A genética da esperança

2 17 outubro 2014 | 14:12

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Talvez hoje nos pareça banal pensar que algumas formas de câncer de mama têm origem genética. Já estamos tão conscientes desse fato que até resulta absurdo imaginar uma época em que médicos e pesquisadores sequer imaginassem a origem do câncer que mais mata mulheres ao redor do mundo. Mas houve, sim, um tempo em que a ideia de hereditariedade no câncer de mama parecia um conceito absurdo, e Mary-Claire King, uma das maiores geneticistas da história, teve que enfrentar muita briga e resistência para comprovar sua teoria.


Diante da doença, Annie tenta entender o funcionamento dos tumores
[FONTE: New York Post

O filme Unidas pela vida apresenta ao espectador duas histórias emocionantes: de um lado, Mary-Claire (vivida por Helen Hunt), mulher que, não bastasse ter mapeado o genoma humano, descobriu o gene que contribui fortemente para a ocorrência do câncer de mama; e, de outro lado, a de Annie Parker (em interpretação de Samantha Morton), uma norte-americana que perdeu a avó, a mãe, tias e a irmã para a doença, mas nunca encontrou alguém que acreditasse em sua intuição de que o mal corria na família. Embora paralelas, as vidas de Mary-Claire e Annie se entrelaçam e se encontram conforme os avanços científicos comprovam que a família de Annie não é apenas vítima de um "grande azar" como sugere um de seus médicos.

 

Um dos maiores méritos do longa-metragem é, sem dúvida, a abordagem sincera e honesta ao tema. Sem trilha sonora emocionante, sem momentos milagrosos de superação nem cenas de desespero diante da tragédia, o roteiro nos coloca lado a lado com Annie, como se a acompanhássemos de perto. Há inúmeras cenas engraçadas, todas devido ao inteligente senso de humor da protagonista, mas também há muito aperto no coração e o constante medo pelo desfecho: conseguirá nossa heroína sobreviver aos insistentes tumores que lhe atacam?

Annie perdeu a avó, viu a mãe sucumbir à doença e ainda enterrou a própria irmã em sua juventude. Não tardou para que seu diagnóstico confirmasse as suspeitas de que ela também era vítima do câncer de mama. Mas, ao contrário de sua família, o tratamento de Annie tem sucesso, e ela se livra completamente dos tumores. Infelizmente, isso não significa que as outras áreas de sua vida, como o casamento, não sofrerão golpes devastadores.


A pesquisadora Marie-Claire, que dedicou anos ao estudo do câncer de mama
[FONTE: trailer todo dia]

Enquanto Annie aprende a lidar com a doença e os efeitos que ela causa em sua vida pessoal, Mary-Claire precisa desvendar o labirinto do genoma humano para tentar comprovar sua teoria. Com uma equipe formada por jovens médicos - os únicos da área da saúde que parecem levar a sério suas crenças - a cientista entrevista, examina e cataloga milhares de casos de câncer de mama. Em uma época em que os computadores ainda pesavam toneladas e cálculos complexos podiam levar alguns anos para serem resolvidos, Mary-Claire King luta contra todas as probabilidades até chegar ao resultado que hoje conhecemos.

Duas mulheres fortes e batalhadoras, duas trajetórias de vida que marcaram época, uma por sua singularidade, outra por sua universalidade, duas vidas que, unidas pela doença, ajudaram a salvar milhares de pessoas até hoje. Mary-Claire e Annie são figuras reais, seus legados persistem e entraram para a história da medicina. Neste outubro rosa, temos a elas e a outras tantas mulheres como elas para agradecer pelos diagnósticos que, por mais trágicos que sejam, hoje nos chegam acompanhados de esperança, conhecimento científico e histórias de superação.

Uma breve história da Tipografia

3 15 outubro 2014 | 14:13

Hoje, compartilhar conhecimento é fácil. E nós não estamos falando apenas da internet, das redes móveis, de computadores e dos gadgets nossos de cada dia. É claro que tudo isso é importante para que a sabedoria se espalhe aos quatro ventos e ganhe o mundo. Mas muito antes da tecnologia como a conhecemo, existiu uma invenção tão revolucionária quanto. Sem ela, você não poderia estar lendo esse texto. Sim, estamos falando dos tipos, ou, como nos acostumamos a chamar, das fontes.

Pare e pense. O que seria das nossas vidas se ainda estivéssemos presos ao tempo em que o conhecimento era passado de geração para geração oralmente? Impossível, certo? Pois bem, como a grande maioria das pessoas, talvez você agradeça a Johannes Gutemberg pela imprensa, mas a verdade é que o nascimento da tipografia é muito anterior a isso. Afinal, antes mesmo de termos livros e jornais para ler, já éramos capazes de nos comunicar utilizando símbolos abstrados que juntos ganham forma e significado.


Quem disse que sua letra manuscrita não pode virar uma fonte?
FONTE: IWS

A tipografia enquanto estudo das letras impressas mostra que o começo desse vasto campo remonta séculos antes de Cristo, uma vez que até as letras manuscritas são consideradas tipos. Ou seja, muito antes da imprensa, já existiam exemplos de fontes espalhados pelo mundo. O alfabeto hieróglifo do Egito, por exemplo, é datado de 3.000 a.C, enquanto o alfabeto fenício é de 1.000 a.C e o Grego de 600 a.C. O alfabeto romano, que deu origem ao nosso atual, é de 100 d.C, muito antes dos tipos móveis de 1440 de Gutemberg.

