O Que Desejo Para Você Em 2015

1 5 dezembro 2014 | 16:18

*Por Cristina Ustárroz

Desejo que seus caminhos sejam mysterious.
E que suas decisões sejam courageous.
Seu sorriso? Auspicious!
Não diga que isso tudo é ridiculous!

Desejo que suas oportunidades sejam advantageous.
E que as partidas sejam adventurous.
Seus planos? Audacious.
Estou quase ficando envious!

Desejo que sua vida seja glamorous!
E seus fins-de-semana glorious.
Seus amores? Gorgeous!
Mesmo que os outros fiquem jealous!

Desejo que suas noites não sejam anxious.
Que seus dias não sejam dangerous.
Sua risada? Contagious!
E que suas histórias sejam delicious!

Desejo que as consequências de seus atos não sejam disastrous.
E que suas ideias não sejam dubious.
Seu coração? Enormous!
E que sua riqueza seja fabulous!

Desejo que sua aprendizagem seja serious.
E que seus amigos sejam generous.
Seu caráter? Righteous!
E que sua natureza seja humorous!

Desejo que as perguntas não sejam obvious.
E que as respostas não sejam pretentious.
Sua mente? Prodigious!
E que sua memória seja tenacious!

Desejo que o clima seja marvelous.
E suas batalhas victorious.
Suas realizações? Prestigious.
Porque seu talento é simplesmente tremendous!
E se nada disso der certo, seja simplesmente spontaneous!

by Famous Anonymous

(Brincadeirinha!)


[Foto via produzindoeventos]

Notas altamente esclarecedoras

O sufixo –ous e sua variante -ious formam adjetivos. Veja mais exemplos em: http://www.morewords.com/ends-with/ous/

Uma característica desses adjetivos é que, por sua origem latina ou grega em sua maioria, são muito parecidos com palavras que encontramos no português, com algumas exceções, claro, como: envious, que significa invejoso; gorgeous, que significa deslumbrante; jealous, que significa ciumento; righteous, que significa correto; e tenacious, que significa tenaz ou firme.

Boas festas, pessoal! Happy Holidays, everyone!

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA. :)

Keep Calm and Cyber Monday

1 1 dezembro 2014 | 16:44

Para quem se jogou na Black Friday sem saber que viria a Cyber Monday, just keep calm and use seu cartão de crédito. Apesar de ter chegado por aqui em 2012, a data ainda é novidade para muita gente. Em seu berço, nos Estados Unidos, a campanha foi criada com a intenção de aproveitar toda a expectativa gerada pela Black Friday para vender eletroeletrônicos pelo ecommerce. No Brasil, porém, ambas as campanhas já ganharam identidade própria, basta comparar para perceber.

Por aqui, as promoções costumam disputar a primeira parcela do 13º salário de muita gente. Adaptadas para o público brasileiro, encontramos propostas como Black Week, Black Weekend ou Black November. Quanto a Cyber Monday, foi ampliada para todos os produtos que o ecommerce alcança. No Grupo A, por exemplo, foi à vez dos eBooks figurarem um megadesconto.

Ao menos, para quem não aproveitou como gostaria os descontos desse ano, pode servir de consolação saber que ambas as campanhas são tendências consolidadas no país. No Brasil, a Cyber Monday e a Black Friday foram importadas pelo varejo nacional, respectivamente, em 2012 e 2010, e tornaram-se importantes para o calendário do comércio. Para se ter ideia, em 2014, a ClearSale, empresa que trabalha com prevenção à fraudes, estima que apenas na Black Friday mais de 871 milhões de reais tenham sido arrecadados.

Já no varejo norte-americano, criador de ambas as campanhas, a concepção é diferente. Por lá, a Black Friday é considerada o marco inicial das compras de Natal e, por consequência, a data de abertura do melhor período de vendas do ano. Existem diversas teorias para sua criação, mas sua importância é inegável. O impacto na economia é tão grande que mesmo não sendo um feriado oficial algumas empresas chegam a dispensar seus funcionários para que possam aproveitar as promoções. Por sua vez, a Cyber Monday possui até data de nascimento. O termo foi título de um comunicado para a imprensa da Shop.org, dia 28 de novembro de 2005. Desde então, a Cyber Monday tornou-se um dos melhores dias de vendas do ano para o e-commerce estadunidense.


[Foto via Time and Date]

O dia de Ação de Graças até pode ser um feriado norte-americano, mas muitos estrangeiros agradecem as datas que surgiram a partir dele. O sucesso da Cyber Monday e da Black Friday é tão grande, que diversos países as anexaram em seus calendários. Além do Brasil, países como Canadá, Austrália, Portugal e Reino Unido podem ser citados por incorporarem a iniciativa ou criaram projetos semelhantes para o mesmo período.

Jerry Maguire e a ética da vida

6 28 novembro 2014 | 13:24

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Um dos grandes objetivos do Leia & Assista é sugerir livros que tenham relação com histórias contadas no cinema e vice-versa. Ou seja, temas tratados por títulos do GrupoA que também são abordados pela sétima arte. A Ética, especialmente no negócios, como no livro de Andrew W. Ghillyer, parece um assunto que passa longe das telonas, mas a verdade é que está tão presente na vida das pessoas, que é impossível ser ignorada por qualquer uma das artes, inclusive a cinematográfica. Um dos grandes clássicos dos anos 1990, responsável por revelar e iluminar ainda mais talentos como Tom Cruise, Cuba Gooding Jr e Renée Zellweger, fala de ética nos negócios e até nos relacionamentos de uma forma divertida. Estamos falando de Jerry Maguire: A Grande Virada.


