Conviver Junto

4 17 junho 2015 | 17:18

Por Cristina Ustárroz*

Você já ouviu falar em sistema ABS? Sabe o que significa ABS? O A é de anti-lock, o B é de braking e o S é de system. Não é necessário repetir a palavra system. Mas tem gente que diz ABS system. E em corrente AC? Já ouviu falar? O A é de alternating e o C é de current. A palavra current já está ali, mas tem gente que diz AC current. E tem gente, muita gente, inclusive você e eu, que diz vírus HIV: o H é de human, o I é de immunodeficiency e o V é de – surprise!!! – virus. Você lembra qual palavra vem antes de ululante? Muito bem! Vamos todos bater palmas com as mãos!

Parece óbvio dizer que repetir a última palavra da abreviação incorporando-a à expressão não somente é desnecessário como produz um eco inútil. Você grita e você mesmo responde! Assim ó: ANTI-LOCK BRAKING SYSTEM system. Acaba gerando uma falsa gagueira: ALTERNATING CURRENT current. HUMAN IMMUNODEFICIENCY VIRUS virus. Não estou aqui para defender o óbvio. Autores consagrados já sentenciaram: o óbvio é aquilo que ninguém enxerga, a verdade mais difícil de se enxergar. Mas ao mesmo tempo o óbvio é inequívoco. Evidente. Incontestável. Como essas belezuras. Sabe qual é o nome delas? Pleonasmos. Pleonasms, em inglês.

Ou tautological redundancies. Sentiu a malícia da palavra redundancies? Significa excesso, deixar de ser últil, demitir. Seu uso resulta em uma repetição supérflua. Repetição supérflua? Acabei de criar um pleonasmo! Enxergou? É melhor eu parar com essa implicância antes que eu me encrenque com uma hemorragia de sangue. Ou hepatite do fígado. Pior do que isso só subir para cima! 

Ou descer para baixo! Sim, porque um pleonasmo não vive apenas da repetição de uma palavra. Ele vive também da repetição de uma ideia. Tipo mel de abelha. Que outro tipo de mel existe, criatura? O fato real é que a língua inglesa se presta e muito para popularizar essas expressões. Você já comeu um tuna fish sandwich? Considerando que tuna é atum, e que atum é peixe, tire você mesmo suas próprias conclusões! Eu disse fato real? Perdão! Eu quis dizer fato. Ponto.


Fonte: Dilbert - Scott Adams

Não sei se o uso de pleonasmos acontece em todos os países do mundo – até porque não conheço os idiomas falados nos países de outros planetas. Refiro-me exclusivamente aos falantes do inglês. E eles também dizem cold ice: você lembra que ice significa gelo, não? O que você me diz de hot fire? Não conheço fogo que não seja quente. Que tal unexpected surprise? Vamos enfrentar essa situação de frente, até porque é impossível enfrentar de costas: se é surpresa também é inesperada. Como não gosto de adiar nada para depois, vejamos os pleonasmos mais comuns agora já!

Top priority: se é prioridade então também é importante. E principal! Round circle: até porque círculo quadrado tem outro nome! Classic tradition: se é tradição só pode ser clássica. Você sabe o que são basic fundamentals? Fundamentos básicos, literalmente. Mas atenção! O próximo pleonasmo pode deixar você cego dos olhos: invited guest! Pois é! O convidado convidado! Não perde em nada para individual person! My eyes! My eyes!  

O problema é que alguns pleonasmos são tão fofos que não consigo evitá-los. O que você acha de little baby? Afinal, todos os bebês são pequenos. Até mesmo os que são grandes. E quem não gosta de ganhar free gift? Pois é! Presente grátis! Você não ri quando sua professora pede para praticar uma oral conversation? Deveria! E tiny bit, você sabe o que é? Bit é pouco, ou um pouco, e tiny é pequeníssimo. Incredible to believe! Mas vamos sair para fora deste grupo e entrar para dentro dos pleonasmos dos negócios. 

Você já ouviu falar em mutual cooperation? Ou você prefere cooperar com você mesmo? E quantas vezes uma empresa pode apresentar um produto pela primeira vez? Mas tem gente que diz: introduce for the first time. Sabe merge? Significa fusão e refere-se à duas ou mais empresas que se juntam para formar uma nova sociedade. Mas tem gente que diz merge together. E o que você acha de added bonus? Ou é adicional ou não é bônus! Aliás, você já ganhou o seu? Qual é a sua reação quanto à new beginning? Com relação à armed gunman? E à favourable approval? Nunca recebi aprovação desfavorável! Pergunte ao general public.

Falando em negócios, sabe aquele idioma falado por profissionais das ciências jurídicas? O juridiquês! Legalese, em inglês! Pois há pleonasmos em abundância no legalese. Inclusive alguns formam pares de palavras onde uma reforça a outra em documentos legais. Eu disse pares? Perdão, eu quis dizer duplas de dois: breaking and entering, null and void, cease and desist, will and testament. E, por incrível que pareça, também encontramos trincas de três: give, devise and bequeath.  Ou any action, cause or suit. Sem esse recurso, nunca teríamos the truth, the whole truth, nothing but the truth. True fact!

E encontramos pleonasmos em nomes de lugares, gerados principalmente quando o nome do local é uma palavra estrangeira cujo significado desconhecemos. É o caso de Sahara Desert. Pois Sahara em árabe significa desert. Então, o que estamos dizendo é Desert Desert! O mesmo acontece com Mississippi River. Pois Mississippi, na língua indígena, significa big river. Dizer Mississippi River é o mesmo que dizer Big River River. Impossível deixar de mencionar El Camino Way e Los Altos Hills, ambos na Califórnia. Enxergou?

A verdade verdadeira é que alguns pleonasmos beiram o ridículo. São como vício. Aposto que você já identificou vários até agora. Pois afaste-se deles como quem foge do demo. A professora de inglês adverte: esse tipo de pleonasmo pode provocar histeria coletiva, perda de emprego e emburrecimento precoce! Então, tolerância zero com eles! Acha que estou exagerando? É ainda o caso de unintentional mistake. A não ser que você erre intencionalmente. E very pregnant. Algo do tipo gestante muito grávida. E o que você acha de visible to the eye? Vai ser visível a quê? Ao nariz?

Mas nem tudo é deboche com relação a essa figura de linguagem. Muitos escritores usam pleonasmos intencionalmente. Para dar ênfase a sua produção literária. E provocar seus leitores. Samuel Beckett escreveu free, gratis and for nothing. Gonçalves Dias prometeu: morrerás morte vil nas mãos de um forte. Manuel Bandeira lamentou: chovia uma triste chuva. E Shakespeare atropelou uma das mais cristalinas regras gramaticais apenas para reforçar a conspiração: this was the most unkindest cut of all. Lembrando que onde tem most não tem –est

Por sinal, é bom colocarmos o pé no freio do deboche. Quem diz que dark night é pleonasmo nunca testemunhou as white nights em Saint Petersburg, na Rússia. Bem, brancas, brancas, elas não são, mas nem de longe são escuras. E tem também pleonasmo musical. Gilberto Gil convidou: vamos fugir para outro lugar. E a banda britânica The Who convocou: won´t you join together with the band! 

Conclusão final: enxergue o óbvio! Não se faça de bobo! Deixe isso para o Roberto Gómez Bolaños, que anunciou: o cadáver de um defunto morto que já faleceu. Ou deixe para quem realmente entende do riscado, como o ex-presidente George W. Bush, que concluiu: our nation must come together to unite!  Final End. Perdão! Eu quis dizer The End!

 

* Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA.

Ficha técnica: Matemática financeira

1 11 junho 2015 | 17:07

Temida por muitos estudantes, a matemática é um assunto fascinante e que está inserido no dia a dia de todos nós. O gosto pelos números ou desgosto começa na escola. Porém, a matemática tem papel fundamental na vida de qualquer um. Ela traz o rigor, a disciplina, a imaginação, a concentração e abstração que ajudam na formação das pessoas, principalmente de grandes lideres. E para desmistificar o conceito negativo do tema, vem o livro Matemática financeira. Uma obra que vai fazer com que o leitor entenda como a matemática explica os juros do investimento, o custo do imóvel, as tomadas de decisões financeiras em uma empresa e muitas outras atitudes.

