A culpa é de ninguém

1 13 junho 2014 | 12:15

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

O câncer é, para o dias atuais, o que a Aids era nos anos 90: uma doença difícil de entender. Uma enfermidade sem preconceito, que afeta ricos e pobres, velhos ou jovens, homens ou mulheres. A Culpa é das Estrelas, filme que está em cartaz arrastando multidões para os cinemas, fazendo até a atriz protagonista chorar em uma sessão especial para o elenco, retrata um pouco dessa realidade que alguns de nós conhecem de perto, mas que outros apenas imaginam. Perder uma perna? Os olhos? A capacidade de respirar? São consequências de cânceres que nem sabíamos que existem, mas que os personagens adolescentes dessa narrativa baseada na história de Esther precisam encarar todos os dias. Dores que precisam ser sentidas, como diz uma citação do livro preferido de Hazel.


Augustus e Hazel, o casal adolescente que encara desafios de adultos
[FONTE: Divulgação]

Enquanto a cura do câncer não for descoberta, ele seguirá como uma sombra sobrevoando a vida das pessoas. Ao contar a história de adolescentes acometidos pela doença, A Culpa é das Estrelas ensina que o conhecimento é uma dádiva, mesmo quando se trata de informações sobre o câncer e de dois jovens que lidam com a proximidade da morte desde cedo. Entendendo o Câncer é um desses livros que prestam esse serviço para aqueles que enfrentam a doença direta ou indiretamente. A obra desvenda a forma como os diversos tipos de tumores se apresentam e os fatores que os desencadeiam. Mas, ainda que o câncer esteja muito presente no filme, não é só sobre isso que ele trata.

A Culpa é das Estrelas é também um filme sobre amor, especialmente o juvenil. Hazel, vivida por  Shailene Woodley, e Augustus, por Ansel Elgort, se apaixonam como num conto de fadas, vencendo obstáculos, alguns colocados no caminho por eles próprios. Até um escritor, Peter Van Houten, interpretado brilhantemente por Willian Dafoe, aparece para atrapalhar os planos do casal, que vive cada dia de uma vez e que, apesar dos pesares, consegue até se aventurar por aí.


Mesmo jovens com câncer tem direito de ser jovens e se divertir como tais
[FONTE: Divulgação]

Apesar de ser um tanto adolescente, o longa de Josh Boone, cujo roteiro teve grande ajuda do autor do livro que deu origem ao filme, John Green, é para todas as idades. Trata de temas difíceis, como o câncer e a inevitabilidade da morte, de dor, mas também de amor e, mais do que isso, como pessoas, ou uma pessoa apenas, pode mudar a vida da outra. Seja a do seu primeiro amor, da sua mãe ou do seu pai, ou de muita gente que vai ver o filme e sair de lá mais inspirada para seguir a vida mais feliz do que quando entrou no cinema. Afinal, essa também é uma das funções da sétima arte, certo? E se você, caro leitor, se sentir assim, compartilhe conosco. Sempre e, como diriam Hazel e Augustus: Ok? ;)

Quando Out é In

0 11 junho 2014 | 11:09

*Por Cristina Ustárroz

Juro que não queria escrever sobre a Copa. Mas acabei me rendendo ao nervosismo que se agiganta minuto a minuto e decidi entrar de sola no assunto. A esta altura do campeonato, escrever sobre o quê? Alguns meses atrás, torcer pela nossa seleção era out. Hoje é in. E criticar o país era in. Hoje é out! Muito out!



Devo avisar, no entanto, que sou do tipo de torcedora que tem medo de todos os times. Ninguém é bola murcha em copa do mundo. Quando menos se espera, os mortos ressucitam e passam a bater um bolão. E, que fique registrado, minhas únicas convicções sobre esse evento são: primeira, o de preto é o juiz; segunda, os uniformes dos times são muito in.

Você sabe o que mais é in? Out é in. Não a preposição out. O prefixo out-. Ele é in porque, acrescentado a verbos, significa exceder, superar, vencer. Quer ver? Espero que nossos jogadores corram mais do que os outros. Não só isso: espero que deixem os outros para trás. Correr mais? Você já conhece to run. Acrescente out- e diga to outrun. E que a nossa torcida grite mais alto do que a dos outros. Gritar mais alto? To shout! Acrescente out- novamente e grite: to outshout! Não é in esse out?



Espero que o Brasil jogue melhor do que as outras seleções. Jogar melhor? To outplay. Como em time que está ganhando não se mexe, as jogadas da nossa seleção irão exceder as jogadas dos outros times. Exceder? To outdo. E nossos jogadores irão lutar mais e melhor. Lutar mais e melhor? To outfight. Viu que fácil?