Tom Cruise é Jerry Maguire, o agente desportivo que sem querer querendo muda sua vida
FONTE: Divulgação

Com roteiro e direção de Cameron Crowe, autor de outros sucessos como Vanilla Sky, Quase Famosos e Tudo Acontece em Elizabethtown, Jerry Maguire conta o momento da grande virada de um agente desportivo. Logo no início do filme, somos apresentados a um profissional de primeiro escalão, que negocia com grandes atletas de futebol americano e que tem uma vida perfeita, ou quase isso. Uma noiva bonita em casa, bastante dinheiro na conta e sucesso na profissão. Como os atletas que representa, Maguire só está interessado nos montantes que pode ganhar negociando seus passes e contratos milionários de publicidade. Tudo vai bem até que o filho de um jogador que frequentemente vai parar no hospital o faz pensar diferente: afinal, vale deixar toda a ética de fora do jogo para sair com o troféu, no caso, o dinheiro, em mãos?

É o começo do fim. Tocado pelo filho que se mostra preocupado com seu pai, que quer continuar jogando quando deveria parar, Maguire escreve um memorando (lembre-se, estamos falando de um filme de 1996, esse tipo de documento ainda era bastante usado) e distribui para todos os seus colegas. O ousado documento falando de como os agentes deveriam se preocupar mais com seus assessorados e ter menos clientes para dar mais atenção a eles soa promissor. E até é promissor a, longo prazo, para Maguire, mas, em um primeiro momento, vai colocá-lo em uma verdadeira crise de identidade. Um dos únicos frutos positivos desse manifesto pela ética nos negócios é Doroty, vivida por Renée, e seu filho, o indiscutívelmente fofo Ray, personagem de Jonathan Lipnicki, que mais tarde protagonizou O pequeno Stuart Little 1 e 2.


Ray e Doroty: uma criança e uma mãe solteira, companheiros de primeira classe
FONTE: Divulgação

Além da jovem contadora e mãe solteira, restará ao lado de Jerry um de seus últimos clientes: Rod Tidwell, personagem de Cuba Gooding Jr, um jogador de futebol americano em fim de carreira que está insatisfeito com seus atuais contratos e aposta em Maguire. É da interação entre o agente desportivo e seu atleta que começa a grande virada do protagonista que, mesmo a trancos e barrancos, consegue colocar em prática a ética que defendia em seu memorando. É com Rod que Maguire irá aprender que não basta mostrar o dinheiro, expressão que ajudou a transformar o filme em um clássico, é preciso encontrar o kwan para ser feliz. O kwan não é algo fácil de achar, e para descobrir o que é, só mesmo vendo o filme. A palavra é uma invenção do jogador de futebol e resume bem o que muitos procuram na vida, pessoal e profissional, mas nem sempre conseguem encontrar. Ficou curioso, né? Então corre para assistir. Nunca é tarde para ver ou rever um clássico. :)

A invenção do eBook

3 26 novembro 2014 | 12:20

A invenção do eBook revoluciou a leitura, abrindo um mundo de possibilidades para algo tão sacramentado e tradicional. Você sabe como essa nova tecnologia entrou em nossas vidas? É o que vamos mostrar hoje, afinal essa grande invenção mudou a forma como lidamos com o ato de ler sem sacrificar o livro original, preservando, para os apaixonados pelo produto físico, o seu famigerado cheirinho de papel, mas facilitando, e muito, a vida de quem gosta de ler em todo o lugar. É um verdadeiro sucesso de design de soluções, e temos que celebrar sua criação!


Em algum momento, alguém teve a ideia genial de aliar a tradição da leitura com a tecnologia. 
[FONTE: TNozz]

O inventor oficial do livro digital é o norte-americano Michael S. Hart (1947-2011). Um entusiasta do futuro e das novas tecnologias, no dia 4 de julho de 1971, inspirado por uma cópia da Declaração da Independência Norte-Americana que estava sendo distribuída gratuitamente naquele feriado, Martin decidiu digitar no computador o conteúdo do texto e transmitir para os outros usuários da rede de computadores da Universidade de Illinois, em que trabalhava. Pronto! Estava criado o primeiro protótipo de eBook da história. A partir daí, a leitura em seu formato digital passou a ser sua paixão e seu meio de vida. Ele criou o Project Gutemberg, a maior rede de eBooks gratuitos do mundo, com mais de 46 mil títulos e que segue ativa, também por meio de doações. Em um relato chamado “Quem inventou os eBooks?”, escrito por ele mesmo, Hart disse:

“Eu certamente não fui a primeira pessoa a digitar algo em um computador, o que eu fui foi  primeira pessoa a digitar algo em um computador com o propósito de criar um livro eletrônico que seria o passo necessário para começar a criação de uma biblioteca eletrônica pública.”


Michael S. Hart morreu, aos 64 anos, em 2011.
[FONTE: Digital Trends]

Com relação aos dispositivos tecnológicos, Michael S. Hart estava sempre na crista da onda. Conforme novos aparelhos iam sendo inventados, ele se tornava um expert: rádios, equipamentos de vídeo e, é claro, computadores. Uma das previsões do inventor dos livros digitais, que adorava imaginar o futuro, era de que um dia existiria uma plataforma que permitisse a todos terem acesso à sua coleção de exemplares no Project Gutenberg, onde quer que estivessem. Isso foi se tornando gradualmente real, com a maior portabilidade de computadores, smartphones e, principalmente, o surgimento de uma tecnologia que foi criada para solucionar exatamente o que era necessário e demandado pelo mercado. Quem já aprendeu conosco um pouco sobre Design Science Research saberá exatamente do que estamos falando: a evolução foi o surgimento de dipositivos criado especialmente para a leitura de eBooks. 