Escrito por Willi Dal Zot e Manuela Longoni de Castro, a publicação apresenta conceitos seguidos de exemplos, problemas acompanhados de solução e o passo a passo com o uso de calculadores. Confiram o parecer de Willi sobre a obra.

A Matemática Financeira é uma disciplina que trata do valor do dinheiro no tempo, ou seja, estuda a forma como algumas características do sistema econômico vigente fazem com que uma determinada quantia hoje seja diferente no futuro. A dificuldade em questionarmos a afirmação de que “um real hoje não vale a mesma coisa que um real daqui um ano” nos estimula a perguntar porque. Preferência pelo consumo imediato ou “impaciência” de consumo, inflação, empreendedorismo, entre outras, são algumas das causas que estimulam as pessoas a pagar juros pelo empréstimo de dinheiro e, portanto, “aumentar” o valor do dinheiro no tempo. O empréstimo de um valor cuja liquidação ou pagamento futuro implica em sua devolução acrescida dos juros e estabelece que qualquer quantia hoje valerá mais no futuro. As leis econômicas, que quantificam os juros em função do valor emprestado e do prazo que isso ocorre, são expressas por um conjunto de equações reunidas na disciplina Matemática Financeira.

Portanto, pode ser definida como uma das matérias aplicadas da Ciência Matemática, cujo principal objetivo é o estudo da evolução do valor do dinheiro ao longo do tempo. Numa abordagem mais concreta, ela é a disciplina que tem por objetivo o cálculo dos juros dos empréstimos e de sua rentabilidade. Rentabilidade é entendida aqui como a característica que nos leva a preferir uma entre diversas alternativas de empréstimos ou aplicações financeiras.

Na grande maioria dos casos a rentabilidade é medida pela taxa de juros que pode ser considerada como a medida do custo do dinheiro. Presente na vida das pessoas quando ocorrem empréstimos ou situações envolvendo fluxos de capitais ao longo do tempo, a Matemática Financeira permite calcular os juros dos empréstimos e das aplicações, o valor dos descontos de títulos de crédito, o valor das prestações na compra de bens à prazo. Também é útil em alguns temas como o cálculo das taxas de inflação a partir dos índices publicados tais como IGP, INPC, etc. Outras aplicações dessa disciplina encontram-se no estudo da escolha de alternativas de projetos de investimentos e nas negociações de títulos de crédito entre instituições financeiras.

Esse livro abrange todas as aplicabilidades mencionadas, trazendo exemplos práticos do mundo real. Os conceitos teóricos são resumidos, porém claros o suficiente de modo a garantir o entendimento da solução dos problemas. Os exercícios resolvidos contém o passo a passo no uso de calculadoras procurando e, sempre que possível, oferecem respostas tanto pelo uso das equações matemáticas como pelos recursos pré-programados presentes em alguns modelos de calculadoras. Para Zot, o equilíbrio entre conceitos resumidos, exemplos resolvidos e muitos exercícios com resposta são fruto de muitos anos de experiência no ensino da disciplina.

Sobre os autores:

Willi Dal Zot é professor de Matemática Financeira do Departamento de Matemática Pura e Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desde 1984. É bacharel em Ciências Econômicas pela UFRGS, especialista em Finanças pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestre em Administração pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE) pela mesma instituição. Atualmente, é professor convidado da FGV das disciplinas de Matemática Financeira e Finanças Corporativas em cursos de Pós-Graduação. Tem experiência em cargos de Gerência Financeira e de Controladoria em empresas de setores da Indústria de Comércio e Serviços.

Manuela Longoni de Castro é Bacharel em Matemática pela UFRGS, mestre em Matemática Aplicada pela mesma universidade e Ph.D. em Matemática pela University of New Mexico (Estados Unidos). É professora adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde 2006, ministrando a disciplina de Matemática Financeira desde 2007. Tem experiência na área de Matemática Aplicada, atuando nas áreas de Equações Diferenciais Parciais, Análise Numérica e Ecologia Matemática.

 

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Entrevista :: Lilian Bacich

7 9 junho 2015 | 10:32

Envolvida com educação há 28 anos, Lilian Bacich pesquisa o Ensino Híbrido em seu doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, pela USP. Como bióloga e pedagoga, atuou como professora e coordenadora em turmas de Educação Básica por 26 anos.  Ela acredita que não há uma receita de bolo ou algo pronto que possa ser considerado como inovador, que possa ser simplesmente aplicado nas escolas. Como consultora do Instituto Península, faz parte do grupo de pesquisa Experimentações em Ensino Híbrido. O projeto, em parceria com a Fundação Lemann, tem como objetivo verificar as possibilidades de implementação da modalidade na realidade brasileira, partindo das inquietações de 16 professores, de escolas públicas e particulares, de diferentes estados brasileiros que já inovavam em sala de aula. 

O projeto culminou com a elaboração de um curso, resultado da reflexão do grupo, feito por professores para professores, disponível em www.ensinohibrido.org.br e no livro Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação que, além das reflexões, apresenta planos de aulas e sugestões vivenciadas por esses professores para a condução das aulas em um modelo de integração das tecnologias digitais com o ensino.

Como você analisa o ensino hibrido no Brasil? Ainda temos muito a avançar?

O desafio que encontramos hoje, de acordo com o que identificamos em algumas pesquisas nacionais e internacionais, é que, apesar das escolas implementarem as tecnologias digitais em sua rotina, adotando computadores, tablets e outros equipamentos, ainda têm dificuldade em modificar as formas de lidar com o planejamento das aulas. A mudança na escola tem sido mais lenta, e esse é o maior desafio, não só no Brasil, pois demanda alterações em vários níveis: infra-estrutura educacional, formação de professores, estruturas curriculares, práticas de sala de aula, modos de avaliação, entre outras.

Vivemos em nossas escolas uma cobrança, desencadeada muitas vezes por avaliações externas, que faz com que muitas escolas sejam cobradas por desempenho e, para isso, precisam dar conta de um currículo que é extenso e que é trabalhado de forma intensa pelos estudantes. Note-se que esse currículo é desenvolvido pelas escolas, com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais, e que a discussão de sua organização é objeto de estudo de muitos pesquisadores. Em algumas situações, as tecnologias digitais são utilizadas como aliadas do professor ao trabalhar aspectos do currículo e, de acordo com seu planejamento, é possível inseri-las nas aulas, buscando que o estudante atue de forma ativa sobre elas. Mas, na maioria das vezes, há uma grande preocupação com o cumprimento do currículo proposto pela escola e, por isso, uma utilização não muito frequente das tecnologias digitais na rotina escolar. 

Em outras situações, o uso de tecnologias digitais de ponta fica limitado a alguns grupos de estudantes que podem trabalhar em horários fora do período de aula, em atividades consideradas extracurriculares. Essas atividades envolvem aspectos do currículo, mas não são essenciais para atingir os objetivos determinados por ele, uma vez que são propostas a pequenos grupos de estudantes. 

Acredito que o grande desafio é incluir as tecnologias digitais para potencializar o ensino dos conteúdos propostos pelos currículos escolares garantindo a oferta para todos os estudantes. 

Como integrar tecnologias digitais na sala de aula?

Integrar as tecnologias digitais na sala de aula é um processo que não ocorre do dia para a noite e, nem, tampouco, pode ser considerado a solução para todos os problemas na educação. Integrar significa ter claros os objetivos do uso das tecnologias digitais para compor um todo, não para ser utilizada com um fim em si mesma. No modelo de ensino híbrido, a ideia é que educadores e estudantes ensinam e aprendem em tempos e locais variados, contando com as tecnologias digitais como aliadas nesse processo. O modelo de Ensino Híbrido aqui tratado é uma forma de abordagem para a Educação Básica que promove uma mistura entre o ensino presencial e propostas de ensino online, que ocorrem na sala de aula ou fora dela, porém, preferencialmente na escola, sem modificar a carga horária presencial. É possível considerar que o termo Ensino Híbrido está enraizado em uma ideia de que não existe uma forma única de aprender e que a aprendizagem é um processo contínuo. Assim, podemos considerar que os dois ambientes de aprendizagem, a sala de aula tradicional e o ambiente virtual de aprendizagem estão tornando-se gradativamente complementares. Isso ocorre porque, além do uso de variadas tecnologias digitais, o indivíduo interage com o grupo, de forma presencial ou online, intensificando a troca de experiências. 

