ou da morte de uma personalidade histórica ou famosa. Essas coisas!  

Último? Depende! Se você tiver em mente o útimo soneto que Shakespeare escreveu, diga last. Mas se você estiver se referindo ao último CD do U2, o mais recente, então diga latest. Sentiu a diferença entre os vivos e os mortos? 

E usar? Se for roupa ou acessórios como jóias, relógios, óculos e perfume diga wear. Se for usar no sentido de usar uma caneta, por exemplo,  diga use - I will use a pen to write my signature. Lembra de signature?

A propósito, nesta mesma categoria está o verbo lembrar: remember! Significa recordar, trazer à lembrança. Mas sabe quando a gente diz “me lembra de comprar pão na volta?“ Pois é! Este “me lembra“ não deve ser traduzido como remember. É aí que entra o verbo remind. Quando um fator externo - uma pessoa, um lugar, um aroma – nos faz lembrar de algo, dizemos remind. Lembre-me de dizer isso ao meu aluno particular. Please remind me!

Eu disse particular? Pois aula particular é private class, aluno particular é private student e escola particular é private school. Mas a palavra private é eventualmente traduzida por privado/privada, o que aumenta o número de expressões – empresa privada é private company e propriedade privada é private property. Bom mesmo é uma festa privada: private party! Agora, se estivermos falando da locução adverbial em particular, diga in particular. Ou apele diretamente para o advérbio particularly

Ocasionalmente encontramos não uma bifurcação, mas um verdadeiro tridente dos deuses. Sabe política, a ciência? Diga politics. Já política, a pessoa, é politician. E política de uma empresa? Policy. Uma, duas, três perninhas! Que tal? Mas sabe qual é o campeão em perninhas? A palavra crítica! A crítica sobre o comportamento de alguém é criticism. A crítica publicada nos meios de comunicação sobre literatura e cinema, por exemplo, é review. Ou critique. Ainda, a pessoa que critica por profissão, o formador de opinião, é critic. E se você estiver se referindo ao adjetivo crítica, diga critical. Como em critical analysis e critical thinking. Quanta crítica, não?

Por fim, a dobradinha do e make! A regra dá conta que make tem a ver com construir, criar ou preparar alguma coisa, e do é usado quando nenhum objeto é produzido. Vamos conferir? Fazer o tema é do the homework! Fazer um barulho é make a noise! Fazer o exame é do the exam! Fazer um plano é make a plan! Fazer um favor? Do a favor! Fazer uma escolha? Make a choice! Sei, não! Acho que a única coisa que se criou aqui foi a dúvida! Pois esqueça a regra e decore as expressões – diga memorize. Porque se você disser decorate as pessoas vão pensar em glitter, fitas coloridas e coisa e tal.

 Quando conhecemos as duas palavras da bifurcação, damos fim à margem de erro. Então não perca tempo! Com ele surgem mais perninhas! Entre saber e não saber, fique com a primeira opção. Mas eu disse entre? E agora? Between ou among? Só não faça como o bagual, que, tendo em mente a expressão de boas-vindas típica do pampa gaúcho “Entre no más!“, exclamou “Between no more!“ Isso nem grandes publishers podem consertar. Perdão, eu quis dizer editors

Notas altamente esclarecedoras

O nome do(a) editor(a) responsável pelo livro se encontra na folha de rosto.

Obviamente há editores, mas a confusão se dá com a forma feminina “editora”.

Miss também significa errar. Errar a questão? Miss the question. Errar em bola? Miss the ball. Sem contar que miss também quer dizer sentir falta de algo ou alguém. É a palavra mais próxima de saudade: I miss you! Ainda, miss é senhorita, como em miss Potter e Miss Brazil. Neste caso, miss é um substantivo. 

Lose it significa ficar lelé da cuca. Fora da casinha! Don´t lose it!

Here comes the Bride é o título da marcha nupcial de Wagner.

A preposição entre, em inglês, desdobra-se em between (entre dois objetos/duas pessoas...) e among (mais de dois objetos...). Já entre, do verbo entrar, é traduzido por come in.

Quer saber mais sobre palavras francesas inseridas no léxico inglês? Leia o texto Afrancese-se publicado em março de 2013 aqui no blogA.