Livros físicos e digitais vivem em harmonia nas estantes dos apaixonados por leitura. 
[FONTE: Student Wire]

Se formos pensar de forma crítica sobre isso, em uma época em que, cada vez mais, os dispositivos são multiuso – computadores, telefones, agendas, reprodutores de vídeo, tudo em único aparelho que cabe na palma da mão –, não seria um contrassenso criar uma tecnologia com uma função específica? Bem, não foi. E foi a partir do conhecimento das reais necessidades do consumidor que os profissionais que trabalham com design de produto souberam que os e-readers seriam o sucesso que são hoje. Certamente, muitas pesquisas foram feitas para determinar quais características esses dispositivos deveriam ter para se diferenciar dos smartphones e tablets e para que não fossem substituídos por estes. Mas, o que imaginamos que pesquisadores possam ter descoberto foi: a leitura cativa e apaixona, e o mercado tem espaço para um dispositivo que permita ao leitor voraz que leve, diariamente, centenas de livros para todo o lugar. Por isso, agradecemos aqui ao sagaz Michael S. Hart, que quis espalhar o livro digital pelo mundo, e aos designers que tornaram isso possível. ;)

Meandros da comunicação empresarial

3 25 novembro 2014 | 11:46

Independente da visão empresarial adotada por você - de que uma empresa é como um organismo vivo, como um conjunto de engrenagens ou uma estrutura hierárquica - a comunicação é essencial para o sucesso do empreendimento. Além disso, as habilidades comunicativas influenciam no bem-estar dentro da empresa, promovido com uma comunicação clara entre e dentro dos setores. Por ser tão essencial a empresários e gestores, a Comunicação Empresarial é o tema do atual lançamento da Série A.


Não basta despejar informações, é preciso saber como fazê-lo
[FONTE: OutsideIn

O livro traz dicas práticas de comunicação eficaz, seja verbal ou escrita, com exemplos do mundo real e sugestões relacionadas à comunicação externa e interna da empresa. Afinal, a comunicação é uma ciência humana, e, como toda ciência, tem seus métodos e técnicas comprovadas. Voltada sobretudo a administradores e gestores de recursos humanos, a obra ajuda os profissionais a evitarem os erros comuns na comunicação empresarial. Alguns maus hábitos são tão encravados na cultura empresarial que se propagam mundialmente, como mostra o jornalista Mike Elgan em artigo na revista Baseline.

Para o americano, investir na comunicação é tão importante quanto investir em tecnologia e novas tendências. Relembrando casos de sucesso e fracasso, ele reúne dicas para quem deseja começar 2015 com uma nova abordagem comunicacional.

#1 Esqueça o telefone
Pode parecer um contrassenso: como ignorar uma chamada pode ser uma boa comunicação? Mas ligações interrompem a tarefa que você está realizando no momento, e você nunca sabe por quanto tempo a pessoa do outro lado da linha vai falar. A sugestão de Mike é gravar na caixa do correio de voz uma mensagem informando seu e-mail. Assim, você pode, mais tarde, se inteirar do assunto e ligar de volta para resolver a questão no momento apropriado.


Assim deve ficar o seu telefone na mesa de trabalho
[FONTE: Hongkiat]  

#2 Traga a ata de volta à vida
Muitas das conversas e decisões dentro da empresa são tomadas em conversas sem registro. Podem ser reuniões ao vivo, conferências de vídeo ou telefonemas, nas quais tudo que é dito fica apenas na memória das pessoas envolvidas. Por isso, faça questão de mandar por e-mail um resumo das decisões, criando um registro que as pessoas podem buscar mais tarde, quando a memória falhar.

#3 Fuja das reuniões
As reuniões não podem ser um costume, elas devem ocorrer apenas quando são essenciais, quando tiverem um objetivo claro e conciso e quando houver um líder preparado para o encontro. Uma boa reunião é rápida, vai direto ao ponto e serve para distribuir objetivos e responsabilidades entre a equipe. Nunca permita que os participantes fujam do assunto, ou você estará preso em uma reunião sem hora para acabar.


Se a sua reunião termina em aplausos, você está fazendo isso certo
[FONTE: Benjamin Corporate Printing

#4 Aprenda a apresentar ideias
Não há nada de essencialmente errado em usar uma apresentação de PowerPoint para apresentar ideias a um grande grupo. Mas é fundamental lembrar-se de que, se você vai usar um meio visual de comunicação, o mais importante é, precisamente, o aspecto visual. Não use os slides como lembretes da sua palestra (leve cartões de anotações), mas como recursos de impacto visual que vão ficar na memória dos funcionários. Deixe de lado as listas, os gráficos e os textos longos: invista em imagens simples, claras e que remetam ao assunto.

Enquanto Mike se dedicou a analisar os erros dos administradores, o livro Comunicação Empresarial (também em eBook) foca nos acertos e nas boas práticas da área. Além do conteúdo da obra, o leitor conta com material online para consulta e uma área inteiramente dedicada ao professor. Quem sabe com professores universitários cada vez mais dedicados à comunicação corporativa, não vamos todos nos livrar de reuniões enfadonhas e confusas para o resto da vida?

Saneamento básico: um privilégio

3 24 novembro 2014 | 12:13

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou, em 2013, que o dia 19 de novembro passaria a ser considerado o Dia Mundial do Banheiro. O nome é curioso, mas a temática é séria: a ONU estima que cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivam sem condições sanitárias adequadas, o que pode ocasionar as mais diversas enfermidades. Para celebrar a data, a ONG Water & Sanitation for the Urban Poor (Água e Saneamento para os Pobres Urbanos, WSUP na sigla em inglês), em parceria com os fotógrafos da Panos Pictures, inaugurou, em Londres, a exposição fotográfica My Toilet (Meu Banheiro), retratando a realidade de mulheres ao redor do mundo no que diz respeito ao saneamento básico.