A grande invenção de Gutemberg que, sim, é muito importante para a tipografia, foi tornar os tipos não só móveis como resistentes. As primeiras fontes móveis da história da humanidade na verdade apareceram na China, por volta de 1040, pelas mãos de Shen Kuo. Só que enquanto o professor chinês usava tipos móveis de madeira, que por sua característica orgânica, eram mais perecíveis, o alemão forjou símbolos de ferro, que, por serem resistentes, tornaram a impressão algo passível de ser feito em larga escala


A tipografia é anterior à imprensa de Gutemberg
FONTE: Flickr

Com a facilidade de imprimir não é de se espantar que logo em seguida surgissem variações tipográficas. Afinal, quem não gostaria de ter um livro totalmente impresso com uma fonte única? Foi assim que surgiram a Bookhand e a Human, duas fontes que são apontadas como as bases de várias outras que encontramos hoje em nossos computadores. Mesmo a Garamond remonta a esse período: foi inventada por Claude Garamond em 1541. Já em 1600 nascia o itálico pelas mãos de Aldus Manutius. Por sua vez, a famosa Times Roman surgiu em 1932 como uma crítica de Victor Lardent, que trabalhava no The Times, às fontes arcaicas utilizadas pelo periódico.

Não precisa nem dizer que a tipografia virou não apenas uma área de estudo como também uma peça importante do design gráfico, como mostra Ellen Lupton, um dos grandes nomes da área, no seu livro Design/Escrita/Pesquisa. É só olhar para a quantidade de opções de fontes que temos em simples programas de edição de texto para ver a importância dos tipos. Não é só uma questão de estética: alguns tipos são mais efetivos para cada leitura, plataforma, mas esse é assunto para um próximo texto. Por enquanto, fiquem com esse divertido vídeo (em inglês) sobre a tipografia.

5 mitos sobre o câncer de mama

0 14 outubro 2014 | 14:53

Um diagnóstico de câncer de mama é, sem dúvida, assustador. Afinal, a doença pode ser fatal, nos colocando diante de um mundo desconhecido de exames, tratamentos e estatísticas. Para reduzir os temores das mulheres, é importante acabar com alguns mitos relacionados à doença. Seguindo o exemplo do portal Today, mostramos hoje porque você não precisa temer o desodorante nem os sutiãs e a importância de uma rotina saudável. Não basta participar da campanha Outubro Rosa, tem que ajudar na promoção de tranquilidade e alívio!


Boa notícia para o verão: os desodorantes estão liberados
[FONTE: aesthetics hub]

Mito #1 Desodorante causa câncer de mama

Desodorantes e antitranspirantes não causam câncer de mama. Segundo o Dr. Ruta Rao, professor de oncologia na universidade Rush de Chicago, não existe absolutamente nenhuma indicação de que qualquer tipo de desodorante cause câncer. O mito provavelmente surgiu em uma corrente de e-mails propagada há quase uma década, provando, como já dissemos por aqui, que os troladores da internet só querem causar estragos.

Mito #2 Usar sutiã causa câncer

Mais uma vez, é difícil descobrir de onde surgiu essa ideia disparatada, mas não existe nenhuma evidência científica de que usar sutiã possa contribuir para o surgimento do câncer de mama. A lenda era tão forte, que foi necessário um artigo na revista Câncer Epidemiology, Biomarkers & Prevention para acabar com a mentira. Em um grupo de estudo para testar a hipótese, o resultado foi claro: não importa a idade da mulher, nem o modelo do sutiã, nem quanto tempo ela passa vestindo-o, o uso da peça íntima de roupa teve zero influência nas ocorrências da doença.


Madonna pode ficar tranquila: nada de errado em sutiãs de todas as formas e modelos
[FONTE: Belelu

Mito #3 Uma dupla mastectomia é melhor mesmo para quem tem câncer em uma só mama

Esse é um dos mitos mais persistentes relacionados ao câncer de mama, e muitas mulheres seguem optando por uma dupla mastectomia mesmo quando o tumor existe em apenas um dos seios. A literatura acadêmica existente até o momento mostra que as taxas de sobrevivência para quem remove ambos ou apenas o seio doente são praticamente iguais. Isso porque as chances de desenvolver câncer na mama saudável são pequenas: beiram o 1%. Por isso, é tão essencial conversar muito com o médico antes de decidir a que tipo de cirurgia se submeter.

Mito #4 Expor o tumor ao ar faz com que ele se espalhe

Este mito nasceu com as primeiras cirurgias de retirada de tumores. Como, muitas vezes, os médicos só constatavam a extensão do tumor depois de abrir a paciente e precisavam adotar um procedimento mais agressivo do que o previsto, surgiu a impressão de que as células doentes se multiplicavam quando entravam em contato com o ar. Só que, mais uma vez, não existe nenhum embasamento para sustentar essa crença. 


É possível viver com leveza e reduzir os riscos do câncer de mama
[FONTE: I am grateful! How are you?