 

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA. :)

Na batalha dos livros só existem vencedores

4 11 fevereiro 2015 | 08:05

De um lado, o cheirinho dos livros impressos e a tradição do papel. Do outro, todas as possibilidades que a tecnologia traz e um novo jeito de ler. Enquanto alguns celebram o advento de eBooks e dos portáteis dispositivos para leitura digital, muitos permanecem eternamente fiéis aos exemplares impressos bem dispostos em prateleiras. Argumentos não faltam, de ambos os lados, para justificar a preferência, criando uma acirrada concorrência pelo amor do leitor. É preciso dizer, no entanto: adoradores do papel e adoradores de eBooks, uni-vos! A paixão de ambos é a mesma: a leitura. Mas como um pouco de competição não faz mal a ninguém, por que não fazermos uma batalha dos livros?


Quantos livros você consegue carregar nas mãos? Se forem eBooks, muitos!
[FONTE: The Guardian]

No canto direito, a revolução digital

Para os fãs da tecnologia, contam pontos a favor dos livros digitais o fato de serem mais baratos e mais fáceis de conseguir. Muitas vezes, a obra está ao alcance das mãos com apenas um clique. A questão do espaço é um argumento quase imbatível a favor dos e-readers. Além de o próprio leitor ser menor e mais leve que um livro impresso, um único dispositivo é capaz de conter diversos títulos simultaneamente e, ainda, é mais fácil de carregar e manusear. 

Está na lista de argumentos a favor dos livros eletrônicos também a questão ecológica: dizem seus fãs que eles não dependem da derrubada de árvores para existir. Por fim, os eBooks têm algumas funcionalidades que os livros impressos não apresentam, como informações suplementares a respeito da obra (semelhantes aos extras de um DVD), a possibilidade de linkar referências e fazer buscas online durante a leitura e a certeza de que a tecnologia tende a continuar evoluindo. 

A invenção dos eBooks não trouxe apenas uma nova forma de ler, mas um leque de possibilidades que modificam completamente o ato da leitura, permitindo uma interatividade que vai além das anotações ao pé da página. Alguns entusiastas ousam dizer que, eventualmente, os livros impressos serão completamente substituídos pelas versões digitais. Mas isso dificilmente será verdade, pois bibliófilos unidos jamais serão vencidos. E de maneira alguma fugiriam da luta. 


Só de olhar já dá para quase sentir o cheirinho. 
[FONTE: Askiitians]

No canto esquerdo, a tradição do conhecimento

Certa vez disseram que a televisão iria matar o cinema, e, bem, todos sabemos que ambos os formatos coexistem pacificamente até hoje, dividindo o amor da audiência. Ou seja, não é porque surgiu uma nova forma de ler que a tradicional deve ser esquecida. Ainda assim, adoradores de livros não deixaram barato e fizeram suas próprias listinhas que definem as obras em papel como as melhores opções de leitura. 

Um argumento sentimental e inegável é: esses são os melhores presentes, além de se transformarem sempre em uma bela decoração. O cheiro de livro, velho ou novo, desperta os sentidos e proporciona boas lembranças ao leitor voraz, podendo trazer memórias relacionadas ao conteúdo da obra, ou mesmo à época em que foi lida ou estudada. Muitos encontram imensa satisfação em folhear os exemplares, comprar um bonito marca-páginas e até fazer anotações pessoais. 

Quanto ao argumento ecologicamente correto, a turma do livro impresso questiona: os eBooks não usam árvores, mas e quanto a outros recursos naturais? E outra ideia que é criativamente refutada por esse grupo é com relação à portabilidade. Sim, o eBook é fácil de carregar, mas e se a bateria acabar e não houver uma tomada? Brincadeiras à parte, a verdade é que livros impressos podem ser lidos em qualquer circunstância, até mesmo em uma ilha deserta. E por muito, muito tempo. Afinal, se tem algo que a história provou é que nós passamos, mas os livros ficam. 


Diversidade na vida e na biblioteca.
[FONTE: Publishers Weekly]

E temos um empate!

Os dois formatos têm suas peculiaridades, suas qualidades e, principalmente, seu charme. Na dúvida sobre qual tipo escolher, sugerimos ambos! Afinal, não é o sonho de todo o leitor ter uma dezena de livros no bolso e outros tantos em uma linda biblioteca?