A escolha de contar essa história por meio de imagens é plenamente justificada. A força da narrativa fotográfica em questão faz com que, mesmo as legendas sendo apenas descritivas, possamos compreender o subtexto de imediato: a desigualdade social existe e o que para uns é mera rotina, para outros, é artigo de luxo. Ademais, a opção por usar mulheres como protagonistas nos lembra que as péssimas condições de higiene e segurança podem as tornar especialmente vulneráveis à violência de gênero. 


Em Bangladesh, Sukurbanu utiliza esse banheiro comunitário suspenso (do qual já sofreu quedas) e acredita que as frequentes doenças que enfrenta são oriundas da falta de higiene do local. 
[Fonte das imagens: Panos Pictures]


Na Etiópia, Masaret optou por utilizar, por segurança, o pátio da casa que divide com mãe, irmã e dois filhos como banheiro após se tornar viúva, pois o banheiro comunitário é longe de sua residência.


Martine, do Haiti, tem como sanitário um buraco no chão ao lado de sua casa, o qual só utiliza à noite para conseguir alguma privacidade. Durante o dia, precisa se dirigir ao banheiro comunitário. 


Mary, de Nova York, divide o apartamento (e o toalete) com outras duas pessoas, mas valoriza demais essa privacidade, pois precisou usar banheiro comunitário quando vivia em Pequim. 


A brasileira Isabela vive sozinha em uma cobertura do Rio de Janeiro e reconhece o privilégio que é poder desperdiçar 10 min de água corrente todos os dias. 

No livro A Narrativa Fotográfica, Michael Freeman fala sobre contar histórias por meio do ensaio fotográfico e a necessidade de uma escolha cuidadosa não apenas das imagens, mas também da ordem em que elas são expostas. Se tivéssemos visto o banheiro brasileiro antes das outras fotos, talvez o impacto não fosse tão grande e não refletíssemos tanto sobre o privilégio que é termos vaso sanitário e chuveiro com água corrente dentro de nossas casas. O fato é que não estamos tão distantes da triste realidade da falta de saneamento. Em seu livro mais recente, Freeman ressalta, ainda, que o ensaio fotográfico é capaz de contar toda uma história sem utilizar palavras. O incrível contraste entre as imagens dessas mulheres é capaz de causar impacto e nos mostrar: há algo errado. Em um mundo com equilíbrio social, essas fotografias seriam mais semelhantes. Por fim, na obra, o autor utiliza um capítulo para falar da interação entre imagens e palavras. Sem dúvida, nesse ensaio, ambas se completam. Enquanto as palavras trazem informações relevantes sobre o contexto, as imagens trazem a força emocional do tema. Posicionar essas mulheres diante de seu maior desafio ou pequena vitória rotineiros – o simples ato de ir ao banheiro – proporcionam um choque de realidade para o espectador. 


No Equador, Fabíola passou a infância utilizando banheiros comunitários e, hoje, se orgulha de possuir um apartamento com cinco deles.


Na Índia, Sangita passou a vida utilizando os campos de cultivo como sanitário (do que se envergonhava) e, quando se mudou para Nova Déhli, fez questão de construir seu próprio banheiro em casa.


No Japão, Eiko gosta de frequentar o banheiro da loja de departamentos próximo à sua casa para relaxar, pois ele em nada lembra os banheiros públicos sujos e mal cheirosos que utilizava na infância. 


No Quênia, Eunice e seu marido construíram banheiros pequeninos na escola em que trabalham para que apenas as crianças entrassem neles, pois, com a sujeira dos adultos, os pequenos preferiam utilizar o chão. 


Flora, de Moçambique, usa esse banheiro comunitário e o odeia, pois os homens costumam espiar as mulheres através da cerca. 


Susan é fundadora de uma escola para crianças com deficiência na Zâmbia e tem dificuldades de usar o banheiro, especialmente na época de chuvas, devido à sua deficiência, que a faz necessitar das mãos para andar. 

De acordo com a ONU, apenas no Brasil, são cerca de 114 milhões de pessoas sem condições sanitárias apropriadas. Dessas, aproximadamente 8 milhões ainda precisam fazer suas necessidades ao ar livre. A falta de saneamento é um problema de saúde pública, pois estima-se que um bilhão de pessoas no mundo estão expostas a doenças como cólera, diarréia, hepatite, desnutrição e até mesmo problemas cognitivos pela falta de ambientes sanitários apropriados. O Dia Mundial do Banheiro foi proposto pela ONU para conscientizar sobre essas questões e incentivar os governos a agirem, para que todos tenham de fato o direito (já assegurado) à água e ao saneamento. Nessa série de fotos da nossa Inspiração da Semana, fica também a reflexão: ter acesso à água encanada é um privilégio que precisamos valorizar e preservar

BlogA Entrevista: Fundamentos do Diagnóstico Psiquiátrico

5 21 novembro 2014 | 13:40

Recentemente, entrou para o catálogo do Grupo A o livro Fundamentos do Diagnóstico Psiquiátrico, título que responde às mudanças do DSM-5, um famoso manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais da área da saúde mental, considerado um recurso indispensável a estudantes, clínicos e pesquisadores. Resultado de mais de 10 anos de trabalho de especialistas de todo o mundo, o DSM-5 ganhou, nos últimos anos, um importante crítico: Allen Frances, médico, professor e pesquisador, tido como uma autoridade em diagnósticos psiquiátricos e que presidiu a força-tarefa do DSM-4 e foi membro das equipes responsáveis pelo DSM-3-R e DSM-3.

