Interestelar: para ver, ouvir e aprender

3 14 novembro 2014 | 14:16

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

A princípio, a ficção científica não precisar ir tão longe para contar uma boa história. Mas Christopher Nolan achou que era interessante ir ao espaço, e até para outra galáxia, para falar de física, de astronomia e de temas mais mundanos como o amor e o meio ambiente. Em Interestelar, o diretor de grandes títulos como Batman, O Cavaleiro das Trevas e A Origem, vai a fundo na parte científica da ficção escrita pelo seu irmão Jonathan Nolan, roteirista do filme. É óbvio que, como Gravidade, outro recente filme do tipo, Interestelar também tem furos, ou soluções mal explicadas mesmo para quem conhece bem a física, mas nem por isso deixa de ser um filme imperdível. Afinal, também é uma forma de descobrirmos esse universo que habitamos e que tão pouco sabemos.


Cooper, vivido por Matthew McConaughey, é o piloto que vai tentar salvar a humanidade
FONTE: Divulgação

Aliás, em tempos de crise hídrica em São Paulo, a região mais importante do Brasil, fica ainda mais fácil de se interessar pelo longa metragem. Mais do que isso, de se identificar com a situação pela qual passam Cooper, vivido pelo novo queridinho da América Matthew McConaughey, e seus filhos. Em um ano futuro que não sabemos qual é, o mundo vive uma crise de recursos naturais. Em meio a tempestades de areia que se tornam cada vez mais frequentes, comprometendo o pulmão das pessoas, só há milho para comer. Na escola, nada de formar engenheiros: o que o planeta precisa é de bons fazendeiros.

É neste cenário desolador, em que a Nasa é vista como vilã por gastar tanto dinheiro para conhecer o espaço sem antes dominar a Terra, que surge uma missão para Cooper, um ex piloto da agência governamental. Mesmo correndo o risco de nunca mais ver seus filhos, ele aceita a missão de ir atrás de outros possíveis planetas para receberem os humanos, salvando assim a espécie de extinção. Ao lado de Brand, interpretada por Anne Hathaway, outros cientistas e alguns robôs, Cooper seguirá em busca de uma nova casa para todos nós. Com o passar dos anos, que nesse filme é mais relativo do que nunca, sua filha Murph, vivida por Jessica Chastain na fase adulta, também tentará salvar a população mundial, já que o planeta está cada vez mais sem solução. 

A premissa de Interestelar não é nova. Já vimos em outros filmes histórias de pessoas que precisam lidar com o dilema de salvar o mundo, seus filhos e, de quebra, a si mesmos. A novidade aqui é em que situação isso ocorre e em como pai e filha vão, de certa forma, trabalhar juntos nesta missão quase impossível. O uso e o abuso de teorias da física e da astronomia deixam o filme ainda mais interessante para um espectador que pouco ou nada sabe dessas duas matérias. E, se em Gravidade ficamos boquiabertos com as cenas do espaço e com o silêncio, em Interestelar é a trilha sonora de Hans Zimmer que impressiona mais do que as imagens. Por esse motivo o filme até tem sido mais relacionado com 2001: Uma Odisséia no Espaço do que com o longa de Alfonso Cuarón.


Uma missão clandestina e arriscada da Nasa vai em busca de outro planeta
FONTE: Divulgação

Mais do que isso, por se tratar de mais uma obra de Nolan, Interestelar vale, e muito, a visita ao cinema. Como obra cinematográfica, entrega todo o entretenimento que promete e ainda vai além. Ao misturar elementos de matérias tão teóricas com sentimentos como o amor, a raiva, a saudade e a solidão, se torna um filme para falar por dias. Para sentar em uma mesa e realmente discutir ou, ainda, para ir atrás de um livro que explique o que é afinal um buraco de minhoca no espaço. Dizer mais do que isso é estragar a surpresa. Ficou curioso, né? ;)

O livro-escultura de Tomoko Takeda

2 12 novembro 2014 | 11:49

Que a literatura é uma das mais ricas expressões artísticas, ninguém discute. Mas o objeto da literatura, nosso adorado livro, pode ainda trazer diversas outras manifestações de arte. Essa semana tornou-se mundialmente conhecido o trabalho da japonesa Tomoko Takeda. A designer faz esculturas de cair o queixo usando livros como suporte, e seus recortes se baseiam na história que as páginas contavam.


O aventureiro Júlio Verne escreveu “Dois anos de férias”, aqui reinterpretados pela japonesa
[FONTE de todas as imagens: Distractify


A obra “O diário de Anne Franke” ganha aqui sua pena em papel


Como não reconhecer a pequena “Alice no País das Maravilhas”?

A série belamente fotografada se chama Fragmentos de História (ou ものがたりの断片, em japonês). Suas obras escolhidas são, via de regra, grandes trabalhos da história da Literatura, que se transformam em novas obras de arte pelas mãos precisas e delicadas de Tomoko. Ela trabalha na Dentsu, uma das maiores agências de publicidade do mundo, mas ainda encontra tempo para “cavocar” os livros e criar uma imagem física das histórias.


Releitura de “Flores para Algernon”, a ficção científica de Daniel Keyes


Uma mais que detalhista “Viagem Noturna no Trem da Via Láctea”, de Miyazawa Kenji


O lado físico de "Coração", do japonês Natsume Soseki

As esculturas sempre se relacionam com o enredo, e Tomoko afirma que seu objetivo é passar os livros da categoria “bom de ler” para a categoria “bom de olhar”. Sem dúvida, ela teve sucesso na empreitada. Utilizando as texturas proporcionadas por diversas camadas de papel, a artista cria uma gama de detalhes e profundidades que hipnotizam o olhar. 


