Contra a globaboseira, vote em Pankaj Ghemawat!

0 21 novembro 2012 | 15:03

Você é daquelas pessoas que acredita que o mundo, por causa da globalização, se tornou plano? Mmm, melhor rever seus conceitos. Ele continua redondo, bem redondo. Pelo menos é esta a teoria de Pankaj Ghemawat, bacharel em Matemática Aplicada e candidato a Professor de Administração do Ano no prêmio Economist Intelligence Unit, organizado pela Revista The Economist.

Poucos debates são repletos de tantos clichês e frases feitas quanto o da globalização – aliás, dizer que o mundo está “cada vez mais globalizado” é repetir um dos maiores lugares-comum da década, segundo Ghemawat. O pesquisador afirma – e prova, com estatísticas e mapas – exatamente o contrário, chamando tudo isso de uma grande “globaboseira”.

Em sua série de livros, três deles traduzidos e publicados por nós, ele rejeita a ideia de que a globalização significa homogenização. Como, pergunta Ghemawat, pode haver globalização se 90% dos habitantes da Terra jamais deixaram o local onde nasceram, apenas 2% das ligações telefônicas são internacionais, 95% das pessoas se informam pela mídia de seu país, 1% das cartas enviadas mundo afora cruzam fronteiras e menos de 1% das empresas americanas têm operações fora do país? Esses questionamentos podem ser conferidos nesta palestra do especialista, publicada pelo site TED:

Em sua mais recente obra, Mundo 3.0, o professor da Harvard Business School se dedica à audaciosa tarefa de afirmar que existe, no máximo, um mundo “semiglobalizado”. Se você quer entender o desenvolvimento econômico do nosso tempo e rever suas convicções sobre o mercado mundial estar sendo dominado por poucas companhias gigantes, essa leitura promete abrir seus olhos. ;)

Com suas teorias inovadoras e perspectivas diferentes de ver o mundo, Pankaj Ghemawat tem se destacado no cenário internacional. Arysinha Affonso, nossa gerente editorial da área de Exatas, Sociais e Aplicadas, recebeu uma mensagem carinhosa do profissional comunicando sua candidatura a a “Business Professor of the Year 2012”! Olha só:

"Desculpe-me desde já, por favor, por esta comunicação repentina, mas estou concorrendo ao “Economist Intelligence Unit´s Business Professor of the Year Award” e, a fim de avançar para a próxima rodada da competição, preciso conquistar votos online! Então, se você puder e quiser, vote em mim até dia 23 de novembro às 17:00 GMT – e eu ficaria extremamente grato se você convidasse outras pessoas que apóiam a minha candidatura a fazê-lo também! A votação só leva cerca de 30 segundos.

Atenciosamente,

Pankaj Ghemawat"

E fica o convite para você também! Gostou das ideias e textos dele? Então dê uma força: entre neste link e vote! Esse incentivo é importante para que ele continue nos inspirando e nos mostrando o mundo sob novos ângulos. (:

Brincadeiras que formam adultos

0 20 novembro 2012 | 19:42

“As maiores aquisições de uma criança são conquistadas por meio do brinquedo; no futuro, elas se tornarão seu nível básico de ação real e moralidade.”

Essa frase é de autoria do psicólogo Lev Vygotsky, um dos primeiros pensadores a esclarecer que o jogo na infância não é só pura diversão, mas também o grande responsável por guiar o nosso desenvolvimento intelectual e social. Não é coincidência, portanto, que o lazer infantil seja considerado um dos princípios básicos da Declaração Universal dos Direitos da Criança – documento publicado há exatos 53 anos.

Por meio do jogo, aprendemos a interagir com os outros, fazer amizades, desenvolver um senso da nossa própria personalidade e até mesmo a mentir. “Ao brincar, a criança assume papéis e aceita as regras próprias da brincadeira, executando, imaginariamente, tarefas para as quais ainda não está apta ou não sente como agradáveis na realidade”, defendia Vygotsky.

