Perfil: Celso Gutfreind, psicanalista e escritor

1 2 fevereiro 2015 | 09:37

Medicina e literatura são áreas que, à primeira vista, parecem ter pouco em comum, mas há quem consiga uni-las, desempenhando ambas as carreiras com desenvoltura. Celso Gutfreind é um desses exemplos que, com alma de poeta, pratica a psicanálise, e com a sensibilidade do psicanalista, faz poesia e escreve histórias infantis. Além de atender em seu consultório e dar aulas em universidades, Celso já tem 26 livros publicados, tanto na área de humanidades quanto de psicanálise. Pelo GrupoA, publicou A infância através do espelho, e participou do livro A obra de Salvador Celia - empatia, utopia e saúde mental das crianças.


Celso Gutfreind no lançamento de A infância através do espelho.
[FONTE: Artmed Editora

A infância é foco na sua carreira: muitos de seus pacientes são crianças e seus livros de ficção são infantis, exceto os de poesia. Esses interesses são frutos de sua história de vida e de trabalho. “Penso que, ao mesmo tempo em que vivia a infância com seus encontros e desencontros (esses pouco valorizados pela nossa cultura), nasciam um escritor e um psicanalista”, explica Celso. De um lado, o artista interessado na transformação das experiências de vida em arte; do outro, o psicanalista curioso pelos espaços de compreensão dessa experiência humana. Ou seja, a relação entre as duas áreas “começou já nos primórdios”, conclui.

Celso já contou que sonhava em tornar-se escritor desde cedo e, já nas suas primeiras crônicas e ensaios, a veia poética aparecia na superfície. Será possível separar o psicanalista do escritor? Ele diz que não, pois a psicanálise e a literatura estão sempre se alimentando mutuamente. “Por outro lado, às vezes é necessário separar no sentido de, na hora da psicanálise, não forçar a estética da arte e da literatura e, na hora da arte e da literatura, não esperar a compreensão da psicanálise”, pondera.

Acostumado a ler desde criança, o hábito da leitura corre na família há gerações. Por ter crescido entre pais professores, com uma grande biblioteca à disposição e ouvindo histórias contadas pelo pai e pela irmã, entrar no mundo dos livros foi um caminho natural. Mais tarde, Celso repetiria o hábito de leitura com a própria filha. “Li muito e contei muitas histórias (e poemas) para ela, uma das experiências mais prazerosas que já tive em minha vida”, relembra. Hoje, a menina já lê por conta própria.

A inter-relação entre literatura, infância e psicanálise é tema do livro A infância através do espelho, que, em três seções, busca compreender mais profundamente o ser humano, bebendo na fonte da literatura para poetizar e narrar o que vivemos e imaginamos. A fantasia, referenciada no título que traz Alice, aquela que visita o País das Maravilhas, cumpre, para Celso, um papel primordial em sua vida e sua profissão. “Na minha vida, como na vida de qualquer um”, completa, uma vez que “o que há de mais essencial está nas relações interpessoais tanto no trabalho quanto na vida afetiva. Tudo isso é muito subjetivo, intersubjetivo e a fantasia assume uma parte importante”. Ou seja, sem fantasia e criatividade, seria impossível escrever, amar, tratar e ser tratado.


Livros, arte, psicanálise: uma relação intrincada e frutífera.
[FONTE: Brain Pickings]

Celso, que já foi traduzido para francês, inglês e espanhol, já tem diversos projetos em andamento para o futuro, embora não se apresse em publicar. Ainda assim, já está marcado, para a próxima Feira do Livro do Livro de Porto Alegre (RS), o lançamento de um novo título pelo selo Artmed. Chama-se provisoriamente Crônica dos afetos – a psicanálise no cotidiano. O livro vai aprofundar ainda mais o aspecto formal literário do conteúdo da psicanálise. Além disso, ele já tem finalizados, mas sem data para publicação, alguns livros de ficção para crianças, como Monstros e ladrões e Virgínia.

Este médico e escritor, com especialização em Psiquiatria Infantil e mestrado e doutorado em Psicologia pela Universidade Paris 13, pós-doutorado em Psiquiatria da Infância na Universidade Paris 6, psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, ainda é professor de Psiquiatria na Fundação Universitária Mário Martins e professor convidado nos cursos de Psicologia da Unisinos e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Não bastasse esse currículo na área da saúde, ele já recebeu um prêmio Açorianos, em 1993 (pelo livro de poemas Arte de rua), e seu Fera domada foi eleito Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores, em 2002, mesma honraria recebida por A almofada que não dava tchau, cinco anos depois. Um perfil que representa muito bem essas duas áreas tão distintas e, ao mesmo tempo, tão complementares. 

Você viu? Atentado ao Charlie Hebdo reacende debate sobre a liberdade de expressão na web

1 30 janeiro 2015 | 08:01

Ter opinião é coisa antiga, mas a possibilidade de publicá-la e deixá-la exposta onde todos vejam é novidade. Em tempos de internet e redes sociais, não basta ter opinião sobre determinados assuntos, é preciso expressá-la. E, embora estar sempre a par das últimas notícias e acontecimentos seja uma vantagem, a rapidez com que tudo acontece no meio digital é inimiga da reflexão. Na ânsia por participar do debate, alguns podem deixar de lado o pensamento crítico dando início à confusão. O que foi feito em um átimo de tempo está eternizado, e a repercussão pode ser enorme. 


A liberdade de expressão não deve ser cerceada, mas qual é o limite da intolerância?
[FONTE: Owni]

O atentado ocorrido na sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, realizado por extremistas islâmicos ofendidos com charges que retratavam o profeta Maomé, foi o estopim, dentre outras questões mais complexas, de uma avalanche de opiniões nas redes sociais. Em apoio ao periódico, muitas pessoas utilizaram avatares com as inscrições Je suis Charlie (Eu sou Charlie) como forma de demonstrar sua consternação diante do ocorrido. Como sempre ocorre, a bola de neve da opinião fechou seu ciclo com usuários das redes sociais apontando incoerência e hipocrisia no comportamento de outros, tão sensíveis a algumas situações e verdadeiros carrascos com outras semelhantes. Mesmo líderes políticos que marcharam em favor da liberdade de imprensa em Paris não escaparam do julgamento dos internautas. O humorista Rafinha Bastos publicou um vídeo na internet tentando comparar o seu tipo de humor com o dos cartunistas do Charlie e considerando injustas as críticas a seu trabalho. Para ele, e para muitas pessoas, o humor é uma questão de liberdade de expressão. Mas até que ponto essa liberdade de expressão ultrapassa seus limites e se torna desrespeito e intolerância? E, ainda, não temos todos a liberdade de expressar nossos pensamentos a respeito dos fatos, ainda que sejam incoerentes?