Ou seja, ninguém melhor do que ele para conduzir a discussão sobre como chegar aos diagnósticos psiquiátricos corretos, evitando as armadilhas comuns nessa área. Em Fundamentos do Diagnóstico Psiquiátrico, Frances faz uso da sua liderança em edições anteriores do DSM e de seu ceticismo saudável sobre o excesso de diagnósticos e o uso excessivo de medicamentos para falar dos problemas da nova edição do manual. Coordenador da revisão técnica do DSM-5 editado pela Artmed, selo do Grupo A, Aristides Volpato Cordioli, doutor em Ciências Médicas: Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), falou ao BlogA a respeito do novo livro de Frances, sua importância para o meio profissional e sobre essa era do diagnóstico fraco e do medicamento fácil em que vivemos.

1) O livro Fundamentos do Diagnóstico Psiquiátrico faz uma crítica ao DSM-5 já em sua apresentação. Qual é importância desse tipo de debate para a aérea?

Sistemas classificatórios de doenças e das doenças psiquiátricas em particular são um importante instrumento da prática clínica e, sobretudo, para a pesquisa. São essenciais para a comunicação entre os profissionais e para o estabelecimento de uma linguagem comum, para a produção e a generalização do conhecimento. São essenciais para a homogenização das amostras clínicas utilizadas em pesquisas, sem as quais não é possível a generalização de resultados e, consequentemente, sua comparação, e a consolidação do conhecimento. Questões administrativas e questões legais que envolvem responsabilidade civil, seguros, benefícios de previdência, determinação de invalidez permanente ou temporária também exigem sistemas classificatórios. Nesse sentido, tanto o DSM quanto a CID [Classificação Internacional das Doenças] vêm inegavelmente fazendo progressos, estabelecendo critérios, muitas vezes não suficientemente embasados ou até resultantes de lobbies e grupos de pressão. De qualquer forma, em mais de 60 anos, o avanço tem sido notável e o intercâmbio entre os profissionais e pesquisadores está muito mais fácil.

O Dr. Frances tem uma preocupação muito oportuna com a inflação de diagnósticos em psiquiatria, o afrouxamento dos critérios diagnósticos que, no seu entender, teria ocorrido em algumas categorias diagnósticas como TDAH [Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade], os transtornos neurocognitivos, o espectro do autismo, em que eventualmente as fronteiras entre o normal e o patológico estariam imprecisas e borradas. Nesses casos, os critérios frouxos confundiriam os clínicos. Também se preocupa, e acho que com razão, com a rotulação excessiva das pessoas, que em grande percentual poderiam facilmente ser enquadradas em algum diagnóstico psiquiátrico, tendo como consequência a prescrição excessiva de tratamentos, em especial de psicofármacos. Acho que é uma preocupação legítima embora eventualmente num tom catastrófico e doutrinário. Só o futuro dirá se certas categorias diagnósticas se manterão ou não, como o transtorno disruptivo da desregulação do humor, o transtorno neurocognitivo leve ou os atuais critérios para diagnóstico do TDAH.

 


Allen Frances é professor emérito e ex-presidente do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais pela Duke University
[FONTE: Formação Freudiana]

 

É importante reconhecer que a elaboração do DSM-5 foi um enorme esforço, levado adiante da forma mais democrática possível, por algumas centenas de colegas de um grande número de países e durante um longo período. Embora o resultado final tenha ficado muito aquém das expectativas e possam até parecer pífios, é importante reconhecer também os avanços que foram feitos, como a reordenação das categorias diagnósticas de acordo com o ciclo vital, a tentativa de diagnósticos dimensionais e menos categóricos e etc. Houve, é verdade, certa decepção com o DSM-5, tanto que um bom percentual de profissionais americanos afirmou que continuaria a usar o DSM-4 e que não vê maiores vantagens na nova classificação. Na verdade a chamada “década do cérebro” também criou grandes expectativas de que fossem desenvolvidos métodos mais específicos e precisos de diagnóstico. A revisão acabou evidenciando que tais métodos não existiam na imensa maioria dos diagnósticos, e que o clínico continuaria, ainda, dependendo em grande parte do seu próprio julgamento para avaliar informações dadas pelo paciente muitas vezes de natureza subjetiva.

2) Allen Frances, o autor do Fundamentos, que participou de várias edições do DSM-5, critica a forma como se está fazendo diagnósticos atualmente. Qual o maior desafio em diagnosticar pacientes nos dias de hoje?

Na verdade, os médicos e também os psiquiatras têm abandonado uma metodologia que é crucial para o estabelecimento do diagnóstico psiquiátrico: a coleta de uma cuidadosa anamnese (história da doença do paciente), da qual faz parte a descrição minuciosa dos sintomas atuais e passados que o paciente apresenta levado adiante no contexto de uma boa relação profissional. É muito comum que o profissional, em grande parte pressionado pela sobrecarga de trabalho, dedique tempo insuficiente para fazer a anamnese cuidadosa, passo essencial para o estabelecimento do diagnóstico. É através da anamnese que são colhidas quase 100% das informações necessárias para o estabelecimento do diagnóstico.

Por várias razões, que não se justificam, esse procedimento essencial tem sido desleixado e, muitas vezes, substituído por um inquérito muitas vezes sucinto, no qual o paciente responde se apresenta ou não tais e quais sintomas, o que necessariamente pode induzir o paciente a dar determinadas respostas e o profissional a fazer conclusões precipitadas, induzindo facilmente ao erro. Em psiquiatria, o profissional depende muito de informações subjetivas do paciente e, sobretudo, do seu próprio julgamento clínico. Essa última habilidade só é adquirida, na Residência Médica ou em cursos de formação de boa qualidade, com muitas horas de prática clínica e supervisão com clínicos experientes, o que nem sempre ocorre.