É de 1932 o primeiro estudo a analisar os diferentes estágios da brincadeira entre os pequenos. Organizada pela socióloga Mildred Parten, a pesquisa acompanhou crianças com idades entre 2 e 5 anos e classificou em seis os tipos de jogo infantil. Será que você se lembra de ter passado por todos eles? Confere só:

1. Brincadeira desocupada – A criança permanece quieta e imóvel, apenas observando o ambiente. Vez ou outra, movimenta-se de forma aleatória.


Quieta e imóvel, mas sonhando com mil aventuras! [Imagem de Dalla]

2. Brincadeira solitária – A criança fica imersa em sua própria imaginação, sem notar os demais a sua volta.


Como era bom quando a gente se entretinha com tão pouco, né? [Imagem de Vividplus]

3. Brincadeira observadora – A criança se interessa pelo jogo das outras, mas ainda não interage. Sua atividade principal é observar.


Só de olho! [Imagem de Dalla]

4. Brincadeira paralela – A criança imita o jogo da outra, brincando ao seu lado, mas sua atividade continua sendo essencialmente individual.


Minha foto vai ficar mais bonita que a sua, na-na-na-na! [Imagem de Mikeasarus]

5. Brincadeira associativa – A criança tem mais interesse nos amiguinhos do que no próprio jogo em si. É nesse estágio que começamos a construir nossos primeiros laços sociais.


Melhores amigas para sempre, promete? [Imagem de Starush]

6. Brincadeira cooperativa – A criança passa a brincar em grupo, tendo um objetivo em comum com os seus coleguinhas (geralmente determinado por alguém de fora, como um professor).


Um objetivo em comum: fazer muita baderna! [Imagem de mngl]

E aí: você consegue identificar como esses diferentes estágios podem ter colaborado para a formação da sua personalidade? :-]

Ficou curioso para saber mais sobre o jogo na infância? A obra Brincar, de Avril Brock, Sylvia Dodds, Pam Jarvis e Yinka Olusoga, publicada pela Penso Editora, reflete sobre o valor da brincadeira e suas perspectivas sociais, culturais e de gênero. Vale a pena a leitura! ;-]

Inspiração #42: Xadrez fotográfico

0 19 novembro 2012 | 13:41

Os amantes da fotografia sabem o quão ferrenha é a disputa entre as marcas Canon e Nikon. Os argumentos são inúmeros e nunca se chega a um verdadeiro consenso – já que ambas são ótimas e têm aperfeiçoamentos em diferentes áreas.

Para tratar desse impasse de maneira divertida, a companhia LensRentals lançou uma inovação aos que acreditam que as lentes fotográficas podem ter outras funções – como, no caso, se tornarem peças em um tabuleiro de xadrez!

Chega de discussões intermináveis. Para dar fim à competição, as peças do jogo de xadrez se transformam em lentes e disputam a vitória na prática: os reis são lentes 70-200 70-200 f/2.8, 600mm f / 4, as rainhas, 500mm f4, os bispos, 400 mm, entre outros. A cor preta representa a Nikon e a branca a Canon. ;)

Agora sim é hora de ver qual a marca tem condições de dar um verdadeiro xeque-mate na questão! O chamado “jogo das lentes mais potentes do mundo” é disputado em um tabuleiro personalizado em vinil, como mostram as fotos ao longo do post.

Ainda não ficou impressionado? Então segura esta: o valor do jogo é mais de 150 mil dólares. (!)

Se apaixonou? Então começa já a guardar aquela grana e investe no seu lazer – que pode convergir fotografia e xadrez! o/

Quer aprimorar suas técnicas e fazer a sua marca preferida ser a grande vencedora? Temos um livro que pode ajudar: “Como vencer no Xadrez Rapidamente” ensina práticas e aponta erros evitáveis para você obter sucesso nas partidas! E, além desta obra, temos um catálogo completo abordando o tema das mais diferentes formas possíveis!

