Uma nuvem de lágrimas sob seus olhos

1 3 agosto 2014 | 21:50

Um mar de lágrimas. Essa expressão nunca fez tanto sentido como agora que conhecemos o trabalho da fotógrafa Rose-LynnFischer, nossa inspiração da semana. Todos nós as produzimos, pelos mais variados motivos, mas será que você sabe do que uma lágrima é feita? Não, não estamos falando de água, sais minerais, proteínas e gordura, mas dos sentimentos que elas escondem em sua imensidão microscópica. Pode ser um amor não correspondido, uma perda inconsolável ou, quem sabe, uma saudade que esvazia o peito?


Uma separação que terminou como não devia pode ter feito essa lágrima nascer
[FONTE: So Bad So Good]

Em seu trabalho intitulado A Topografia das Lágrimas, Rose fotografou, com a ajuda de um microscópio, 100 lágrimas diferentes. Segundo ela própria, "o projeto começou em um período de mudança pessoal, perda e lágrimas copiosas. Um dia eu me perguntei se minhas lágrimas de tristeza seriam distintas das minhas lágrimas de alegria e me propus a explorar elas de perto". O resultado não é nada menos do que magnífico.


O mapa de um terreno devastado por algum tipo de guerra: teria sido uma separação?


Festeiras como parecem estar, essas simulações de galhos devem ser de um choro de alegria

A série, conforme Rose explica em seu site, é composta por imagens de mais de 100 lágrimas suas e de outras, derramadas pelas mais diversas razões: alegria, cebolas sendo cortadas, tristeza, frustração, rejeição e até durante bocejos. O resultado, como vemos, são verdadeiros mapas que carregam nessas pequenas gotas marcas tão verdadeiras como a erosão em um terreno visto de muito longe. Quase como a topografia do nosso mundo, só que do interior. De novo, a sensível e inventiva Rose explica melhor que nós: "É como se cada uma de nossas lágrimas carregasse um microcosmo da experiência humana coletiva, como uma gota de oceanos". Mergulhe! :)


O clarão surgindo nessa imagem seria porque a dor que causa as lágrimas está passando?


Lágrimas que parecem pegadas de algum bicho: seriam nossos olhos fugindo da cebola?


Uma lágrima que lembra um porto onde atracam vários barcos: seriam de amor?

O sobrevivente e a gaivota

1 1 agosto 2014 | 14:33

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

No cinema, alguns filmes usam e abusam dos efeitos especiais para mostrar sua grandiosidade. Outros, dos diálogos para provar a complexidade da história que contam. Sobrevivente, drama em cartaz, precisou apenas da imensidão do mar e de um personagem calado, mas carismático, para tratar de, nada mais, nada menos que o sentido da vida. Baseado em fatos reais, o longa conta a história de Gulli (Ólafur Darri Ólafsson), de como até o mais comum dos homens merece viver e tem todo o direito de lutar por sua existência.


Fotografia do filme dá contornos ainda mais gélidos à paisagem do filme
[FONTE: Divulgação]

Em um ritmo que combina com o idioma islandês e com a fria paisagem em que a história se passa, Sobrevivente nos apresenta seus personagens em um bar. Estão em terra e isso é sempre motivo para comemorar. Alguns reencontram namoradas, fazem festa com seus amigos e ficam bêbados, outros passam o tempo que têm com a família, mulher e filhos ou pais. A vida de um marinheiro é como o balanço do mar e não demora para eles voltarem ao Berik, o barco.

Foi no inverno de 1984 que esse mesmo barco pesqueiro naufragou no Atlântico Norte, nas proximidades da Islândia. Os tripulantes tentam sobreviver, mas as águas geladas os impedem e não demora para que reste, na escuridão da noite e do mar, apenas Gulli. Nosso protagonista é um homem bom, tenta até o final ajudar a salvar seu amigo de infância e colega de trabalho, mas não parece, à primeira vista, ter motivos para lutar por sua vida. De fora, vemos apenas alguém que não casou, não teve filhos e, morando com os pais, cobiçava a mesma mulher de sempre sem ter coragem de chegar perto dela. 

No entanto, naquela imensidão gelada que é a Islândia, percebemos que não, não somos ninguém para julgar (nunca somos, não é mesmo?). A conversa que Gulli tem com uma gaivota que ronda sua cabeça enquanto ele nada por mais de seis horas tendando se salvar mostra que a nossa existência está nas pequenas coisas. Aquele enorme homem, solitário, lembra da infância, de sua mãe brigando por ele não tomar o leite no copo e sim direto da garrafa, e de seu pai o tirando da rua para salvá-lo da erupção de um vulcão que anos antes levou vários moradores do seu povoado para longe. 