Inspiração do mês: tempo de leitura e de estudos

1 9 fevereiro 2015 | 08:10

A época da volta às aulas está chegando. Para as crianças em idade escolar, assim como para pais e responsáveis, é um novo ano, trazendo diferentes desafios e possibilidades. E, embora todo o ano seja recheado de conquistas, tem uma que lembramos para sempre com carinho, como o marco da nossa educação: a alfabetização. Afinal, é a partir desse aprendizado que passamos para todos os seguintes, da matemática à história, passando pelas línguas estrangeiras. Aprender a ler expande o universo de todos, pois, a partir desse momento, passamos a compartilhar os mesmos códigos do restante da sociedade. Quem não lembra do primeiro livro que leu sozinho ou do primeiro filme legendado que assistiu com os adultos da casa?


Com a volta às aulas, um ano de novos hábitos pode se iniciar. 
[FONTE: Wonderopolis]

O livro A ciência da leitura trata justamente desse processo de aprendizado. Dividido em sete partes, a obra aborda desde o reconhecimento de palavras, no início do aprendizado, até o letramento, passando por transtornos da leitura e o aprendizado em outras línguas. Bastante atualizada, a obra traz novas contribuições da ciência para área, como o uso de neuroimageamento para identificar crianças que terão dislexia e, assim, terão um diferente processo de aprendizado.

É interessante a maneira como cada criança tem seu primeiro contato com o mundo das palavras. No entanto, atualmente, muitos dos pequenos já têm todo um repertório baseado no digital e no audiovisual antes mesmo da alfabetização. Isso nos leva às perguntas: será que ensinar as letras para essa geração é um desafio a mais? E estar em contato com o mundo online desde cedo pode afastar os jovens da leitura?


A tecnologia avança e o desafio é usá-la a favor do aprendizado. 
[FONTE: Annie Murphy Paul]

Para Adriana Corrêa Costa, fonoaudióloga, psicopedagoga e revisora técnica da obra, a temática é controversa. Existem tanto estudos defendendo quanto maldizendo a exposição prematura e constante à tecnologia. Mas ela acredita que o fato é que, desde o nascimento, as crianças estão imersas nesse mundo tecnológico, que é uma conquista da humanidade como muitas outras, incluindo a escrita e a aquisição da leitura. Por isso, não se pode ir contra essa tendência, mas, sim, adaptar-se a ela, aprendendo a explorar as vantagens que tecnologia oferece em termos pedagógicos. 

Adriana, que também é doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), acredita que a desmotivação pela leitura não é um problema exclusivo da atualidade e nem específico de nosso país. Na verdade, diversos fatores contribuem para o afastamento da leitura, tais como questões econômicas (relacionadas ao valor de um livro) e comportamentais, pois muitos pais não propõem para os filhos um momento dedicado à leitura. Ela afirma: “esse é o nosso desafio atual, atrair as crianças para a leitura, seja ela do tipo livro-papel, seja ela em formato eBook".


O hábito da leitura pode ser estimulado dentro da família.
[FONTE: Reformers]

O início do ano está para as metas de vida como o início do ano letivo está para as metas educacionais. Se 2015 pode ser o ano da leitura para os adultos, a proposta pode se estender para as crianças e adolescentes. Pais e responsáveis podem aproveitar o período que se inicia para incluir na rotina um momento de leitura (e aproveitar esse tempo para ler um livrinho também, por que não?). Para quem está em fase de alfabetização, a motivação em casa é essencial. E mesmo os pequenos que ainda não estão aprendendo a ler e escrever propriamente podem ser alfabetizados desde cedo. De acordo com Adriana, “já está bem documentado que ler para o bebê (alguns dizem que até mesmo enquanto ele ainda estiver na barriga) ajuda a desenvolver a linguagem, a atenção, enfim, a cognição, e muito provavelmente essa criança apresentará um rendimento maior nos anos escolares.” 

O hábito da leitura é capaz de aproximar as pessoas. “É um momento de muito afeto e cumplicidade (quando realizado com prazer) quando os pais sentam-se e leem para/com seu filho”, segundo Adriana. E a leitura está tão relacionada ao nosso cotidiano, que, muitas vezes, nem percebemos o quanto esse ato é importante no dia a dia.  “Só para ilustrar: lemos para pegar o ônibus pela manhã, lemos para escolher um programa para ver na TV, lemos para fazer uma receita nova na hora do almoço, lemos para conhecer as regras de um jogo novo…”, diz a especialista. Por isso, esse não é apenas um hábito que precisa ser estimulado, é uma parte importante de nossas vidas. E que venha o ano letivo!