Aproveite! o/

Leia & Assista: A matemática na sala de cinema

0 16 novembro 2012 | 18:18

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Toda sexta-feira, publicamos uma dica de cinema e outra de leitura para você aproveitar o final de semana.

Responda rápido: qual é a fórmula de Báskara? E a solução para o Teorema de Pitágoras? Se você tem calafrios quando lembra essas expressões matemáticas da época da escola, não está sozinho. Segundo os autores Katia Smole e Cristiano Alberto Muniz, essa é a situação de grande parte dos estudantes – e de quem já deixou a escola há um bom tempo – do país: “O Brasil deixa muito a desejar na aprendizagem matemática na escola. Tal fato é constatado nos resultados das avaliações sistêmicas nacionais e internacionais, nas quais aparecemos como um dos países com graves problemas na aprendizagem e no ensino deste campo do conhecimento.

Mesmo que você tenha sofrido com logaritmos, funções exponenciais e matrizes no Ensino Médio (e quem sabe ainda mais na faculdade, se teve de passar pela cadeira de Cálculo!), não há motivo para desprezar a matemática. A matéria pode, sim, ser divertida e inspiradora. No Leia & Assista desta semana, indicamos três filmes e um livro para você curtir a disciplina da melhor forma possível: no conforto do sofá e com um balde de pipoca. (Ah, claro: e sem ter que fazer contas!)

Dica #1: Gênio Indomável

Com 20 e poucos anos, Will Hunting está perdido na vida. Trabalha como operário de construção durante o dia e como faxineiro em uma faculdade à noite. Depois de agredir um policial, é forçado a frequentar um terapeuta para evitar a prisão. Ao longo das sessões, Will acaba aceitando sua verdadeira vocação: a matemática.

Dica #2: Uma Mente Brilhante

Nesta cinebiografia, Russel Crowe interpreta John Nash, matemático ganhador do prêmio Nobel em Economia. Diagnosticado com esquizofrenia no final da década de 50, Nash convive até hoje com a doença.

Dica #3: O Homem que Mudou o Jogo

É possível selecionar um time de beisebol vencedor apenas com base em estatísticas? O técnico Billy Beane e seu assistente Peter Brand apostam que sim; e estão dispostos a arriscar a World Series para comprovar sua teoria.

Para acompanhar estes filmes, nossa dica de leitura é o lançamento A Matemática em Sala de Aula: Reflexões e Propostas para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, publicado pela Penso Editora. Com textos escritos por profissionais de renome do país, a obra é uma fonte de reflexão prática para o professor que trabalha todos os dias com o ensino da disciplina.

Com estas dicas até dá vontade de sair fazendo contas, né? ;-]

Correndo para viver bem

5 14 novembro 2012 | 16:08

Por Arysinha Affonso*

Tem gente que resolve a vida enquanto corre; eu não penso em nada, só no pace em que preciso fechar o próximo quilômetro.

Essa era a conversa do colega que encontrei por acaso na pista em que costumo treinar semanalmente. Ele é (ou era, faz tempo que não falamos) um daqueles malucos capazes de fazer em dupla a Volta à Ilha. Para quem não sabe, essa é uma prova de revezamento bastante popular cujo trajeto é uma volta completa na ilha de Santa Catarina (capital Florianópolis). Maluco aqui é um adjetivo que carrega uma pontinha, bem pequenininha mesmo, de inveja (do tipo, como é que esse cara consegue?). Enfim...

Eu me classifico como uma corredora em fase ascendente. Comecei há três anos e corri três meias-maratonas, melhorando significativamente o meu tempo. No grupo do qual faço parte, tenho alguns modelos de inspiração. Mulheres da minha faixa etária capazes de treinar por muitos quilômetros no maior papo, o tempo todo, aparentemente sem qualquer esforço. Já eu não sou de falar muito; menos ainda nessas horas. Não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo: correr e falar. Em lugar disso, eu gosto mesmo é de pensar.