O universo de “O Pequeno Príncipe”, uma imagem icônica agora em camadas


Também de Natsume Soseki, essa obra nasce de “Eu sou um gato”


Retrato vivo de “A teia de aranha”, de Ryūnosuke Akutagawa

Você pode acompanhar o trabalho de Tomoko por seu Tumblr, e conferir outras obras dela no Behance, como, por exemplo, o “Livro mãe”, que, em quarenta páginas, acompanha as quarenta semanas da gestação humana. O livro se transforma no ritmo do corpo da mulher, ganhando barriga e contornos próprios. É o livro-objeto em seu ápice, ganhando vida própria e elevando-se a outro status artístico que conecta escultura e literatura. Um viva a Tomoko Takeda!


Um livro “grávido” de 28 semanas

Ser multitarefas pode trazer perigos

3 11 novembro 2014 | 11:50

Muito se valorizam hoje as pessoas multitarefas: aquelas capazes de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo, realizar tarefas simultâneas e estar ligada em todos os acontecimentos ao seu redor. Esse tipo de estado mental é o mais apropriado para o exigente e dinâmico mercado de trabalho atual e se adapta bem ao nosso universo tecnológico. Mas uma nova pesquisa que vem da University College London levanta uma perigosa suspeita: é possível que prestar atenção em diversos meios ao mesmo tempo afete negativamente áreas cruciais do cérebro.


Sobrecarregar o cérebro com estímulos simultâneos pode não ser boa ideia
[FONTE: innovatively organized

Os pesquisadores avaliaram os efeitos do uso simultâneo de mais de um dispositivo midiático. Eles descobriram algo inquietante: pessoas que costumam usar computador e celular, videogame e televisão, ou simplesmente ler o jornal enquanto escuta as notícias no rádio apresentam um encolhimento de estruturas cerebrais ligadas à atenção e às emoções. Essa redução de massa cinzenta ocorre, sobretudo, nas áreas associadas ao controle cognitivo e emocional, o que pode resultar em tendências à ansiedade e à depressão.


A área afetada pelo excesso de tarefas simultâneas está na parte da frente da cabeça
[FONTE: Joslin

É a primeira vez que um estudo traça esse paralelo, e o principal autor da pesquisa, Kep Kee Loh, se disse preocupado com o futuro, uma vez que os dispositivos de mídia estão cada vez mais presentes em nossa vida diária. Sob sua liderança, os pesquisadores basearam as conclusões em exames de imagens do cérebro dos participantes e em questionários sobre seus hábitos relacionados a dispositivos tecnológicos, jornais e televisão. 

A área cerebral na qual a equipe notou alterações está localizada na parte da frente da cabeça, e se chama córtex cingulado anterior. Emoções como empatia, tomadas de decisão e o processamento de recompensas são controladas por esta área. Daí surge a preocupação de Kee Loh, sobretudo porque o estudo não mostrou diferentes resultados para diferentes personalidades, ou seja, estamos todos igualmente sujeitos aos efeitos da postura multitarefa. O cérebro é extremamente maleável, e os estímulos que ele recebe podem agir para o mal ou para o bem, como mostra o livro Enriqueça o cérebro.

Ninguém falou em pipoca, mas celular e notebook não são boa combinação
[FONTE: gallery hip

Entretanto, é importante ressaltar que esse é um estudo preliminar. Apesar da angústia do pesquisador, ele admite ser possível que a relação de causa e efeito seja a inversa. Pode ser que as pessoas com o córtex cingulado anterior reduzido sejam predispostas ao exercício multitarefa, e não que esta cause a redução. A conexão está clara, mas permanece a dúvida se tivemos antes o ovo ou a galinha.

Enquanto não saem os resultados de pesquisas mais aprofundadas, convém pensar bem antes de ligar o som, abrir o notebook e conferir as mensagens no celular. Talvez você tenha simplesmente nascido para ser multitarefas, mas como é possível que o excesso de mídia esteja encolhendo sua massa cinzenta, lembre-se de que é melhor prevenir do que remediar.

Movember Azul

4 10 novembro 2014 | 12:15

Assim como temos no Outubro Rosa um mês inteiro dedicado à conscientização sobre a saúde da mulher e à prevenção do câncer de mama, estamos agora no Novembro Azul. A campanha tem por objetivo promover a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer de próstata, doença que poderá matar cerca de 12 mil homens apenas no Brasil em 2014, devido, principalmente, à sua descoberta apenas em estágios avançados. O diagnóstico feito por meio de exames preventivos, na fase inicial da doença, é responsável por cerca de 80% dos casos de cura. 

O símbolo da campanha é um bigode azul, cuja inspiração é o movimento chamado Movember (união das palavras moustache e november em inglês, ou seja, bigode e novembro), originado na Austrália. A ideia era que os homens cultivassem bigodões durante esse mês, com o intento de chamar a atenção para o câncer de próstata e outras questões sobre a saúde masculina, bem como arrecadar fundos para a instituição de caridade Movember Foundation. Daí para o marcante bigode azul que, hoje, identifica a campanha em todo o mundo, foi um pulo. Afinal, todos queremos ajudar, mesmo os que não possuem pelinhos embaixo do nariz. 

Para promover a campanha vale de tudo. Em 2012, um adorável Big Ben de bigodão azul chamou a atenção do mundo inteiro.  


Mas não é uma simpatia?
[FONTE: Daily Mail]

Outras construções e objetos inanimados também se empolgaram e deixaram bigodes crescerem para novembro. Esse ano, a tradicional alfaiataria Lugets, na Inglaterra, localizada em um prédio histórico de Exeter, já cultivou o seu. 


Ah! A boa e velha elegância tradicional representada em um belo bigode.
[FONTE: Express & Echo]

Nas últimas edições, já tivemos ônibus, aviões e até mesmo um campo aberto ostentando seus bigodes. A expectativa para esse ano, portanto, é grande.