 


Você viu? Blogueira fitness infantil

4 6 fevereiro 2015 | 10:07

Dizer que algo causa polêmica e por isso está bombando na web é quase uma redundância nos dias atuais. Qualquer controvérsia, por menor que seja, encontra eco na internet, e com muita facilidade. Nesta semana que passou, vimos um perfil de Instagram ir de menos de mil seguidores para 20 mil em poucas horas porque virou notícia. Se você não ouviu falar da blogueira fitness infantil está com sorte. A menina de 9 anos que frequenta a academia e treina ao lado dos pais deu o que falar e teve sua conta no Instagram bloqueada.


Fotos da menina no Instagram causaram polêmica na web
Fonte: Arquivo pessoal

O tema incita infinitos debates, mas a questão que mais gerou controvérsia na internet foi a saúde da jovem. Afinal, como deve ser a atividade física das crianças? Um dos pesquisadores do Grupo A, Ivan Jardim, educador físico e especialista em Treinamento funcional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul também refletiu sobre o caso. Jardim é revisor técnico do livro Avanços no treinamento funcional, de Michael Boyle, que trata justamente do tipo de treinamento que a blogueira fitness de nove anos estaria fazendo por orientação do seu pai, que também é personal trainer. No livro, Boyle explica que o treino funcional é aquele que produz ganho de rendimento na atividade principal do atleta. 

Mais do que professor e especialista no assunto, Ivan Jardim é pai de três filhos: um de 10, outro de 18 e um terceiro de 23 anos. Portanto, está bem a par da realidade dos jovens. De acordo com o especialista, o principal desafio desses jovens está em encontrar um ponto de equilíbrio entre a vida acadêmica, as atividades sociais e a atividade física.

Jardim observa que a tendência natural dos jovens de hoje é a inatividade, muito por conta da internet e do tempo que permanecem sentados. "É necessário um mínimo de organização: dormir 8 a 10 horas, se alimentar com comida de verdade e praticar alguma atividade física regularmente pelo menos três vezes por semana. Por atividades fitness entendo aquelas preconizadas pelas academias de grandes redes com foco comercial e estético. Exercícios executados em máquinas, com a pessoa sentada ou deitada, de maneira que seu sistema nervoso não seja estimulado, não é o que considero o ideal para ninguém. Menos ainda para crianças e adolescentes. Contudo, entre não fazer nada e alguma coisa, talvez, ainda, fazer alguma coisa seja melhor que nada".

Ao considerar o caso polêmico, porém, o especialista destaca a sexualização precoce da menina como o grande equívoco. "Crianças devem brincar, logo, não deveria ser parte de suas preocupações ficarem magras ou musculosas. Deveríamos nos preocupar em desenvolver um repertório motor em nossas crianças", afirma ele.

Carlos Eduardo Berwanger, mestre em Ciências do Movimento, professor da PUCRS e coordenador de Educação Física e Esportes do Colégio Israelita também se preocupa com o aspecto psicológico. “Qual criança não tem o corpo perfeito? Crianças devem brincar muito, e não se preocupar com conceitos que atormentam a vida adulta. Particularmente, penso que nem adultos devem buscar pelo corpo ideal. Devemos procurar ter uma vida saudável, com a aceitação do corpo que temos”, explica. 

Berwanger é revisor técnico de um livro bastante indicado para o debate: Educação física e atividades para o ensino fundamental. A obra é direcionada àqueles professores dos anos iniciais do ensino fundamental que buscam oferecer atividades físicas de qualidade a seus alunos. Com capítulos breves, divididos entre didáticos e de prática pedagógica, o título apresenta formas de como os educadores podem engajar os estudantes para a realização de atividades físicas, seja na aula, no ginásio ou no pátio. 


Brincar com os amigos é a melhor atividade física para as crianças
FONTE: IFA

As brincadeiras são as atividades mais indicadas

O professor Berwanger explica que as atividades mais indicadas para crianças são os jogos motores, as brincadeiras infantis, os esportes individuais e coletivos. As estabilizadoras, as locomotoras e as manipulativas. As menos indicadas são as atividades que exigem muito das crianças e dos jovens nos aspectos de carga e intensidade e que possuem uma cobrança elevada por resultado. “Desta forma, o próprio esporte, se for mal conduzido e orientado, pode se tornar também uma atividade menos indicada”, alerta ele.