Espero que nosso meio-campo pense mais estrategicamente do que o meio-campo alheio. Pensar mais estrategicamente? To outthink. E que nossos atacantes façam mais gols do que os outros. Superar em número de gols ou pontos? To outscore! E que nosso goleiro supere o goleiro adversário em bravura. Superar em bravura? To outbrave. É bola rolando!



Espero que não sejamos nós a tirar o time de campo. E que a gestão do Felipão seja melhor do que a gestão dos técnicos do outros times. Lembra de coach? Pois diga to outcoach. E que nossos jogadores cerquem os jogadores adversários. Cercar? Levar vantagem? To outflank. E que possamos superar o rival. Eu disse superar? Perdão, eu quis dizer superar e ofuscar. To outrival and to outshine. Se depender de mim, não tem pra mais ninguém!

E se algum jogador do time adversário for expulso, nosso oponente ficará em desvantagem, pois seremos mais numerosos. Acertou: to outnumber. E que possamos eliminar os adversários um a um. To outmatch. E que, quando finalmente tivermos vencido a todos na competição – to outcompete - possamos cantar nosso hino mais alto. To outsing. Eu disse cantar? Perdão eu quis dizer rugir mesmo. Esbravejar! E bem alto: to outroar!

Como você pode ver, não quero pouco: espero que a nossa apresentação em campo seja melhor e mais bonita do que a dos outros. Adivinhou? To outperform. Espero também que nossos jogadores virem verbos. Tipo to outhulk e to outfred – é o Hulk e o Fred se superando!




Juro que não queria escrever sobre a copa. Mas mesmo com tanta indignação e tão pouco brasileiro falando inglês só nos resta valorizar o espírito esportivo e mostrar o que temos de melhor, dentro e fora de campo. In é vestir a camisa! In é torcer! Com emoção! In é sairmos desta peleja mais espertos. Sabe o que é out? Out é esquecer. De como o país estava antes da copa, por exemplo. Isso, sim, é out. Muito out!

Notas altamente esclarecedoras

  • O prefixo out- significa superar ou exceder e pode ser acrescentado a verbos como mostrei no texto acima, inclusive a nomes próprios, para um efeito mais personalizado e ainda mais, digamos, superlativo. Infelizmente, esse efeito não pode ser obtido através de qualquer nome próprio – to outdavidluiz não daria muito certo porque esse nome é muito longo. Por isso, escolhi o Hulk para ilustrar a situação. To outhulk ficou show de bola!

  • Realmente espero que depois da copa sejamos mais espertos do que antes dela: to outsmart ourselves. Aqui vão outros exemplos: to outvote (vencer alguém em número de votos), to outspend (exceder alguém em gastos), to outsell (exceder alguém/algo em vendas).

    Curiosidade
    : você sabe por que os americanos não possuem tradição no futebol? Seja por não saberem pronunciar nomes estrangeiros escritos com til, trema, ou cedilha, o fato é que os americanos preferem esportes com escores altos.  Eles acham que não vale a pena assistir, por 90 minutos, a um jogo que pode inclusive terminar em 0 x 0. Mas o futebol está caindo no gosto dos americanos. Um dia, quem sabe, eles ressucitam!

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA.

Categorias: Teacher Explica

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Macacos, chips e cérebro novo

0 10 junho 2014 | 14:07

Imagine o seguinte cenário: macacos guiados por chip implantados em seus cérebros se tornam super inteligentes e são capazes de realizar certas tarefas cognitivas tão bem quanto humanos. Parece roteiro de ficção científica, daquelas bem apocalípticas, mas é uma história real. Um experimento realizado na Universidade de Wake Forest com nossos estimados parentes distantes resultou na criação de um implante que, basicamente, controla os pensamentos, melhorando a tomada de decisões e memória. E sabem o que é mais incrível? Isso mesmo, amigos, se a pesquisa continuar a se desenvolver, em breve, nós poderemos ter dispositivos dentro de nossa cabeça nos dizendo o que fazer. Assustador? 