Depois de, sabe-se lá como, vencer o frio das águas, Gulli ainda teve que ultrapassar as pedras pontudas da ilha rochosa em que vivia para então encontrar uma casa para lhe acolher ou, como acontece, mandá-lo ao hospital. A história de Sobrevivente poderia ficar por aí, mais vai além e mostra a incrível vontade de viver de Gulli, o quanto ela é inacreditável. Já recuperado, ele terá não apenas que lidar com a dor da perda dos amigos e, obviamente com todo o estresse pós-traumático que decorre de uma experiência como a sua, mas também com a incredulidade de todos. Sua família, obviamente, parece não se importar com os meios, só com o fato de ele estar vivo, mas sua comunidade não entende ele ter sobrevivido, enquanto médicos insistem em fazer testes para saber como isso pode ter acontecido.

Gulli, não sabendo que era impossível, foi lá e fez
[FONTE: Divulgação]

Alto, acima do peso e fumante, Gulli não parece ser do tipo atlético, capaz de vencer a força da natureza, mas será o homem, com sua ciência, capaz de desvendar o que realmente move alguém a salvar sua própria vida? Só vendo para saber. Vale a pena. ;)

12 dicas para um sorriso mais bonito

0 31 julho 2014 | 15:29

Não há quem não goste de sorrisos. Eles nos fazem parecer mais inteligentes, também ajudam na paquera e são agradáveis de ver, não é mesmo? Por isso, nós entrevistamos o o Dr. Antonio Fonseca, autor do livro Odontologia Estética (também em ebook) e, com as respostas do profissional, elaboramos dicas preciosas de cuidados com os dentes! Aos dentistas que nos leem, pedimos que nos ajudem a espalhar essas informações e contribuam com a redução mundial dos sorrisos amarelos ;)

Buscar soluções
Existem problemas dentários que exigem tratamentos mandatórios, como dor de dente, fraturas e dores musculares. Mas existem problemas menores que clamam por tratamentos eletivos, como o clareamento, mudança de forma dos dentes e correção de posicionamento. A palavra de ordem é: se você está incomodado, busque ajuda. Não fique sofrendo por nada.

Buscar indicações
“Até hoje, o fator de maior credibilidade é a indicação por alguém que confiamos”, comenta Antonio Fonseca. Converse com parentes, amigos, colegas de trabalho e pessoas que tenham perfil de valores semelhantes aos seus. A partir daí, você vai ter seu próprio odontologista de confiança para acompanhar todos os seus tratamentos.

Saúde em primeiro lugar
Você deve sempre ter um dentista cuidando de sua saúde. Um bom profissional estará sempre prevenido para que não ocorram desequilíbrios bucais. Quando alguma coisa em relação a aparência dos seus dentes não lhe agradar, o dentista vai ajudar a tomar as decisões certas.

Calcular os benefícios
Segundo Fonseca, os procedimentos mais simples e não invasivos são os melhores. Antes de começar um tratamento, entenda com clareza a relação de custo e beneficio, não só o custo econômico, mas, sobretudo, o biológico. Você e seu dentista decidirão juntos qual o momento adequado para fazer a intervenção.

Escolher o clareamento
Existem os clareamentos feitos em casa e os realizados no consultório. Em casa, o paciente recebe um molde de plástico feito pelo dentista e passa em torno de uma semana dormindo com um produto clareador aplicado. No consultório, este produto é mais concentrado e exige maiores cuidados. A melhor opção vai depender do quanto você precisa clarear os dentes e quanto tempo tem à disposição.


Acredite, é possível ser feliz no dentista
[FONTE: Abri Dental

Prevenir é o melhor remédio
O jeito mais garantido de não precisar de clareamento é não manchar os dentes! Então fique atento ao consumo de café, chá, refrigerantes, vinho tinto e cigarros. Seus pigmentos são incorporados no interior do esmalte, alterando a cor dos dentes. Traumatismos, ingestão de antibióticos, excesso de flúor e restaurações antigas também são responsáveis por alterações de cor.

Crianças exigem cuidados a mais
Antibióticos podem manchar os dentes de adultos, mas nas crianças o buraco é mais embaixo. Medicamentos prescritos para crianças geralmente apresentam sabor extremamente doce graças à presença da sacarose. Esse açúcar pode se acumular e gerar cáries, caso a escovação dos dentes seja deixada de lado. É importante manter os dentinhos limpos mesmo quando a criança está doente!

A alimentação faz toda a diferença
A saúde bucal depende de bons hábitos alimentares. Inclua em sua dieta alimentos que exijam uma mastigação eficiente. Fique longe dos carboidratos refinados entre as refeições. Lembre-se de que alguns alimentos “escondem” açúcar na sua composição, como ketchup e mostarda. Tudo pode ser consumido, mas de maneira racional. 


Deixe o amarelo para a maquiagem
[FONTE: Scottburgh

Cuidado com o açúcar!
O maior vilão para os dentes é sempre o açúcar, o maior causador de cáries dentais. Antonio Fonseca atenta para a frequência do consumo do alimento: quando você ingere açúcar, os dentes ficam expostos aos ácidos produtores de cárie durante 20 minutos. Logo, se você ingerir açúcar cinco vezes ao dia, seus dentes ficarão expostos por 100 minutos!