Impondo respeito no trânsito dinamarquês.
[FONTE:
 Street Marketing]


E nos ares também, por que não?
[FONTE: Street Marketing]


Por via das dúvidas, que o símbolo da conscientização também possa ser visto do espaço. 
[FONTE: Street Marketing]

No Brasil, o movimento é mais conhecido pelo nome em português, Novembro Azul, mas a inspiração no bigode permanece. A campanha Meu Bigode Azul está incentivando blogueiros e internautas e participarem da arrecadação de fundos doando posts e utilizando o símbolo do movimento em seus avatares. É também tradicional no país a iluminação de prédios públicos e monumentos com a cor azul (como ocorre com o rosa em outubro), o que acaba se tornando não apenas uma lembrança sobre a prevenção da doença, mas uma bela homenagem aos que lutam contra ela.


O Congresso Nacional já está ostentando uma belíssima iluminação azul. 
[FONTE: UOL]


Bem como o Palácio Itamaraty.
[FONTE: Agência Brasil]


No ano passado, foi a vez do Cristo Redentor se iluminar com a cor azul.
[FONTE: Oncovitae]

Na página do Facebook da campanha do Instituto Lado a Lado pela Vida são divulgados diversos eventos esportivos, como caminhadas e jogos de futebol, e ações da campanha Novembro Azul em território nacional. É bastante comum que a divulgação de campanhas preventivas perpasse o tema do esporte, por ser um representante máximo da boa saúde. Nos Estados Unidos, por exemplo, no dia 29 de novembro irá ocorrer a grande Moustache Run, corrida beneficente que repassará a verba arrecadada para instituições que realizam pesquisas sobre o câncer de próstata. 

Por fim, em mais uma ação bem humorada, os músicos Jesse Hawkins (da banda In the Wilderness) e Richard Annet pegaram carona no sucesso da trilha sonora Let it Go, da animação Frozen, da Disney, e lançaram uma paródia. O novo hit Let it Grow (Deixe crescer), incentiva os homens a deixarem seus pelos faciais crescerem livres e formarem belos bigodes, tudo pela conscientização sobre o câncer de próstata.

As ações são divertidas, mas o tema é muito sério. O preconceito e a falta de informação, muitas vezes, fazem dos homens vítimas fatais do câncer de próstata. Informe-se e conscientize amigos e familiares: a vida vem sempre em primeiro lugar. E let it grow! ;)  

Design e cinema no mundo de Jack

2 7 novembro 2014 | 14:54

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Filmado há mais de vinte anos, O Estranho Mundo de Jack continua sendo um dos mais bem-realizados filmes da história do cinema. Por se tratar da primeira animação inteiramente rodada com a técnica de stop motion, o longa-metragem idealizado por Tim Burton também é referência eterna para designers, já que a fabricação dos bonecos e dos cenários foi uma verdadeira epopeia de criatividade e trabalho artesanal. Como há pouco comemoramos o Dia do Designer, nada melhor que relembrar essa grande fonte de inspiração.

A trama é simples: Jack, o rei das abóboras na Cidade do Halloween, está entediado com sua existência, que consiste em, ano após ano, organizar o Dia das Bruxas para o mundo. Caminhando pela floresta, ele acidentalmente encontra um portal que o leva para a Cidade do Natal, onde há alegria, cores, riso e brinquedos. Encantado, Jack quer assumir a administração do Natal, mas seus compatriotas da lúgubre cidade do Halloween são sombrios demais para a festividade. O resultado se aproxima da catástrofe, mas a confusão se torna uma jornada de autoconhecimento para o simpático esqueleto.


Jack descobre o mundo colorido da Cidade do Natal
[FONTE: 2FL

Esse simples roteiro serve como suporte para o aspecto mais impressionante da produção: a dedicação de cinco anos às filmagens. Já que Tim Burton e Henry Selick (que dirigiu o filme pois Burton estava comprometido com a direção de Batman - O Retorno) decidiram gravar com 24 quadros por segundo (o padrão dos filmes comuns, com seres humanos), os bonecos d’O Estranho Mundo de Jack eram milimetricamente movimentados a cada quadro. Para uma mera piscadela de olho: três quadros, ou seja, três fotografias que representam, ao final, um oitavo de segundo. Chocante, não é?

Não bastassem os movimentos de corpo, as expressões faciais eram desenhadas em diferentes cabeças, encaixadas nos corpos conforme a necessidade. O protagonista Jack teve mais de 400 cabeças, enquanto Sally, seu interesse romântico, teve apenas uma cabeça para que seu penteado não se arruinasse, mas suas expressões faciais foram resultado de inúmeras máscaras intercambiáveis. Fora isso, cada um dos outros personagens teve pelo menos três cópias. 

Os designers dos cenários também tiveram que se desdobrar para conseguir os efeitos desejados por Tim Burton. Partes do set de filmagens teve que ser quebrado em pedaços menores, pois o cenário inteiro não cabia em apenas um estúdio. A estrutura também teve que se adaptar às necessidades dos animadores, que precisam de fácil acesso aos bonecos em cena. Assim, grande parte das cidades foi construída sobre alçapões, e os personagens eram manipulados por baixo.

Um prato cheio para os designers é a capacidade de transposição de um mundo para o outro, por meio de cores e imagem. O contraste entre o mundo gótico do Halloween e o colorido do Natal – explorado sem se afastar da referência estética da produção – é uma aula de linguagem visual. Na concepção do design das cidades fictícias, há muito do expressionismo alemão, mais um aspecto que torna o filme de Selick um prato cheio para o público adulto, além das referências ao cineasta surrealista Luis Buñuel (por exemplo, na sequência do Bicho Papão), e a utilização de técnicas que nasceram em filmes experimentais, como o ângulo holândes, pela primeira vez utilizados em um contexto pop e voltado, também, ao público infantil. Outras referências aos grandes nomes da arte podem ser pinceladas aqui e ali: durante a canção “Jack’s Lament”, o personagem passa por duas lápides, uma delas é a reprodução do quadro O Grito, e a outra é o cavalo da Guernica. É a arte bebendo da arte.