Falando assim, até parece coisa de cientista maluco de filme B, mas é pura e moderna ciência!
[FONTE: The Guardian]

Nem tanto! Brincadeiras à parte, esse experimento é um grande passo para, futuramente, melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças mentais e demência. Pois, caso a experiência venha a ser bem sucedida também em humanos, pessoas que têm alguma limitação cerebral ou que tiveram um derrame, por exemplo, podem se beneficiar do chip, que irá criar novas conexões neurais, substituindo a área danificada do cérebro. E essa é uma tremenda evolução para a área dos transtornos mentais, cuja identificação e tratamento é foco do livro Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, um clássico e indispensável livro-texto para os futuros profissionais desse campo. Outra preciosa dica de leitura para a área da saúde mental e da psiquiatria é o DSM - IV - TR - Casos Clínicos, no qual profissionais relatam seus casos e analisam seus tratamentos, auxiliando o leitor no diagnóstico e no acompanhamento de doenças mentais. Afinal, enquanto não temos tecnologias avançadas como esse implante à disposição, são essas pessoas que podem, hoje, melhorar muito a vida de quem tem alguma limitação. ;) 

 

Será que o pesadelo de algumas pessoas vai se tornar realidade e andaremos por aí com chips no cérebro?
[FONTE: Science Kids]

Voltando aos heroicos macacos da pesquisa: eles foram treinados durante dois anos para reconhecer a imagem de um rosto ou objeto, previamente apresentado, dentre um conjunto de outros tantos. Quando eles estavam tinindo na execução da prova, com uma média de 75% de acerto, o estudo começou. Cientistas, então, por meio de eletrodos afixados no córtex pré-frontal (área associada a memória, pensamento, atenção e linguagem), capturaram os padrões neurais enquanto os macaquinhos eram bem sucedidos em suas tarefas. Com o implante já colocado e em ação, esse mesmo padrão foi acionado e reforçado dentro do cérebro dos primatas em novas tentativas da mesma tarefa, e os resultados melhoraram em cerca de 10%. Mas o experimento não parou por aí.


Acreditamos firmemente que esse belo espécime dispensa o chip da inteligência. 
[FONTE: Hir Ma]

Para ver se essa história de chip era quente mesmo, os pesquisadores doparam os animais – em nome da ciência, hein? Não faça isso em casa. Em condições muito desfavoráveis ao raciocínio e sem o implante, nossos amigos tiveram uma queda de 20% no rendimento. Mas agora vem a parte mais interessante: com o chip em funcionamento e mesmo com sua capacidade de tomar decisões alterada pela droga, os macacos obtiveram resultados similares aos da versão sóbria da experiência. Ou seja, mesmo temporariamente debilitado, o cérebro funcionou da mesma forma que se estivesse alerta. E é por isso que os responsáveis pelo experimento têm a esperança de um dia poder utilizar o chip da inteligência para contornar perdas neurais. E não é só isso! Eles acreditam que mesmo humanos saudáveis poderão utilizar o implante para melhorar a inteligência. E aí? Quem se habilita?

Restaurantes em cenários espetaculares

1 9 junho 2014 | 15:07

Vem se aproximando o Dia dos Namorados, e um dos programas favoritos dos apaixonados é fugir da dieta e aproveitar sem culpa uma receita bem calórica, sobremesa com chocolate e bebidas alcoólicas. Mas lembre-se de que no dia 13 de junho a vida volta ao normal, e sua alimentação tem que voltar pros trilhos. Se precisar de uma ajudinha, a gente recomenda o livro Nutrição, que traz as últimas descobertas na área como conhecimentos científicos gerais. E, se na próxima quinta-feira, for impossível fugir do jantar romântico com menu completo, que tal procurar um restaurante incrível num lugar inusitado? Talvez vocês não possam viajar para um destes, mas sempre se pode sonhar ou achar inspiração ;)

Havia uma pedra no meio do caminho


O restaurante não poderia ter outro nome: o The Rock ocupa uma imensa pedra na costa de Zanzibar e surgiu no que costumava ser apenas um ponto de pesca. Hoje, é um dos mais tradicionais restaurantes de frutos do mar do país. Esta dica de local e todas as outras deste post são uma compilação da revista Condé Nast Traveler.

Castelo de gelo


Que tal fazer uma refeição dentro de um edifício de gelo? Essa ideia disparatada de fato atrai muitos turistas a cidade Keni, na Finlândia. O restaurante LumiLinna Snowcastle tem que ser reconstruído todos os anos a partir de moldes de gelo, já que derrete no verão. Não sabemos se o cardápio inclui pratos quentes (como usar o fogão sem derreter a parede?) ou se a casa é adepta do crudivorismo

Sob as águas do mar


Nas Ilhas Maldivas, você tem a chance de jantar mais de 5 metros abaixo do nível do mar no Ithaa Undersea, dentro de uma cúpula de vidro que coloca os clientes no meio da vida aquática. A vista permite a observação de recifes de corais, peixes e até tubarões. Nesse cenário, talvez você se sinta culpado de pedir um prato com frutos do mar debaixo dos olhares de outros animais marinhos. No caso, apostar numa refeição vegetariana pode ser uma boa saída.