Arysinha Affonso no Mountain Do
Suando a camisa – e pensando na vida – na corrida Mountain Do, em Canela, Rio Grande do Sul.

Ouvi recentemente de uma colega de corrida, uma brasileira que vive na Alemanha há sete anos, sobre as dificuldades de adaptação a um país estrangeiro, longe da família e tudo aquilo que a gente sabe: A corrida salvou a minha vida.

Arysinha Affonso em um evento
Arysinha aproveitou a ida à Feira de Frankfurt, maior evento livreiro do mundo, para participar de uma corrida em Colônia, na Alemanha.

Pois eu também me sinto assim. Não vivo em um país estrangeiro, mas a corrida me salva semanalmente das dificuldades do dia a dia. Quando estou me enrolando para decidir algo, saio para correr. O que resolver aquela tradução que não está boa? Vou dar uma corridinha. Como conseguir que aquele fornecedor cumpra o prazo? Vou pensar até a (avenida) Beira-Rio. Bah, e aquele livrão que precisa ser feito em seis meses? O longão de domingo vai clarear minhas ideias. Vou conversar sobre um possível aumento de salário... Bom, antes de encarar esse assunto vou correr uma maratona inteira!

*Arysinha Affonso é gerente editorial da área de Ciências Exatas, Sociais e Aplicadas do Grupo A.

Se você, como a Arysinha, curte correr para desopilar, o livro Fórmula de Corrida de Daniels, de Jack Daniels, traz um treinamento que pode ser customizado para o seu nível de aptidão física. Fica a dica de leitura! ;-]

Como estimular sua memória?

0 13 novembro 2012 | 13:39

Sabe aquelas situações constrangedoras em que você esquece onde guardou alguma coisa, o nome do seu amigo ou até mesmo onde estacionou o carro? Por mais que todo mundo saiba que esses lapsos de memória são comuns, às vezes bate aquela frustração e medo de se repetirem constantemente, né?

Muitas doenças ligadas à memória estão sendo pesquisadas e descobertas – o que acaba facilitando o diagnóstico e as formas de prevenção.

Quer saber como se pode conservar a capacidade de lembranças com atos simples? Há 6 dicas práticas e fáceis que podem ajudar, olha só:

1. Devore livros

“Ler supera qualquer outro exercício intelectual para a memória”, afirma o famoso neurocientista Ivan Izquierdo. Em seu livro Memória, publicado pela Artmed, ele explica detalhadamente que o cérebro é levado a fazer um enorme e rápido scanning cada vez que uma letra é lida. Além de prazerosa, a leitura também é boa pra saúde! ;-]

2. Desafie o cérebro

Nada de comodismos intelectuais. A ambição pelo aprendizado pode ajudá-lo não só culturalmente, mas também na preservação da memória. Estude um idioma, instrumento musical, técnica artística... Tudo isso amplia a reserva funcional do cérebro e é essencial para estimular os neurônios! Porém, não basta só aprender a função – o grande lance é praticá-la sistematicamente.


3. Coma vegetais

Acredite se quiser: a alimentação faz toda diferença. Se seu cardápio for farto em vegetais – especialmente cenoura, pimentão e aipo –, você está no caminho certo! Cientistas da Universidade de Illinois, nos EUA, concluíram que a luteolina, elemento presente nessas comidas, melhora a saúde cognitiva e ajuda a evitar a produção de substâncias inflamatórias no cérebro.


Foto via.

4. Seja mãe

A maternidade já é uma delícia de ser celebrada – e agora você tem mais um bom motivo para isso. Segundo uma pesquisa da Carlos Albizu University, em Miami, as mulheres, apesar de mais cansadas, se lembram mais das coisas quando se tornam mamães! O estudo foi feito a partir da comparação da memória de um grupo com filhos pequenos e outro sem crianças. O resultado foi esmagador. Ocorre que, embora possa ficar comprometido durante a gestação, o cérebro tem uma capacidade ótima de reorganização após o parto, estimulando ainda mais a memória.