Mito #5 Não há como reduzir os riscos de desenvolver câncer de mama

Certo, não se pode alterar nossos genes nem parar o envelhecimento, mas há muito que podemos fazer para reduzir as chances do surgimento de um câncer. O Dr. Otis Brawley, presidente da Sociedade Americana de Câncer, lista algumas das atitudes que ajudam a evitar tumores. Uma delas é lutar contra a obesidade. Diversos estudos ligam essa doença ao risco de câncer, então perder peso é uma boa medida para quem está com alguns quilos em excesso. Exercícios regulares e ingestão moderada de bebidas alcoólicas também ajudam, ou seja, nada que você já não tenha ouvido como regra geral para a boa saúde. 

Esses são apenas alguns dos mitos relacionados ao câncer. Outros surgem e se propagam diariamente pelo mundo, por isso o melhor a fazer é sempre consultar profissionais médicos, e não se deixar intimidar por boatos pouco ou nada fundamentados. Também vale lembrar que a ciência avança a galope, e as informações que temos na mão hoje podem logo parecer obsoletas diante das próximas descobertas. Sempre há esperança, e o futuro parece cada vez melhor para as sobreviventes do câncer de mama.

A agridoce festa da democracia

2 13 outubro 2014 | 12:12

A cada dois anos, no mês de outubro, o Brasil passa por um processo eleitoral. Chamamos popularmente esse processo de festa de democracia, mas nem sempre essas celebrações ocorrem baseadas na alegria que só a afirmação da cidadania sabe trazer. Selecionamos hoje imagens que contam um pouquinho da história da democracia no Brasil e no mundo, que é para nos mantermos todos devidamente inspirados para a grande missão que teremos no final do mês. ;)

#1 O direito das mulheres

As mulheres, por muitos anos, foram privadas de realizar as mesmas atividades que os homens e, com o voto, não foi diferente. Nos Estados Unidos, a partir do final do século XIX, militantes do sufrágio universal travaram uma verdadeira guerra para garantir às mulheres o direito de participarem do pleito. Em 1920, finalmente, elas puderam votar, mas não sem as chamadas suffragettes encontrarem muita resistência pelo caminho.


Hoje não conseguimos conceber que mulheres não sejam consideradas cidadãs aptas a votar, mas foi muito difícil conquistar esse direito.
[FONTE: World History]


O movimento sufragista inspirou mulheres por todo o mundo, e muitas foram presas por seus protestos. 
[FONTE: Glasgow’s Women’s Library]

#2 A resistência da democracia no Brasil

A famosa Campanha da Legalidade teve sede em Porto Alegre, mas comoveu todo o Brasil. Em 1961, após a renúncia do então presidente Jânio Quadros, os militares tentaram impedir a posse de seu vice, João Goulart. Comandada por Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul à época, a rebelião durou duas semanas e garantiu a posse de Jango, mantendo-se a ordem jurídica.


O movimento pela Legalidade obteve forte apelo popular, especialmente nas regiões sul e sudeste do país.
[FONTE: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul]


O programa de rádio da resistência realizado por Leonel Brizola de dentro do Palácio Piratini, em que estava sitiado, foi transmitido por mais de 15 rádios, formando a Cadeia da Legalidade.
[FONTE: A Verdade]

#3 Diretas Já e Impeachment

No fim e logo após a ditatura militar (1964-1985), o Brasil passou por dois momentos em que foi demonstrada a força do povo em prol da democracia. No movimento Diretas Já (1983-1984), manifestações pediram que o presidente, até então definido pelos militares, voltasse a ser eleito por voto popular. Em 1985, Tancredo Neves foi eleito pelo colégio eleitoral em eleições indiretas, uma vitória parcial do movimento. Em 1989, nas primeiras eleições diretas após a ditadura, Fernando Collor de Mello foi eleito. Após muitos escândalos e corrupção, o povo foi às ruas novamente pedindo o seu impeachment, e Collor renunciou ao mandato. 


O movimento por eleições diretas e pelo fim da ditadura levou um mar de gente às ruas do Brasil.
[FONTE: Minuto Ligado


Os jovens saíram as ruas vestindo preto e com verde e amarelo nas faces pelo fim do mandato de Collor, em movimento que ficou conhecido como sendo dos caras-pintadas.
[FONTE: Redes Moderna]

#4 A democracia em dois lados distintos

Inimigos políticos, Estados Unidos e Afeganistão experimentam a democracia cada um a seu jeito. Nos EUA, o voto não é obrigatório, mas em 2012, ano em que Barack Obama foi reeleito, grandes filas se formaram nas urnas. Já o Afeganistão teve, em 2014, sua primeira transferência democrática de poder após a queda do regime talibã, e um dos principais temas foi justamente as relações com o governo norte-americano.


O ano de 2012 foi marcado por um comparecimento recorde de eleitores às urnas nos Estados Unidos, em que o voto não é obrigatório e que é realizada por meio de colégios eleitorais
[FONTE: The Guardian]


Nas zonas mais remotas do Afeganistão, mulas foram utilizadas para carregar as urnas em pleno 2014, em um pleito que passou até mesmo por acusações de fraude. 
[FONTE: Reuters]

#5 O povo nas ruas hoje

O ano de 2013 foi marcado por diversas manifestações populares em território nacional, especialmente no mês de junho. Levantando as mais diversas bandeiras, o povo foi às ruas, dando origem a frases de efeito como “o gigante acordou” e “não é pelos 20 centavos”, referente ao aumento das passagens de ônibus, o estopim do movimento. Os protestos foram marcados por imensa participação popular e diversos conflitos com a polícia. 