Por tudo isso, não surpreende que O Estranho Mundo de Jack tenha servido de inspiração para bandas como Panic! At the disco, tenha ganhado seu próprio Banco Imobiliário, seu próprio CD de rock e admiradores no mundo inteiro. Desnecessário dizer o quanto a carreira de Burton bebeu dessa fonte posteriormente, basta observar sua filmografia. Sem medo de errar, podemos afirmar que o mundo do design tem muito a agradecer a esta obra.

Fazer as Pazes

2 6 novembro 2014 | 13:05

*Por Cristina Ustárroz

Você gostaria de saber como foi que giving thanks virou thanksgiving? Essa é fácil! Da mesma forma que breaking a record virou record-breaking, que making money virou money-making e que provoking thoughts virou thought-provoking. Assim: em vez de dizer a satellite that orbits the earth diga an earth-orbitting satellite – um satélite de órbita terrestre! Entendeu? Ah, já sei! Você acha que estou trocando seis por meia-dúzia e só quer mesmo é saber como foi que thanksgiving virou dia festivo, certo? Vamos lá!


[Autor: Jean Louis Gerome Ferris]

Nada de tesouros de saltar os olhos – eye-popping treasures. Nada de minas de ouro de fazer parar o coração – heart-stopping gold mines. Nada de descrições reveladoras sobre a vida sexual dos selvagens – eye-opening descriptions. Nada de gente chegada numa diversão – fun-loving people. Nada, nada, nada disso! O que os colonos queriam mesmo era oferecer um jantar de ação de graças – a thanksgiving dinner! E eles tinham muito a agradecer!

Esses colonos eram basicamente pessoas de quem a Coroa Britânica queria se livrar: hippies, irlandeses, democratas, pobres, pichadores, bandidos e caloteiros. Além dos puritanos, judeus e católicos, claro! Foi-lhes oferecido um acordo: pena de morte na Inglaterra ou morte lenta na mata no Novo Mundo. Escolheram a segunda opção e vieram à America balançando em um barquinho mercante todo desconjuntado chamado Mayflower. Nem todos sobreviveram à travessia, mas os que conseguiram tinham muito a agradecer. A duras penas, eles estavam escapando de algo muito pior na Inglaterra: aquele tempinho de tirar o ânimo de qualquer um! Você disse mood-dampening weather? Falou e disse!

Quando chegaram ao Novo Mundo, temiam que os índios fossem do tipo que come gente – man-eating indians - e suspeitavam que aquela experiência colocaria suas vidas em risco – a life-threatening experience! Obviamente, nem todos foram poupados das machadinhas, mas os que conseguiram manter seus escalpos tinham muito a agradecer. Ao começar vida nova, tiveram que se virar por conta própria sob pena de acabarem a sete palmos abaixo da terra já que não sabiam plantar um pé de alface.


[Fonte: Old Map]

Os colonos que foram humildes – ou sortudos – o suficiente contaram com as habilidades culinárias da tribo Wampanoag, cujos membros preparavam um molho de cranberry de dar água na boa – a mouth-watering cranberry sauce! Na verdade, os índios ensinaram os colonos a caçar, pescar e a praticar arvorismo – tree climbing. Bem, só caçar e pescar! E construir casas. Tudo isso com pequenas invenções que poupam trabalho e ferramentas que poupam tempo – labor-saving inventions e time-saving tools! Bem antes de se ouvir falar em coworking, cohousing e crowdfunding

Enquanto isso, as esposas dos peregrinos foram aos poucos aderindo à moda na selva. Confeccionaram uns modelitos de saias feitas com folhagens de prender os olhos! Adivinhou? Eye-catching grass skirts! Sem falar nos sutiãs feitos de coco. De cair o queixo – jaw-dropping coconut bras! E foram aos poucos aprendendo os truques da gastronomia nativa. Foi no comando dos fogões a lenha que elas adquiriram aquela manha de morder o lábio e enrolar o cabelo nos dedos – lip-biting e hair twirling. Além de provar guloseimas de lamber os dedos – finger licking treats! Afinal, elas estavam escapando de algo muito pior na Inglaterra: aquela comida que não tem gosto de nada! Ouvi flavor-lacking? Bati o martelo! 

Os peregrinos e suas famílias ficaram tão gratos aos nativos pela ajuda e hospitalidade, sem as quais teriam morrido no primeiro inverno, que quando o outono seguinte chegou, os caras-pálidas, já mais independentes, tiveram uma ideia inovadora – a groundbreaking idea: vamos planejar uma festa para inaugurar a casa. Alguém aí falou housewarming? E convidaram seus vizinhos peles-vermelhas para juntos celebrar a colheita farta com uma boa comilança – ou era para celebrar a boa colheita com uma farta comilança? Afinal, os índios não eram exatamente alienígenas gosmentos que grudam no rosto das pessoas – face hugging aliens

Os selvagens receberam o convite com uma gritaria de estourar os ouvidos, gelar os ossos e tremer os joelhos – ear-splitting, bone-chilling and knee-trembing screams. Quando as visitas chegaram, houve troca de cordialidades e tapinhas nas costas. Acertou quem disse shoulder patting! Os nativos trouxeram bebidinhas para matar a sede – thirst-quenching drinks. Os colonos, por sua vez, imitaram o Matthew Conaughey na cena em que ele bate no peito em The Wolf of Wall Street – that chest-thumping scene! Tudo isso, lógico, antes de morderem a mão que os alimentou – será que a mão que os alimentou estava suja?