Uma mão lava a outra
A escova de dentes limpa sua boca, mas como limpar a escova? Uma pesquisa da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, mostra que a melhor maneira de limpar uma escova de dente é mergulhá-la durante à noite numa solução antisséptica, como um enxaguatório. Lavar com água de torneira não é suficiente para eliminar por completo as bactérias que podem estar alojados nas cerdas após a escovação.

Escolher uma boa escova
A escova ideal para os dentes naturais deve ser macia ou extra macia. As escovas duras, além de machucarem a gengiva, podem desgastar os dentes, provocando sensibilidade, e provocar a retração gengival, que afeta a estética do sorriso e também provoca dor. A variação entre marcas é pouco importante, mas saiba que uma escova costuma durar, no máximo, 30 dias antes de chegar à sua aposentadoria.


Seus maiores amigos na luta contra as cáries
[FONTE: Peddicord

Apostar no sorriso
Todo mundo às vezes se sente suscetível a comentários sobre a aparência. Além disso, “é indiscutível que um sorriso bonito e agradável é um bom caminho para todo relacionamento”, como diz Antonio Fonseca. O médico acredita que um sorriso pode ser um agente de mudança na vida de uma pessoa, trazendo confiança e autoestima.

Já está com a escova e a pasta na mão? Então leia ainda mais dicas e tire suas dúvidas com o Odontologia Estética (pode ser no ebook). A obra é uma fonte de consulta acessível e fácil, além de amplamente ilustrada, tornando-se essencial para estudantes e profissionais da área.

Meu amigo de fé, meu irmão camarada

0 29 julho 2014 | 17:17

Como muitos dizem por aí, amigos são a família que a gente escolhe. Embora a afinidade entre comparsas costume ser pautada por gostos, interesses e personalidades, há muito tempo, a ciência vem percebendo uma tendência entre amigos de se parecerem fisicamente – e não estamos falando apenas do corte de cabelo. Um estudo conduzido nos Estados Unidos e publicado recentemente aprofundou a questão. A pesquisa sugere que temos uma tendência a escolher amigos geneticamente parecidos conosco em aspectos que vão muito além da superficialidade. De acordo com os cientistas, você e seus amigos compartilham marcadores genéticos tal qual fossem primos distantes. Confira esse post e dispense o pacto de sangue!


Já pode colocar a turma toda na árvore genealógica?
[FONTE: United States Census Bureau]

A semelhança encontrada entre o DNA dos amigos é equivalente à que se verifica em primos de quarto grau, totalizando cerca de 1% de marcadores similares. De acordo com James Fowler, professor do departamento de genética da Universidade de San Diego, na Califórnia, o número pode parecer pequeno, mas traz implicações gigantescas para a teoria da evolução. Ele acredita que, apenas em posse do material genético de duas pessoas, poderemos prever se eles serão amigos ou não. E, agora, estamos com sérias dúvidas se essa informação tira o encanto do início de uma bela amizade ou torna o processo mais mágico ainda


Seu Vizinho, Pai de Todos e Fura Bolo mostrando que os conceitos de família e amizade andam juntos, muito juntos.
[FONTE: Ani & Haakien

Por se tratar de uma pesquisa que envolve genética de populações, os números do estudo são altos. No total, foram 1.367 pares de amigos, dos quais foram analisados 466,608 marcadores genéticos e suas variações. Além das semelhanças, os cientistas encontraram mais uma particularidade: procuramos amigos com o sistema imunológico diferente do nosso. Pode parecer contraditório, mas é uma questão de sobrevivência. Pois, se você é imune a uma doença e o seu amigo não, pelo menos vocês não ficarão passando a peste de um para o outro. Mas a dúvida que fica no momento é: como identificamos nossos parceiros de DNA, visto que ainda não fomos equipados com rastreadores genéticos portáteis?


Embora amigos, parentes e amigos-parentes vivam em nosso coração, aprovamos incondicionalmente a amizade entre todos os seres geneticamente distintos. ;)
[FONTE: Plus Pets]

A resposta pode ser bastante simples: pessoas semelhantes buscam os mesmos lugares. Os apaixonados pelo cheiro de café frequentarão cafeterias, nadadores farão amigos na piscina. Além do mais, há quem se sinta mais confortável quando cercado por indivíduos com o seu mesmo tipo físico. Os pesquisadores acreditam que o estudo pode ajudar a responder por que nós, humanos, somos tão sociáveis, visto que, na natureza, os animais raramente interagem com estranhos. A socialização, sabemos, é um dos motores da nossa evolução. O que seríamos de nós sem nossos amigos? 