Já segundo Jardim, o assim chamado "treinamento funcional" é um movimento relacionado ao estéril e monofuncional treinamento para hipertrofia desenvolvido nos anos 40 com finalidade eminentemente estética. "Treinamento funcional é qualquer tipo de treinamento que transfira ganhos de mobilidade, força, flexibilidade e resistência para a vida das pessoas. Se fosse treinar um maratonista, não indicaria a ele Levantamento de Peso Olímpico (LPO), uma vez que seu interesse é resistência, e o LPO desenvolve potência e velocidade. Contudo, se fosse treinar um corredor ou nadador de 50 a 400 metros, certamente eu indicaria o LPO", ensina.

"Para as crianças, o treinamento funcional é brincar de pular, saltar, nadar, puxar, pendurar-se nos brinquedos, jogar bola. O aspecto lúdico é fundamental para a aderência das crianças à atividade física", acredita Jardim. O professor ainda explica que o objetivo dos Educadores Físicos é desenvolver nas crianças a paixão pelo movimento de maneira "a formar adultos ativos fisicamente e assim contribuir para o bem estar da sociedade com a redução na taxa de doenças degenerativas". Se quando o jovem atingir a maioridade ele decidir se tornar blogueira fitness ou blogueiro gamer, por exemplo, aí é outra história. 

Perfil: Celso Gutfreind, psicanalista e escritor

2 2 fevereiro 2015 | 09:37

Medicina e literatura são áreas que, à primeira vista, parecem ter pouco em comum, mas há quem consiga uni-las, desempenhando ambas as carreiras com desenvoltura. Celso Gutfreind é um desses exemplos que, com alma de poeta, pratica a psicanálise, e com a sensibilidade do psicanalista, faz poesia e escreve histórias infantis. Além de atender em seu consultório e dar aulas em universidades, Celso já tem 26 livros publicados, tanto na área de humanidades quanto de psicanálise. Pelo GrupoA, publicou A infância através do espelho, e participou do livro A obra de Salvador Celia - empatia, utopia e saúde mental das crianças.


Celso Gutfreind no lançamento de A infância através do espelho.
[FONTE: Artmed Editora

A infância é foco na sua carreira: muitos de seus pacientes são crianças e seus livros de ficção são infantis, exceto os de poesia. Esses interesses são frutos de sua história de vida e de trabalho. “Penso que, ao mesmo tempo em que vivia a infância com seus encontros e desencontros (esses pouco valorizados pela nossa cultura), nasciam um escritor e um psicanalista”, explica Celso. De um lado, o artista interessado na transformação das experiências de vida em arte; do outro, o psicanalista curioso pelos espaços de compreensão dessa experiência humana. Ou seja, a relação entre as duas áreas “começou já nos primórdios”, conclui.

Celso já contou que sonhava em tornar-se escritor desde cedo e, já nas suas primeiras crônicas e ensaios, a veia poética aparecia na superfície. Será possível separar o psicanalista do escritor? Ele diz que não, pois a psicanálise e a literatura estão sempre se alimentando mutuamente. “Por outro lado, às vezes é necessário separar no sentido de, na hora da psicanálise, não forçar a estética da arte e da literatura e, na hora da arte e da literatura, não esperar a compreensão da psicanálise”, pondera.

Acostumado a ler desde criança, o hábito da leitura corre na família há gerações. Por ter crescido entre pais professores, com uma grande biblioteca à disposição e ouvindo histórias contadas pelo pai e pela irmã, entrar no mundo dos livros foi um caminho natural. Mais tarde, Celso repetiria o hábito de leitura com a própria filha. “Li muito e contei muitas histórias (e poemas) para ela, uma das experiências mais prazerosas que já tive em minha vida”, relembra. Hoje, a menina já lê por conta própria.

A inter-relação entre literatura, infância e psicanálise é tema do livro A infância através do espelho, que, em três seções, busca compreender mais profundamente o ser humano, bebendo na fonte da literatura para poetizar e narrar o que vivemos e imaginamos. A fantasia, referenciada no título que traz Alice, aquela que visita o País das Maravilhas, cumpre, para Celso, um papel primordial em sua vida e sua profissão. “Na minha vida, como na vida de qualquer um”, completa, uma vez que “o que há de mais essencial está nas relações interpessoais tanto no trabalho quanto na vida afetiva. Tudo isso é muito subjetivo, intersubjetivo e a fantasia assume uma parte importante”. Ou seja, sem fantasia e criatividade, seria impossível escrever, amar, tratar e ser tratado.