Perto da desenvoltura dos índios, os colonos pareciam crianças chupando dedo. Muito bem – thumb-sucking! No entanto, eles eram os mesmos colonos que poluiriam o planeta, empunhariam armas e provocariam guerras – planet-polluting, arms-bearing, and war-starting colonists! E ainda registrariam essas ações em filmes sobre pessoas que lidam com a lei em todos os sentidos – law-abiding, law-breaking e law-enforcing people! De qualquer modo, parece que o desejo incontrolável por carboidratos já era registrado naquela época. Pensou carb craving? Diga bem alto!

O que poderia ser um momento de arrepiar os cabelos – a hair-raising moment - transformou-se num bom papo, que incluiu comentários sobre o esporte da época - o lacrosse. Mas essa paz durou menos do que fogo de palha. Você sabe que fim levaram os índios americanos, não? Conseqüentemente, Thanksgiving é hoje celebrado por todos, menos pelos indígenas. Pena! 

Só que a data festiva não foi comemorada nos anos seguintes. E levou muito tempo até que se consolidasse como a grande comemoração que é hoje, com direito a desfile com balões gigantes nas ruas de New York City. Atualmente, o cardápio de Thanksgiving Day envolve uma refeição com as comidinhas lá de 1621, tais como um peru crocante por fora e suculento por dentro, milho, ervilha, batata doce e – o toque final – molho de cranberry, seguido de torta de maçã ou de abóbora. Enfim, um buffet de agradar uma multidão – a crowd-pleasing buffet! Só não babe no teclado! 

O dia após Thanksgiving Day chama-se Black Friday, dia em que os americanos vão às compras como loucos. E foi o Presidente Truman em 1947 quem iniciou a tradição de livrar um peru de perder suas penas e ir parar na mesa de Thanksgiving. Primeiro eles jogaram a bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, o que foi um evento de chocar o mundo – a world-shocking event! Então, eles salvaram um peru. Foi assim que giving thanks virou Thanksgiving!


[Fonte: Wikipedia]

Viu como é fácil? Experimente você também. Tente fazer making peace virar peacemaking, por exemplo. Sim, fazer as pazes. Com seu vizinho. Ou com seu colega no trabalho. Com seus familiares. Ou com o amigo que discorda de você nas redes sociais. Enfim, faça as pazes com você mesmo. Você vai fazer esse Thanksgiving valer muito a pena!

Notas altamente esclarecedoras:

Compound modifier (também chamado de compound word ou phrasal adjective) é uma expressão de duas (ou mais) palavras unidas por hífen e que funciona como adjetivo ou substantivo – certo, a presença do hífen é polêmica. Deixemos isso para outro momento. Os compound modifiers que usei no texto são do tipo substantivo + particípio presente. Aqui vão outros exemplos: missile-carrying rockets, mind-blowing projects, heart-warming words, bull-fighting, horseback-riding, breathtaking, mind-boggling, gut-bustingLeia mais.

Os substantivos coworking e cohousing são formados com o prefixo co-.

Alguns historiadores contestam o que conhecemos como o cardápio das primeiras celebrações de Thanksgiving. Eles argumentam que os colonos não tinham habilidade de caçar perus selvagens, mas eram bons caçadores de marrecos, gansos e cisnes, por exemplo. Com relação às batatas, historiadores alegam que o tubérculo, levado da América do Sul para a América do Norte pelos exploradores espanhóis, não era ainda facilmente encontrado naquela época. E, mesmo que os índios conhecessem cranberry, jamais poderiam fazer o famoso molho de cranberry dos dias atuais. Leia mais aqui ou aqui.

O Presidente George Washington, aliviado porque os americanos derrotaram os Britânicos na Guerra Revolucionária, encorajou a celebração determinando Thanksgiving Day em 26 de Novembro de 1789. Mas foi uma mulher, Sarah Josepha Hale, quem liderou um movimento popular, durante o mandato de Abraham Lincoln em 1863, para transformar o dia em feriado. Ainda, grato porque a Guerra Civil não dividiu o país para sempre, o Presidente Lincoln passou o feriado para a última quinta-feira de novembro. Porém, temendo que as lojas ficassem desabastecidas para o natal, o Presidente Franklin Delano Roosevelt antecipou a data para a quarta quinta-feira de Novembro em 1939, mas alguns estados ignoraram o fato. E a confusão não parou aí: no ano seguinte, Roosevelt puxou o feriado para a terceira quinta-feira de novembro, e desde 1941, com status de lei federal, o feriado passou a ser comemorado na quarta quinta-feira de Novembro.  

Leia mais sobre o desfile de Thanksgiving aqui

Thank you, Grupo A!

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA. :)

 

O que os empregadores procuram?

2 4 novembro 2014 | 15:32

Gerenciamento de tempo, comunicação, colaboração, liderança e gestão de pessoas. Essas são algumas das habilidades que se espera de um engenheiro que seja capaz de ir além dos números. Também são algumas das características que os recrutadores procuram em recém-formados em geral, com nenhuma ou pouca experiência profissional. Os números citados abaixo são de um estudo do LinkedIn, importante rede social profissional, e mostram que nem sempre a formação é suficiente para conquistar a tão desejada vaga naquela empresa dos sonhos.

Mais do que boas notas e experiências, os responsáveis por selecionar os melhores profissionais recém-chegados ao mercado estão interessados em habilidades mais abrangentes e até em traços de personalidade. A pesquisa foi realizada em julho de 2014 e entrevistou mais de 1.400 gerentes de contratação dos Estados Unidos de empresas que aparecem listadas no ranking da Fortune 500. Ainda que o estudo não traga dados sobre o Brasil, vale lembrar que os norte-americanos não apenas são exemplo de recrutamento de pessoas como várias de suas empresas têm operações em território nacional. 