 

Qual o papel do professor nesta mudança?

O papel do professor é essencial na organização e no direcionamento do processo. O objetivo é que, gradativamente, o professor planeje atividades que possam atender às necessidades da turma. É importante que o processo de ensino e aprendizagem ocorra de forma colaborativa, com foco no compartilhamento de experiências e na construção do conhecimento por meio das interações com o grupo. Sabemos que esses objetivos não são exclusivos do modelo de ensino híbrido, porém, o foco no planejamento de aulas que contemplem essas diferentes abordagens pode facilitar uma aproximação de todos os estudantes com experiências de ensino que o levem a aprender mais e melhor.

Não estamos mais falando em capacitar o professor para o uso das tecnologias digitais, porque isso já encontramos em diferentes programas que, cada vez mais, oferecem oportunidades ao professor de conhecer e interagir com recursos digitais, mas em discutir com o professor o “como” fazer. De que maneira ele pode inserir as tecnologias digitais em seu planejamento de forma sustentada, inicialmente. Ou seja, aprimorando sua aula sem abandonar aquilo que ele julga positivo em sua forma de ensinar. 

 

Quais s benefícios para o aluno com a aplicação do ensino hibrido no dia a dia?

Sabemos que as formas de aprender de cada estudante podem não ser as mesmas e possibilitar diferentes oportunidades de aprendizagem pode ser uma vantagem para atingirmos aqueles estudantes que têm mais dificuldade de aprender no modelo em que o professor discursa para uma turma de estudantes. Porém, também sabemos que há estudantes que aprendem melhor dessa forma e, no modelo de ensino híbrido é possível unir o “melhor dos dois mundos”: o presencial e o online.

 

É sabido que cada aluno tem seu jeito particular de aprender. Como com o ensino hibrido é possível melhorar e qualificar o aprendizado de cada aluno?

Personalizar o ensino é uma forma de, após identificar dificuldades e facilidades do estudante, agir integrando diferentes recursos para que o estudante aprenda mais e melhor e, além disso, conquiste a autonomia para continuar aprendendo. Um projeto de personalização que realmente atenda aos estudantes requer que, juntamente com o professor, eles possam delinear seu processo de aprendizagem, selecionando recursos que mais se aproximam de sua melhor maneira de aprender. Além disso, aspectos como o ritmo, o tempo, o lugar e o modo como aprendem são aspectos relevantes quando se reflete sobre a personalização do ensino. O ensino online apresenta contribuições para pensar em um projeto de personalização, uma vez que pode ajudar a preencher lacunas no processo de aprendizagem de estudantes que apresentam dificuldade em aprender da forma considerada tradicional pois, como já foi observado, o ensino tradicional, da maneira que se configura, hoje, não consegue atingir a todos os alunos. Porém, deve ficar claro que não se acredita que o ensino online, principalmente na Educação Básica, possa substituir o ensino presencial, na escola. 

 

Na sua opinião – quando a inovação passa a ser um projeto da escola?

Inovar na educação não é apenas introduzir as tecnologias digitais no dia a dia da sala de aula, mas envolve pensar em formas de ensinar e aprender que atendam, cada vez mais, esse estudante do século XXI, que está inserido em uma nova realidade social e cultural. A escola não pode ficar a parte desse processo e já tem modificado a forma de trabalhar com esse estudante há algum tempo, inserindo gradativamente a tecnologia digital nas aulas. Porém, não é só isso... Mudar gradativamente a forma que se entende por ensinar e aprender, revendo os papeis dos sujeitos envolvidos no processo para que a aprendizagem aconteça da forma mais ampla possível é algo que leva tempo. O desafio que encontramos hoje, quando falamos de inovação na educação é que, apesar das escolas implementarem as tecnologias digitais em sua rotina, adotando computadores, tablets e outros equipamentos, ainda têm dificuldade em modificar as formas de lidar com o planejamento das aulas. A mudança na escola, de forma geral, tem sido mais lenta, pois demanda alterações em vários níveis: infra-estrutura educacional, formação de professores, estruturas curriculares, práticas de sala de aula e modos de avaliação, cultura escolar, entre outras. Podemos considerar que, por demandar alterações em vários níveis, a inovação na escola não é algo que acontece da mesma forma que o lançamento de um novo produto no mercado, como um aparelho celular ou um carro. Por envolver mudanças em toda uma cultura escolar, enraizada há séculos, e, principalmente, por envolver diretamente a vida de pessoas, crianças em sua maioria, o grau de responsabilidade é muito grande. Não é fácil “arriscar” uma inovação na escola sem que ela esteja adequadamente fundamentada, e é nesse aspecto que a transformação pode ser mais lenta, pois precisa ser aceita pela comunidade acadêmica, precisa ser compreendida pela comunidade escolar e precisa, principalmente, não oferecer riscos aos estudantes. A inovação sustentada, nesse caso, é uma saída. Porque não provoca uma mudança radical, mas se sustenta no modelo existente, modificando gradativamente, de acordo com as necessidades e/ou possibilidades de cada instituição.

A partir do momento que a equipe de gestão assume como um projeto de escola a implementação de modelos de ensino híbrido, envolvendo os professores na escolha dos caminhos a seguir, oferecendo oportunidades de que os educadores pesquisem e reflitam sobre as mudanças possíveis (sustentadas ou disruptivas) em sua prática, as chances de sucesso são maiores. 

 

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Biologia de Campbell – 10ª edição

235 2 junho 2015 | 16:59

Considerado a principal referência acadêmica das ciências biológicas, há mais de 25 anos, o livro Biologia de Campbell é utilizada por milhares de estudantes no mundo todo. A obra é destaque pela visão científica e pedagógica de Neil Campbell e as inúmeras contribuições da comunidade acadêmica internacional, que colaborou no aperfeiçoamento de um clássico, porém atual, e dentro dos novos padrões de ensino.

A décima edição destaca-se pela estrutura de conceitos-chaves, a evolução – presente em todos os capítulos, e a importância da pesquisa científica. Entre os objetivos da nova publicação, estão as conexões entre conteúdos de capítulos diferentes, que permitem uma compreensão global dos temas e a visão do que será estudado nas páginas seguintes.

Novos exemplos também estão presentes e demonstram o impacto da genômica nas diversas áreas da biologia. Questões de interpretação de dados vão despertar o interesse do leitor por análise quantitativa e oferecer aos alunos uma base forte para o pensamento científico e raciocínio quantitativo.

Ao longo da leitura, os exemplos irão mostrar como a habilidade em sequenciar DNA e proteínas de modo rápido e econômico está transformando cada área da biologia, desde a biologia celular até a fisiologia e ecologia. Ainda, exercícios de Habilidades Científicas em cada capítulo, utilizam dados reais para desenvolver capacidades necessárias na biologia, incluindo interpretação de dados, desenho de gráficos, projeto de experimentos e exercícios matemáticos.



A 10 ª edição é uma das publicações mais completas e importantes dentro das ciências biológicas, por oferecer recursos para os alunos irem além da memorização e pensarem como cientistas. A publicação busca, sobretudo, inspirar ainda mais os alunos, com o entusiasmo e a relevância da biologia moderna e o domínio da genômica. 