Livros, arte, psicanálise: uma relação intrincada e frutífera.
[FONTE: Brain Pickings]

Celso, que já foi traduzido para francês, inglês e espanhol, já tem diversos projetos em andamento para o futuro, embora não se apresse em publicar. Ainda assim, já está marcado, para a próxima Feira do Livro do Livro de Porto Alegre (RS), o lançamento de um novo título pelo selo Artmed. Chama-se provisoriamente Crônica dos afetos – a psicanálise no cotidiano. O livro vai aprofundar ainda mais o aspecto formal literário do conteúdo da psicanálise. Além disso, ele já tem finalizados, mas sem data para publicação, alguns livros de ficção para crianças, como Monstros e ladrões e Virgínia.

Este médico e escritor, com especialização em Psiquiatria Infantil e mestrado e doutorado em Psicologia pela Universidade Paris 13, pós-doutorado em Psiquiatria da Infância na Universidade Paris 6, psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, ainda é professor de Psiquiatria na Fundação Universitária Mário Martins e professor convidado nos cursos de Psicologia da Unisinos e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Não bastasse esse currículo na área da saúde, ele já recebeu um prêmio Açorianos, em 1993 (pelo livro de poemas Arte de rua), e seu Fera domada foi eleito Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores, em 2002, mesma honraria recebida por A almofada que não dava tchau, cinco anos depois. Um perfil que representa muito bem essas duas áreas tão distintas e, ao mesmo tempo, tão complementares. 

Você viu? Atentado ao Charlie Hebdo reacende debate sobre a liberdade de expressão na web

4 30 janeiro 2015 | 08:01

Ter opinião é coisa antiga, mas a possibilidade de publicá-la e deixá-la exposta onde todos vejam é novidade. Em tempos de internet e redes sociais, não basta ter opinião sobre determinados assuntos, é preciso expressá-la. E, embora estar sempre a par das últimas notícias e acontecimentos seja uma vantagem, a rapidez com que tudo acontece no meio digital é inimiga da reflexão. Na ânsia por participar do debate, alguns podem deixar de lado o pensamento crítico dando início à confusão. O que foi feito em um átimo de tempo está eternizado, e a repercussão pode ser enorme. 


A liberdade de expressão não deve ser cerceada, mas qual é o limite da intolerância?
[FONTE: Owni]

O atentado ocorrido na sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, realizado por extremistas islâmicos ofendidos com charges que retratavam o profeta Maomé, foi o estopim, dentre outras questões mais complexas, de uma avalanche de opiniões nas redes sociais. Em apoio ao periódico, muitas pessoas utilizaram avatares com as inscrições Je suis Charlie (Eu sou Charlie) como forma de demonstrar sua consternação diante do ocorrido. Como sempre ocorre, a bola de neve da opinião fechou seu ciclo com usuários das redes sociais apontando incoerência e hipocrisia no comportamento de outros, tão sensíveis a algumas situações e verdadeiros carrascos com outras semelhantes. Mesmo líderes políticos que marcharam em favor da liberdade de imprensa em Paris não escaparam do julgamento dos internautas. O humorista Rafinha Bastos publicou um vídeo na internet tentando comparar o seu tipo de humor com o dos cartunistas do Charlie e considerando injustas as críticas a seu trabalho. Para ele, e para muitas pessoas, o humor é uma questão de liberdade de expressão. Mas até que ponto essa liberdade de expressão ultrapassa seus limites e se torna desrespeito e intolerância? E, ainda, não temos todos a liberdade de expressar nossos pensamentos a respeito dos fatos, ainda que sejam incoerentes?