Lave-me ou faça-me obra de arte

0 28 julho 2014 | 12:39

Se quando você era criança gostava de ser o engraçadinho da turma e escrever “Lave-me” nos carros cobertos de pó que via pela rua, saiba que nisso podia estar escondido um grande talento artístico. Pelo menos esse foi o caso de Scott Wade, um americano que cresceu perto de uma estrada poeirenta no Texas e, de tanto ver o carro da família coberto de terra, decidiu transformar aquilo em tela para seus desenhos. A técnica foi se aprimorando com o tempo e hoje ele é capaz de obter resultados como esses que a gente traz para inspirar o começo da semana.


Feita na sujeira, a Mona Lisa continua igualmente misteriosa.
[FONTE: todas as imagens são do site de Scott Wade]


Um grupo de mariachis alegra as janelas pouco cuidadas

Em seu site pessoal, Wade conta que nunca tomou a decisão de se tornar um artista de vidros de carros. A coisa começou como uma brincadeira. Filho de um cartunista amador, Wade rabiscava os vidros do carro para espantar o tédio e, como o carro estava constantemente coberto de poeira, ele logo passou a experimentar com palitos e outros objetos até chegar aos pincéis.


Uma composição impressionante improvisada no carro da família


Outra releitura de uma grande obra de arte

Foi apenas em 2003 que o artista se deu conta de que poderia desenvolver o trabalho e levá-lo ao “próximo nível”. Um de seus passatempos prediletos é tentar recriar as pinturas dos grandes mestres no pó acumulado. Claro que, ao contrário do teto da Capela Sistina, a arte de Wade dura apenas até a próxima chuva. Mas, assim como os profissionais da arte efêmera, ele não se preocupa com isso e vê o lado positivo: quando uma obra desaparecer, surge espaço para a próxima.


O original já é impressionante, que dizer da versão na poeira?


Reconhece o Ronaldinho Gaúcho? Essa obra foi feita em uma visita ao Brasil

A fama bateu à porta de Wade quando um amigo apresentou fotos de seu trabalho a um jornalista. Assim, o diário local fez uma nota sobre o peculiar artista e publicou uma galeria de imagens. Em menos de uma semana, as obras caíram nas graças da internet e milhares de blogs repercutiram o caso. Hoje, embora mantenha seu trabalho diurno em tempo integral, Wade faz performances em eventos, viaja para entrevistas e atua em peças publicitárias.


Aqui, Wade está finalizando um retrato de Frida Kahlo


Obra feita para um evento promocional

Se nos perguntassem, a gente apostaria que Wade foi leitor da obra Fazendo Arte com Qualquer Coisa quando era criança. O livro traz projetos artísticos fantásticos que usam apenas materiais do dia a dia. Para quem tem ou convive com crianças de 4 a 10 anos de idade, essa é a chance de despertar o artista interior que vive nelas. Em alguns anos, elas podem estar tirando seu sustento da criatividade, assim como Wade pretende fazer em breve: se tudo der certo, ele logo passará a viver só de arte em carros sujos.


Esse trabalho foi uma encomenda para o aniversário de Bob (seja ele quem for)


Uma banda de blues em sua apresentação empoeirada

Se você ainda não clicou no link para o site do artista, a gente recomenda a visita. A galeria de imagens é muito maior do que poderíamos colocar aqui, e a seção de perguntas frequentes é uma aula de vida: afinal, Wade foi artista por vocação, soube aproveitar a oportunidade quando ela bateu à porta e pratica o desapego diariamente. Uma inspiração e tanto!

Teorema da existência sem propósito

1 25 julho 2014 | 12:24

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

O diretor Terry Gilliam já nos brindou com obras primas brilhantes, esquisitas e futuristas (vide Os 12 Macacos, Brazil, o Filme e O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus), então não é de surpreender que ele nos traga agora um história de ficção científica que retrata uma distopia repleta de aparatos tecnológicos, analogias religiosas e muita solidão.

Em O Teorema Zero, acompanhamos alguns meses da vida de Qohen Leth, um especialista em arquitetura de informações que trabalha para a grande corporação Mancom, cujo lema é “dar sentido às coisas boas da vida”. Em um mundo caótico onde quase todas as interações humanas são mediadas por máquinas, o único desejo de Qohen é trabalhar em casa: assim, ele não precisaria mais enfrentar as ruas e estaria sempre disponível para receber um misterioso telefonema que espera há anos.

A seus superiores, Qohen justifica seu pedido de reclusão com um argumento bastante impactante, embora pouco convincente: “nós estamos morrendo”, ele diz. E isso não se refere a todos os personagens, mas a ele. Qohen fala sempre na terceira pessoa do plural por motivos que nós (os espectadores) não podemos compreender. Embora os médicos da corporação mandem-no de volta ao trabalho, já que sua saúde está em ordem, o funcionário finalmente consegue ter seu desejo realizado quando lhe é atribuída uma tarefa em um projeto especial da chefia, o tal do Teorema Zero.