 

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Perfil: Daniel Lacerda, Doutor em engenharia de produção

3 21 maio 2015 | 18:19

Premiado como pesquisador gaúcho, pela Fapergs, em 2014, Daniel Lacerda é Doutor em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ e mestre em Administração pela Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos). Lacerda possui amplo currículo e experiência profissional e acadêmica nas áreas de operações e estratégia, engenharia de processos, custos e teoria das restrições. Atualmente, é pesquisador do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas - PPGEPS/Uninisnos e Coordenador Acadêmico do GMAP | UNISINOS - Grupo de Pesquisa em Modelagem para Aprendizagem. Também desenvolve projetos de pesquisa aplicada em empresas como Fiocruz/Bio-Manguinhos, Petrobras, Transpetro, JBS, AGDI, SEBRAE/RS e VALE. No seu currículo está, ainda, a distinção com o Outstanding Paper Award for Excellence da Emerald Literati Network e orientação das dissertações premiadas pela ABEPRO em 2013/2014. Pelo Grupo A, o pesquisador tem alguns livros lançados, entre eles coautor do livro Design Science Research (DSR) e de Gestão da Inovação e Competividade no Brasil. 

Em uma conversa com o BlogA, Daniel conta mais sobre seus livros e sua trajetória e destaca a importância do Design Science e do Design Science Research para o desenvolvimento do Brasil. “Espero que o livro procure construir pontes entre as empresas e as universidades e que induza a produção de conhecimento sobre projeto, desenvolvimento tecnológico, sobre transformar e articular teorias para a solução de problemas. Entendemos que estamos dando os primeiros passos, uma maior distinção conceitual sobre o conhecimento científico e o conhecimento em design é necessário”, destaca. 

Quando surgiu seu interesse pelo tema?

De fato, o interesse sobre o tema começa em 2009, ao final do meu doutorado na COPPE/UFRJ. Naquele momento havia algumas discussões iniciais sobre a aplicabilidade da então chamado Design Research para a Engenharia de Produção. Essas discussões se originaram a partir de um artigo circulado pelo professor Ricardo Cassel. Muitos viam um método de pesquisa mais adequado para a Engenharia de Produção do que os métodos de pesquisa absorvidos de outras áreas. Desde logo, me posicionei contra não identificando algo relevante para a Engenharia de Produção, em particular. Ao avançar na leitura para realizar as críticas, me deparei com o texto seminal, de Herbert Simon, As Ciências do Artificial que alterou radicalmente meu posicionamento em relação ao tema. A partir dessa leitura, e outras, o interesse aumentou substantivamente sendo incorporado, posteriormente, em um projeto de pesquisa financiado pela CAPES em parceria com a COPPE/UFRJ, POLI/USP, UFPE, INPI e UNISINOS.

 

Qual a importância do Design Science Research para o desenvolvimento do Brasil? 

O Design Science Research é fundamental para o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. É um método de pesquisa que procura direcionar a academia brasileira e internacional (o livro também foi lançado em inglês pela Springer: Design Science Research: A Method for Science and Technology Advancement), a se dedicarem ao desenvolvimento de soluções tecnológicas úteis a sociedade com implicações teórico-conceituais. Cada vez mais, a sociedade tem cobrado, com razão, a utilidade e a responsabilidade da academia em desenvolver conhecimento e tecnologias úteis e que retornem a sociedade, para além da formação de recursos humanos para o país. Além disso, o modelo de desenvolvimento de pesquisa que privilegia exclusivamente a publicação de artigos tem alienado os novos pesquisadores sobre o real papel da pesquisa. As investigações precisam trazer novos conhecimentos e contribuições para a melhoria das condições de vida, de trabalho e de competitividade do país.

 

Como você percebe a gestão da inovação e competitividade no cenário brasileiro? 

O Brasil já fez diversos avanços no sentido de aperfeiçoar sua competitividade, principalmente no que tange a inovação. Há, ainda, muito por fazer e assim deverá ser nos anos que se seguem. Contudo, por mais que os aparatos legais tenham sido desenvolvidos, as universidades e as empresas manifestem interesse em trabalhar conjuntamente, há muitos obstáculos a serem superados. As relações de desenvolvimento são muito pessoais, os processos nas universidades ainda são engessados, as áreas jurídicas das instituições (empresas e universidades) trabalham no sentido de ver impedimentos e não de facilitar a aproximação. Por fim, as métricas de avalição da comunidade científica pouco estimulam a parceria profícua entre universidades e empresas. A lógica do produtivismo acadêmico, ainda, se impõe como algo que, em última análise, limita o potencial de desenvolvimento tecnológico e de inovação do Brasil.

 

Aplicando o Design Science Research, como ele pode contribuir para a solução de problemas? 

Pode contribuir de diversas formas. Primeiro, por provocar a comunidade científica brasileira a considerar sempre a real utilidade de sua pesquisa desde os momentos iniciais de formulação intelectual. Segundo, por estabelecer que o conhecimento em desenvolvimento, sobre como aplicar os conceitos e teorias, é fundamental para o desenvolvimento e a independência tecnológica do país. Terceiro, por servir de esteira para o desenvolvimento de pesquisas na área de engenharia, em particular. Por fim, para nivelar a comunicação entre empresas e universidades com um método de desenvolvimento de pesquisas que interessem as empresas e a comunidade acadêmica. 

 

Estamos no caminhos? O que pode ser melhorado? 

Alguns pontos de melhoria que percebo. Primeiro, incorporar uma lógica de incentivo e valoração de projetos de desenvolvimento científico e tecnológico na avaliação da pós-graduação brasileira. Segundo, valorizar a experiência prática, seja pelo trabalho prévio ou pelo desenvolvimento de projetos, dos discentes e docentes tanto da graduação quanto da pós-graduação. Não podemos formar doutores sem qualquer experiência na área em que pesquisa. É necessário ter propriedade, não apenas conceitual, mas também empírica sobre o objeto que pesquisa, especialmente, na área tecnológica. Terceiro, é necessário que as universidades, de fato, incentivem e facilitem o desenvolvimento dos projetos em parceria com as empresas. Por um lado, a publicação de artigos é bem vista nas universidade pois não tira a burocracia de sua zona de conforto, melhora os indicadores de desempenho e não requer que o professor se envolva com problemas mais imediatos da sociedade. Por outro lado, o desenvolvimento de projetos com empresas, gera trabalho adicional para a burocracia universitária, exige envolvimento dos pesquisadores com atividades administrativo-burocráticas que não, necessariamente, impactam nos indicadores de avaliação da universidade. Dessa forma, não há estímulos diretos para a aproximação da comunidade cientifica as empresas. Por parte das empresas, de fato, há uma visão de curto prazo focada na redução de custos. Poucas empresas possuem uma visão estratégica de desenvolvimento tecnológico e buscam nas universidades o conhecimento necessário. As empresas ainda veem as universidades como centros formadores de mão de obra. Enfim, a principal necessidade é uma mudança de mentalidade e os mecanismos de incentivo podem servir para isso.


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Entrevista: Katia Nunes

1 19 maio 2015 | 17:06

O trabalho com matemática e arte tem sido foco  de estudos de Kátia Nunes e Estela Fainguelernt desde 1995 nos diferentes níveis de ensino, da educação infantil ao ensino superior. A pergunta fundamental é "como a arte e a matemática podem se relacionar e contribuir com o ensino da geometria, na qual não só o conhecimento matemático deve estar em jogo, mas também o desenvolvimento da estética e a visualização?". A arte se tornou elemento disparador na construção de conceitos matemáticos e permitiu novas discussões em sala de aula em torno de temas sociais e políticos. As autoras entendem que o conhecimento matemático não é próprio das obras de arte, mas é um elemento possível para organizar o espaço e o pensamento do artista. 

Para elas a arte e a matemática podem ser entrelaçadas por meio do exercício do pensamento, ao considerar o aspecto matemático como uma sugestão de trabalho para ajudar na visualização da arte.

Confira entrevista da autora Katia Nunes e sabia mais sobre a relação matemática e arte. 

 

É sabido que a matemática é muito presente na música e na pintura. Podemos dizer que ela está em todas as formas de arte?