Nem todos os líderes políticos que marcharam por Charlie são exatamente amantes da liberdade de expressão.
[FONTE: The Independent]

A questão é bastante complicada e perpassa conceitos distintos que se completam: a liberdade de expressão permite que a opinião seja omitida, mas o pensamento crítico e a reflexão são essenciais para garantir que ela vai ser expressa corretamente. Como diz o velho ditado, a palavra falada é algo que não volta atrás. E a palavra escrita, publicada, printada e guardada?  Se para quem nasceu em uma época em que os debates ocorriam mais comumente ao vivo, previamente censurados pela presença física do interlocutor, já é difícil saber o limite do que se pode e deve falar sob o pseudoanonimato da internet, a situação se torna mais complexa para o nativo digital. Temos toda uma geração crescendo sem as famosas papas na língua, incentivadas pela expressão fácil do pensamento on-line. Será que, para o jovem, é um ato contínuo pensar antes de expressar? A escola é capaz de ensinar o rápido opinador da nossa época a desenvolver o pensamento reflexivo?

O livro Como ser um professor reflexivo em todas as áreas do conhecimento trata dessa prática nas mais diversas disciplinas, mas, também, fala sobre a reflexão de um modo geral. Logo em seus primeiros capítulos, a obra apresenta as fases da prática reflexiva, que se colocam da seguinte forma:

1) Sugestão: se refere a ideias que surgem espontaneamente.

2) Intelectualização: se refere ao momento que superamos a reação espontânea e a experiência emocional, passando a identificar e contextualizar o problema.

3) Ideia/Hipótese orientadora: após a passagem do emocional para o racional, se exerce controle sobre a situação e formula-se uma solução para o problema. 

4) Raciocínio: é o momento em que mentes bem embasadas conseguem resolver ou sintetizar ideias antes em conflito.

5) Testagem de hipótese pela ação: a fase final da reflexão, que envolve testar a veracidade de uma ideia por meio de observação ou experimento. 

Quantos de nós não pulamos frequentemente do passo 1 para o 5, exprimindo nossa primeira reação, soltando-a no mundo para que testemos se colou ou não? Pois bem, uma coisa é bate-papo na internet, outra é a formação acadêmica. Existe a possibilidade de os jovens de hoje apresentarem essa mesma tendência a conclusões precipitadas em seu aprendizado. Fica o desafio e a reflexão para professores que precisam encarar diariamente mentes tão dinâmicas, sagazes e, talvez pela falta de hábito, eventualmente pouco críticas. 

Para José Morais, doutor em Ciências Psicológicas pela Universidade de Bruxelas e autor do livro Alfabetizar para a democracia, a incoerência é comum quando se fala antes de pensar, sendo a coerência um resultado da reanálise dos próprios pensamentos. Ele acredita que, para que os professores possam trabalhar o pensamento crítico com seus alunos, um caminho é começar apoiando projetos de pesquisa e seminários em universidades que trabalhem com o tema, em especial aqueles que mobilizam filósofos, psicólogos, pedagogos e cientistas. Para o autor, a escola tem papel crucial na transmissão do pensamento reflexivo e crítico. 

 


Como professores podem ensinar o pensamento reflexivo aos seus alunos, especialmente em uma época com tamanho fluxo de informações?
[FONTE: Pixshark]

José Morais destaca, ainda, que a liberdade de expressão jamais deve ser limitada, assim como a blasfêmia não deve ser punida como se fosse um crime. Ao comentar o caso Charlie Hebdo, o professor afirma que, ainda que alguém não concorde com aquele determinado tipo de humor, considerado uma forma de insulto por algumas pessoas religiosas, defender a liberdade daqueles cartunistas é defender a liberdade de todos. Ele destaca, ainda, a mistura de atitudes que se seguiu ao atentado, em especial a já referida hipocrisia de alguns líderes políticos. Para ele, porém, a atitude hipócrita, na maioria dos casos, não é consequência da falta de reflexão, mas, sim, trata-se de uma questão de valores morais. A possibilidade de opinar é muito positiva, de acordo com Morais, e o problema não é a rapidez da resposta sem reflexão. O problema seria se não pudéssemos mudar de opinião após aprofundar a questão. Fica o questionamento, portanto, para o leitor: depois de publicada, uma ideia permanece mutável?

Tags

Sobre o BlogA

Será que de médico, artista e louco todo mundo tem mesmo um pouco? Aqui no BlogA você vai encontrar de medicina a design, de filosofia a psicologia, de ilustração a poesia; pinceladas divertidas de todas as áreas de publicação do Grupo A. Quer nos enviar dicas ou sugestões? É só escrever para bloga(arroba)grupoa(ponto)com(ponto)br.

Eventos do Grupo A

<abril 2015>
segterquaquisexsábdom
303112345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930123
45678910