A consequência é que a concordância entre os profissionais em relação ao diagnóstico que o paciente apresenta e o tratamento que deve ser seguido, de um modo geral, é muito baixa, e são comuns os fracassos terapêuticos. Um dos fatores adicionais que contribuem para essa situação é o fato de ser extremamente comum a comorbidade: o paciente apresenta, ao mesmo tempo, mais de um transtorno, o que nem sempre é salientado nos sistemas classificatórios. Contribui, ainda, o fato de os psiquiatras estarem abandonando cada vez mais a prática da psicoterapia, a prática de ouvir o paciente, em detrimento do uso intensivo e, muitas vezes, abusivo dos medicamentos.

3) Frances fala também em excesso de diagnóstico, de medicamentos e de modismo. O senhor concorda que esses sejam problemas atuais das áreas da saúde mental?

Como consequência dessas distorções se assiste, inclusive em nosso país, a uma inflação de diagnósticos como depressão, transtorno bipolar e TDAH, nem sempre devidamente fundamentados, com a consequente prescrição em excesso de medicamentos como os antidepressivos, estabilizadores de humor e estimulantes. Nesse ponto, estou de acordo com a crítica do Dr. Frances. Mas discordo que essa má prática seja consequência das fragilidades dos sistemas diagnósticos.


"Há uma inflação de diagnósticos como depressão, transtorno bipolar e TDAH"
[FONTE: Dra. Juliana Garbayo]

4) Qual a maior contribuição do livro Fundamentos do Diagnóstico Psiquiátrico para os profissionais e estudantes da área?

Acho que o maior mérito é o ponto de vista crítico em relação aos critérios diagnósticos do DSM-5, destacando, com alertas, os pontos fracos desses critérios em várias categorias. O autor destaca com muita ênfase essas limitações e tem dificuldades em reconhecer os méritos e avanços dessa nova revisão, talvez por um viés pessoal de natureza emocional. Descontando-se esse último aspecto, não deixa de ser uma contribuição importante, freando um pouco o entusiasmo que muitas vezes toma conta dos profissionais quando é lançada uma nova classificação.

5) Por outro lado, o DSM é uma referência internacional em diagnóstico psiquiátrico. Que conselhos o senhor daria para que profissional da saúde mental utilize esse manual com moderação?

Continuar considerando que a essência do diagnóstico permanece sendo a realização de uma cuidadosa anamnese no contexto de uma relação profissional de boa qualidade. Uma boa anamnese exige tempo e dedicação e não pode ser feita às pressas pelo profissional.

6) O senhor acredita que a categorização dos transtornos mentais pode engessar o diagnóstico, enquadrando o paciente apenas no que já foi catalogado?

Acredito que não, porque o próprio DSM5, no capítulo das Outras Condições que Podem ser Foco de Atenção Clínica, apresenta uma enorme lista de condições que não se enquadram em um diagnóstico propriamente dito e que podem ser motivo para uma consulta com um profissional, sem que o paciente necessariamente se enquadre dentro dos critérios de um transtorno definido. Além disso, existe sempre ao final da apresentação dos critérios diagnósticos – e acredito que em todas as categorias diagnósticas – a possibilidade de “Transtorno XYZ não especificado” para incluir aqueles pacientes que não se enquadram precisamente nas categorias descritas.

7) Quais as armadilhas mais comuns no diagnóstico psiquiátrico e como evitá-las?

A armadilha maior é fazer o diagnóstico de forma apressada, pela primeira impressão causada pelo paciente, sem tentar esclarecer da forma mais precisa e cuidadosa possível qual o sofrimento que o paciente apresenta, o grau de interferência nas suas atividades, relações sociais e familiares e no desempenho profissional ou acadêmico. A segunda armadilha é não formar uma opinião própria sobre qual diagnóstico o paciente apresenta e confiar cegamente no diagnóstico estabelecido pelos colegas. A terceira armadilha é não levar em conta de que, na maioria das vezes, o paciente pode apresentar comorbidades e ter, portanto, mais de um diagnóstico.

Lei e Ordem para vítimas especiais

3 20 novembro 2014 | 14:51

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Série policial, drama, ação ou romance? Também na televisão estamos acostumados a nos deparar com rotulações que nem sempre abrangem toda a complexidade da história que nos é contada. Esse é o caso de Law & Order e das várias séries que derivaram do fenômeno que o seriado norte-americano se tornou desde que surgiu, em 1990. Essa necessidade de categorizar e compartimentar o mundo não é uma exclusividade das artes cinematográficas. Bem pelo contrário. Com frequência, o conhecimento nos é apresentado em partes, quando na verdade funciona em conjunto. É o caso da neuropsicologia forense, ciência que estuda as relações entre o cérebro e o comportamento humano aplicado à criminalística e que permeia todas as temporadas e mesmo as variações que Law & Order ganhou ao longo de décadas.

Para fãs de histórias de ação policial dramáticas, com cenas na delegacia, na cadeia, no tribunal e também nas ruas da cidade, cheias de reviravoltas, Law & Order – e todas as suas derivações – é um prato cheio. Mais do que mocinhos e bandidos, a família de séries criada por Dick Wolf aborda os complexos casos que envolvem a cidade e os esforços dos policiais, dos psicólogos, dos legistas e dos promotores de justiça em solucioná-los. Desde que surgiu, o sucesso da série foi tanto que possibilitou o surgimento de outras que também carregam o nome Law & Order, iniciando uma lucrativa e duradoura franquia de spin-offs, como são chamados. Das quatro séries que nasceram da primeira, a mais conhecida é Law & Order: Special Victims Unit, no ar desde 1999. No Brasil, temporadas dela e de várias outras da franquia podem ser encontradas no Netflix e em alguns canais de TV paga.