Já em Hong Kong, diversas manifestações pró-democracia estão sendo realizadas nesse mês de outubro, especialmente por jovens e estudantes, o que lembra bastante os movimentos brasileiros de junho de 2013. Os manifestantes se rebelam contra o fato de a China haver proibido eleições livres na região, permitindo apenas candidatos leais a Pequim.


Junho de 2013 foi marcado por diversos protestos no Brasil. O povo tomou as ruas no Rio de Janeiro...
[FONTE: Germinal]


… e no Congresso Nacional, em Brasília.
[FONTE: Wikipedia]


Manifestantes têm tomado as ruas de Hong Kong sistematicamente nesse mês, exigindo eleições livres na região.
[FONTE: Rising Powers]

Esses são apenas alguns exemplos de situações em que o poder das massas foi exercido, seja por meio do comparecimento às urnas ou por protestos realizados em via pública. Para entender a essência da participação popular em todas as suas manifestações, o livro Teorias da Democracia é um prato cheio, pois traz uma introdução crítica ao tema, focando-se nos debates contemporâneos.

Do jeito que a vida é

2 10 outubro 2014 | 11:01

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Um filme com temática sobre o câncer, mas no qual ele é o fio condutor da história e não o personagem principal. Indo na contramão da maioria dos filmes que tratam sobre essa doença, Do Jeito Que Ela É (Pieces of April, 2003), se mostra uma agradável surpresa ao tratar o tema com a seriedade que merece, porém de forma leve e sensível. 

Na história, a jovem April (Katie Holmes), ovelha negra da família, está disposta a oferecer um jantar de Ação de Graças em sua casa para a mãe, em tratamento contra o câncer de mama. Seguindo três linhas narrativas distintas, o longa acompanha as peripécias de April tentando assar um peru e descobrindo que seu forno não funciona, a família que se desloca até o apartamento (caindo aos pedaços) da primogênita em Nova York e Bobby, namorado da protagonista, que está pelas ruas da Big Apple em uma missão.


Na sua heroica e solitária busca por um forno que funcione, April se depara com os mais diversos tipos em seu edifício.
[FONTE: Jungle Key]

Rodado totalmente em vídeo digital, a produção independente custou apenas 300 mil dólares e foi o filme de estreia do roteirista Peter Hedges na direção. De acordo com ele, o roteiro (que também assina) é baseado na união da história de sua mãe, que também teve câncer de mama, e com as travessuras de um grupo de amigos seus que viu a proposta de um dia de Ação de Graças coletivo ser arruinado por um forno quebrado. É nesse tom de mistura do sério com o cômico, que Hedges encontra a delicadeza necessária para realizar um filme extremamente tocante, sem ser melodramático ou trágico, mesmo tendo todas as ferramentas para isso. Afinal, não se trata apenas da história de alguém que tem a mãe doente: April e Joy (Patricia Clarkson, em uma atuação que lhe rendeu indicação ao Oscar) nunca se deram bem, e a expectativa do encontro gera uma enorme tensão em toda a família. 


Patricia Clarckson foi indicada ao Oscar por sua Joy, que jamais desmorona diante da família. 
[FONTE: Reel Club]

Relações interfamiliares e os famosos mommy issues (problemas com a mãe, em tradução livre) são sempre boas fontes para roteiros que invariavelmente irão atingir em cheio boa parte de seu público. Do Jeito Que Ela É inova ao não trazer embates tomados de ressentimentos, pois mãe e filha passam a maior parte do filme separadas. É por meio dos pequenos diálogos de Joy com sua família e da jovem com seus vizinhos que vamos montando as peças de April referidas no título original.

Enquanto a filha é imediatamente cativante com sua natureza underdog, a mãe é, em princípio, intragável. Mas, ao passo que conhecemos sua história e sua postura diante da doença, nos entregamos. No momento em que Joy mostra, com orgulho, as fotos de sua mastectomia ela logo se torna mais humana. Mesmo o espectador que ainda estava imune à saga dos Burns passa a torcer para que essa disfuncional família tenha um harmônico jantar de ação de graças e para o peru ficar pronto

 

Do Jeito Que Ela É pode não ser didático o suficiente para se entender o câncer, mas é realista e emotivo na medida certa para compreendermos como se sentem os familiares de quem tem a doença. São nos arroubos de preocupação e nas pequenas ações que todos deixam escapar o medo de perder um ente querido para o que é quase desconhecido. Porém, nessa enxurrada de sentimentos que acompanha o diagnóstico, algo de bom sempre é capaz de prevalecer. Porque é na busca pela cura da doença que outras feridas antigas também podem ser sanadas.

BlogA Indica: Conscientização Rosa

0 8 outubro 2014 | 18:37

A campanha Outubro Rosa, que busca a conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, ganhou o mundo. Vários monumentos estão iluminados em rosa e não faltam homenagens, mas mais importante do que o laço rosa como insígnia, é que as mulheres entre 35 a 69 anos de idade compreendam a importância de fazer o exame mamográfico anualmente.

Para isso, algumas questões precisam ser respondidas, começando por:

O que é o câncer de mama?