Trancafiado e vigiado em sua casa, Qohen passa os dias na frente do computador resolvendo equações de “entidades” que se transformam conforme o cálculo avança, e o resultado final fica sempre mais distante. O tempo passa, o gênio da computação se aproxima da loucura e seu único interesse na vida continua sendo a espera pelo tal telefonema. Em seu socorro - ou seria por interesses da empresa? - aparecem seu gerente, uma psiquiatra, o filho do dono da companhia e uma sedutora mulher.


O futuro meio brega meio retrô
[FONTE: Divulgação]

A trama é engenhosa, inteligente e complexa. Qohen está procurando nada menos que o sentido da vida, uma busca com a qual a maioria dos seres humanos consegue se identificar. Ainda assim, o filme não chega a ser envolvente: é puro cérebro e pouca emoção. Pode muito bem ser o objetivo do diretor, afinal, a pergunta é séria e ele não está aqui para brincadeiras. A abordagem racional do filme não deixa de ser irônica, já que Gilliam também codirigiu, 31 anos atrás, o filme O Sentido da Vida, do grupo humorístico britânico Monty Python. Parece que as piadas não serviram de resposta e Gilliam partiu para uma busca melancólica, solitária e pessimista (ainda que Qohen tenha seus dois ou três momentos de riso).


Umas das poucas e traumáticas interações do protagonista
[FONTE: Divulgação]

Em entrevista, o diretor disse que “hoje em dia, parece que só existimos quando tuitamos, telefonamos para alguém, postamos uma foto ou um comentário nas redes sociais. Somos como neurônios de um grande sistema nervoso, ligados por sinapses aos outros neurônios”. Esse grande sistema nervoso ou inteligência coletiva também é tema do filme, mas não poderemos falar muito sobre isso sem estragar as surpresas. O importante é dizer que O Teorema Zero é um filme intelectual, pós-moderno, crítico e diferente de quase tudo o que estamos acostumados a ver no cinema.

Prepare-se desde já para terminar a experiência com mais perguntas que respostas. A arte costuma servir mesmo para nos inquietar. Por sorte, contamos com a ciência para nos esclarecer alguns dos mistérios da vida (nunca todos). O livro Odisseia do desenvolvimento humano é a primeira obra a abordar nossa fascinante viagem física, psicológica e espiritual pela vida. Para isso, o livro traz materiais de uma ampla gama de disciplinas, incluindo neuropsicologia, antropologia, biologia evolutiva, psiquiatria, folclore, sociologia, religião e literatura. Ao contrário de um filme, não dá para absorver tudo em duas horas, mas você vai entender um pouco mais da natureza humana.

Livrarias que valem a viagem

0 23 julho 2014 | 16:13

Falar do que se gosta nunca é demais, por isso estamos de volta com mais uma leva de livrarias que você deveria conhecer enquanto esses locais, verdadeiros templos sagrados para os amantes dos livros, ainda estão de pé. É sempre difícil saber qual será o impacto da adoção de uma tecnologia, como a dos e-books, no comércio, por isso, nunca é demais listar livrarias que merecem uma visita para que nossos ávidos leitores possam conhecê-las antes de mudarem o foco dos seus negócios, entre outras transformações possíveis. 

O BuzzFeed, esse veículo de comunicação gerador de listas que todos nós conhecemos há pouco tempo, mas que já consideramos muito, reuniu algumas das livrarias imperdíveis ao redor do globo. Conheçam as nossas preferidas:

#1 City Lights Bookstore, em San Francisco, nos EUA

San Francisco, na Califórnia, por si só, já é uma cidade que merece uma visita. Com suas ladeiras, bondinhos e o mar à vista, isso sem falar na belíssima Golden Gate, a cidade norte-americana é uma das preferidas do pessoal que faz propaganda, especialmente para TV. Mas afora isso, tem também a City Lights. A livraria foi fundada pelo poeta Lawrence Ferlinghetti e, por esse motivo, tem um segundo andar todo dedicado à poesia. Além disso, a loja é convidativa: tem cadeiras estrategicamente espalhadas para que os clientes não apenas desfrutem da luz natural da cidade que entra no local (City Lights, lembram?), mas também para que possam sentar e, no seu próprio tempo, escolher que título vão levar para a casa.


Advinha se a City Lights não fica em uma das famosas ladeiras de San Francisco
[FONTE: BuzzFeed]


Um segundo andar todo dedicado à poesia é cortesia do criador da Livraria, um poeta, é claro

#2 Word on the Water, Londres, na Inglaterra

Se San Francisco é a terra das ladeiras, Londres é a capital mundial da garoa, como todos nós sabemos. Na nublada capital do Reino Unido uma livraria fez da água parte do seu negócio. Word on the Water nada mais é do que uma livraria em um barco. Para conhecer os títulos selecionados pelo capitão é preciso, obviamente, subir à bordo. E além dos livros, os gatos que vivem na embarcação podem te acompanhar no passeio. Quando atracado, o loca flutuante é palco de leituras de poesia e música ao vivo. Imperdível.