Habilidades importantes para o mercado vão além daquelas desenvolvidas na faculdade
FONTE: Engenharia do Futuro

De acordo com o estudo, para 65% dos recrutadores, uma das habilidades mais importantes é a da resolução de problemas, definida como a capacidade do profissional perceber e criar soluções para os desafios que surgem. Logo em seguida, com 64%, a habilidade de ser um bom aluno, ou seja, de aprender novos conceitos rapidamente se adaptando a novas situações. Os empregadores também observam nos candidatos se eles têm fortes habilidades analíticas: 46% dos profissionais do RH afirmaram que os contratados precisam ser capazes de usar o raciocínio lógico. Para candidatos de exatas, como engenheiros, isso não deve ser tão difícil de comprovar, afinal, esse tipo de pensamento é uma das premissas da profissão.

As habilidades de comunicação também são essenciais, e não apenas para engenheiros, mas para quase todas as formações. O estudo revelou que 45% dos empregadores querem contratar pessoas com fortes habilidades de comunicação oral, enquanto que apenas 22% consideram as habilidades de comunicação escrita forte o suficiente para ser considerada crucial. Além disso, a criatividade, ou melhor, a capacidade de pensar fora da caixa é tida como essencial para 21% dos recrutadores, enquanto 16% deles acha importante que seus novos contratados sejam verdadeiros entusiastas da tecnologia.

Quanto a traços de personalidade, o estudo do LinkedIn revelou que o mais importante é a capacidade dos novatos em colaborar: 55% dos empregadores dão valor a essa característica. Logo depois vem a habilidade de trabalhar duro, sendo ético: 52% acham relevante. 


Pensar positivo é uma característica bastante apreciada por recrutadores
[FONTE: Huffington Post]

Ter uma atitude positiva também é algo que vale pontos na entrevista: 45% apreciam esse tipo de comportamento, enquanto 31% disseram que se mostrar apaixonado, entusiasmado com o novo trabalho e de acordo com os valores da empresa também é importante. Além disso, os empregadores procuram candidatos que são organizados (29%) e capazes de lidar com problemas inesperados (21%).

Obviamente, as habilidades que os empregadores estão procurando dependem muito da posição e da indústria. Ou seja, dependendo do cargo, uma ou outra habilidade pode ser mais essencial, mas a verdade é que ter conhecimento do que a empresa e o mercado espera é ainda mais importante para os profissionais, especialmente para os recém-formados. Lançamento recente, o livro Habilidades para uma Carreira de Sucesso na Engenharia joga luz sobre essas e outras características que o mercado atual espera de seus futuros trabalhadores e que são bem diferentes da capacidade de fazer cálculos, por exemplo, e de alguns ensinamentos mais técnicos que a universidade oferece. Estar atento a esses movimentos e tendências é importante para todas as profissões.

Da sala de aula virtual para o mundo

4 3 novembro 2014 | 12:25

A educação a distância (EAD) tem revolucionado formas de ensinar e aprender. Muitas vezes, quando pensamos em EAD, imaginamos a tecnologia transformando o ensino em algo quase futurista, sem barreiras de tempo e espaço. No entanto, mesmo em locais em que os métodos mais desenvolvidos de ensino online ainda não chegaram, algumas lições da sala de aula virtual têm transformado a vida de muitas pessoas. Seja em comunidades ou em locais remotos, essas pequenas amostras de EAD nos trazem grandes esperanças no futuro da educação e algumas histórias inspiradoras. Confira!

#1 Celular x analfabetismo

De acordo com relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, na sigla em inglês), muitas pessoas não leem por um único motivo: elas não têm acesso a livros. Graças à era digital e, especialmente, aos dispositivos móveis, pessoas de países em desenvolvimento estão mudando esse quadro. 


A integração entre a natureza e o tecnológico, o tradicional e o moderno: tudo em favor da educação. 
[FONTE: Meducation Alliance]

Na África subsaariana, por exemplo, cerca de 51% das escolas não têm livros, mas, atualmente, grande parte da população tem acesso a smartphones. A Unesco estima que a leitura via dispositivo móvel é cerca de 300 a 500 vezes mais barata que a tradicional e está apostando nessa via para aumentar os índices de leitura naqueles países. Na verdade, os resultados já existem. Foram entrevistadas 5 mil pessoas em Gana, Sudão, Índia, Quênia e Paquistão, entre outros locais, e constatou-se que elas não apenas estão lendo mais, como buscando mais conteúdo e também lendo para seus filhos. Além disso, os níveis de alfabetização estão subindo.

As mulheres têm sido as mais beneficiadas pelo acesso à leitura em dispositivos móveis pois, muitas vezes, não vão à escola.
[FONTE: Unesco]

#2 Videoaulas + oportunidade no vestibular

Quando fazia intercâmbio em Bangladesh, há cerca de quatro anos, o estudante japonês Atsuyoshi Saisho percebeu uma grande diferença de oportunidades para ingressar no ensino superior entre moradores daquele país. Enquanto os estudantes da capital, Dhaka, tinham acesso a cursos preparatórios para os exames de admissão, os residentes do interior, não. Saisho, então, resolveu distribuir DVDs com videoaulas retiradas dos cursos preparatórios e distribuir nas zonas remotas de Bangladesh. Acostumado ele mesmo a tomar lições por meio de vídeos, o jovem estudante viu aí uma chance de sucesso para outros alunos. E deu certo. Hoje, cerca de 200 jovens bangladeshianos ajudados por Saisho estão na educação superior. O e-Education Project cresceu e, hoje, também atua na Jordânia e em Ruanda.


Saisho e seus “alunos” em Bangladesh.
[FONTE: Edsurge]

#3 EAD + pessoas com deficiência = inclusão

A tecnologia utilizada na educação a distância é essencial para incluir pessoas com deficiência no aprendizado. O ensino online é uma alternativa capaz de empoderar não apenas aqueles que têm a mobilidade reduzida, mas também os que não podem deixar o leito. Esse é o caso de Yusra Al Hattali, dos Emirados Árabes, que passou a vida no hospital junto a um respirador, devido a uma condição genética, e sempre quis estudar. Graças a tecnologias inerentes à EAD, em 2013 ela realizou o desejo de se inscrever na Universidade de Zayed. “Estou vivendo um sonho”, disse.