Casa na árvore


Quem gosta de se alimentar com adrenalina precisa conhecer o The Dining Pod, restaurante nos altos de uma floresta tailandesa. As cabines nas árvores são feitas de bambu e almofadas substituem as cadeiras. Claro, não se pode ter frescura para comer ao ar livre, pois você pode muito bem acabar com um besouro ou gafanhoto no prato. Mas veja pelo lado bom, há inúmeros benefícios em incluir insetos na dieta!

À beira de um penhasco


O caminho não vai ser fácil. O Aescher está no altos dos alpes suíços, o que lhe proporciona uma das vistas mais incríveis de montanhas nevadas. Mas, para aplacar o frio na barriga que você vai sentir ao comer na encosta de um penhasco, só com muito fondue e outras delícias da culinária suíça

Dentro da estufa


Mais de dez anos atrás, essa linda estrutura de vidro foi salva da demolição para se transformar no restaurante De Kas. Quem faz uma refeição na casa pode pedir pratos mais que frescos, com alimentos recém-colhidos das hortas ao redor da antiga estufa. Alimentação orgânica e saudável em um ambiente relaxante.

Na caverna


O italiano Grotta Palazzese só abre no verão e funciona desde o século 18. Apesar da ambientação, o lugar não tem nada a ver com a dieta paleolítica, inspirada nos homens das cavernas. Ao contrário, a Grotta costumava receber a nobreza local e hoje é um restaurante de altíssimo nível. 

Avião no chão


Usados nos anos 50 como um avião para transporte de combustível, este Boeing hoje recebe até 42 pessoas para refeições tipicamente norte-americanas. Se não gostar do menu, não dá para sair voando, mas temos certeza que vai ser bem melhor que comida de avião

Pendurado no guindaste


Esse já passou pelo Brasil. Os restaurantes pop-up pendurados em guindastes circulam o mundo e permitem a seus visitantes observar a cidade por novos ângulos. É tão moderno quanto a gastronomia molecular, e exige a mesma confiança cega do cliente. Os entendidos dizem que é uma experiência de elevar o espírito!

Como você viu, o mundo da alimentação não tem fim. Por isso o livro Nutrição ajuda o leitor a não se perder em modismos e entender melhor o funcionamento do corpo humano e como ter uma relação saudável com a comida. Você pode estar pendurando num guindaste ou no meio da floresta, o importante mesmo é garantir a saúde, mesmo com escapadelas tradicionais como pede o Dia dos Namorados!

A realidade das orcas em cativeiro

0 6 junho 2014 | 15:03

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Mesmo quem ler a sinopse de Blackfish - Fúria Animal antes de ver o documentário vai se surpreender com a sequência de fatos e casos que bombardeiam o espectador ao longo de uma hora e meia. Em 2010, uma baleia orca integrante das apresentações do parque SeaWorld, da Disney, atacou uma de suas treinadoras, que morreu em decorrência disso. O caso - anunciado como “acidente” pelo parque - repercutiu mundialmente. Mas pouco se falou, à época, de todo o histórico que antecedeu essa tragédia.


Os truques parecem feitos por diversão, mas servem para ganhar comida
[FONTE: Deyala

O filme nos aproxima do macho Tilikum, capturado quando bebê em uma pescaria que matou a maior parte de seu grupo e família. Depois da matança, a orca foi levada às instalações do parque Sealand, em 1983. Ao longo de sua vida, Tilikum foi protagonista de três ataques fatais, embora, no geral, fosse a orca mais obediente dos parques em que se apresentou. O documentário dirigido por Gabriela Cowperthwait segue a orca do Sealand ao SeaWorld e sustenta que o animal só não foi retirado do cativeiro por seu grande valor comercial: Tilikum foi, por muito tempo, o único macho da Disney e se tornou progenitor de uma longa linhagem de orcas.

Entre os diversos entrevistados para o documentário, estão ex-treinadores, ex-gestores dos parques e diversos pesquisadores que estudam a vida marinha. O livro Comportamento Animal aborda muitas das questões levantadas pelos cientistas que deram depoimentos sobre a vida das orcas em cativeiro. Por um viés evolutivo, a obra elabora temas como comunicação e cuidado parental, dois traços que se destacam no perfil das orcas. Dotadas de um sofisticado sistema de comunicação, elas costumam viver em grupos unidos e os filhotes jamais se separam das mães. A não ser,é claro, quando os humanos interferem.