Escolher um título para levar para a casa no balanço do mar deve ser mais agradável até


Quando está atracado, a livraria-barco é palco de leituras e de música ao vivo

#3 Boekhandel Dominicanem, na cidade de Maastricht, na Holanda

Lá em cima, nós falamos que as livrarias são quase um templo sagrado para os leitores… e, dependendo do caso, pode ser quase sagrado mesmo. A livraria Boekhandel Dominicanem fica em uma cidade da Holanda e está instalada em um prédio de arquitetura gótica que já foi uma igreja, mais ou menos 700 anos atrás. Se o nome difícil da cidade não lhe atrai, saiba que Maastricht é uma das mais antigas cidades holandesas e, hoje, é capital da província de Limburgo, que está às margens do rio Mosa, na extremidade sudoeste dos Países Baixos, em um território estreito, encravado entre a Bélgica e a Alemanha. Ou seja, promete ser bastante interessante para uma visita, sim.


O silêncio de uma igreja que é também uma livraria deve atrair muita gente


Nessa livraria holandesa é permitido tirar os olhos dos livros para apreciar a arquitetura

# 4 Livraria Acqua Alta, em Veneza, na Itália

Não é apenas Londres que investe em livraria com temática aquática. Nada mais natural que Veneza, cidade dos canais, contenha uma livraria onde os livros disputam espaço com gôndolas, banheiras e botes. O peculiar ambiente ainda conta com uma escada construída a partir de livros velhos e um espaço no qual o visitante pode ler as obras com os pezinhos na água. Charmoso demais. Como escreveu Fernando Pessoa, navegar é preciso, então ainda melhor se for dentro de uma livraria na companhia dos bons livros.


Como essa gôndola enorme foi parar aí dentro? Não sabemos, mas estamos curiosos


Atenção à saída de emergência em caso de incêndio ou de (mais) alagamento

# 5 Brattle Book Shop, em Boston, nos Estados Unidos

Autodenominada um dos maiores e mais antigos antiquário de livros dos EUA, a Brattle Book Shop é extremamente charmosa, pois mistura a ambientação de livraria antiga com um estilo "mercado de pulgas". Fundada em 1825, a centenária loja tem dois andares dedicados aos mais diversos títulos usados, um terceiro andar totalmente dedicado a raridades e, o mais legal: estantes e prateleiras colocadas do lado de fora ajudam a compor o clima de "antigamente". E não é só isso! A Brattle Book tem uma equipe de decoradores à disposição dos clientes que buscam livros antigos para enfeitar a residência ou o escritório. Mas, para isso, não é preciso ir tão longe, pois nós mesmos aqui do BlogA já demos uma ideia ou outra para o leitor.


Três andares e uma feira ao ar livre: parece até nome de filme


As prateleiras e o painel formam o que pode ser considerado um altar aos grandes mestres

Com essa coleção, quase deu para sentir o cheirinho dos livros, não é? E a vontade de viajar e de carimbar o passaporte, então? Nossa! Mas não se preocupe, provavelmente, essas lojas que são quase monumentos à literatura continuarão na ativa por muito tempo, ao passo que poderemos contar sempre com a facilidade e a agilidade das livrarias virtuais no nosso dia a dia. É tecnologia e história andando juntas. Pois o que é um livro se não a união da arte com o conhecimento? ;)


O poder do tédio

0 22 julho 2014 | 14:27

Em um mundo em que estamos cada vez mais preocupados em estimular constantemente nossos cérebros (e nossas crianças!) uma pesquisa realizada na Universidade de Lancashire, na Inglaterra, descobriu que o tão temido tédio, que muitos buscam evitar, pode ser um catalisador para a imaginação. Comemorai, sonhadores diurnos da nação: a criatividade proveniente do ócio existe e não foi uma invenção genial de algum esperto preguiçoso (ou entediado?). De acordo com os cientistas envolvidos no experimento, a descoberta se aplica também ao ambiente de trabalho. Confira, pois essa é para imprimir e colocar na mesa do chefe. ;)


Quem convive com criança já desconfiava do resultado da pesquisa: é nos momentos em que estão mais entediadas que elas têm as ideias mais mirabolantes, não é?
[FONTE: The Momiverse]

Quem acha que criatividade é só para os profissionais da arte e da imaginação, está enganado. De acordo com o livro Psicologia da Criatividade, esse é um dos motores, se não o mais importante, do conhecimento econômico e cultural dos indivíduos. Para saber mais sobre como se dá o processo criativo, cientistas pediram aos voluntários que imaginassem variadas formas de usar simples copinhos de isopor. Porém, para metade dos participantes, foi pedido que anotassem números de uma lista telefônica durante 15 minutos antes do começo do experimento. E foi batata: depois dessa edificante atividade, o grupo entediado se saiu muito melhor no teste dos copinhos. A Phoebe, do seriado Friends, por exemplo, deve ter passado uma tarde inteira na lista telefônica antes de preparar essa festa.