Sim, a matemática está presente em diversas formas de arte: em monumentos arquitetônicos, esculturas, instalações, gravuras, teatro, moda ou mesmo na dança há muita matemática. Além do projeto que desenvolvo com matemática e artes plásticas, estou pesquisando atualmente as relações existentes entre a matemática e a moda. 

Para ilustrar a relação da matemática com a dança, cito Malke Rosenfeld, e seu   programa  Math in Your Feet (“Matemática em seus Pés”) e o trabalho de Erik Stern e Karl Schaffer. 

E, para ilustrar um trabalho que relaciona teatro e matemática, cito a dissertação de mestrado em Educação da professora Andréa Gonçalves Poligicchio, que foi realizada na USP, em 2011.

 

A interdisciplinariedade pode ajudar o aluno no aprendizado da matemática? Como?

Sim, sem dúvida.

A interdisciplinaridade visa a garantir a construção de um conhecimento que proporcione uma visão mais abrangente da realidade, que dá significado aos conteúdos escolares e à formação integral do ser humano, exigências atuais do mundo do trabalho e da produção. Hoje, mais do que nunca, o aluno precisa compreender a importância da matemática na vida, as relações entre os diferentes campos da matemática e as relações entre essa disciplina e as demais áreas do conhecimento.

Nos projetos que desenvolvi durante minha pesquisa, vivenciei como um trabalho interdisciplinar pode colaborar, e muito, para a compreensão dos conceitos matemáticos. Na pesquisa, além da arte, a história, a geografia e a língua portuguesa foram disciplinas que se integraram naturalmente ao trabalho, o que propiciou, além de um maior interesse e participação dos alunos durante as aulas, o desenvolvimento de diferentes competências e habilidades que refletiram em uma crescente facilidade em relação à construção e à aplicação dos conceitos matemáticos.

Existe um senso comum que associa o pensamento matemático à falta de criatividade. De que forma isso pode ser desmistificado?

Infelizmente, este senso comum é ligado ao fato de que a matemática é considerada por muitos uma área de resultados cristalizados, e não um campo dinâmico do conhecimento humano em constante evolução.  Acredito que uma das formas de desmistificar essa crença é através do uso da metodologia da resolução de problemas. Este tipo de metodologia é fundamental para o desenvolvimento da criatividade em matemática. Nela, os alunos são expostos a problemas que admitem múltiplas possibilidades de respostas e que podem ser obtidas por meio de diferentes métodos de solução. Eles ainda são encorajados a formularem perguntas novas sobre um problema, e a criar diferentes problemas a partir de um assunto estudado, uma situação ocorrida, uma imagem, um gráfico, uma expressão numérica, entre outros.  

Essa forma de trabalhar estimula a participação, a exposição e a troca de ideias. Os alunos se envolvem com o "fazer" matemático, no sentido de criar hipóteses e investigá-las a partir de uma situação problema proposta. Eles são estimulados a buscar regularidades, fazer conjecturas baseadas em alguns exemplos, testar a validade dessas conjecturas, generalizar resultados já conhecidos e verificar se as generalizações são válidas.

Uma prática como esta certamente promove condições favoráveis ao desenvolvimento do potencial criativo de nossos alunos.

Qual a contribuição do livro no cenário da educação tradicional da matemática?

O livro, escrito em parceria com a professora Estela Kaufman Fainguelernt, não se destina somente a professores e alunos de matemática, mas também a qualquer pessoa que deseje derrubar barreiras que foram criadas e a impediram de conhecer um pouco melhor uma disciplina tão fundamental e apaixonante. 

Especificamente com relação aos professores, acredito que o livro possa contribuir com uma proposta que visa à transformação da sala de aula de matemática de um ambiente onde tradicionalmente se privilegiava as técnicas operatórias, a memória e o raciocínio formal alienado num espaço de argumentação, produção de significados e criação, onde se desenvolva a interdisciplinaridade, a sensibilidade, a curiosidade, a imaginação e a criatividade. E, como parceiras nesta tarefa, escolhemos as artes plásticas.

O livro, desenvolvido a partir de minha dissertação de mestrado em Educação Matemática, começa ilustrando interfaces existentes entre a matemática e a arte. Depois, apresenta três projetos “Jogando com Mondrian”, “Refletindo Dalí” e “Interagindo com o Concretismo e o Neoconcretismo”. Cada projeto relata um pouco sobre a vida e a obra de cada um dos artistas, o momento histórico, político e social em que viveram e as influências que receberam.  Depois, fazemos uma análise de diferentes obras e são propostas várias atividades em que muitos conceitos matemáticos podem ser explorados. Há também sugestões de vídeos para aprofundamento e muita criação. 

Temos observado, a partir desta pesquisa, uma mudança significativa de postura, interesse e participação criadora dos alunos durante as aulas. Eles se libertaram da cópia, da repetição de técnicas, e passaram a desenvolver competências e habilidades para resolver atividades de diferentes formas, aprendendo assim a criar, descobrir e imaginar. Eles passaram também a demonstrar maior interesse pela matemática e uma facilidade crescente com relação à construção e à aplicação dos conceitos geométricos.

Para conhecer um pouco mais sobre  este trabalho e sobre nossos outros livros sobre o tema acesse  www.matematicaearte.com.br

 

O livro é voltado aos interessados em matemática, mas pode ser também uma boa leitura para os interessados em arte?

Certamente, desde os primeiros registros históricos que temos, podemos observar a influência mútua de cada uma dessas áreas sobre a outra. Uma das mais notáveis influências da Matemática sobre a Arte ocorreu no Renascimento. Um dos nomes mais importantes desse período foi Leonardo da Vinci, que ao criar a famosa Mona Lisa se baseou em uma proporção muito utilizada em Matemática, a chamada Seção Áurea, e que é utilizada até hoje em diversas obras de arte. Cézanne simplificava as figuras que via, até transformá-las em formas geométricas, como círculos, cubos, cilindros, cones.  Picasso e Braque criaram o Cubismo, movimento artístico cuja proposta centrava-se na liberdade que o artista deveria ter para decompor e recompor a realidade a partir de elementos geométricos, e tantos outros. Nas palestras e oficinas que realizo, tenho tido o privilégio de ter como público muitos professores de artes que tem manifestado ótima acolhida às ideias desenvolvidas. Acredito que isso ocorra porque fica clara, durante as apresentações, a importância que dou às artes. As artes permitem o desenvolvimento do pensamento divergente, do pensamento visual, da percepção, da criatividade, da sensibilidade e da imaginação, que são fundamentais para o aprendizado. Minha pesquisa surgiu exatamente da inspiração que recebi de uma grande artista, Lygia Clark, que revolucionou a arte brasileira e o espaço do Museu, ao se deslocar da posição de artista para a de propositora, rompendo com a ideia de que a arte devia ser apenas contemplada. Interatividade e participação são palavras-chave nas obras de Lygia Clark. E justamente são essas as palavras que acredito que devem estar presentes na sala de aula, e em especial na de Matemática. 

 

Qual o principal desafio para o ensino de matemática?

Colocar em prática, após avaliação crítica, as diretrizes preconizadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, e as propostas das inúmeras pesquisas que têm sido realizadas na área de educação matemática. Muitas das ideias ricas e inovadoras dessas pesquisas ainda são desconhecidas por grande parte dos professores, ou incorporadas superficialmente; ou, ainda, recebem interpretações inadequadas, que não provocam  as mudanças tão desejáveis e necessárias ao processo de ensino e aprendizagem da matemática. 

Hoje, é preciso dar ao ensino uma dimensão mais dinâmica. Os alunos devem ser expostos a atividades significativas e desafiadoras, que lhe gerem interesse, estimulem a curiosidade, a criatividade, e que possibilitem a eles estabelecer conexões da matemática com o cotidiano, com outras áreas do conhecimento e entre os diferentes temas matemáticos.

 

Como a matemática pode ser melhor inserida em nossas vidas, para além da escola?

Ao discutirmos, em sala de aula, diferentes questões do dia a dia, que permitem aos alunos compreender melhor a realidade em que estão inseridos e a sociedade em que vivem, já que para o pleno exercício da cidadania, é necessário saber matemática: saber calcular, medir, argumentar, e tratar as informações estatisticamente. 