Nem todos os líderes políticos que marcharam por Charlie são exatamente amantes da liberdade de expressão.
[FONTE: The Independent]

A questão é bastante complicada e perpassa conceitos distintos que se completam: a liberdade de expressão permite que a opinião seja omitida, mas o pensamento crítico e a reflexão são essenciais para garantir que ela vai ser expressa corretamente. Como diz o velho ditado, a palavra falada é algo que não volta atrás. E a palavra escrita, publicada, printada e guardada?  Se para quem nasceu em uma época em que os debates ocorriam mais comumente ao vivo, previamente censurados pela presença física do interlocutor, já é difícil saber o limite do que se pode e deve falar sob o pseudoanonimato da internet, a situação se torna mais complexa para o nativo digital. Temos toda uma geração crescendo sem as famosas papas na língua, incentivadas pela expressão fácil do pensamento on-line. Será que, para o jovem, é um ato contínuo pensar antes de expressar? A escola é capaz de ensinar o rápido opinador da nossa época a desenvolver o pensamento reflexivo?

O livro Como ser um professor reflexivo em todas as áreas do conhecimento trata dessa prática nas mais diversas disciplinas, mas, também, fala sobre a reflexão de um modo geral. Logo em seus primeiros capítulos, a obra apresenta as fases da prática reflexiva, que se colocam da seguinte forma:

1) Sugestão: se refere a ideias que surgem espontaneamente.

2) Intelectualização: se refere ao momento que superamos a reação espontânea e a experiência emocional, passando a identificar e contextualizar o problema.

3) Ideia/Hipótese orientadora: após a passagem do emocional para o racional, se exerce controle sobre a situação e formula-se uma solução para o problema. 

4) Raciocínio: é o momento em que mentes bem embasadas conseguem resolver ou sintetizar ideias antes em conflito.

5) Testagem de hipótese pela ação: a fase final da reflexão, que envolve testar a veracidade de uma ideia por meio de observação ou experimento. 

Quantos de nós não pulamos frequentemente do passo 1 para o 5, exprimindo nossa primeira reação, soltando-a no mundo para que testemos se colou ou não? Pois bem, uma coisa é bate-papo na internet, outra é a formação acadêmica. Existe a possibilidade de os jovens de hoje apresentarem essa mesma tendência a conclusões precipitadas em seu aprendizado. Fica o desafio e a reflexão para professores que precisam encarar diariamente mentes tão dinâmicas, sagazes e, talvez pela falta de hábito, eventualmente pouco críticas. 

Para José Morais, doutor em Ciências Psicológicas pela Universidade de Bruxelas e autor do livro Alfabetizar para a democracia, a incoerência é comum quando se fala antes de pensar, sendo a coerência um resultado da reanálise dos próprios pensamentos. Ele acredita que, para que os professores possam trabalhar o pensamento crítico com seus alunos, um caminho é começar apoiando projetos de pesquisa e seminários em universidades que trabalhem com o tema, em especial aqueles que mobilizam filósofos, psicólogos, pedagogos e cientistas. Para o autor, a escola tem papel crucial na transmissão do pensamento reflexivo e crítico. 

 


Como professores podem ensinar o pensamento reflexivo aos seus alunos, especialmente em uma época com tamanho fluxo de informações?
[FONTE: Pixshark]

José Morais destaca, ainda, que a liberdade de expressão jamais deve ser limitada, assim como a blasfêmia não deve ser punida como se fosse um crime. Ao comentar o caso Charlie Hebdo, o professor afirma que, ainda que alguém não concorde com aquele determinado tipo de humor, considerado uma forma de insulto por algumas pessoas religiosas, defender a liberdade daqueles cartunistas é defender a liberdade de todos. Ele destaca, ainda, a mistura de atitudes que se seguiu ao atentado, em especial a já referida hipocrisia de alguns líderes políticos. Para ele, porém, a atitude hipócrita, na maioria dos casos, não é consequência da falta de reflexão, mas, sim, trata-se de uma questão de valores morais. A possibilidade de opinar é muito positiva, de acordo com Morais, e o problema não é a rapidez da resposta sem reflexão. O problema seria se não pudéssemos mudar de opinião após aprofundar a questão. Fica o questionamento, portanto, para o leitor: depois de publicada, uma ideia permanece mutável?

Resolução para o ano: ler mais em 2015

1 27 janeiro 2015 | 15:36

Aproxima-se o fim de janeiro e muita gente já se esqueceu das resoluções de ano novo. Logo, esse é um bom momento para relembrar aquelas promessas feitas no frescor da virada do ano e buscar maneiras de colocá-las em prática. Assim como nós do BlogA, muita gente decidiu se dedicar mais à leitura, então vamos buscar inspiração nas resoluções mais inspiradoras que encontramos.

Até Mark Zuckerberg, fundador do Facebook e magnata das redes sociais, decidiu que esse ano se afastaria um pouco dos computadores para se concentrar em livros. O empresário vai ler um livro a cada duas semanas e, claro, vai postar sobre isso na web. Zuckerberg criou a comunidade A Year of Books, onde comenta suas leituras e incentiva os participantes a debaterem os livros.


Até o fundador do Facebook defende menos tempo no PC e mais tempo na biblioteca
[FONTE: Reprodução]

Já na redação do BuzzFeed, a mais badalada página jornalística do momento, a equipe convidou sua comunidade a compartilhar seus objetivos de leitura para 2015. Qualquer leitor assíduo irá se identificar com essa lista, já que elas vão de “ler todos os volumes da saga Harry Potter”, até “ler 50 livros”.

Algumas das resoluções ecoam grandes campanhas mundiais, como a leitora que decidiu ler mais livros escritos por mulheres não brancas. Se o ano de 2014 se tornou o ano de ler mulheres, 2015 ainda está em busca de sua campanha, mas um investimento em livros de diferentes culturas pode bem ser o caminho para a nova fase.