Fala a verdade: não bateu um tédio só de olhar?
[FONTE: Tech Tudo

De acordo com o doutor Sadi Mann, um dos autores do estudo, o tédio é sempre tido como algo a ser evitado, mas talvez devêssemos abraçar essa ideia, a fim de deixar fluir nosso potencial inventivo. Para o cientista, o próximo passo é saber de que forma a criatividade se manifesta. Afinal, eles também constataram que não basta ficar entediado o tempo todo, é preciso ter a chance de sonhar acordado para os resultados serem positivos. Em outras palavras, não basta ler toda a lista telefônica se, depois, não existir a possibilidade de plantar a sementinha da engenhosidade no terreno que a monotonia fertilizou.


Aquela terrível falta de ideias que os escritores chamam de bloqueio também pode ser parte do processo de criação. É o tédio imaginativo que precede a explosão de criatividade.
[FONTE: Drenched Sky]

Ainda, uma das explicações para o fenômeno é a própria aversão à pasmaceira. Quando precisamos loucamente achar algo para fazer, podemos ser incrivelmente imaginativos. A procrastinação que o diga. Inclusive, muitos artistas estão sempre em busca de um pouco de tédio e contemplação, procurando inspiração para suas obras. Por isso, fica a dica: desacelere sua rotina. Quem sabe o que poderíamos criar se deixássemos o pensamento correr solto buscando uma novidade a cada dia?

Esqueci de te esquecer

0 21 julho 2014 | 15:45

Qual vai ser o próximo destino das suas férias? Um lugar super badalado como Nova Iorque ou um lugar pouco convidativo como a Coreia do Norte? Em geral, nossas escolhas alternam entre esses dois tipos: lugares que todo mundo já foi e lugares em que poucas pessoas pisaram. Mas que tal inovar mesmo e visitar um local que foi deixando para trás pela humanidade, praticamente esquecido aos longos dos anos pelo turismo?

Por aqui, nós adoramos falar de lugares: de cenários espetaculares para um jantar a dois e dos sons das ruas. Logo, não é de se espantar que caíssemos de amores por essa lista publicada por Kate Schneider de locais abandonados, construídos e depois desprezados pelo ser humano, muitos dos quais deveriam receber visitantes não só por sua beleza, mas pela história que contam. Conheça nossos preferidos e se inspire para a sua próxima folga.

#1 Kolmanskop, Namibia

Os dias de glória de Kolmanskop, na Namibia, duraram de 1920 até 1960. Região de um dos minérios mais cobiçados, o diamante, a cidade ficou para trás quando os caçadores de pedras preciosas encontraram locais mais frutíferos. Sem pensar duas vezes, os mineiros foram embora, mas suas casas ficaram e, com o passar do tempo, foram sendo tomadas por um material não tão nobre: a areia do deserto, cuja ação resulta em belas imagens que são fotografadas por exploradores de diversas partes do mundo. Ao que diz a colunista,a vila está sendo restaurada.


[FONTE: News.com.au]


[FONTE: Documenting Reality]

#2 Michigan Central Station, Detroit

No início da era industrial, lá pelos idos, já bem idos, de 1900, Detroit era uma área movimentada: repleta de trabalhadores, de fábricas e de talentosos designers de interiores. Pelo menos é o que dá a entender a Michigan Central Station, uma estação de trem que não vê uma locomotiva partindo dali desde 1988. O edifício está localizado no distrito histórico de Corktown, cerca de 3 km a sudoeste do centro da cidade e, atualmente, se encontra desocupado, aguardando restauração. 


[FONTE: News.com.au]


[FONTE: Wikipedia]

#3 Hospital militar de Beelitz, na Alemanha

Construído em 1898 para abrigar pacientes com tuberculose e reconstruído por Adolf Hitler em 1916 após ser atingido durante a Batalha do Somme, o hospital militar de Beelitz, na Alemanha, está hoje abandonado. Na década de 20, ele vivia cheio, e assim permaneceu até 1944, época em que a região era controlada pelos soviéticos. Com o fim da URSS, em 1991, foi logo desocupado e, desde 1994, se encontra completamente vazio. Tido como um símbolo do nazismo, chamado de o hospital de Hitler, o local em Beelitz parece, pelas fotos, estar do mesmo jeito que foi largado. Uma pena, pois mesmo os símbolos de períodos negros da história da humanidade precisam ser preservados e lembrados para que os erros não se repitam


[FONTE: Daily Mail]


[FONTE: Daily Mail]

#4 Salto Hotel, Colômbia

Situado ao lado de uma enorme e bonita cachoeira perto de Bogotá, o Hotel del Salto, inaugurado em 1928, foi bastante popular até que o homem, sempre ele, contaminou demais o local, a ponto de afastar os turistas. Com a criação de uma hidrelétrica na região e a poluição do rio, os turistas foram escasseando e o hotel acabou sendo fechado em 1990. Com o passar o tempo, o Hotel del Salto ficou ainda mais abandonado conforme crescia a lenda de que era amaldiçoado. A cachoeira de inúmeros metros de altura e profundidade era constantemente escolhida pelos suicidas. Desde 2013, o local abriga um museu.