Como exemplo de assunto relevante que pode ser explorado em sala de aula, cito algumas questões relativas ao meio ambiente: poluição, desmatamento, limites para uso dos recursos naturais. A matemática é fundamental para quantificar os dados envolvidos, o que permite um tratamento mais efetivo das questões envolvidas nesses assuntos, e possibilita a tomada de decisões e as intervenções necessárias.

Outro exemplo é o trabalho de educação financeira que possibilita aos alunos serem pessoas que saibam negociar, economizar, consumir com responsabilidade e a conhecer e buscar seus direitos.

 

Categorias: Curiosidades

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Um é pouco, dois é muito bom

1 15 maio 2015 | 11:39

Por Cristina Ustárroz*

Não sei se você concorda, mas vida de aluno de inglês não é moleza. Primeiro, tem a questão da pronúncia: o som do th, particularmente, é uma tortura para a grande maioria. Depois tem a questão dos tempos verbais: decorar os verbos irregulares é um martírio coletivo. Mas imbatível no massacre estudantil é a questão das regras gramaticais: muitas são falhas, algumas são confusas, várias são míopes. É aí que o tormento vai parar nas mãos do professor. E é aí que a saia justa entra em sala de aula. Quer ver? 

Certa vez, perguntei a um professor quando se usa any e quando se usa no. A explicação veio curta e grossa: any é usado em frases negativas, no é usado em frases afirmativas. E lascou um exemplo de cada: I don´t have any money e I have no money. Na primeira frase, disse ele, encontramos o not, que já é uma negação. Se ainda acrescentarmos no ficaremos com duas negações. A isso chamamos de double negatives. E double negatives não pode! É aí que entra o any. Ta-ra!

A la pucha, pensei! Que bom que existe uma gramática que me ajuda a diferenciar o certo do errado. Que bom poder contar com quem controla o que digo. Que bom que existe uma regra, como essa dos double negatives, que aplaca minhas dúvidas com explicações tão, tão, tão o quê mesmo? Tão gramaticalmente definitivas, pensei. Mas, infelizmente, essa regra é tudo menos definitiva. 

Não foi o Pink Floyd que disse: ♪we don´t need no education, we don´t need no thoughts control♫? Não foi o Mick Jagger que disse: ♪I can´t get no satisfaction♫? E não foi o Elton John que disse: ♫ain’t nothing like the real thing♪? Eles podem usar double negatives? Pois é! Quem foi mesmo que disse que um erro não justifica outro? Percebeu o tamanho do estrago? Desconfio que aquele professor não gostava de música.

Outro dia, esse mesmo professor ensinava os nomes de recipientes e embalagens e o que costumamos guardar neles, tipo roll of toilet paper, glass of water, box of cereal e por aí vai, quando parou para explicar que jar é um pote de vidro onde se guarda cookies, ou jam, ou honey, essas coisas. Foi quando levantei a questão: o Metallica encontrou ♪whiskey in the jar♫! E tem cantora que guarda até amor no pote. Ela diz: ♪I would save all my love in the jar of love♫? Se o pote é dela, ela que coloque nele o que bem quiser! Falando em querer, acho que o professor quis me jogar pela janela.

Mas não desisti das minhas dúvidas. Em um outro momento, ele explicou que se usa does com os pronones he, she, it em frases negativas. Deste modo, "ela não corre" fica she doesn´t run, "ele não estuda" fica he doesn´t study, "a máquina não funciona" fica it doesn´t work. Que bom que existe uma regra assim tão categórica. Subitamente, lembrei do Eric Clapton: ♪she don´t lie, she don´t lie, she don´t lie, cocaine♫! E do Phil Collins: ♫you can´t hurry love, no, you´ll just have to wait, she said love don´t come easy, but it’s a game of give and take♪! Suspeito que foi aí que o professor negou categoricamente a possibilidade de me processar.

E seguiu afirmando que devemos dizer going to ao invés de gonna. Gonna, segundo ele, é errado. Isso é fácil, pensei! E a voz do Roy Harper encarnou em mim: ♪Come in here, dear boy, have a cigar, you're gonna go far, you're gonna fly high, you're never gonna die, you're gonna make it if you try; they're gonna love you♫! É 5 gonna X 0 going to! Quase um jogo de Brasil e Alemanha! E antes que o professor pudesse me ignorar puxei uma música da banda jamaicana Inner Circle: ♪bad boys, bad boys, whatcha gonna do? Whatcha gonna do when they come for you?♫. Imagino que foi aí que o professor entrou em depressão profunda. Whatcha gonna do?

E tem o caso do singular they. Perguntei ao professor qual pronome usar quando não está claro na frase se o sujeito é homem ou mulher. Exemplo: If anyone is sick, he should go home. Ele disse que he não pode, pois o sujeito, anyone, talvez esteja se referindo a uma mulher. She não pode pela mesma razão. Diga he or she. Ou he/she. If anyone is sick, he/she should go home. Em hipótese alguma, disse ele, use they ou seus equivalentes them e their. Imaginei a frase: If anyone is sick, he/she should see his/her doctor. Esse cara tá de brinqueichon uite me, concluí! Foi quando senti o Sting cantar: ♪if you love someone set them free♫! E o Paul McCartney: ♫someone is knocking at the door, someone is ringing the bell, do me a favor, open the door and let them in♪.

Mas isso não era nada. Ele ainda tinha que ensinar o want to. Nunca digam wanna. É errado! Digam want to! É mesmo? E desafiei: ♪If you wanna get down, down on the ground, cocaine♫. Quer mais um? Provoquei: ♪I wanna hold your hand. I wanna hold your hand. I wanna hold your hand♫. É muito wanna para pouca música! Não quero incomodar o Paul McCartney com picuinhas, mas acho que foi aí que o professor decidiu se aposentar. 

Pombas! Tem sempre uma letra de música que contraria a regra gramatical. Ou desautoriza o dicionário. E tem sempre um espertinho pronto para cantá-la na cara do seu professor! O ensino da língua inglesa deve muito a letras de música, pois elas refletem o que e como as pessoas falam. E quando o resultado de uma regra parece artificial, é aí que a língua, através dos falantes, liberta-se dela. 

O fato é que aceitamos a licença poética na música, mas não estamos dispostos a oferecer a mesma isenção às pessoas na sua fala cotidiana. Letra de música que contém o que chamamos de erros de gramática pode! Músicos e poetas podem dar-se ao luxo de “errar”. A gente não pode! Antes de processar o Metallica, reflita: não é nas páginas da gramática que a língua ganha vida. É na boca dos falantes!  

Além disso, as línguas estão em constante mudança e com o tempo algumas regras vão perdendo o sentido de ser. Foi aí que o professor jogou a toalha: seguir a regra significa produzir uma linguagem artificial, mas não seguir a regra significa gerar linguagem considerada incorreta por pessoas como ele. Não há como ganhar! It´s a no-win situation! A não ser que... você tire vantagem dessa situação!

Pense em uma pirâmide: no topo dela existe um tipo de gramática cuja decisão sobre o que é certo ou errado na língua está nas mãos de uns poucos que também julgam como a linguagem deve ou não ser usada. Esses poucos temem que uma linguagem mais permissiva acabe corrompendo a língua padrão e advogam que a gramática deve mantê-la sob controle. Em outras palavras, quem defende esse tipo de gramática acredita que as regras deveriam ser impostas de cima para baixo. Tipo decreto, sabe? 

Por outro lado, na base da pirâmide existe uma outra gramática que não tem interesse em rotular como certo ou errado a linguagem usada pela grande maioria das pessoas e acolhe todas as estruturas da língua, inclusive aquelas desprezadas pelos falantes da língua padrão, como no caso das gírias. Quem defende este modelo acredita que as regras gramaticais se originam de como as pessoas usam a língua. Ao invés de descer, elas sobem a pirâmide. E é aí que você pergunta: já não basta uma gramática, agora tenho que lidar com duas? Ao que respondo: melhor duas do que três!