5. Cuide do seu sono

Bons hábitos, como dormir bem, ajudam horrores a preservar as funções cerebrais. Passar noites em claro pode ser super gostoso – mas, a longo prazo, se torna super danoso. Uma pesquisa da Universidade de Washington, em St Louis, nos EUA, mostrou que não só a quantidade, mas a qualidade do sono pode afetar diretamente na memória!


Via brookeshaden.

6. Maneire no álcool

Óbvio que fazer festa e tomar aquele traguinho clássico de vez em quando faz parte da vida, mas não dá pra abusar, viu? Um estudo espanhol testou universitários de dois grupos, um de bebedores e outro de abstêmios. Os primeiros apresentam clara redução na capacidade de aprender novas informações transmitidas verbalmente e os segundos se comportaram normalmente.

Está disposto a incluir essas coisas na sua rotina e colaborar para a sanidade da sua memória? :)

E para quem quer ir mais a fundo, começar a fazer exercícios visando aumentar a capacidade de lembranças e, consequentemente, facilitar o aprendizado, temos o livro Memória, escrito por Marilee Sprenger, que dá dicas ótimas!

Inspiração #41: Esculpindo arte

1 12 novembro 2012 | 15:22

A arte urbana está ilustrando cada vez mais muros e colorindo o cotidiano cinza das pessoas que transitam pelas cidades. Diante deste contexto, alguns (poucos) artistas têm se destacado pela maneira inovadora e atemporal com que conseguem construir suas obras urbanas – e um maravilhoso exemplo disso é Alexandre Farto (aka Vhils).

'Camadas' é a palavra chave para o trabalho de Vhils, que não se limita ao graffiti e nem aos tradicionais lambe-lambes. Até há cartazes e surperfícies metálicas que participam da composição de suas criações, mas são apenas detalhes. Quebrando, raspando e perfurando - com um método incomum e ferramentas dignas de um canteiro de obras -, o artista conseguiu se destacar executando seu trabalho de forma inustiada: esculpindo paredes que necessitam de reforma e manutenção, transformando-as em verdadeiras obras de arte!

Sua arte ocupa fachadas inteiras e é composta por retratos impressionantemente explosivos e realistas, e isso pode ser percebido nas fotos de suas intervenções urbanas que estão presentes aqui nesse post. ;-]

Mas qual o conceito central da sua obra? A convergência da criação e da destruição, que, pra ele, não são conceitos antagônicos, mas sim complementares. Suas imagens não seriam criadas se não houvesse muita destruição - que acabou se transformando, realmente, em construção! Apesar de ser natural de Lisboa, o português tem trabalhos expostos pelo mundo todo: Londres, Moscou, Bogotá, Nova York, Medellín e Los Angeles.

Gostou? Pode conferir um pouquinho mais do trabalho no site oficial do Alexandre Farto.

E, pra quem se interessa pelo assunto, temos uma indicação de leitura: o livro Desenhos Urbanos, publicado pela Bookman Editora, que apresenta um panorama geral sobre a arte das ruas, uma breve história sobre a prática e a importância dos materiais e detalhes das obras! Vale a pena ;]

Sobre namoridos, Brangelina e afins

3 8 novembro 2012 | 17:02

Por Cristina Ustárroz*

Uma de minhas alunas sempre torce o nariz quando eventualmente, para fins de conversação em sala de aula, menciono o marido dela. “Ele não é meu marido. Não somos casados!”, insiste. “Mas vocês estão juntos há quinhentos anos. Até já compraram apartamento! Se ele não é marido é o quê, então? Namorado?”, especulo. “Claro que não! É namorido!”, explica ela. Pois é! Eu disse uma de minhas alunas? Perdão! Eu quis dizer várias.