Um câncer se caracteriza por um crescimento rápido e desordenado de células, geralmente agressivo, determinando a formação de tumores malignos (câncer), que podem espalhar-se para outras regiões do corpo. O câncer de mama, como o próprio nome diz, afeta as mamas, sendo a origem do tumor maligno mais comum em mulheres e o que mais leva as brasileiras à morte, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

O câncer de mama é relativamente raro antes dos 35 anos, mas acima dessa idade sua incidência cresce rápida e progressivamente. É importante lembrar que nem todo tumor na mama é maligno e que ele também pode ocorrer em homens, mas em número muito menor. Menos de 1% do total de casos da doença ocorre em pessoas do sexo masculino. Mas, independente de gênero todos podem contribuir para a conscientização promovida pelo Outubro Rosa. Seja levantando o assunto em uma roda com as amigas ou durante uma conversa com sua parceira.

Apenas para citar uma das campanhas desenvolvidas para a conscientização, apresentamos o projeto I Touch Myself, criado após o falecimento da cantora Chrissy Amphlett, autora de de uma canção homônima ao projeto. Realizado em parceria com o Cancer Council, o vídeo reúne diversas artistas australianas para entoar a música e conscientizar as mulheres sobre a importância do auto-exame:

Detecção e Prevenção:

Quando diagnosticado e tratado ainda em fase inicial, isto é, quando o nódulo é menor que 1 centímetro, as chances de cura do câncer de mama chegam a até 95%. Porém, de acordo com a Femama, 82% das mulheres considera o autoexame a principal forma de diagnóstico, sem saber que quando o tumor atinge o tamanho suficiente para ser palpado, já não está mais no estágio inicial, e as chances de cura não são máximas. Apenas 35% apontaram a mamografia como a principal forma de diagnóstico. Outros sinais e sintomas menos frequentes da doença são edemas semelhantes à casca de laranja, irritação ou irregularidades na pele, dor, inversão ou descamação no mamilo e descarga papilar (saída de secreção pelo mamilo). Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.


[Fonte: Saúde Terra]

Como é o tratamento de câncer de mama?

O tratamento é multidisciplinar, ou seja, deve incluir a opinião de vários especialistas médicos, como o mastologista, o radiologista, o oncologista clínico, o radioterapeuta, assim como enfermeira especializada, psicóloga, fisioterapeuta e assistente social. Habitualmente, o tratamento pede cirurgia e é complementado pela radioterapia e quimioterapia/hormonioterapia.


Nova promessa para vencer o Alzheimer

2 7 outubro 2014 | 15:10

Uma nova abordagem ao tratamento de pacientes com Alzheimer tem mostrado resultados inéditos na recuperação parcial da memória. Ainda é cedo para chamar de cura, e não há nada mais detestável que notícias sensacionalistas cheias de falsas promessas em assuntos sérios, mas novos métodos no manejo da doença trazem esperanças aos diagnosticados. Um estudo com dez pacientes mostrou que a perda da memória pode ser parcialmente revertida com resultados duradouros quando diversas terapias se combinam sistematicamente no tratamento.


Uma doença que atinge milhões de pessoas ao redor do mundo
[FONTE: Psicósmica

Apesar de envolver apenas uma dezena de pessoas, o estudo se aprofundou nos casos e ganhou notoriedade pelos resultados alcançados. O principal ponto na abordagem nova é personalizar o tratamento para cada caso individual. Algumas das vítimas da doença reclamavam de se sentirem desorientados enquanto dirigiam, enquanto outros trocavam nomes e alguns tinham há pouco deixado seus empregos, pois não conseguiam realizar suas tarefas.

Mas, depois de um período de diversas terapias - entre três e seis meses -, todos aqueles que haviam deixado seus empregos puderam voltar a trabalhar. Dos dez pacientes, apenas um relatou não sentir melhorias em seu estado de saúde e psicológico. Segundo o professor Dale Bredesen, neurologista do departamento de estudos de Alzheimer da Universidade da Califórnia, nos EUA, que liderou a pesquisa, a chave do sucesso foi apostar em diversas frentes de terapias. "As atuais drogas afetam apenas um ponto, mas o Alzheimer é mais complexo", ele disse ao site PsyBlog.


A perda de memória traz consequências drásticas ao paciente
[FONTE: Hype Science

Ou seja, os medicamentos podem até resolver um dos sintomas, mas para melhorar a situação geral do paciente, é preciso adotar mais de um tratamento, que pode incluir desde soluções tradicionais como ingerir suplementos vitamínicos até abordagens menos ortodoxas como a prática da Yoga. Dos programas pensados especificamente para cada participantes, muitos incluíam exercícios físicos e mentais, e táticas para melhorar o sono.

Uma das pacientes era uma advogada de 55 anos de idade que enfrentava lapsos de memória havia quatro anos. Ela deixara o emprego por não conseguir acompanhar os acontecimentos do escritório, mas, em cinco meses de tratamento, aboliu as anotações constantes, deixou de gravar conversas, voltou a trabalhar, se matriculou em uma especialização e começou a aprender espanhol. Sua vida familiar também melhorou: ela parou de cortar frases pela metade e não repetia mais os pedidos que fazia aos filhos.


Pacientes puderam abandonar o hábito das anotações
[FONTE: techacute

O plano de tratamento de Bredesen inclui 36 pontos a serem analisados para cada paciente. A partir daí, se desenha um programa personalizado dosando medicamentos, atividades e repouso. Naturalmente, esse estudo é apenas o começo, mas o professor, assim como todos nós, está empolgado com os primeiros resultados. O próximo passo é ampliar a pesquisa e expandir os testes. Quem sabe, no futuro, os sintomas do Alzheimer não serão apenas uma história do passado?