Resoluções de leitores com as quais todos podem se identificar
[FONTE: Reprodução Buzzfeed]

Outras decisões saem do fundo do coração de todo leitor atarefado: ler uma hora por dia, ler cem páginas por dia, ler um livro por mês, um por semana, ler os clássicos, terminar de ler os livros abandonados pela estante, ler mais do que ano passado… Ou seja, simplesmente ler parece ser a resolução mais acertada, mesmo que isso exija um compromisso firmado a sério com você mesmo. Para colocar em prática o plano da leitura diária, as dicas reunidas pela revista Época podem ser úteis. O articulista Danilo Venticinque sugere, entre outras coisas, manter um livro sempre à mão, eliminar as distrações e criar um diário de leituras.

E se você se identifica com o fã que deseja ler mais não ficção, seu lugar é o site do GrupoA, onde há mais livros do que qualquer um conseguiria ler em um ano, mas a tentativa é sempre livre. ;) Um título do selo Bookman é uma boa pedida para mergulhar no mundo da não ficção e aprender mais sobre arte, comportamento, fotografia, marketing e muitos outros temas que nos ajudam a navegar os tempos contemporâneos.


Lista da Popsugar sugere categorias que você mesmo completa
[FONTE: Popsugar

Por fim, se estabelecer objetivos genéricos é tarefa complicada para você, o site Popsugar sugere uma lista de categorias para ajudar você a se motivar e bater a meta! Sem determinar títulos, os objetivos incluem “ler um livro com mais de 500 páginas” ou “um livro baseado em uma história real” ou, quem sabe, “uma trilogia”. Melhor ainda seria fazer a sua própria lista de categorias. Compartilhe conosco suas ideias e suas leituras!

Debate: o envelhecimento

2 26 janeiro 2015 | 19:26


Todos vamos envelhecer, a questão é com que qualidade
FONTE: Blograma

Pensar que a expectativa de vida na Europa do início do século 20 era de 40 anos é chocante. Hoje, não só temos o dobro da expectativa de vida (no Brasil é de 74,9 anos segundo o IBGE), temos qualidade de vida ao envelhecer. Talvez um dos desafios mais intrigantes para a medicina seja desvendar o processo de envelhecimento. De acordo com a nova edição do livro Fundamentos da geriatria clínica, lançada neste ano, sob uma perspectiva médica, continua-se questionando se o envelhecimento é a característica de um projeto de um organismo que evoluiu com o tempo, e é benéfico para a sobrevivência da espécie, ou se é uma doença ou defeito que não traz nenhum benefício de sobrevida.

Os autores da obra salientam que os profissionais devem evitar considerar doenças tratáveis como alterações normais do envelhecimento, e que se deve evitar o tratamento dos processos de envelhecimento natural como doença. Para o médico Especialista em Medicina de Família e Comunidade, José Mauro Cerrati Lopes, as condições físicas, fisiológicas e emocionais que as pessoas idosas apresentam, certamente tem conexão e são reflexo de sua trajetória pregressa e contexto familiar. "Mais do que frágeis, muitos idosos são vulneráveis ao abandono, à exclusão social, à perda da autonomia e à violência".

O médico psiquiatra Leonardo Caixeta tem uma opinião parecida e ressalta que a tendência atual da medicina é individualizar cada idoso, uma vez que nem sempre a idade uniformiza um grupo de pessoas com personalidades diferentes. Segundo ele, muitas variáveis podem justificar tais diferenças: o modo como se envelheceu e o conjunto de estilos de vida, como vícios, sedentarismo e a vida intelectual, o patrimônio genético herdado e a exposição a agentes pró-envelhecimento, como álcool, tabaco e insalubridade. Ou seja, de certo modo, nós também fazemos a nossa velhice. Quando antes começarmos a nos preocupar com a qualidade que ela terá, melhor.

Por isso, a atividade física é essencial já antes do envelhecimento segundo Lopes. Se exercitar desde a juventude melhora o desempenho fisiológico do organismo, diminui dores osteo-musculares, ajuda a controlar doenças como diabetes e hipertensão, contribui para manter a socialização e para a autonomia. Ou seja, faz bem, sim. Como já falamos aqui no BlogA, envelhecer não é só um processo físico e mental, mas também social. Por isso, os idosos devem não apenas se preocupar com o corpo, em se exercitar e comer bem, mas também em ter amigos. 

Caixeta complementa e alerta que a prática de exercícios na terceira idade colabora na prevenção de inúmeras doenças físicas, mas também ajuda a reduzir sintomas mentais, como ansiedade e depressão, além de cognitivos, como desatenção e déficits de memória. "Idosos com atividade física regular geralmente necessitam doses menores de medicações psiquiátricas e apresentam índices de qualidade de vida mais altos que idosos sedentários", ressalta ele.

Segundo o livro Fundamentos da geriatria clínica, a apresentação atípica da doença em indivíduos idosos ocorre porque uma das características do envelhecimento é a diminuição da capacidade de responder ao estresse, e a resposta do corpo ao estresse é o que normalmente gera os sintomas de uma doença. Pessoas mais idosas não conseguem reagir de modo tão ativo, ou seja, elas podem não apresentar picos febris na presença de uma infecção, por exemplo.


Idosos devem ser exercitar sim. De preferência, desde antes do envelhecimento
FONTE: Vida de qualidade

A geriatria e as doenças crônicas

Lopes explica que as doenças crônicas são de cada pessoa: algumas têm, outras não. E que não se deve confundir alterações do estado funcional e fisiológico do organismo e as limitações decorrentes do envelhecimento com doenças, pois isso pode acarretar no uso de medicação e investigações que podem trazer riscos.

Segundo Caixeta, as pessoas se confundem: doenças ligadas ao envelhecimento, como diabetes, hipertensão arterial e demência não constituem processos patológicos inexoráveis ao envelhecimento. Inclusive, a ciência já dispõe de conhecimentos que permitem intervir, evitar ou, pelo menos, protelar o aparecimento de processos vasculares e degenerativos.

Lopes analisa que "cada pessoa vai encarar esta fase de forma muito particular e única. Não acho que exista uma receita, mas perceber que haverá limitações e se adaptar, pensar em se manter ativo e saudável, planejar meios econômicos para se manter de forma independente, e cultivar as relações familiares e de amizade provavelmente ajuda".