Um dos treinadores entrevistados no documentário, quando ainda exercia a profissão
[FONTE: Two pals with thoughts

Em testemunhos emocionados - e emocionantes, convém ter lencinhos por perto - treinadores relatam o desespero das orcas mães quando seus filhotes são levados a outros parques. Frequentemente privados de comida (por não realizarem os truques corretamente), encarcerados em pequenos aquários e dividindo o espaço com orcas de diferentes linhagens, os animais tendem a entrar em depressão ou adotarem comportamentos violentos. Embora os vídeos promocionais não mostrem, a maioria das orcas de Seaworld estão cobertas de arranhões e mordidas.

Em todo caso, mais do que provocar lágrimas, Blackfish dá nós no estômago. Embora a perspectiva focada nos treinadores e cientistas possa parecer tendenciosa, os processos judiciais e os registros em vídeo dos ataques mostram que não há maneira de não tomar o lado deles. Enquanto uns choram seu arrependimento por terem contribuído com a indústria, os pesquisadores dedicam suas vidas aos estudos por amor a esses incríveis animais. Afinal, em seu habitat natural, livres no oceano, nunca houve um caso sequer de orcas atacando seres humanos. A lição é simples: a mãe natureza é sábia, e mexer com ela costuma trazer mais perigos que benefícios. Se você viu Free Willy quando criança, Blackfish é a versão adulta dos traumas que causamos nos animais quando tentamos submetê-los aos nossos caprichos.


Blackfish é o retrato sombrio do que acontece com animais selvagens em cativeiro
[FONTE: Divulgação]

3 contos para repensar a psicanálise

0 4 junho 2014 | 17:00

De Peter Pan a João e Maria, diversos são os contos que nos marcam durante a infância. Mas, olhando melhor para nós mesmos, podemos entender como se formou o adulto que hoje lembra destas histórias infantis com nostalgia. Essa é a ideia central d‘A Infância Através do Espelho: A Criança no Adulto, a Literatura na Psicanálise’, lançamento da Artmed Editora escrito por Celso Gutfreind. A partir do encontro da literatura com a psicanálise, o livro busca compreender mais profundamente o ser humano, e refletir sobre essa inter-relação.

 

“O destino de uma felicidade não está traçado,

e toda a psicanálise é louca.

O destino de uma arte não está traçado,

e toda poesia é louca.

Há vida, repetição, não há quimera.

Poetas e psicanalistas vivem de cutucar a fera.”

 

 

Então, que tal analisar algumas de suas histórias favoritas? Nós selecionamos alguns pontos curiosos em contos bem conhecidos - é claro, mais bem explicados no livro! Confira:


 #1 Peter Pan - Uma viagem em torno da terra da Psicanálise


 [...] a Terra do Nunca é, sempre, mais ou menos uma ilha, com manchas surpreendentes de cores aqui e ali, com recifes de coral e embarcações cheias de mastros se fazendo ao largo, com selvagens e covis solitários, com gnomos que quase sempre são alfaiates, com cavernas por onde correm rios, com príncipes que têm seis irmãos mais velhos, e uma cabana que está caindo aos pedaços e uma velha muito velha de nariz torto (Barrie, 2006, p. 15).


 

 

 E você se perguntando de onde vêm esse sonho que você procura? Pois a terra do nunca como descrita por Winnicott (1969b), é um esboço do espaço potencial. Um lugar onde “[...] não têm distancias chatas entre uma aventura e outra.” (Barrie, 2006, p.16). Ah, vale ressaltar, que apesar do incrível cenário de possibilidades, Peter Pan conta a história de um menino que não quer crescer (você já se lembrou de alguém não é?), uma mania muito comum na geração z.


 #2 Uma história e muita arte a propósito de João e Maria


 “Os irmãos Grimm escreveram João e Maria muito antes de ontem. Hoje, para as crianças, foi sem segundas intenções. Elas ouvem - ou leem - e vibram de medo, alívio, esperança. Ou com qualquer outro sentimento ainda não catalogado; afinal, toda criança está repleta de transmissões, mas também inaugura um novo mundo a que chega ávida para escrever e ler. Simplesmente, sem rodeios. Os contos sabem disso desde a noite dos tempos. (Celso Gutfreind).”


 

 

 De acordo com ‘A psicanálise dos contos de fadas’ de Bruno Bettelheim (1976) cada criança se apropria de cada conto conforme as suas necessidades. Em João e Maria, os pequenos aprendem uma grande lição: brincar com os símbolos é menos grave do que agir na realidade. Pensando nisso, perceba quanta gente reclama de determinadas coisas, e quantas de fato, agem.