Brincadeiras à parte, mais do que se sentir espremido entre elas, você deveria tirar proveito dessa situação dois em um. Afinal, as duas possuem pontos fortes e fracos. E lembre-se: um é sempre pouco; um nos mantém prisioneiros; um não nos permite comparar. Enfim, um nos priva de escolher.

Você quer causar uma boa impressão no seu chefe e nos seus colegas? Siga as regras! Quer ter sucesso no TOEFL? Empregue as regras! Já se você quer ser livre para falar a língua que você escuta no cinema e na TV, preste atenção em filmes e letras de música. Solte o verbo! E cante: ♪I gotta feeling that tonight´s gonna be a good night♫!

Notas altamente esclarecedoras:

Multiple negation seria o termo mais apropriado, já que há casos de frases com três ou mais negativas, mas double negative é o termo conhecido. Em português dizemos dupla negativa ou dupla negação.

Any também é usado em interrogativas. Mas eu só precisava de frases negativas para ilustrar o assunto.

Whiskey in the jar é uma famosa canção irlandesa, provavelmente do século 17, que ganhou uma versão bem-sucedida do Metallica, banda vencedora do Grammy Award em 2000. 

A música Have a cigar, do álbum Wish you were here (1975) do Pink Floyd, teve Roy Harper nos vocais.

Singular they é o uso do pronome plural they e suas formas them, their e themselves para se referir a um sujeito no singular. Isso ocorre com palavras cujo gênero é indefinido, como everyone, somebody, the teacher, a doctor e muitas outras. 

Leia mais sobre double negatives!


* Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA.


Entrevista: Cláudio de Moura Castro

2 14 maio 2015 | 15:00

Você sabe estudar? No mês da educação, essa pergunta é mais do que pertinente. No entanto, embora a rotina escolar faça parte de nossas vidas desde a infância, talvez possamos desconhecer os aspectos mais efetivos do aprendizado. E é sobre isso que trata o novo lançamento da Penso Editora Você sabe estudar?, de Cláudio de Moura Castro. Esse não é o primeiro título do economista e pesquisador em educação lançado pelo Grupo A. Escreveu também Os tortuosos caminhos da educação brasileira, no qual discorre seus pontos de vista impopulares sobre a história educacional do Brasil. Castro, que já lecionou em diversas instituições, como a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a Universidade de Brasília e a Universidade de Genebra, lança agora um manual que ajuda o aluno a dominar técnicas que o farão aprender o máximo com o mínimo de esforço. Você sabe estudar? ensina a fazer mapas mentais, resumos e anotações com mais eficiência, além de promover uma reflexão sobre o que é, realmente, o aprendizado. O renomado autor concedeu uma entrevista sobre seu novo lançamento para o BlogA, confira!


Cláudio de Moura Castro é autor de Você sabe estudar?
[FONTE: Educar para crescer]

Depois de anos exposto a decoreba, é possível um estudante adulto aprender a aprender?

É mais do que possível. O problema é de hábito adquirido e reforçado pelas práticas correntes. O que atrapalha não é a cabeça do estudante, mas a barreira de andar na contramão do que fazem os outros. Mas, após experimentar o gostinho de aprender mais, com velocidade e eficiência, um aluno minimamente lúcido vai sentir a diferença.

Estudar também é questão de prática? É preciso treinamento constante para ser um bom aprendiz?

Pensemos em um esporte. Diante de uma prática inapropriada, é preciso foco e esforço concentrado de analisar o erro e corrigi-lo. É preciso vencer a inércia do método velho. Por exemplo, não se deve olhar para a bola, mas para o lugar para onde ela deve ir. Quem está olhando para a bola terá que se reprogramar para fazer diferente. Essa mudança não acontece do dia para a noite. Mas, uma vez minimamente dominada, a nova técnica vai se tornando natural e espontânea. Cada vez menos, a disciplina de adotar o novo hábito é penosa. Vai ficando automática.

Estudar o que se gosta é sempre mais fácil. Como estudar o que não nos atrai?

O principal segredo é buscar aspectos interessantes ou úteis daquilo que, inicialmente, nos parece enfadonho ou desinteressante. Tomemos cálculo diferencial e integral, uma permanente assombração nos cursos de Matemática. Durante décadas, Newton e Leibnitz se engalfinharam de forma truculenta, disputando a autoria dessa ferramenta. Entendendo porque brigavam com tanta emoção, podemos começar a ver algum interesse no assunto. Em particular, descobrir para que serve e ver tais ideias aplicadas em situações concretas são estratégias poderosas. Poderíamos, aqui, falar do papel das emoções no aprendizado. Sem que participe o coração, é tudo mais difícil.

Muitos estudantes se dividem entre faculdade e trabalho: como aproveitar as pequenas brechas de tempo que sobram no ônibus, entre uma aula e outra, antes de dormir, etc?

As melhores estratégias para aprender de verdade não requerem livros, lápis ou papel. São exercícios mentais. De pé no ônibus, o aluno pode começar rememorando a aula: O que disse de mais importante o professor? Quais os pontos críticos que abordou? Que ideias poderosas se sobressaem? Como tais ideias repercutiram na ciência? Para que servem? Quais os pontos mais obscuros ou difíceis? Na verdade, as melhores estratégias consistem em recapitulações, feitas sem consultar notas ou livros. Depois, é boa ideia voltar às notas, para checar o que foi pensado e lembrado.


E você? Sabe estudar?

Parte do aprendizado é compreensão, mas parte depende da memória. Há maneiras de reter mais o que se estuda?

No estudo bem conduzido, a compreensão domina o processo e o esforço. Se o aluno percorre as ideias, tentando aprofundar seu entendimento delas, acaba por decorar os termos, datas, princípios e tudo mais que vem junto. Não se trata de dizer: “agora preciso decorar o nome do bichinho ou a fórmula da lei da Física”. Ao lidar com o tema e ganhar intimidade com ele, a memória faz a sua parte. Lembramos por que usamos aqueles fatos, princípios e tudo mais.

Qual a diferença, do ponto de vista do aprendizado, entre o ensino ativo e o passivo? 

No ensino passivo, lá da sua carteira, é como o aluno dissesse ao professor: “Então, enfia isso na minha cabeça. Estou ouvindo”. É um movimento de ideias e fatos, de fora para dentro da cabeça de quem aprende. E como mostram as pesquisas, não dá muito certo.

No ensino ativo, o aluno se engaja em leituras, atividades, aplicações, exercícios ou projetos que requerem a compreensão do tema. Não é mais ele ouvindo o professor, mas perguntando a si próprio como usar o que aprendeu para enfrentar o problema que encontra à frente.

Quando o aluno reclama do professor que não resolveu o problema para ele, é sinal de que o professor promove um ensino ativo. É ele, aluno, quem tem que resolver o problema, tendo como matéria prima intelectual o que teria aprendido na aula ou no livro.  Uma consequência deste princípio é que, sem o esforço de aprender, não se aprende. 

Perfil :: Robert Leahy

3 12 maio 2015 | 15:00

Uma das maiores autoridades mundiais, o PhD em Terapia Cognitiva-Comportamental, Robert Leahy, conta com exclusividade para o BlogA, sobre o seu livro Vença a depressão antes que ela vença você. O Livro acaba de ser traduzido para o português e lançado pela Artmed Editora, empresa do Grupo A Educação. A publicação já aterrisa no Brasil como uma das leituras obrigatórias para aqueles que sofrem de depressão – a doença do século. Leahy percebeu que a maioria dos seus pacientes o procuram por sintomas específicos, que variam entre autocritica, falta de motivação, indecisão, dores do passado, falta de prazer, entre outros tantos. Com este diagnóstico, foi fácil escrever e dividir os capítulos. Ele conta que cada capítulo é focado em resolver cada um destes problemas e que o objetivo é que a publicação seja hands-on, para que o indivíduo identifique o seu sintoma particular e consiga resolver. O livro traz, ainda, histórias reais e instruções simples que irão ajudar a entender e encontrar a melhor maneira de tratar. Ninguém está sozinho. A depressão afeta milhões de pessoas no mundo inteiro e com tratamento efetivo e conhecimento, é possível superá-la.