Esta 7ª edição de Fundamentos da geriatria clínica combina informações práticas para ajudar os médicos e outros profissionais de diversas disciplinas a abordarem de forma mais eficaz os desafios que são impostos a eles pelos idosos. Porém, uma leitura atenta também irá revelar muitas dicas para melhor desempenhar os cuidados de doenças crônicas em geral. É uma leitura interessante para profissionais da saúde que desejam melhorar a qualidade de vida dos pacientes idosos.

Você viu? Governo cria regras para estimular parto normal

1 23 janeiro 2015 | 14:06

A Organização Mundial da Saúde (OMS) determina que o percentual de cesarianas por nascimento, em comparação com o parto normal, não passe de 15%. No Brasil, no entanto, os índices chegam a 40% na rede pública e a 84% na rede privada. Com o intuito de ampliar o acesso à informação por parte de mães que estão prestes a dar à luz e de estimular o parto normal, o Governo Federal criou novas regras para a saúde suplementar.

As operadoras de saúde deverão não apenas informar a paciente sobre os números relativos aos tipos de parto executados por seu médico e pela operadora, como também fornecer o cartão gestante, que permite que qualquer profissional tenha acesso ao histórico da gestação. As novas regras entram em vigor em 180 dias, mas, afinal, quais são os benefícios de cada tipo de parto?


Não importa o tipo de parto: o amor de mãe é igual.
[FONTE: Mercury News]

O parto normal como primeira opção

O parto normal, que está sendo incentivado pelas novas medidas, é o mais indicado para qualquer gestação que não apresenta riscos. Dentre os benefícios desse tipo de parto estão o menor risco de infecção, a recuperação mais rápida e a compressão da caixa torácica do bebê durante a passagem pelo canal vaginal, que diminui o risco de desenvolvimento de doenças respiratórias na criança. Durante o trabalho de parto, são liberados os hormônios ocitocina, popularmente conhecido como o hormônio do amor, e prolactina, que estimula a amamentação. Além disso, o parto normal respeita o tempo do bebê, evitando nascimentos antes da hora. Por esses motivos, a indicação da OMS é que sejam realizados partos normais em todos os casos que não incorram em risco à mãe e ao bebê.

O ministro da saúde brasileiro, Arthur Chioro, afirma que a intenção não é demonizar a cesariana, mas que os números apresentados no Brasil “não são normais”, especialmente com relação a outros países no mundo. Para ele, a medida irá empoderar a mulher, que terá informações adequadas para fazer a sua escolha. Diante dos números atuais no Brasil, tem sido comum mulheres recorrerem à rede pública em busca de um parto mais humanizado.


O acesso à informação permite que mãe e médico decidam o tipo de parto mais adequado para cada gestação. 
[FONTE: Loving Moments]

A cesariana como solução indispensável em casos de risco

O parto cesáreo, por outro lado, é essencial em alguns casos e responsável por salvar vidas. Situações que antes poderiam levar ao óbito da mãe ou do bebê, como a eclampsia, o prolapso do cordão umbilical e o descolamento de placenta, ou condições crônicas da mãe, como capacidade cardíaca insuficiente, hoje se transformam em nascimentos bem sucedidos graças à cesariana. No entanto, cabe ressaltar que essa é uma cirurgia de porte médio, que exige cuidados na recuperação e apresenta riscos, como hemorragias e infecções. A cesariana é indicada também para os casos em que a mãe apresentar um quadro grave de diabetes, herpes genital ou ser portadora do vírus HIV, evitando o contato da criança com a doença, no caso dos dois últimos. As mães que optam pela cesariana também o costumam fazer não apenas pelo medo da dor, mas por entender ser mais seguro ter o parto agendado, com a certeza que seu médico não estará em outro atendimento no momento do nascimento da criança.

O nascimento em outros locais do mundo

Apesar dos números apresentados no Brasil, na maioria dos países os nascimentos são realizados majoritariamente por meio de parto normal. O livro Compreendendo a Saúde Global traz um capítulo voltado à saúde da mãe e da criança, apresentando dados mundiais a respeito de indicadores como mortalidade materna, mortalidade neonatal e perinatal, além de assistência especializada na hora do parto, que ajudam o leitor a visualizar o quadro geral de nascimentos pelo mundo. De acordo com a obra, um ponto a ser considerado na hora do parto é a idade da mãe, sendo que as gestações precoces oferecem muitos riscos à parturiente, havendo indicação de cesariana. Ainda, para diminuir as chances de complicações nos partos (sejam eles de qualquer tipo), é recomendado que ocorra um intervalo de, no mínimo, 24 meses entre um e outro. 

Ademais, segundo os dados apresentados em Compreendendo a Saúde Global, em muitos países em desenvolvimento os nascimentos ainda são realizados com o auxílio de parteiras tradicionais. Na África subsaariana, por exemplo, quase 90% dos partos são feitos em casa e dessa forma, esses países apresentam alto índice de mortalidade materna. O problema, nesses casos, não é a opção pelo parto normal, mas, sim, a falta de exames pré-natal e de condições higiênicas adequadas na hora do nascimento. Por isso, a OMS costuma distribuir kits de partos domésticos, indicar a presença de um agente de saúde durante o processo e incentivar a criação de casas de parto, nas quais as gestantes de risco possam aguardar o trabalho de parto próximas de um hospital, para o caso de emergências. 


O nascimento realizado com a ajuda de parteiras e seguindo tradições rituais ainda é muito comum em outras partes do globo.
[FONTE: Parteiras Tradicionais]

Já na Grã-Bretanha, país desenvolvido e com baixa mortalidade materna, a tradição das parteiras foi reavivada quando, em 2011, foi realizado um movimento semelhante ao que está ocorrendo no Brasil, para o incentivo do parto normal. Nos Estados Unidos, também foram implantadas novas diretrizes, no ano passado, para diminuir o número de cesáreas no país.

Como visto, os dois partos apresentam benefícios indiscutíveis para a saúde da mãe e do bebê. Cabe ao obstetra informar a paciente a respeito de ambos e, principalmente, interferir para que a gestante não se exponha a riscos desnecessários, agendando cesarianas em casos que não a exijam, ou permitindo o parto normal em situações de alto risco.