Yasra não pode deixar o leito, mas realizou o sonho de começar uma graduação graças à tecnologia da EAD.
[FONTE: The National]

As pessoas com deficiência visual também são amplamente beneficiadas pela tecnologia no ensino. O uso de softwares, como leitores de tela e digitalizadores de texto, até mesmo na sala de aula da instituição física facilita, e muito, o aprendizado do aluno especial. Afinal, aprender apenas em braile pode se tornar cansativo para o estudante e é mais dispendioso.


O uso de softwares com leitura de tela e digitalização de texto incluem o aluno com deficiência visual.
[FONTE: Indian Association for the Blind]

#4 EAD - limitações de tempo = uma segunda chance

Para pessoas que já estão inseridas no mercado de trabalho, muitas vezes completando longas jornadas, voltar a estudar pode ser um sonho distante. No entanto, as possibilidades do ensino digital têm mudado esse quadro. Nos Estados Unidos, os chamados adult learners (aprendizes adultos), estão tomando conta dos cursos a distância, especialmente na pós-graduação. A formação tardia (que não contempla apenas os recém saídos do ensino médio) também é tendência no Brasil. O perfil do estudante de EAD mais comum no país é a mulher com cerca de 30 anos e que trabalha.


Emancipação feminina: as mulheres são maioria na procura por cursos de EAD para formação tardia. 
[FONTE: Crea]

A EAD também é uma ótima oportunidade para estudantes da terceira idade, pois, além de promover a inclusão digital, é uma possibilidade de manutenção da saúde mental do idoso. As pessoas mais velhas têm se mostrado especialmente dedicadas e participativas, especialmente em cursos abertos online. E, é claro, isso tudo prova de que nunca é tarde para o aprendizado e para a realização de um sonho.


Aprendizado não tem idade: a educação a distância é especialmente encorajadora para o aprendiz idoso. 
[FONTE: Flanders Today]

Histórias e dados como esses mostram que a educação é o instrumento poderoso para a inclusão social. Mulheres em países subdesenvolvidos, estudantes com pouco acesso à educação, trabalhadores, pessoas com deficiência e idosos: o que todos têm em comum – além da vontade de aprender – é o fato de, durante muito tempo, não terem sido protagonistas de sua educação. No entanto, isso vem mudando, e a inspiração na sala de aula virtual tem tudo a ver com isso. ;)

Uma garota e um filme exemplar

0 31 outubro 2014 | 11:31

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Uma obra cinematográfica não sobrevive apenas de uma boa história. Assim como um casamento não depende apenas do amor entre duas pessoas para superar os conflitos da vida real. No cinema, como arte e também enquanto experiência, é preciso mais do que uma sinopse envolvente: da escolha dos atores e das locações, passando pela direção de fotografia, pela trilha sonora e até mesmo pela montagem final das cenas, tudo precisa estar em harmonia para que um filme seja um sucesso. Tal qual um relacionamento. Esse é o caso de Garota Exemplar, que, mesmo com duas horas e meia de duração, tem levado cada vez mais e mais pessoas aos cinemas e merece a dedicação.


O rapaz do interior que se apaixona pela menina da cidade grande: um clássico
[FONTE: Divulgação]

Conhecido por dirigir outros filmes de sucesso, como A Rede Social, Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, O Curioso Caso de Beijamin Button e o clássico cult O Clube da Luta, David Fincher consegue se superar. Garota Exemplar (Gone Girl, em inglês), baseado no livro homônimo de Gillian Flynn, imprime na telona uma complexidade que só estamos acostumados a encontrar na literatura. Definitivamente, esse não é o tipo de obra que fica muito aquém do livro que serviu de inspiração. Em Garota Exemplar, o espectador encontra mais de um filme: os subtextos parecem incontáveis. Além disso, ele é exatamente esse tipo de longa metragem que não só ecoa no cérebro por dias, como desperta a vontade de ser visto várias vezes de tantos pensamentos que suscita.

A começar pela história, que parece falar de amor, em seguida trata das amarguras do casamento e, mais tarde, como o próprio trailer do filme deixa escapar, de uma história de terror que nasce a partir do desaparecimento de Amy, a protagonista, e da suspeita que recai sobre Nick. À história, aliás, podemos acrescentar a interpretação do casal Amy e Nick.

Rosamund Pike, acostumada a papeis de coadjuvante, brilha como Amy, uma nova-iorquina que é tão incrível e criativa quanto seus pais crêem, e Ben Affleck, que vive Nick, o típico rapaz do interior do Missouri que se aproveita da cara de bom moço para mostrar que até mesmo os "bons partidos" podem ser suspeitos de um crime. E, se não bastasse um casal de protagonistas que tira o melhor de si para os personagens, o filme está cheio de coadjuvantes que se sobressaem em seus momentos na tela, como a irmã de Nick, vivida por Carrie Coon, ou pela dupla de detetives encarregados do caso, Rhonda Boney, interpretada por Kim Dickens, e o policial Jim Gilpin, vivido por Patrick Fugit.

Mas Garota Exemplar não seria um filme tão marcante não fosse a trilha sonora. A parceria de Fincher com Trent Reznor, do Nine Inch Nails, e deste com Atticus Ross, é digna de prêmio. A dupla de compositores, que já levou dois Oscar para casa pelo trabalho que fizeram em outros filmes do diretor mostra a importância do som para o cinema. Especialmente quando se está em uma sala de projeção, percebemos o quanto a trilha sonora pode ser essencial para marcar as reviravoltas de um roteiro, dar pistas sobre a história e, mais do que isso, prender a atenção do telespectador durante duas horas e meia de filme.