 #3 Precisamos falar dos fantasmas


 “A história aborda o mal, mas o abre. Eva pode ser responsabilizada pela psicopatia de seu filho e os assassinatos em massa que comete? São justas as reprimendas dos vizinhos e colegas de trabalho? Como guardar, dentro de si mesmo, o mal que lá havia, e que o outro apenas deflagrou? O outro apenas deflagrou? A gente nasce psicopata ou vem da educação? Dos maus-tratos? A educação estava errada? Houve maus tratos? (Celso Gutfreind).”


 

 

Precisamos falar sobre o Kevin, filme dirigido por Lynne Ramsey, é uma adaptação do best-seller homônimo, de Lionel Shriver e propõe a discussão. Sem medo, levanta questões e constrói metáforas, com disfarce e inteligência. Mas, é uma narrativa comumente considerada mais dura do que a realidade da maioria. Afinal, normalmente estamos disponíveis a novas chances, a novos encontros, é da vida. A morte é afastada, tem seu espaço delimitado. Por isso carecemos discutir os fantasmas. Literatura e psicanálise sabem disso, como percebemos n‘A Infância Através do Espelho.

 


Mentira que não dói nem dura

0 3 junho 2014 | 14:12

Que atire a primeira pedra quem nunca apelou para uma mentirinha na vida a fim de não desagradar à audiência. Mesmo aqueles que acreditam ter as convicções imaculadas podem muito bem ter passado por cima delas e emitido uma opinião não tão pessoal assim para se manter na turminha. Esse tipo de atitude nada tem a ver com caráter (ou com a falta dele). Ela é oriunda da conformidade social, que nada mais é do que a influência que sofremos do grande grupo para nos ajustarmos ao pensamento coletivo. No entanto, cientistas chineses descobriram que os efeitos diretos desse fenômeno podem ter um prazo de validade bem curto. 


Reuniões de família são o ambiente ideal para observar os efeitos da conformidade social. Quem quer começar uma guerra com entes queridos por opiniões conflitantes?
[FONTE: Kindo]

Na verdade, somos constantemente influenciados pelos valores e costumes da sociedade na qual vivemos. Ou seja, é extremamente comum que, como seres sociais, tenhamos a tendência de adequar nossas opiniões às do grande grupo. Pelo menos enquanto estamos diante dele! E essas temáticas referentes ao comportamento humano e suas formas de expressão e representação dentro da sociedade são objeto central da antropologia cultural. Um Espelho para a Humanidade - Uma Introdução à Antropologia Cultural, também disponível em e-book, é uma obra de referência na área e é uma leitura essencial para quem quer compreender os efeitos da cultura sobre o indivíduo e entender melhor os conceitos sobre os quais se basearam o estudo chinês. Pesquisa que, aliás, trouxe uma nova perspectiva sobre a coerção que exercemos uns sobre os outros.


A convivência social exige empatia e simpatia!
[FONTE: Vague]

No experimento, voluntários deveriam avaliar imagens de pessoas de acordo com sua aparência. Quanto mais atraente, maior a nota. No entanto, antes de dar a sua humilde opinião, eles tiveram acesso a um falso ranking da beleza, supostamente originado das avaliações de 200 estudantes. Sendo assim, a hipotética classificação oriunda de um grupo maior foi uma forte influência sobre as respostas dos participantes. Porém, eles deveriam retornar para novas avaliações (dessa vez, sem interferência dos pitacos de outrem) em três dias, em uma semana e em três meses. No primeiro retorno, as opiniões permaneciam sob a influência da gradação fake de formosura, mas nas coletas de dados seguintes, voilá!, as respostas dos voluntários variavam, tornando-se mais pessoais.


Enquanto grupo todo mundo concorda, já quando ninguém está vendo...
[FONTE: Above the law]

De acordo com os autores do estudo, isso explicaria aquela sensação de leveza e liberdade que sentem as pessoas que retornam ao serviço após um feriado prolongado. Acontece que esses poucos dias são suficientes para que sejam esquecidas as pressões e as opressões do ambiente de trabalho. Quando nos afastamos de um grupo e nos unimos a outro, absorvemos novas normas e deixamos as antigas de lado. No experimento, entretanto, os participantes foram expostos a uma influência social bastante fraca e pontual. O que significa que as influências mais contínuas, tais quais as que atuam dentro de uma unidade social como a família, terão efeitos mais duradouros. E então, amigos, para fugir dos efeitos da coerção, só se tornando um ermitão na montanha! Mas quem não quer pertencer a um grupo

Tapetes voadores para a imaginação

1 2 junho 2014 | 13:29

De todos os meios de transporte que a mente humana já ousou sonhar, o tapete voador é certamente um dos que mais desperta curiosidade. Por mais insano que possa parecer, temos certeza de que aquele pedaço de tecido flutuante que leva o Aladin para cima e para baixo já ocupou os pensamentos de muita gente. Especialmente de quem mora nas grandes cidades e encara seus engarrafamentos: em dias de sol e vento, um tapete voador seria muito útil. Os tapetes mágicos de Miguel Chevalier não saem do chão, mas são tão lúdicos quanto o do conto árabe e encantaram centenas de visitantes que passaram pela catedral Sacré Coeur, ou Sagrado Coração, em Casablaca, no Marracos, durante o mês de abril.