BlogA Entrevista: Gustavo Schestatsky

4 21 janeiro 2015 | 17:43

A saúde mental é um tema que provoca diversos debates na área médica. O DSM 5 – Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais é um dos guias mais completos na psiquiatria, trazendo o que há de mais atual em termos de classificação e diagnóstico em saúde mental. Na última entrevista de 2014, trouxemos um contraponto ao DSM. Hoje, falaremos do Guia para o DSM-5, lançamento do selo Artmed que é um complemento indispensável para a condução do diagnóstico feito a partir do consagrado manual. Para falar um pouco sobre a temática do livro, o psiquiatra, especialista e mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Gustavo Schestatsky, revisor técnico do livro, nos respondeu algumas questões sobre a obra.


O Guia para o DSM - 5 também está disponível em eBook.

O DSM-5 costuma ter grandes apoiadores e ferrenhos críticos. Qual é importância desse tipo de debate para a área?

A importância é oportunizar tanto um reconhecimento dos avanços trazidos pelo DSM-5 como das limitações desse manual. Reconhecer suas limitações evita que os profissionais da área o utilizem de forma leviana, o que poderia levar a consequências deletérias como excesso de diagnósticos em um mesmo indivíduo e, consequentemente, tratamentos inapropriados ou excessivos.

Quais os cuidados os profissionais devem ter ao consultar o DSM-5? 

O principal cuidado é justamente reconhecer que o DSM-5, apesar de sua grande relevância, é apenas um norteador ao diagnóstico, que não substitui uma avaliação abrangente do paciente, com suas particularidades, histórias pessoais e familiares, etc. Os profissionais devem ter bem claro que um bom diagnóstico psiquiátrico não pode se limitar a uma mera verificação de listas de sintomas. Outro cuidado fundamental é resistir à tentação de um diagnóstico apressado que os manuais diagnósticos, por sua estrutura facilitadora, oferecem.

O senhor acredita que hoje existe um excesso de diagnósticos em saúde mental incentivados por uma espécie de modismo? 

É inegável que as classificações diagnósticas, se utilizadas de um modo leviano, podem induzir um excesso de diagnósticos em um mesmo indivíduo, as chamadas comorbidades, as quais, na realidade, provavelmente refletem as limitações dos sistemas classificatórios. Por outro lado, em termos populacionais, o que ainda predomina é o subdiagnóstico, ou seja, a falha dos sistemas de saúde em identificar indivíduos que sofrem de algum transtorno mental e que, assim, estão privados de receber uma assistência adequada.

Que outros tipos de exames e de informações complementares são necessários para o bom uso do manual? 

Os exames complementares ao diagnóstico ainda têm um papel muito limitado nos diagnósticos em psiquiatria, exceto para excluir causas orgânicas de certos transtornos. As diretrizes diagnósticas contidas no DSM orientam, essencialmente, o diagnóstico com base no levantamento de sintomas do paciente. Como complemento ao bom uso do manual, o Guia para o DSM-5  pode ser interessante. Ele fornece um panorama geral do DSM-5, colocando-o dentro de uma perspectiva histórica das classificações diagnósticas. Também destaca as inovações desta nova edição, sua estrutura geral e as principais mudanças em relação às edições anteriores. Por fim, e talvez o mais importante, traz discussões sobre as principais categorias diagnósticas, incluindo diagnósticos associados e diagnósticos diferenciais.

Quais são as armadilhas do diagnóstico psiquiátrico? Como evitá-las?

Uma das principais armadilhas é o processo diagnóstico apressado, baseado apenas em diretrizes de manuais diagnósticos. Com isso, via de regra, deixa-se de captar muitas informações e nuanças fundamentais para um bom diagnóstico. Outra armadilha relacionada é a tentação de “encaixar” um paciente em uma categoria diagnóstica mesmo quando não há elementos suficientes para isso. Muitas vezes um diagnóstico psiquiátrico pode levar muito tempo até poder ser estabelecido com segurança, e a “facilidade” oferecida pelos manuais diagnósticos não devem apressar esse processo.

Qual a maior contribuição do Guia para o DSM -5 para os profissionais e estudantes da área da saúde?

O Guia para o DSM-5 é um facilitador ao entendimento e uso pleno do DSM-5. Ao contextualizá-lo historicamente, compará-lo com edições anteriores, comentar e discutir as inovações e os principais transtornos mentais, aprimora a compreensão e, consequentemente, o uso mais adequado do DSM-5 por parte dos profissionais e estudantes da área da saúde.


Curiosidades: os alimentos e a sua conservação

5 19 janeiro 2015 | 14:59

Passeando pelos corredores dos supermercados, poucos imaginam que há toda uma ciência por trás daqueles produtos tão bem embalados, prometendo, e, muitas vezes, até entregando, a refeição mais gostosa de todos os tempos. Por mais espaço que os orgânicos tenham ganhando em nossas vidas, é praticamente impossível escapar dos alimentos industrializados nos dias de hoje. E isso não é necessariamente ruim.

Vale lembrar que a conservação dos alimentos surgiu para prolongar a vida daqueles que são os principais responsáveis por dar sobrevivência aos seres humanos. Com a população crescendo em progressão geométrica na época da Revolução Industrial, início do século 19, enquanto a comida aumentava em progressão aritmética, era mais do que necessário criar métodos para que o alimento durasse mais e nutrisse mais pessoas.


Conservar bem os alimentos é dar mais vida aos nutrientes
FONTE: Comidas do João

Conservar o alimento não se trata, veja você, apenas de prolongar sua vida útil, mas também a de seus nutrientes, carboidratos, gorduras, proteínas, minerais e vitaminas. Conforme nos conta o livro Práticas em Tecnologia de Alimento, estima-se que, se metade das perdas de alimentos no armazenamento fosse evitada, haveria calorias suficientes para satisfazer a dieta alimentar de 500 mil pessoas. Não é pouco. A relevância da tecnologia de alimentos está no desenvolvimento de métodos e de processos que reduzem as perdas, aumentando a disponibilidade de alimentos sem abrir mão da tão desejada qualidade. Existem diversos métodos de conservação de alimentos.

Alguns fazem parte das técnicas agrícolas, pesqueiras ou pecuárias e estão relacionadas às formas de se obter e acondicionar os produtos. Uma das técnicas mais antigas e conhecidas é a secagem dos grãos de cereais ou legumes logo após a colheita. Outros fazem parte das técnicas culinárias e, por isso, são mais familiares. A conservação de frutas com açúcar, a preparação de embutidos ou de picles são exemplos bem cotidianos. Outros, ainda, são processos industriais, como a pasteurização ou o enlatamento.