O outubro rosa de cada dia

2 6 outubro 2014 | 15:10

No Brasil, assim como no resto do mundo, outubro será o mês do rosa. Pelas próximas semanas, estaremos envoltos em uma luta que é global. Outubro Rosa é uma campanha de conscientização cujo objetivo é alertar a sociedade, especialmente as mulheres, sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Criado em 1990, o projeto vem ganhando a cada ano mais relevância e até já inspirou a criação de uma segunda campanha, o Novembro Azul, que busca alertar os homens sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o câncer de mama é primeira causa de mortes frequentes por câncer em mulheres e a quinta causa de morte por câncer em dados gerais. Portanto, poucos são aqueles que têm a sorte de não se deparar com essa doença terrível em suas famílias ou no seu grupo de amigos. Especialmente o de mama, que não afeta apenas a saúde das mulheres, mas também sua autoestima.


Mulheres se desnudam para as lentes de David Jay no The Scar Project
[FONTE: The Scar Project]

Muito se ouve falar de mulheres que fazem cirurgia plástica para diminuir a agressividade da cirurgia de remoção do câncer de mama, mas pouco se escuta sobre aquelas que nada fizeram e que carregam consigo suas cicatrizes. Pensando nisso, o fotógrafo David Jay criou o The Scar Project. A iniciativa propõe uma reflexão sobre a campanha reunindo imagens de mulheres que carregam consigo suas cicatrizes da mastectomia (retirada da mama). Não por acaso o slogan é: Câncer de Mama não é um laço rosa. Afinal, é preciso lembrar que a luta contra o câncer tem vários estágios, da prevenção ao apoio psicológico às vítimas.


Fotógrafo buscou mulheres de todas as etnias e idades para mostrar que o problema é global
[FONTE: The Scar Project]


Fotos do The Scar Project vêm ao Brasil para uma exposição no MAC de Niterói, no Rio de Janeiro
[FONTE: The Scar Project]

A partir do dia 10 de outubro, moradores e visitantes do Rio de Janeiro poderão ver de perto algumas das fotos do The Scar Project. Isso porque as impactantes imagens de David Jay estarão em exposição até dia 2 de novembro no MAC de Niterói. A iniciativa é uma promoção da Fundação Rosa e do MAC Niterói.

Outro projeto interessante para refletir sobre os perigos do câncer de mama é Grace. Enquanto o preto e branco das fotos de David Jay nos mostram uma verdade nua e crua, as cores de Charise Isis dão mais vida às mulheres que não reconstruíram a mama após a remoção do tumor. Mais do que isso, em Grace, a fotógrafa busca inspiração na Grécia antiga para colocar essas mulheres em uma espécie de Olimpo, representando as deusas e heroínas que elas verdadeiramente são. E tal qual Jay, Charise Isis busca no site do seu projeto doações para transformar seu trabalho em livro e, assim, fazer a sua parte na luta contra o câncer de mama. E você, como vai fazer a sua nesse Outubro Rosa?


Grace é o projeto de uma fotógrafa inspirada no helenismo
[FONTE: Hypeness]


Em suas fotos, Charise Isis transforma as mulheres operadas em deusas gregas
[FONTE: Hypeness]


Quem aí reconheceu a Vênus de Milo nessa foto?
[FONTE: Hypeness]

La Belle et la Bête

2 3 outubro 2014 | 14:22

Quem disse que o melhor parceiro para um filme é a pipoca? Aqui no BlogA, a gente acredita que cinema combina mesmo é com livro. Na seção Leia & Assista, publicamos dicas de cinema e de leitura para você aproveitar o final de semana.

Nem Disney, nem Hollywood. A mais nova versão de A Bela e a Fera saiu da França para o mundo, ou, mais especificamente, para os cinemas. E, antes que você se pergunte o que os franceses querem com um conto de fadas, justo eles, tão acostumados ao cinema cult, saiba que originalmente a história se passa em território francês e foi escrita por Gabrielle-Suzanne Barbot. Talvez para respeitar suas origens, a versão do diretor Christophe Gans  seja muito mais fiel ao texto original do que outras que conhecemos, o que para os amantes de contos de fadas é interessante, especialmente para aqueles que só tiveram contato com os desenhos animados.


Bela e seus modelitos para lá de arrojados na França antiga
[FONTE: Divulgação]

Nessa super produção francesa, com efeitos que fariam Hollywood morrer de inveja, conhecemos uma Bela diferente e também uma outra Fera. Uma Bela que na verdade já foi rica, mas que era humilde de espírito, ao contrário do resto da sua numerosa família. Além do pai, haviam duas irmãs inconvenientes e três irmãos, dois deles bastante esbanjadores. O mesmo acontece com a Fera, que antes de conhecer Bela e se transformar em um monstro, já havia amado outra mulher – sim, pasmem –, mas a perdeu por culpa de uma obsessão. O príncipe, não satisfeito em ser dono de todo o seu reino, queria ter absolutamente tudo o que desejasse, e para isso foi capaz de quebrar uma importante promessa.