Detetive Rey Curtis, um dos personagens da Law & Order original
FONTE: Divulgação

Para os fãs de ciência forense, especificamente, Law & Order: Special Victims Unit é um seriado imperdível. Originalmente, a história é centrada quase que exclusivamente em dois detetives da Unidade de Vítimas Especiais de uma versão fictícia da 16ª Delegacia de Polícia do Departamento de Polícia da Cidade de Nova York. No estilo do original, os episódios fazem referência a histórias de grande repercussão na mídia, muitas delas baseada em histórias reais. Durante anos, estrelaram a série Christopher Meloni, como Elliot Stabler, detetive sênior, e Mariska Hargitay como sua parceira, a Detetive Olivia Benson. Embora carregue o nome da franquia original, a série conquistou uma identidade única e logo se tornou um sucesso da televisão mundial.

O drama de investigação policial segue os passos de Stabler e de Benson, cujo difícil passado é a razão para ela ter se unido à policia: Olivia é filha de um estupro, crime muito frequente na delegacia em que trabalha. Dependência química, psicopatia, retardo mental e transtornos do humor são outros quadros que resultam em casos difíceis de solucionar e que merece atenção dessa equipe especial. No comando desse esquadrão está o capitão Donald Cragen (Dann Florek), que além de Stabler e Benson, precisa gerenciar o detetive John Munch (Richard Belzer), cheio de teorias conspiratórias e muita habilidade nas ruas, e também Odafin Fin Tutuola (Ice-T), cujo senso de humor único e a experiência em investigações fazem dele um parceiro perfeito para Munch. A assistente da promotoria Alexandra Cabot (Stephanie March) e, mais tarde, Casey Novak (Diane Neal), representam o lado legal, do Direito, da série. Também ajudando os detetives está o psiquiatra forense do FBI George Huang (B.D. Wong), cujo conhecimento da mente resulta em importantes pistas que levam à resolução dos casos.


Ao centro, os medalhões da série: os detetives Stabler e Benson
FONTE: Divulgação

Ao fim da 12ª temporada, Meloni, que não aceitou os novos termos do contrato da produtora, abandonou a série. A produção anunciou, então, que Mariska Hargitay seria a estrela principal do show, e também a contratação de dois novos atores: Danny Pino, que vive o agora parceiro de Benson, Nick Amaro, e Kelli Giddish, que dá corpo a detetive Amanda Rollins.

Como a série original, cada episódio de Special Victims Unit começa com uma narração feita por Steven Zirnkilton que marca e sempre irá marcar os espectadores de Law & Order: "No sistema judiciário criminal, crimes de caráter sexual são considerados especialmente hediondos. Na cidade de Nova Iorque, os dedicados detetives que investigam esses terríveis delitos são membros de um esquadrão de elite, conhecido como a Unidade de Vítimas Especiais. Estas são suas histórias". Se você não as conhece, não sabe o que está perdendo. ;)

No dia 21 de novembro, às 15h, acontecerá uma sessão de autógrafos do Prof. Antônio Serafim, autor do livro Neuropsicologia Forense. O evento será no terraço da Universidade FUMEC.


Pesquisa em design: a ciência das soluções

1 18 novembro 2014 | 10:18

Designers de produtos, arquitetos, engenheiros… quantas vezes já vimos esses profissionais encontrarem soluções incríveis para os mais diversos problemas? Porém, embora fruto de muita inspiração, as ideias que surgem nesses campos normalmente se originam exatamente onde vão parar: na necessidade do cliente. A pesquisa em design ou a Design Science Research, que também dá nome ao novo lançamento da Bookman, é um conjunto de métodos os quais orientam o profissional que trabalha com a solução de problemas, especialmente com relação ao avanço da tecnologia. Mas você sabe como se dá esse processo? Confira alguns itens que são essenciais para essa prática no mundo do design!


Embora os profissionais que trabalham com projetos sejam conhecidos por sua criatividade, há muita ciência por trás de sua inspiração. 
[FONTE: How to expert]

Se você não sabe para quem está criando um determinado produto, então você não sabe o motivo de o estar fazendo. Sem saber o propósito de uma criação, o caminho para o desastre é garantido. E é por isso que a pesquisa é tão importante, pois permite uma visão ampla do mercado e do consumidor, de suas demandas e necessidades, fornecendo as ferramentas para que o profissional crie uma solução de sucesso para um determinado segmento. 

A mensuração do mercado disponível é um dos primeiros passos nessa empreitada. As pesquisas nesse sentido podem apontar possíveis consumidores por meio da análise de suas necessidades, desejos e características. O relatório de mercado costuma cobrir três bases, a descritiva, englobando aspectos demográficos e geográficos da população pesquisada; a comportamental, que demonstra motivações pessoais, estilo de vida e classe social; e, por fim, a base de benefícios, definindo, de forma lógica, quais são as necessidades do consumidor a serem satisfeitas. Dessa forma, o profissional é capaz de ter uma visão de raio-x sobre um determinado segmento de mercado. Por isso, quando um produto lançado é exatamente o que você queria, saiba: não é feitiçaria, é tecnologia. Ou melhor: é a pesquisa por trás dela. 

Uma forma simples e bastante popular atualmente para coletar esses dados são os levantamentos online. Uma lista bem elaborada de perguntas é capaz de definir o que um determinado público quer, mesmo que nem ele saiba disso. Para que o resultado seja efetivo, o pulo do gato é editar criteriosamente as questões a serem respondidas, atentando inclusive para a ordem em que elas são apresentadas. Questionários de pesquisa são capazes de – permitam-nos a licença poética – ler a mente das pessoas que os respondem, ainda que as perguntas não explicitem claramente seu real objetivo. Um bom profissional consegue utilizar essa técnica como uma verdadeira bola de cristal.