Atualmente, os métodos de conservação são classificados conforme a tecnologia utilizada: pelo calor; pelo frio; pelo controle de humidade; por adição de solutos; por defumação; por fermentação; por aditivos químicos; por irradiação. Cássia Nespolo, uma das autoras do livro Práticas em Tecnologia de Alimento, título que aborda os conhecimentos necessários para a compreensão das reações e dos processos envolvidos no desenvolvimento, na produção e no armazenamento de alimentos de origem vegetal e animal, explica os métodos de conservação mais comuns:

- O uso do frio é bastante utilizado na indústria, supermercados ou na casa do consumidor por meio da refrigeração ou do congelamento dos alimentos;

- Emprego do calor em processos como a pasteurização, como no caso do leite pasteurizado, da cerveja, e de vários derivados lácteos, esterilização comercial, como no leite UHT, ou branqueamento, que é um processo usado em vegetais que serão posteriormente congelados;

- Controle da atividade de água, o qual ocorre mediante a remoção de água do alimento, como em processos de secagem, comum no leite em pó, em temperos desidratados e para fazer frutas secas, ou pela adição de solutos, como sal, no caso de pescados salgados e no do charque, ou açúcar, processo comum às frutas cristalizadas e ao doce de leite;

- Controle do oxigênio, sendo que o processo mais comum e conhecido é a embalagem a vácuo;

- Controle de pH do alimento, processo utilizado em iogurtes, leites acidófilos, picles, conservas e em alguns tipos de geleias;

- Uso de aditivos, os mais conhecidos são os conservantes para alimentos.

Cássia, que é farmacêutica bioquímica e tecnóloga de alimentos, mestre e doutora em Microbiologia Agrícola e do Ambiente, além de professora da Universidade Federal do Pampa, dá algumas dicas de conservação que podemos utilizar no dia-a-dia:

Pontes de vidro com tampa são uma dos melhores para armazenar alimentos
FONTE: Bbel

- Armazenar os alimentos conforme as orientações indicadas nos rótulos, respeitando as temperaturas de refrigeração ou congelamento;

- Evitar que o local de armazenamento de alimentos em temperatura ambiente fique exposto ao sol ou próximo a fornos, para que não se eleve a temperatura;

- Observar o prazo máximo de consumo após a embalagem ser aberta e, no caso dos refrigerados e congelados, transferir para uma embalagem de vidro ou plástico livre de BPA (bisfenol A) com tampa. Os alimentos armazenados em temperatura ambiente, após abertos, devem ser lacrados ou transferidos para embalagens em vidro com tampa;

- Manter os alimentos perecíveis em frio, como no caso de lácteos e cárneos;

- Lavar frutas e verduras antes de armazenar para remover resíduos e contaminações nas cascas e folhas e conservar sob refrigeração, sempre que possível;

- Para prolongar a conservação de ovos, mantenha-os sob refrigeração e na parte interna, não na porta do refrigerador;

- Bebidas, como vinhos, e azeites e óleos devem ser conservados protegidos da luz.

Conforme lembra a especialista, a conservação dos alimentos contribui para que um alimento perecível em um curto espaço de tempo possa ser conservado por um período mais prolongado. Além disso, para que um alimento sazonal, como frutas e verduras, possa estar disponível durante o ano todo, evitando que deteriore ou, pior, seja fonte de microrganismos ou compostos causadores de danos à saúde. Lembre-se: conservar é proteger.

Você viu? Bronzeamento pode ser vício

1 16 janeiro 2015 | 16:29

Você já se perguntou por que tem gente que não consegue ir embora da praia antes de se despedir do último raio de sol? Pois os aficionados por bronzeamento podem mesmo estar sob efeitos químicos que agem no cérebro de maneira semelhante a certas drogas aditivas. Ou seja, pegar sol pode se tornar algo parecido a um vício.

A pesquisa que analisou o comportamento compulsivo dos bronzeados aconteceu no Hospital Geral de Massachusetts e foi publicada na revista Cell. Realizando testes em ratos, eles concluíram que não são apenas objetivos estéticos que levam os seres ao sol. A luz ultravioleta faz o corpo produzir betaendorfina, uma molécula opioide (que trabalha da mesma maneira que a morfina, inibindo a dor) endógena que ativa o sistema de recompensas do cérebro de maneira semelhante a drogas como a heroína.


Todos buscam um lugar ao sol
[FONTE: Hercampus

Nos laboratórios, os ratos foram expostos a uma dose diária de luz que seria o equivalente a um banho de sol intenso de 20 ou 30 minutos para um ser humano. Em poucos dias, o nível de betaendorfina aumentou. Quando os cientistas cortaram a luz ultravioleta da rotina dos roedores, alguns chegaram a apresentar sintomas de abstinência, como tremores e ranger de dentes. Um dos autores do estudo, David Fischer, quer usar essas descobertas para investigar se existe uma relação entre esses processos químicos e transtornos afetivos sazonais, também conhecidos como depressão do inverno, na esperança de elaborar novas terapias. O livro Doença Maníaco-Depressiva traz uma breve discussão a respeito da fototerapia e os resultados já comprovados desse tipo de tratamento. Embora seja difícil medir os efeitos da luz ultravioleta de maneira objetiva, é certo que os seres humanos são emocionalmente afetados pela luz (ou a falta dela).

Os perigos do sol

A maior preocupação de Fischer é que o estudo demonstra como os seres humanos tendem a buscar aquilo que é uma das principais causas de câncer no mundo. Essa tendência surge, provavelmente, da necessidade de processar a vitamina D, o que o corpo só consegue fazer quando exposto à luz ultravioleta.


As marcas da falta de protetor solar podem durar uma vida inteira
[FONTE: Huffington Post

Mas é necessário achar a medida certa. O câncer de pele é o que mais se alastra atualmente, com taxas de ocorrências que sobem 3% ao ano, apesar de se tratar de uma doença facilmente evitável e amplamente conhecida e compreendida na área da saúde. A obra Dermatologia de Fitzpatrick traz um amplo estudo sobre as doenças de pele, incluindo os melanomas. No caso da compulsividade por banhos de sol, por ser um hábito capaz de alterar o comportamento humano, o pesquisador Fischer acredita que deve haver medidas de conscientização que tentem reduzir a prática.