Em se tratando de uma das fábulas mais populares do mundo e de um desenho animado igualmente famoso, fica complicado não comparar a versão com humanos ao filme da Disney. No longa que traz Vincent Cassel  no papel da Fera e Léa Seydoux no papel de Bela não há móveis e utensílios de cozinha com vida, nem números musicais, mas cachorros beagles transformados em criaturas de olhos gigantes e meio azulados. Inicialmente, são meio assustadores, mas com o passar do tempo, nos acostumamos com eles. O lado bom de ser um filme com pessoas reais é que o castelo da Fera parece ainda mais deslumbrante. O mesmo acontece com os vestidos de Bela, verdadeiras peças de alta costura.

Para contar a história da Bela e a Fera e da vida pregressa do príncipe que se transformou em monstro, o filme se aproveita dos longos sonhos da protagonista. É enquanto ela dorme que descobrimos a origem daquela maldição. Não fica bem claro, porém, como Bela se apaixona pela Fera: se é pela sua compaixão com aqueles que ela ama ou se rolou algum tipo de amor à terceira vista, mas fato é que, como na maioria dos contos de fadas, eles também acabam se acertando.


Vincent Cassel dá vida a Fera, tanto na forma mosntro como na forma humana
[FONTE: Divulgação]

O final é um pouco diferente da versão animada, mas nem por isso deixa a desejar. A versão certamente vale a ida ao cinema, senão pela nova, mas velha, versão da história, pela produção francesa e pelas paisagens geladas. E, fiquem tranquilos, o "e foram felizes para sempre" esta garantido.  


Yo No Creo Em Brujas, Pero...

1 2 outubro 2014 | 15:18

*Por Cristina Ustárroz

A Grande Fome de 1845 matou praticamente um terço da população irlandesa e fez outro terço tentar a sorte nos Estados Unidos. Os que sobreviveram à longa travessia chegaram à América na maior miséria. Foi quando tiveram uma ideia: “vamos fazer uma lista do que precisamos comer. Escreve aí: uma caixa de leite, uma garrafa de vinho, uma barra de chocolate, um naco de queijo... Depois é só bater de porta em porta. E ameaçaremos soltar as bruxas se alguém não quiser nos ajudar. Vamos precisar de uma frase de efeito. Já sei: gostosuras ou travessuras! Em inglês, ô esperto!” E assim surgiu trick or treat! Só que não! 

A palavra Halloween vem de All Hallows Eve, ou véspera do Dia de Todos os Santos, dia que marcava o ano novo celta. Nesse dia, os espíritos dos mortos davam uma passadinha nas aldeias para visitar seus familiares e se apropriar de seus corpos. Obviamente, os aldeões faziam de tudo para afastar essas assombrações. “Vá plantar batatas”, diziam os mais destemidos enquanto que os mais medrosos trancavam-se em suas casas, apagavam as luzes e rezavam. Já outros se disfarçavam de personagens assustadores, como Drácula, Esqueleto e Pânico, a fim de afugentar as entidades malignas. Faz de conta que era assim, certo?

Ao ser trazida para a América pelos irlandeses, a celebração de Halloween mudou sua natureza drasticamente. Mas ninguém comemora Halloween com a lista do supermercado. Já imaginou as criancinhas pedindo um pacote de Gummi Bears, um rolo de Smarties, uma barra de Milky Way, um tubo de M&M mini? Nuh-uh! Os adultos dão gostosuras sem medir esforços. Até porque não querem medir a extensão do estrago em seus lindos jardins! Você desconfia que estou exagerando? Pois é melhor você desconfiar de irlandês que bebe leite, isso sim! Mas como é mesmo que se diz pacote, rolo, barra e tubo em inglês?

Mais do que organizar nossas vidas e nossa cozinha, essas palavras quantificam os substantivos, convenientemente resolvendo a questão dos que não têm plural. Quer ver? Digamos que você precisa de arroz para uma receita - rice! Você não irá dizer two rices ou three rices. Você irá usar uma unidade de medida, que pode ser gramas, kilos, etc. Ou você vai referir-se ao recipiente em que está acondicionado – um pacote, uma caixa... Ou, ainda, irá mencionar algum utensílio que o quantifique - colher, por exemplo. A spoonful of rice. Precisa de duas colheres de arroz? Two spoonfuls of rice! O mesmo vale para sugar, salt e outros alimentos. Somente se pudermos medi-los, poderemos contá-los. Você dirá a cup of sugar e a pinch of salt. Por sinal, to take something with a pinch of salt é uma expressão idiomática que significa “acreditar com reservas”. Uma pitada de desconfiança não faz mal a ninguém! Ou seja, não acredite em tudo que lê!

A escassez de batata conseguiu tirar os meninos da Irlanda, mas não conseguiu tirar a Irlanda dos meninos. Os irlandeses que cruzaram o Atlântico Norte sabiam que quem conseguisse sobreviver na América seria um vencedor. Portanto, ao vencedor, as batatas! Nesse caso, as abóboras! E aos irlandeses, a cerveja! Porque estejam onde estiverem, eles honram sua reputação de beberrões como ninguém. Você sabe como pedir cerveja em inglês? Peça a glass of beer, a bottle of beer, a pint of beer ou a mug of beer. Quer muita cerveja? Peça a barrel of beer! Ou vá direto ao plural: beers! A gramática irá atormentar sua mente como um corvo trazendo maus presságios! Mas os Leprechauns não irão se ofender! 