Como o nome sugere, namorido é uma espécie de fusão onde juntamos as duas primeiras sílabas de namorado com as duas últimas de marido. Quem cria essas combinações criativas? Eu, você, o Maracanã inteiro. Mas quem não é a pergunta certa. A pergunta certa é por que juntamos partes de palavras para formar palavras novas? Basicamente, para satisfazer nossa conveniência e necessidade de designar uma nova realidade que não se enquadra nas convenções existentes. Mais especificamente quando o que temos não é uma coisa nem outra, nem pau nem pedra, nem cá nem lá, um meio termo entre duas condições previamente estabelecidas. Dependendo do grau de comprometimento em um relacionamento, chamar o cara de marido pode ser um exagero, ao passo que chamá-lo de namorado pode parecer um insulto – ou será o contrário? Enfim, se quisermos evitar constrangimentos e fugir da expressão surrada tico-tico no fubá, namorido é uma solução diplomática.

Sem sombra de dúvida, essa mistura saudável de duas palavras para designar situações novas é mais comum do que você imagina. Quer ver? O que dizemos quando alguém quer comemorar, mas – verdade seja dita – pretende beber muito mais do que comer? Bebemorar! Os brasileiros que se deslocaram para o Paraguai são chamados de quê? Brasiguaios! O café está tão fraco que mais parece chá? Então é chafé! A TV alertou contra ONGs que sugam dinheiro como sanguessuga? Taí: é onguessuga! Como chamamos comício com apresentação de show musical? Showmício! Qual é mesmo o nome daquela linguagem híbrida que mistura palavras do português e do espanhol, tipo Cueca Cuela? Portunhol! Você não sabe o que significa trabalhômetro? Use seu desconfiômetro! Perdeu a receita do quindim e não sabe a quantidade de açúcar? Siga o olhômetro! E cartomante que mente é o quê? Pleonasmo? Brincadeirinha! É cartomente.

Similarmente, esse recurso também é bastante comum no inglês. Começando pela área de marketing, sabe aquele anúncio com cara de reportagem? É um advertorial, da união de partes de advertising e editorial. Junte web e log e você terá weblog. Internet e etiquettenetiquette (regras que regulam o comportamento dos usuários da internet), da mesma forma que internet e citizennetizen (pessoa ativamente envolvida em comunidades online, cidadão da internet). Tem também podcast, de ipod e broadcast (arquivos multimedia criados pelos próprios usuários); webinar, da mistura de web e seminar; emoticon, de emotion e icon; infomercial, de information e commercial; e fanzine, respectivamente de fan e magazine (publicação criada por e para amantes de ficção científica, história em quadrinhos, cinema, etc.).

Ilustração: as restrições do netiquette (fonte: Flickr http://bit.ly/QtV6JY)

Algumas dessas fusões representam nomes comerciais: Wiktionary (wiki + dictionary), por exemplo. Se você procurar na Wikipedia (que, por sinal, vem da mistura de – adivinha! - wiki e encyclopedia), vai encontrar uniões um pouco mais, digamos, extravagantes: custowners é a união de customers + owners (consumidores que são também proprietários de um serviço), tasksumers vem de task + consumers (usuários de iPhones que realizam pequenas tarefas remuneradas por meio do aplicativo Gigwalk), e teenpreneur resulta de teen + entrepreneur (jovens empreendedores). O que ainda não tinha nome, nomeado está!

Já outras possuem ligação direta com tecnologia ou ciência, como em bit (binary + digit), cellophane (cellulose + diaphane), electrocute (electricity + execute), mechatronics (mechanics + electronics) e freeware (free + software). Do mesmo modo que podemos unir a primeira sílaba de uma palavra com a última sílaba de outra, como em motel (motor + hotel), telethon (telephone + marathon),pictionary (picture + dictionary) e breathalyzer (breath + analyzer = bafômetro), também podemos unir somente as primeiras sílabas de duas palavras: intercom (internal + communication), napalm (naphtene + palmitate), modem (modulator + demodulator), pixel (picture + element), cyborg (cybernetic + organism) e sitcom (situation + comedy).