[FONTE: News.com.au]


[FONTE: Daily Art]

#5 Shicheng, China, a cidade subaquática

A cidade de Shicheng, ou Lion City como também é conhecida, foi submersa pelo Lago Qiandao, na China, em 1959, em meio à construção da Estação Hidrelétrica (de novo elas) do rio Xin. Desde então, toda a região está debaixo d'água. Há mais de 50 anos na sua versão aquática, a cidade permanece intacta. E não se deixe espantar pelo seu aspecto molhado: há algum tempo mergulhadores transformaram o local em ponto turístico que permite aos mais curiosos conhecer parte da história chinesa deixada para trás


[FONTE: Daily Mail]


[FONTE: Daily Mail]

Se você ficou interessado nesse turismo do esquecimento, da memória e do abandono, a lista do News.com.au tem mais cinco destinos ao redor do mundo que podem aguçar sua curiosidade. E se tiver a oportunidade de conhecer algum deles, não esqueça de compartilhar conosco: a lembrança se faz do compartilhamento de histórias. :)

O médico alemão de Wakolda

0 18 julho 2014 | 17:06

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

A história já nos mostrou que nem a ciência, a mais exata das artes, é neutra. A imparcialidade é um mito que persiste em várias áreas da nossa vida, inclusive naquelas que deveriam, em teoria, se preocupar em fazer mais o bem, como a medicina. Esse é só um dos subtextos do filme O médico alemão (Wakolda), dirigido por Lucia Puenzo, em uma colaboração entre França, Argentina, Espanha e Noruega.

A história se passa na Argentina, nos anos de 1960, e é contada lentamente, nos momentos em que o espectador não está contemplando as belas, frias e montanhosas paisagens da Patagônia. O ritmo vagaroso não chega a ser um problema, pois é preciso de algum tempo para montar o quebra-cabeça que se forma a partir do encontro entre o médico alemão, vivido por Alex Brendemühl, e Lilith, uma adolescente de 12 anos, argentina de ascendência alemã, que não fala, mas entende o hermético idioma.


Alex Brendemühl vive o misterioso médico alemão
[FONTE: Divulgação]

Sozinho, o médico alemão se convida para atravessar o deserto hermano em caravana com a família de Lilith. A mãe grávida e de origem germana, o pai latino-americano, e os dois irmãos, um mais velho e um mais novo, além da pequena jovem, estão de mudança para um hotel herdado pela matriarca em um povoado próximo a Bariloche. Desde o início, o interesse do médico alemão pela adolescente causa estranhamento no espectador, mas sem ler a sinopse do filme antes, fica difícil de adivinhar o que está por vir. 

Lilith tem um problema de crescimento e o doutor, que descobre essa deficiência, insiste em ajudar. O pai da jovem de longos cabelos loiros e sorriso maroto, Enzo, não gosta da intromissão do homem na vida da sua família, mas acaba perdendo o controle para a mãe,  Eva, e para a cumplicidade entre ela e a filha. Ao passo em que Lilith começa o tratamento, descobrimos que aquele misterioso amigo, que faz discurso sobre a importância da genética na mesa de jantar e parece encantando com a adolescente, é muito mais importante do que parece ser. E não só para o longa, mas para a história real e contemporânea mundial.

Se Lilith é muito jovem para entender o que alguns sinais e comportamentos das pessoas que fazem parte da sua nova comunidade significam, o espectador não é. Símbolos como o do nazismo, a dicotomia bonecas artesanais versus produção em escala, palavras próprias do vocabulário do Terceiro Reich e menções a fatos históricos deixam claro, sutilmente, que estamos diante dos fugitivos do nazismo.

Grandes peças da operação nazista, como o próprio Hitler, teriam fugido para essa região da Argentina e por lá se instalado quando Israel começou a caçar os responsáveis pelo genocídio de milhares de judeus. E, se Hitler nunca foi encontrado, vivo ou morto, outros tantos comparsas sim, inclusive no Brasil


Lilith, a diferença que pode ser tornar a norma nas mãos da ciência
[FONTE: Divulgação]

Dizer mais do que isso é estragar o filme, mas se tem uma lição que essa ficção com misto de realidade nos deixa é de que ninguém é neutro. Sempre haverá interesses: alguns de fato são para o bem, mas outros nem tanto. E, se o interesse de uma comunidade, como essa de 1960 do filme, é perpetuar as ideias do nazismo, ela começará pela educação. Por isso livros como Ensinando o Holocausto na Escola são tão importantes: é preciso ensinar os jovens e esclarecer esses pontos obscuros da humanidade a partir da perspectiva que a história já provou ser a mais adequada.

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