E água? Você pode dizer a bucket, a bottle ou a glass of water. Só não deve dizer waters! A menos que esteja falando do Roger Waters! Caso contrário, a gramática irá transformar você em uma múmia esfarrapada! Milk? Peça a carton of milk. Nunca milks! Sabe o que mais podemos pedir usando a palavra carton? Juice! E rum? Peça a bottle of rum – e cante “♪ yo ho yo ho, a pirate´s life for me ♫”! Vejamos, wine? Peça a bottle of wine. Ou a glass of wine. Prefere a cup of tea? Então diga wine is not my cup of tea! Agora, se preferir beber algo mais forte, peça a shot of whiskey. Que shot, o quê? Peça logo a jar of whiskey. E cante “♫ whack for my daddy-o there´s whiskey in the jar ♪”. Sim, pois somente os irlandeses guardam whiskey in the jar!

A propósito, sabe o que mais podemos guardar em jar? Honey, ham e peanut butter. E se um fantasminha camarada conquistar você, cante “♪ a jar of love ♫”! Ou “♫ jar of hearts ♪”! Uma barra? A bar of Milky Way, soap, gold. Um rolo? A roll. Of toilet paper, scotch tape, silver foil, Smarties. Um saco? A bag of flour. Sem querer encher a bolinha dos irlandeses, mas verdade seja dita, eram deles as mãos que construíram a América! Isso porque eles ignoraram o ditado popular: “when you find yourself in a hole, stop digging”! Alguns poucos conseguiram a bag of money. Eu disse a bag of money? Perdão! Eu quis dizer bags of money! Ka-ching!

Uma caixa? A box of cereal. Uma lata? A can of soda. Tubo? A tube of toothpaste. Of M&Ms. Fatia? A slice of cake. Of bread. Falando em bread, peça também a loaf of bread. Ou breads! Sei não, mas acho que a gramática periga sugar seu sangue como um morcego enraivecido! Pé de alface? Que nada! Pense em cabeça que não tem erro: a head of lettuce, broccoli, cabbage, cauliflower. Mas também tem a bunch: of carrots, of spinach! Uma tigela? A bowl of cereal, soup, ice cream. Aliás, sabe como dizer bola de sorvete? A scoop of ice cream. Sugar? A lump of sugar, a spoonful of sugar, a cup of sugar. Mas não é com açúcar que se espanta os vampiros: é com a clove of garlic

Substantivos que possuem plural garantido aproveitam esse truquezinho. Peça a packet of biscuits e a bag of potato chips! E substantivos que não pertecem ao universo culinário também! Os irlandeses vieram à América de mãos abanando: não tinham informações, nem pesquisas, ou conselhos. No informations, no researches e no advices – é o que você diria, certo? Bem, dizer você pode, mas se escrever assim a gramática irá uivar nos seus ouvidos como lobisomem em noite de lua cheia! Você estará seguro se disser some information, some research e some advice. E some daqui, gato preto!

Enquanto isso, na Irlanda, quem ficou por lá continua amaldiçoando seus antepassados por terem ficado dependentes unicamente do cultivo da batata. E todos os anos nesta época eles acendem velas, fazem fogueiras e tentam dar um susto nas bruxas – porque uma coisa eu garanto: que las hay, las hay!

This text is to be taken with a pinch of salt! 

Notas altamente esclarecedoras:

Leia mais sobre Halloween em: History Halloween

Partitive expressions são palavras que expressam quantidade. Elas são usadas antes de substantivos que não possuem plural. A palavra luck (sorte) não possui plural, pois não dizemos a luck ou two lucks. Precisamos de uma expressão que ajude a quantificar essa palavra. Uma opção é a stroke of luck! Há inúmeros substantivos incontáveis que são precedidos por partitive expressions: a tank of petrol, a jug of lemonade, a tube of glue, a chunk of cheese, a spoonful of medicine. Palavras como bunch (a bunch of keys, girls, flowers), bundle (a bundle of papers, sticks), flight (a flight of stairs), e piece (a piece of advice, information, furniture) são frequentemente usadas como partitive expressions. Veja mais exemplos em: Vocabulary

A pint of beer refere-se ao copo de cerveja usado na Inglaterra e na Alemanha, cuja capacidade é 16 ounces nos US e 20 ounces no Reino Unido.

Beers como plural de beer é possível, mas seu uso ainda não é aceito como linguagem padrão. O mesmo acontece com advices e informations, coffees e teas. Antigamente, essas palavras eram usadas exatamente assim no plural. Mais tarde, a gramática passou a não aceitar essa forma, exigindo o uso de uma partitive expression. E recentemente, elas começaram a aparecer novamente em sua forma plural na língua falada. Contudo, se usadas em um contexto mais formal ou enquanto a forma plural não for aceita pela gramática, recomenda-se o uso de partitive expressions: a piece of/some advice, a piece of/some information, a cup of tea...

Leprechauns são pequenas criaturas em antigas lendas irlandesas. 

Cup of tea é uma expressão idiomática equivalente ao nosso “não é a minha praia”. It´s not my cup of tea!

A jar of love é uma música cantada pela chinesa-canadense Wanting, e Jar of Hearts é cantada por Christina Perri.

When you find yourself in a hole, stop digging significa “quando você se encontrar em um buraco, pare de cavar”. 

Ka-ching é uma onomatopeia que representa o barulho da caixa registradora.

 

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA.

 

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