Ou podemos brincar livremente, levando em consideração muito mais a nossa espontaneidade e a naturalidade da língua do que todo esse blá blá blá de “misturar a primeira sílaba daqui com a última sílaba dali” – isto não é receita de bolo, diga-se de passagem! O que você acha de glitz (glamour + ritz) e frankenfood (Frankenstein + food = comida geneticamente modificada)? Qual você prefere: appletini (apple + martini) ou mocktail (mock + cocktail = coquetel sem bebida alcoólica)? E que tal ir a um beervana (beer + nirvana = qualquer lugar que tenha boa cerveja)?

Se você está sem tempo para tomar café da manhã em casa, pode fazer um deskfast (desk + breakfast) no escritório. Ou programar um brunch (breakfast + lunch) para o fim de semana. Prefere somar Texan + Mexicane ir a um Tex-Mex restaurant? Mas se você está sem grana para viajar nas próximas férias, comece a pensar seriamente em uma staycation (stay + vacation).

Ainda, a noiva teve um ataque de fúria? Virou bridezilla (bride + godzilla). A mãe dela também? Rápido, afaste-se da momzilla! E lugares: você já esteve em Tribeca (Triangle Below Canal Street) e SoHo (South of Houston Street)? Alguma vez atravessou o English Chunnel (channel + tunnel)? E o que dizer de Californication? Sei não! Melhor não dizer nada.

Foto: O clima gostoso da South Of Houston Street (Fonte: http://bit.ly/SIngx1)

Quer mais? Vejamos: marionette e puppet muppet – lembra deles? Agriculture e businessagribusiness. Sabe aquela combinação de poluição e neblina chamada smog? Vem de smoke e fog. Chairobics é a fusão de chair e aerobics (a aeróbica dos cadeirantes). Suburbia é o resultado de suburb + utopia, e Governator é a combinação de Arnold e Schwarzenegger, digo, governor e terminator. Ao se referir a modelos econômicos – economics, hello! - da época de alguns presidentes americanos, diga Obamanomics, Clintonomics, Bushonomics, Reaganomics, e por aí vai.

Arnold Schwarzenegger no melhor estilo governator, haha! (Fonte: http://bit.ly/RMSsMo)

Ninguém pode decidir se uma nova palavra veio para ficar. A necessidade vai falar mais alto. E o contexto! Sempre o contexto! Veja o caso do super casal Brad Pitt e Angelina Jolie. Enquanto eles estiverem juntos, justifica-se a fusão de seus nomes: Brangelina, ou, vá lá, Bradgelina. O mesmo vale para Justin Bieber e Selena Gomez: viraram Jelena. Quando eles não forem mais um casal, é provável que esses nomes também desapareçam, exatamente como aconteceu com Bennifer, da união passageira de Ben Affleck e Jennifer Lopez. Você acha tudo isso uma grande bobagem, uma verdadeira nonversation (non + conversation = conversa sem sentido)? Pode ser! Mas se você cruzar na rua com um cachorro de uma raça esquisitona, assim meio labrador e meio poodle, pode ter certeza: trata-se de um autêntico labradoodle.

Foto/Divulgação: Brangelina, um dos casais mais famosos do cinema americano

Notas altamente esclarecedoras:
• Em linguística, a mistura de duas palavras com o objetivo de formar uma nova recebe o nome de amálgama.
• Brasiguaios são os brasileiros e seus descendentes estabelecidos na República do Paraguai, na época da construção da Hidroelétrica de Itaipú.
• Pleonasmo é uma figura de linguagem que consiste no emprego de expressões redundantes: subir para cima, entrar para dentro, adiar para depois...
Wiki, do idioma havaiano, significa rápido, ligeiro, veloz.
Tribeca: bairro no centro de Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos.
Soho também é um bairro de Manhattan – além de uma referência ao bairro Londrino de mesmo nome.
English Chunnel: Eurotúnel (que liga Grã-Bretanha e França, sob o Canal da Mancha).
Californication (California + fornication) é uma música do grupo californiano Red Hot Chili Peppers.
• Por seu papel no filme Terminator, o ator Arnold Schwazernegger, ao se eleger governador da Califórnia em 2003, ganhou o apelido de Governator.