Embora a teoria que iguala compulsão por bronzeamento a um vício ainda precise de comprovação, o livro Medos, Dúvidas e Manias aborda o transtorno obsessivo-compulsivo, mas também os sintomas e síndromes semelhantes ao TOC. O texto tem linguagem clara e de fácil compreensão mesmo para os não especialistas. No nosso país tropical, essas questões merecem atenção. O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, o que levou à criação do Programa Nacional para o combate à doença. Em casos como esses, conhecimento pode ser a melhor arma. Com informações claras sobre os perigos e os benefícios da luz solar, estaremos mais aptos a controlar nossa exposição ao sol. Afinal, apesar de perigoso, o sol também é fonte de vida e essencial para o bem-estar dos seres humanos. 

Exposição na medida certa

A exposição à luz solar é a única forma de levar o corpo a produzir vitamina D, e apenas isso já é uma grande ajuda na prevenção de doenças. Essa vitamina colabora com a prevenção ao câncer de mama e ao de cólon, por exemplo, além de haver estudos que comprovam a relação entre falta de vitamina D e ocorrência de esclerose múltipla. Não bastasse prevenir doenças graves, a mesmíssima vitamina contribui com a saúde dos ossos, já que facilita a absorção do cálcio. Essencial, sobretudo, para idosos e gestantes.


A cena paradisíaca tem que ser aproveitada com parcimônia
[FONTE: Wandering Trader

Por fim, o sol faz a gente se sentir melhor em termos gerais. Há diversos estudos que relacionam a exposição à luz solar e às variações de humor. O que se sabe com certeza é que a luz ultravioleta aumenta os níveis de antidepressivos naturais do cérebro, como a serotonina. Essa é, provavelmente, uma das causas para a maior ocorrência de depressão em países com pouca incidência solar.

Ou seja, o sol é vilão e herói nas nossas vidas. Como você já deve ter ouvido dos mais velhos e mais sábios, tudo em excesso faz mal, até mesmo a preocupação! Tomar sol é necessário para processar a vitamina D, mas não deixe passar do ponto. O guarda-sol e o filtro solar continuam sendo acessórios essenciais para o verão.

Vai Ficar Tudo Bem

4 15 janeiro 2015 | 08:55

*Por Cristina Ustárroz

Deixe-me ver se adivinho suas resoluções para este ano. Você quer ficar em casa em dias de chuva! E por ficar em casa quero dizer não ir para o trabalho, ficou claro? De preferência, você quer ficar na cama nas frias manhãs de inverno. Também quer ficar de papo pro ar, inverno e verão. Enfim, o que você quer mesmo é ficar bem. Acertei? E ficar bem definitivamente não fica bem com ficar furioso. Muito menos com ficar na miséria. Nem pensar em ficar com medo. Ficar doente? Cruz credo! Posso nem ter chegado perto das suas resoluções, mas que verbinho polivalente esse ficar, não?

Polivalente, sim. Verbinho, nunca! Todo mundo sabe que ficar em inglês é stay. Ficar em casa é stay home. Por favor, não saia daí: stay here! O que acontece em Vegas? Stays in Vegas! Mas stay não é o único verbo em inglês com esse significado. Ficar no telefone, por exemplo. Você fica horas no celular? Diga stay on the phone. Ou be on the phone. Ficou de boca aberta?

O mesmo vale para ficar conversando, que você até pode traduzir por stay talking. No entanto, keep talking soa bem mais natural. O que comprova que, com tantos significados, às vezes, traduzir ficar por stay não fica bem. Outras vezes, não é questão de ficar bem ou não: é questão de ficar certo ou errado! E é aí que a porca torce o rabo! Ficou confuso? Não fique! Keep reading!

É que o verbo ficar parece ser mais versátil do que seu par stay. Ou seja, stay nem sempre corresponde a ficar. E quando não for possível traduzir um pelo outro devemos pedir ajuda aos demais verbos. Quer ver? Como você diria ficar de papo pro ar? Stay the jowl in the air? Esqueci de avisar: não vale assassinar o idioma! Diga simplesmente chill out! Não precisa ficar com a pulga atrás da orelha!

E ficar com amigos? Diga spend time with friends. Ou hang out with friends. Não sabia? Pois fique sabendo! À propósito, como você diria fiquei sabendo? Diga I was told, I learned, ou I heard. Escutou? E ficar acordado? Diga stay up! Não confunda com stand up, que significa ficar em pé. Como em stand-up comedy! E em stand up paddle! Caso contrário você vai ficar com a cara no chão: lose face!  

Você vai ficar bem? Tenho certeza! Diga I will be fine! Ou I will be OK! A não ser que você esteja se referindo a algo que fica bem em você. Uma cor ou peça de roupa que combina com seu estilo e sua personalidade. Azul fica bem em você? Diga blue suits me. Ou, ainda, I look good in blue. Que mal há em praticarmos o autoelogio de vez em quando? Pois fique à vontade: be my guest!

E ficar de bem com alguém é make up. Que não tem nada a ver com make out - dar uns amassos! Esse é outro ficar! Tipo one night stand. Fique por dentro! Já ficar furioso revela transformação no estado de espírito. Não estava furioso, mas ficou. Passou a sentir-se. Diga get mad. Ficou estressado? Chill out!

Ficar na miséria? Deus me livre! Go broke! O miserê pegou pesado? Diga go flat broke! Ficar fora da competição? Be out of the competition. Ficar de fora? Be left out! Ficar com medo? Pois fique em casa, então! E vire uma múmia paralítica! Ou diga be afraid. Não fique por fora! É muito ficar para pouco stay!

Falando nisso, você quer bancar o generoso com o garçon? Diga keep the change. Isso aí: fique com o troco! Quer que eu fique com aquele quadro maravilhoso que está pendurado na sua sala? Diga I want you to have it. Prometo que não vou ficar triste – I won’t be sad! Quem sabe uma tia ainda mais generosa deixa você ficar com a casa – inherit the house! Você não vai ficar na rua da amargura – be in dire straits! Mark Knopfler sabe bem o que é isso! Pode ficar de quatro! E que ninguém fique pra titia - be on the shelf! Mas se for para ficar ao lado de J. R. R. Tolkien ou George R. R. Martin, que mal tem? 