Um tapete de ladrilhos projetado na catedral de Casablanca
[FONTE: The Creators Project]


Projeções de Chevalier tinha um quê de psicodelia

Nascido no México e radicado na França há anos, Chevalier, de 55 anos, é um dos pioneiros da chamada arte digital. Na exposição denominada Magic Carpets 2014, o artista fez projeções multicoloridas no chão da catedral, transformando completamente a experiência daqueles que visitaram o espaço. De uma forma totalmente inovadora, o artista faz referência à tradição islâmica de tapetes e mosaicos em uma igreja católica. Construída em 1930 em estilo neogótico, a Catedral do Sagrado Coração de Casablanca deixou de ser igreja em 1965, quando o Marrocos se tornou independente, e hoje é um centro cultural. Vale lembrar que naquele país a religião dominante é a muçulmana. E assim como os espaços se transformaram, as projeções do artista também mudavam, formando novas e efêmeras padronagens


Quem não gostaria de um tapete em constante transformação na sala de casa?


Muitas projeções faziam referência a tradição dos mosaicos da região 

Em Os Usos da Imagem, Ernst Hans Gombrich, um grande expoente dos estudos sobre arte e comunição visual, usa seu imenso conhecimento para discutir questões fundamentais e controversas, que tem tudo a ver com o trabalho de Chevalier. Como e por que a arte muda e se desenvolve? O que a ideia de progresso significa na arte? A arte pode ser usada como evidência do espírito de uma era?. Essas e muitas outras perguntas nos ajudam a refletir sobre a exposição e a respeito de outras intervenções artísticas de Chevalier, disponíveis em seu site. Afinal, tem algo mais da nossa era que a arte digital? 


Pixels se transformavam em arte no chão do hoje centro cultural


Exposição Magic Carpets chamou atenção do mundo todo por sua simplicidade e irreverência

Se você, como nós, não teve a chance ver o trabalho de Miguel Chevalier no Marrocos, pode se deliciar com esse vídeo de Claude Mossessian, um realizador independente que registrou algumas das projeções artísticas do amigo. Ainda que os tapetes de Chevalier não sejam do tipo que voa, são obras capazes de levar a imaginação para bem longe.

Miguel CHEVALIER Tapis magiques 2014 Casablanca (Version courte) from Claude Mossessian on Vimeo.

Praia do futuro, passado e presente

0 30 maio 2014 | 13:48

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Longe de ser uma ficção científica como o nome pode sugerir, Praia do Futuro é sobre algo que acontece hoje e continuará sempre a ocorrer enquanto existir vida humana sob a Terra. A história que Karin Aïnouz conta é sobre o medo, a coragem, o amor, a felicidade e a tristeza, sentimentos que se repetem mais do que as voltas que o planeta dá ao redor do sol. É sobre heróis do cotidiano e como eles se superam.


Clemens Schick é o piloto de motocross que entra na vida de Donato da forma mais inesperada
[FONTE: Divulgação]

O filme começa no Ceará, onde Donato, vivido por Wagner Moura, tem que lidar com outra emoção igualmente recorrente nas vidas humanas: a do fracasso. E é assim, fragilizado, que ele conhecerá Konrad, personagem de Clemens Schick, um alemão piloto de motocross que desperta no personagem de Wagner Moura não apenas compaixão, mas outros sentimentos ainda mais fortes. É nesse encontro entre os dois que descobriremos mais sobre Donato, um jovem salva-vidas da Praia do Futuro, que vive com a mãe e o irmão mais novo e é gay.

A homossexualidade é uma das questões que mais atenção vem atraindo para o filme. O aviso em um cinema em João Pessoa de que o longa mostra cenas de sexo gay só aumentaram o burburinho. E muito embora tenha se criado uma polêmica sobre o assunto, Praia do Futuro não é sobre isso. Não fosse a cena, logo no começo, dos dois personagens fazendo sexo, e umas poucas depois, a homossexualidade passaria longe. O longa não levanta bandeiras. Está muito mais para uma obra de arte cinematográfica.