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA.

Inspiração #40: Estantes que revelam personalidades

3 6 novembro 2012 | 11:44

Uma estante não serve apenas para guardar livros. Ela é também um depositório de lembranças; um amontoado de objetos que revelam muito sobre a nossa história. Aquele bonequinho que você trouxe como souvenir de uma inesquecível viagem. Uma caneca engraçada que mostra o quanto você sofre para acordar pela manhã. Uma coleção de lápis coloridos, porque sua paixão é desenhar. Uma foto sua, sorrindo, ao lado do seu grande amor.

São os pequenos detalhes que nos entregam. E são eles que dão toda a graça a nossa seleção de obras. Na inspiração desta semana, reunimos cinco estantes inusitadas que dizem muito sobre a personalidade dos seus donos:

O leitor organizado - ou seria obsessivo-compulsivo?

O leitor sem medo do perigo (imagina se cai uma chuvarada!)

O leitor cardiologista.

O leitor cheio de ideias, mas confuso.

O leitor criativo.

Curtiu? Lá no nosso Pinterest criamos um painel só para reunir estantes legais; confira aqui.

Estantes são o tema do nosso concurso cultural para comemorar o mês do designer. Quer concorrer a dez livros de design? Então corre lá no Desafio da Estante Bookman.

Olhar 43, 44, 45...

2 31 outubro 2012 | 10:22

A cena é clássica: você está pronto(a) para sair de casa, quando sua mãe (ou esposa) faz o lembrete:

 - Leva um casaquinho!

Parece exagero, afinal está ensolarado lá fora. Mas enquanto ela te observa, atenta, você começa a sentir frio antes mesmo de pôr os pés para fora e decide que levar uma blusa a mais na mochila não pode fazer mal, não é mesmo?

Não adianta negar, a gente sabe que isso já aconteceu com você em alguma situação! Ah, e antes que você reclame: não, não foi mal olhado de quem fez a sugestão. A ciência pode explicar a sua atitude: pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, constataram que se as pessoas se sentem vigiadas por olhos inquisidores, elas tendem a se comportar di-rei-ti-nho, como manda o figurino!

Sorria, você está sendo filmado! Imagem: Banksy

O teste foi feito na lanchonete de uma Universidade: em dias diferentes, foram afixados cartazes que pediam que os clientes jogassem o próprio lixo fora antes de deixarem o recinto. No primeiro dia, os dizeres eram acompanhados de um par de olhos de expressão pouco amigável, enquanto no segundo o cartaz continha apenas flores. 

E aí, você jogaria o seu lixo fora se estivesse sendo vigiado por estes olhos? Imagem: Hannibal Lecter

Como era de se esperar, na data em que os olhos estavam no cartaz, o número de pessoas que colaboraram com o pedido dobrou! Também foi constatado que o efeito era ainda maior quando a cafeteria estava com poucas pessoas.

E com todo esse potencial de manipulação implícito, não é de se espantar que pessoas abusem do olhar para tentar influenciar os outros – para o bem ou para o mal. Não entendeu? Bom, nossa dica de leitura da vez é o livro Sem Consciência, da Artmed Editora, que aborda justamente a capacidade que os psicopatas têm de impressionar e manipular as vítimas através do contato visual, entre outros artifícios. E aí, vai encarar?

Sobre o BlogA

Será que de médico, artista e louco todo mundo tem mesmo um pouco? Aqui no BlogA você vai encontrar de medicina a design, de filosofia a psicologia, de ilustração a poesia; pinceladas divertidas de todas as áreas de publicação do Grupo A. Quer nos enviar dicas ou sugestões? Escreva para bloga@grupoa.com.br ou fale direto com a Elisa Viali em eviali@grupoa.com.br.

Eventos do Grupo A

<maio de 2013>
domsegterquaquisexsáb
2829301234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930311
2345678