Ben Affleck é o bom moço que nem é tão bom assim, cuja esposa é complicada e perfeita
[FONTE: Divulgação]

Quanto à história, pouco se pode falar sem comprometer a experiência. Em Garota Exemplar, Fincher, que em vários filmes já tentou imprimir seu pensamento a respeito dos relacionamentos, parece finalmente ser bem sucedido em deixar sua marca. A história de Amy e Nick começa açucarada como muitos romances, chega a ser chata de tão perfeita. Mas logo os dois se depararam com os problemas e as diferenças que, mais cedo ou mais tarde, sempre alcançam os casais e, por vezes, balançam as estruturas dos casamentos. A diferença é que algumas relações se fortalecem com os terremontos, enquanto outras se despedaçam para sempre. Qual é o tipo de casamento que Amy e Nick têm só o telespectador poderá dizer. ;)

eBook: o que é afinal?

4 29 outubro 2014 | 15:54

Estar atento às inovações, sabemos, não é apenas uma opção. Todos precisam se atualizar, especialmente professores que lidam com alunos nascidos em uma época totalmente diferente, que não viram o Ayrton Senna correr, o Muro de Berlim cair, e que lêem eBooks. Mas, afinal, você sabe o que é um eBook? Quando o termo livro eletrônico (electronic book, em inglês) surgiu, muitos acharam que era um arquivo de computador sem a necessidade de ser impresso, quase como um arquivo.doc, desses compatíveis com programas como o Word. Mas a verdade é que os eBooks são arquivos mais complexos e que foram evoluindo com a própria tecnologia, especialmente com a chegada dos leitores de livros digitais, os e-readers.

Arquivos no formato PDF foram os primeiros a se popularizarem. Tanto que o PDF deixou de ser um padrão proprietário da Adobe para se tornar de uso comum. Outros surgiram ao longo dos últimos anos para aproveitar melhor essa característica eletrônica dos eBooks. O ePub é um deles, e permite muita mais interações do leitor com a obra do que um estático PDF. Hoje, existem até opções mais específicas como as extensões CBR e o CBZ, para livros de quadrinhos, que exigem não apenas textos, mas também desenhos, balões e um outro tipo de diagramação.

O formato ePub, de electronic publication, em inglês, é um dos mais usados. É um padrão aberto para livros digitais definido pela International Digital Publishing Forum, uma organização do setor de publicações. Com o ePub, o texto se redimensiona ao tamanho de tela de qualquer aparelho, ampliando as possibilidades de leitura e tornado-a mais fluída. Outros recursos interessantes são o de poder aumentar o tamanho das letras e escolher a forma que você lerá seu livro, se em texto corrido ou diagramado em páginas, como vemos nos feitos em papel.



eBooks não são estáticos como os livros impressos
[FONTE: The Wall Street Journal]

Nesse cenário, algumas empresas optam por tipos específicos de ePub. O Grupo A, por exemplo, trabalha com um dos padrões mais utilizados pelo mercado, o VBK. Desenvolvido pela empresa norte-americana VitalSource, ele é fundamentado na linguagem XML (Extensible Markup Language) de computação. Uma das suas vantagens é que, com esse padrão, as obras podem ser lidas nos principais navegadores da web e em dispositivos móveis que rodem iOS, da Apple, ou Android. Ou seja, comprar livros digitais não necessariamente exige que o leitor tenha um leitor de livros digitais em casa, o chamado e-reader. Ler no computador, no smartphone ou no tablet também é possível.

Diferente de outros ePUBs, a extensão VBK não permite que o usuário faça anotações ou modifique o texto. Por isso, o Grupo A disponibiliza um aplicativo que dá ao leitor essa possibilidade de interagir com o conteúdo. Afinal, essa deve ser uma das vantagens desse formato: digitalizar também marcações e anotações e tornar a leitura um hábito mais interativo do que é.

O Vitalsource Bookshelf, por exemplo, é um aplicativo que permite ao leitor acessar seus livros digitais em três locais diferentes: no computador, na web (pelo navegador) ou ainda pelo smartphone. Uma das vantagens desse app é que ele permite que o leitor faça anotações, escolha seu layout preferido de leitura, seja avisado das novidades da editora, pesquise palavras e ainda compartilhe suas notas com amigos. Para professores que já estão entrando nesse novo mundo, esse é um recurso bastante interessante, pois permite que o aluno se conecte com colegas e mestres fora de aula também, quando está lendo o livro indicado, por exemplo.

 


eBooks não fazem pilha, não pegam pó e podem ser acessado de muitos lugares (tudo plural ou tudo singular)
[FONTE: Pubslush]

A portabilidade também é uma grande vantagem para o meio educacional. Se, no passado, os colégios precisavam disponibilizar armários para os alunos deixarem seus livros, ou fazê-los trazer os volumes sempre que necessário em pesadas mochilas, hoje nada disso é necessário. Com um leitor digital ou mesmo acessando um aplicativo, os livros estão lá, na mesma página em que foram deixados e com todas as marcações feitas anteriormente guardadas no armazenamento na nuvem. Na Holanda, por exemplo, existe unidades experimentais de ensino chamada SteveJobsSchool que defende o uso de iPads já no ensino infantil.

É ou não é muito mais fácil de compartilhar conhecimento dessa forma? É claro que existe quem acredite que um livro digital não substitui um impresso, e vice-versa, mas a verdade é que cada um conquistou o seu espaço. 

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Será que de médico, artista e louco todo mundo tem mesmo um pouco? Aqui no BlogA você vai encontrar de medicina a design, de filosofia a psicologia, de ilustração a poesia; pinceladas divertidas de todas as áreas de publicação do Grupo A. Quer nos enviar dicas ou sugestões? É só escrever para bloga(arroba)grupoa(ponto)com(ponto)br.

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