Como foi o caminho de sua decisão profissional para a terapia cognitivo-comportamental?

Como muitas pessoas, comecei como interessado na teoria psicanalítica e terapia. Mas depois de ler e pesquisar sobre a eficácia, ficou claro que estava longe de ser tão eficaz. Eu, então, migrei para o desenvolvimento social de crianças e adolescentes. Fiquei interessado na obra de Aaron Beck, que é o fundador da terapia cognitiva. A partir disso, fiz um pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia, Faculdade de Medicina, com Beck e depois segui minha carreira como um terapeuta cognitivo. 

 

Como você vê o futuro da Terapia Cognitivo-Comportamental?

A terapia cognitivo-comportamental tem mais apoio empírico do que qualquer abordagem existente à depressão e ansiedade. No Reino Unido, é tratada como uma opção para o tratamento de depressão, ansiedade, distúrbios alimentares e outros problemas psicológicos. Baixo custo, uma vez que o paciente aprende a lidar melhor com as suas habilidades. Eu vejo a terapia cognitivo-comportamental em expansão em um futuro muito próximo. A natureza das emoções é um tópico de interesse para mim. Por exemplo, como é que você lida com as suas emoções? Você acha que as emoções vão continuar para sempre, ou fazer você se sentir culpado ou envergonhado? Portanto, meu foco de interesse é na regulação da emoção e como ajudar os pacientes a aprender e a responder às suas emoções de forma mais eficaz. Algumas pessoas respondem a uma emoção negativa isolando-se, tornando-se passivo, ou tomado por pensamentos negativos.

Dentro deste diagnóstico, nós podemos ensinar as melhores maneiras de lidar e como ativar o seu comportamento, desenvolvendo estratégias para resolver ou amenizar tais problemas. Pensar sobre as coisas de uma maneira diferente é comprometer-se com objetivos de longo prazo. Os pontos fortes da terapia cognitivo-comportamental são de que ele capacita o paciente a compreender e resolver seus próprios problemas. O paciente torna-se seu próprio terapeuta. O terapeuta está em posição de ensinar os pacientes como responder de forma diferente.

Que mensagem otimista você daria para aqueles que estão lidando com a depressão e estão tentando superá-lo?

Mesmo que uma pessoa deprimida pense que as coisas são impossíveis, a maioria pode se recuperar dentro de poucos meses usando as técnicas de terapia cognitivo-comportamental. E, agora temos em mãos a capacidade de ajudar os pacientes a aprender e antecipar futuros episódios de depressão. Respondendo os problemas de forma mais eficaz, para diminuir a probabilidade de tornar-se deprimido novamente. Esta é uma enorme vantagem, pois muitos pacientes com dois ou mais episódios, podem sofrer até sete novos casos durante a sua vida. Eu olho para o livro como uma terapia que dá às pessoas as habilidades necessárias para viver de forma mais eficaz e de pensar e agir de forma produtiva.

 

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Você viu? Dieta da moda

0 8 maio 2015 | 15:53

Nomes para dietas não faltam: Dukan, da proteína, do paleolítico e até do passarinho. São programas de restrição alimentar que entram e saem de cena com tanta ou mais frequência que a própria moda, aquela das passarelas. Entretanto, sejamos sinceros, somente os muitos sortudos de metabolismo podem dizer que nunca tentaram nenhuma dieta. Existem épocas que todo mundo parece estar seguindo a mesma receita, e com a internet ao alcance dos dedos ficou mais fácil ainda encontrar receitas e orientações de como proceder. Porém, fazer uma dieta sem acompanhamento profissional pode ser perigoso, especialmente quando se pratica esporte.

"A orientação deve ser individual e baseada em uma avaliação criteriosa da história do paciente e de seus exames. Claro que algumas condutas podem gerar resultados, como o emagrecimento, mas o problema são os efeitos deste período, que podem gerar problemas maiores. As pessoas devem pensar na saúde e ter o emagrecimento como consequência", alerta Lenice Zarth Carvalho. Nutricionista, especialista em Ciências do Esporte e mestre em Ciências do Movimento Humano, Lenice colaborou na revisão técnica do Guia de nutrição desportiva, de Nancy Clark.


Dietas devem ser acompanhadas por profissionais da medicina
FONTE: UOL

Quando se pratica algum esporte, dietas feitas sem acompanhamento que excluem nutrientes são as mais preocupantes. Uma das atitudes mais comuns de quem quer perder peso é cortar os carboidratos, mas essa não é boa medida a ser tomada, segundo Lenice. "Nosso corpo precisa de carboidratos, mas de boa qualidade, nutritivos e com assimilação lenta. A exclusão deste nutriente vai provocar o uso de outras fontes para compensar, o que pode gerar a perda de tecidos musculares que devemos preservar. O organismo não sobrevive apenas com o consumo de gorduras como fontes exclusivas de energia. Devemos ajustar e retirar os excessos, além de melhorar a qualidade”.

Outro mito das dietas é que toda e qualquer gordura será castigada, mas mesmo as gorduras são fundamentais para o bom funcionamento do corpo humano de acordo com Lenice, exceto a gordura trans dos produtos industrializados. "Cada uma tem sua função, desde a oferta de energia, a manutenção das membranas celulares, a proteção de neurônios, formação do colesterol, etc. O colesterol é matéria prima para hormônios sexuais, se não consumirmos um pouco, o corpo irá produzir menos, por exemplo".

Por isso, para quem se considera um verdadeiro esportista, livros como o Guia de nutrição desportiva são tão importantes uma vez que podem servir de consulta. Esta nova edição, por exemplo, traz as mais recentes pesquisas e recomendações em suplementos, bebidas energéticas, alimentos orgânicos, ingestão de líquidos, dietas populares, carboidratos e ingestão de proteínas, bem como informações sobre treinos, competições, redução de gordura e ganho de massa muscular.

 

"Os suplementos são recursos que temos para ganhar tempo na oferta de energia ou de nutrientes recuperadores como a proteína, que é mais facilmente absorvida do que ingerir um alimento e esperar para digerir. Existem diversos suplementos com diferentes finalidades, alguns ótimos, mas o problema é como são utilizados, normalmente em excesso, o que pode ser prejudicial. Deve haver uma avaliação do indivíduo e da modalidade esportiva para adequar o uso do suplemento, se é necessário. Não existe uma regra para todos. Importante salientar que o suplemento é um recurso complementar à alimentação, que é a base de qualquer treinamento", esclarece Lenice.

Dietas costumam ser pessoais e intransferíveis, o que funciona para um, não funciona para outro, mas existem alguns consensos dentro da área que podem ser adotados sem medo por quem quer cuidar do peso. "Comer alimentos de qualidade, de preferência orgânicos, que sejam boas fontes de nutrientes e compostos bioativos, independente do valor calórico. As quantidades devem ser observadas, mas não trocar alimento de verdade por produtos industrializados, shakes, bebidas artificiais, conservas, embutidos ou qualquer produto light e diet. O que ocorre é a necessidade de especificar quando observamos que o metabolismo do indivíduo não está respondendo adequadamente ou quando as reservas de nutrientes estão desajustadas. Por isso, a individualização baseada na avaliação é tão importante".

Para quem deseja cuidar do peso e já pratica esporte, a dica da especialista é lembrar que seu corpo precisa ter boa capacidade de produzir energia, e isso depende da oferta de nutrientes, além do cuidado de fazer um bom estoque antes de exercícios vigorosos ou prolongados. Observar a hidratação antes e durante a prática de esportes e a oferta de nutrientes que promovam uma boa recuperação das fibras musculares e da energia gasta é igualmente imprescindível. “Porém, são muitas modalidades esportivas que requerem diferentes cuidados, além da condição física do indivíduo que pratica, pois até a perda de sódio no suor varia”. Ou seja, cada corpo é diferente do outro, por isso a dieta deve ser também.

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