Não precisa ser vidente, basta ser um bom pesquisador para descobrir necessidades que o próprio consumidor sequer sabia que tinha.
[FONTE: Real Psychic]

Quando o produto já tem um protótipo, um método prático e barato de testar a sua usabilidade é realizando a avaliação heurística. Um número reduzido de avaliadores é selecionado para interagir com partes do projeto e encontrar possíveis erros em sua interface, a fim de que eles sejam solucionados antes do lançamento. A avaliação heurística é um método bastante eficiente, embora um pouco subjetivo, e é utilizado por grandes empresas (aqui está o relatório dessa avaliação feita para o iTunes, da Apple, por exemplo). No entanto, ela não é efetuada com os reais usuários do produto, algo que pode ser solucionado com a realização de testes de usabilidade diretamente com esse grupo, em uma próxima etapa. Basicamente, a pesquisa de mercado explica o que os usuários fazem e quando o fazem. Já os testes com usuários complementam esse quadro, mostrando por que o fazem e como o design do produto testado reage a essas ações. 

Por fim, os relatórios analíticos complementam com a boa e velha matemática todos os elementos qualitativos descritos acima. Baseados em dados quantitativos, esses boletins são interessantes para apontar e investigar problemas, além de verificar os resultados das pesquisas mais subjetivas. Por exemplo, quando um site na internet está sendo redesenhado, uma queda brusca nos acessos pode indicar que o processo não está sendo bem sucedido. A partir disso, é possível analisar a fundo e destrinchar esses dados, a fim de investigar a raiz do problema. 


Nenhuma pesquisa que se preze está completa sem um belíssimo gráfico em pizza ou em torre. 
[FONTE: Twenty Lys]

Esses são apenas alguns meios de se realizar pesquisa em design, uma área de conhecimento marcada pela transversalidade e que pode atuar em diversos campos, da arquitetura à engenharia, passando pelos projetos para a criação de dispositivos tecnológicos. É a ciência dentro da ciência, para que os produtos e as tecnologias sigam evoluindo e para que os profissionais dessas áreas continuem produzindo sempre exatamente aquilo que você estava precisando. ;)

*No dia 20 de novembro, ocorre o lançamento e a sessão de autógrafos do livro Design Science Research – Método de Pesquisa para o Avanço da Ciência e da Tecnologia, na Unisinos, em São Leopoldo.

Fotografia que sabe contar histórias

3 17 novembro 2014 | 11:55

Renomado fotógrafo e escritor, Michael Freeman tem mais de vinte livros sobre a arte da fotografia. Desta ampla carreira, a Bookman já havia publicado oito obras, e agora lança no mercado o livro A Narrativa Fotográfica, no qual Freeman explora o universo do ensaio fotográfico. Buscando suporte nas técnicas narrativas, ele convida os colegas da área a refletirem sobre as possibilidade de contar uma história com imagens.


Em Calcutá, na Índia, Freeman registrou o banho dos homens ao ar livre


A colheita de cocos na Tailândia, realizada por macacos

Em seu site, Freeman escreve: “contar histórias é a maior vocação da fotografia, ou, pelo menos, essa é a ideia que eu tenho da fotografia e o que eu sempre fiz. Às vezes, é impossível contar uma história (curta) em uma só imagem, geralmente é necessário um conjunto delas”. Esse conjunto pode configurar o ensaio fotográfico, uma reunião de imagens sobre um mesmo tema que nos trazem uma história sobre uma pessoa, um lugar, um momento ou qualquer outro recorte que o artista deseje criar.


Freeman acompanhou todo o processo de produção do chá na Ásia


O fotógrafo passou dias com os treinadores de falcões para obter os melhores registros

Em seu novo livro, Freeman apresenta a narrativa como uma história a ser construída pelo fotógrafo. Para sustentar seu ponto de vista, ele mostra como os ritmos, o andamento e a organização das imagens ajudam a despertar o interesse do público pelo ensaio. Criando tensão entre as fotografias na elaboração da sequência, é possível estabelecer conflitos, ações e resoluções: contar a história sem palavras.


Na Toscana, uma imagem de um campo de girassóis


As fazendas de peixes são grandes empreendimentos no sul tailandês

Adepto das novas tecnologias, o autor celebra as novas possibilidades que surgiram com a fotografia digital, as galerias online, os slideshows e a onipresença dos dispositivos móveis. Ele mesmo se beneficia dos novos formatos: a seção de ensaios em seu site foi perfeitamente pensada para exibição em computadores e tablets. De maneira intuitiva, seu público acompanha uma narrativa organizada por ele.


Freeman viajou ao Tibete para acompanhar a extração do sal


Seguindo a tradição espanhola, Cartagena, na Colômbia, organiza touradas

Durante muitos anos, Freeman foi um dos principais fotógrafos da Smithsonian Magazine, mas suas habilidades abrangem diversos campos, como viagens, arquitetura e arte. Em A Narrativa Fotográfica, ele dedica uma seção ao registro de eventos, outra à edição de imagens e ainda uma ao papel das legendas. O autor também aborda o fotojornalismo, ao analisar e comparar matérias, matérias para a web e comentar a combinação de diferentes mídias na contação de uma história. 


Toda a imponência do Taj Mahal pelas lentes do fotógrafo


O Túmulo de Humayun é um cenário impactante na Índia

A Narrativa Fotográfica é um grande lançamento que vai impressionar os fotógrafos que já conhecem a carreira e as obras de Michael Freeman, além de ser uma excelente porta de entrada para quem ainda não teve oportunidade de ler seus livros. Impossível não encontrar inspiração nas imagens e ideias deste brilhante fotógrafo.

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