 

Com planos longos e fotografia azulada, Karin Aïnouz conta em um belo filme a história de alguém que se apaixonou e decidiu mudar de vida para viver esse amor. E todas as consequências que mudanças desse naipe trazem. Tudo que se perde, e se ganha, no caminho, durante as transformações. Por mais que essa história tenha um contexto específico, todos nós conhecemos alguém, talvez nós mesmos, que passou por algo semelhante, pois o medo do novo é uma das "aflições que todos nós sentimos são comuns à espécie humana", como explica Gley P. Costa no livro O Amor e Seus Labirintos (também disponível em e-book). Assim como Costa, Karin Aïnouz não vê o mundo cor-de-rosa. Em Praia do Futuro, pode-se dizer que o mundo está mais para azul, às vezes ensolarado, às vezes nublado. E que fica ainda mais nebuloso quando o irmão de Donato, Ayrton, decide, depois de oito anos, ir atrás do irmão para botar para fora os sentimentos reprimidos.


No primeiro plano, Wagner Moura e Jesuíta Barbosa, os irmãos Donato e Ayrton
[FONTE: Divulgação]

Distantes e diferentes, os irmãos têm mais em comum do que imaginam, mais a dar um a outro do que até o próprio telespectador espera. Cada um a seu modo, eles são heróis de si mesmo. Afinal, quem imaginaria que aquele pequeno Ayrton que tinha medo do mar cresceria e teria coragem para sair do Ceará e encarar uma Europa fria atrás do irmão gay. Despido ao máximo de preconceitos, vá ao cinema ver mais um filme bonito sobre os sentimentos humanos, tão mundanos e perenes quanto o mar ou o sol da Praia do Futuro.

Por Trás do Crachá: Dianifer Belo

0 29 maio 2014 | 17:26

Sabe aquele livro que você adora? Ou aquele eBook sensacional, aplicativo superútil ou o Blackboard Learn que você usa em sala de aula? Para que eles existam, profissionais de várias áreas trabalham todos os dias até eles chegarem à sua mão – ou ao seu computador, tablet, celular e afins. Quer saber um pouco mais sobre quem faz uma empresa de Educação? Convidamos você a conhecer o Grupo A mais de perto, por trás do crachá!

Se você acompanha o BlogA com certeza já sabe: Fazer aquele livro que você tanto gosta dá trabalho, muito trabalho. Mas é um ofício que temos gosto em realizar, e boa parte dessa motivação vem do nosso setor de Recursos Humanos. Diferente do que muita gente pensa, esse é um setor que não se resume a burocracia, e é extremamente importante para fazer a engrenagem (formada pelos demais colaboradores) girar com precisão! Quem vai contar um pouco de tudo isso hoje é a Dianifer Belo, Analista de RH aqui do Grupo A.

Qual sua rotina no Grupo A?

“Em resumo, eu acompanho o planejamento e execução dos processos de: admissão, demissão, férias, remuneração e plano de benefícios. Também trabalho para que os colaboradores recebam seus benefícios e pagamentos em dia, analisando e atendendo solicitações e dúvidas relacionadas com departamento de pessoal”. Ah, e como não podia faltar na rotina, atualização constante: “Sempre procuro me manter atualizada sobre os novos procedimentos e métodos que surgem, para transmitir uma informação correta aos gestores e colaboradores”.

Qual a sua formação acadêmica?

“Eu sou formada em Gestão de Recursos Humanos, o que me permite aplicar na prática tudo o que eu vi em sala de aula”. Aliás, falando em sala de aula, a Dianifer está por aqui desde que era estagiária \o/ . “Eu comecei a estagiar desde o primeiro semestre no Grupo A, em um ano fui efetivada. Hoje eu já tenho mais de 3 anos de empresa”.

Com qual marca você mais se identifica no Grupo A?

“Eu me identifico mais com a Bookman, porque ela me acompanhou durante toda a minha formação”. Não por coincidência que o livro preferido dela é daqui. “Um dos títulos mais úteis e que eu particularmente adoro é 'A Transformação do RH Construindo os Recursos Humanos de Fora para Dentro'.

Um momento marcante no Grupo A?

“Definitivamente quando fui efetivada, pois a partir deste momento obtive mais responsabilidades, um contato maior com os colaboradores”.

O conhecimento transforma porque...   nos tornamos pessoas mais criativas, comunicativas e evoluídas!

 

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Será que de médico, artista e louco todo mundo tem mesmo um pouco? Aqui no BlogA você vai encontrar de medicina a design, de filosofia a psicologia, de ilustração a poesia; pinceladas divertidas de todas as áreas de publicação do Grupo A. Quer nos enviar dicas ou sugestões? É só escrever para bloga(arroba)grupoa(ponto)com(ponto)br.

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