A telefonista pediu para ficar na linha? Please hold! Seu escritório fica longe daqui? It´s far from here! Você detesta ficar doente? Ficar de cama? Ficar na mão? Be sick. Be in bed. Be stood up. E tem quem goste? Não vale ficar vermelho de raiva! Fique com Deus! Ou Ele com você! God be with you! Ninguém fica pra semente! Who wants to live forever?

Estabelecido que ficar é um verbo multitarefas, como você diria ficar sem? Tipo ficar sem gasolina. Run out of gas! Você nunca ficou sem? Eu já! O mesmo acontece quando você chega faminto em casa e percebe que ficou sem nada: acabou o pão, acabou o café, acabou o requeijão! Run out of! Run out of! Run out of! Bota go broke nisso! Não fique de orelha murcha! Mas fique esperto da próxima vez!

E como fica a história das resoluções lá no início do texto? Fique de olho – keep your eyes open! Que a tão sonhada viagem não fique para depois, que seus planos não fiquem no papel e que nenhum campo de sua vida fique em branco. Ficou com dúvidas? Ah, e que você não fique para trás. Em resumo, não fique a ver navios! No fim, vai ficar tudo bem! Yes, everything will be OK! Já eu vou ficar por perto o ano inteiro: I will stick around! Prometo ficar até o fim! And we will be just fine

Notas altamente esclarecedoras

Pertencendo ao seleto grupo de verbos copulativos (verbos de ligação entre o sujeito e o predicativo do sujeito), o verbo ficar é extremamente versátil. Pode significar hospedar-se, estar situado, permanecer, restar, tornar-se, e muito mais. Por exemplo, fiquei de ligar sugere uma combinação prévia entre duas pessoas ou mais, certo? Diga I was supposed to call. Já fico dias sem comer carne significa que passo dias sem comer carne. Diga I go days without eating meat. O importante é pensar no contexto! Só assim poderemos escolher a maneira mais adequada de traduzir para o inglês.

Sugestões de tradução para as expressões mencionadas no texto: ficar em casa (stay home), ficou claro? (is it clear?), ficar na cama (stay in bed), ficar de papo pro ar (chill out), ficar bem com (combinar/go well with), ficar com medo (be afraid), ficar doente (be sick, become sick, get sick), fique aqui (stay here), ficar no telefone (stay on the phone, be on the phone), ficar de boca aberta (be openmouthed, blow one´s mind), ficar conversando (stay talking, keep talking), ficar certo ou errado (be right or wrong), ficar confuso (be confused, get confused), ficar com a pulga atrás da orelha (smell a rat), ficar com amigos (spend time with friends, hang out with friends), fiquei sabendo (I was told, I learned, I heard), ficar acordado (stay up), ficar em pé (stand up), ficar com a cara no chão (lose face), ficar bem (be OK, be alright, be fine), ficar bem em alguém (suit, look good in), fique à vontade (be my guest, make yourself comfortable), ficar de bem (make up), “ficar” (one night stand, make out, hook up with someone), fique por dentro (keep up with, stay tuned, be up on), ficar furioso (get mad, go mad, be mad), ficar na miséria (go broke, go flat broke), ficar fora da competição (be out of the competition), ficar de fora (be left out), ficar com medo (be afraid), fique com o troco (keep the change), quero que você fique com… (presentear/I want you to have…), ficar triste (feel sad, be sad, get sad), ficar com a casa (inherit the house), ficar na rua da amargura (be in dire straits, go through an ordeal), ficar de quatro (be on all fours), ficar pra titia (be on the shelf), fique na linha (please hold), fica longe daqui (it´s far from here), ficar doente (be sick, get sick), ficar de cama (be in bed), ficar na mão (be stood up), ficar vermelho de raiva (see red), fique com Deus (God be with you), ficar pra semente (live forever), ficar sem (run out of), não fique de orelha murcha (why the long face?), fique esperto (don´t screw up), e como fica a...? (and what about the...?), fique de olho (keep your eyes open), não fique para depois (adiar/be postponed, be put off), ficar no papel (stay on the drawing board, not leave the drawing board), ficar em branco (be left blank), ficou com dúvidas? (do you have any questions?), ficar para trás (to be left behind), ficar a ver navios (be left high and dry), vai ficar tudo bem (everything will be OK), eu vou ficar por perto (I will stick around), ficar até o fim (stay to the end).

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA. :)

BlogA Indica: Como planejar e fotografar pessoas ou lugares

33 16 dezembro 2014 | 16:50

Por mais que uma fotografia seja considerada o registro de um momento, ela representa um extenso trabalho de produção por parte do autor. Um fotógrafo precisa de preparo para fazer a câmera estar no lugar certo e na hora certa, ou corre o risco de não conseguir narrar o que quer com os melhores quadros possíveis. Toda essa pré-produção, invisível ao público final, é baseada na escolha do tema daquela narrativa. Independente de ser você um apaixonado por fotografia, ou apenas um curioso, gostaríamos de apresentar por aqui algumas dicas de planejamento dedicadas aos dois temas mais comumente encontrados: pessoas e lugares.

Existem diversas temáticas diferentes, como making-ofs, produtos, coleções, conceitos, instituições, etc. Mas, independente de qual seja sua classificação, todas possuem como base em seu planejamento uma coisa: a pesquisa. Conhecer outros trabalhos é essencial, não apenas por facilitar à logística, mas também por serem o fotojornalismo e a fotografia de documentário, nos quais grande maioria das narrativas fotográficas se encaixa, áreas cumulativas. Isso significa que você poderá responder a máxima de “Isso já foi feito antes” dizendo “não como agora e não do meu jeito”.


Michael Freeman é um renomado fotógrafo com diversas narrativas em seu portfólio, confira por aqui: Galeria: Histórias

Narrativas sobre pessoas:

Não é por coincidência que você encontra tantos rostos estampando capas de revistas. Para muitos editores, está é a narrativa que mais provoca interesse no público. Principalmente quando o fotógrafo consegue expressar, além das demais atividades, a personalidade do seu personagem.


Presença confirmada em diversas listas, Fabs Grassi é um fotógrafo de rua que faz retratos incríveis de personagens do cotidiano paulista. Conheça seu Instagram: Fabs Grassi

Se tratando de pessoas, dois formatos são comuns no mercado editorial:
- o perfil, no qual se procura apresentar o maior número de aspectos possíveis sobre a vida de alguém, e
- um dia na vida de – que também pode ter recortes de tempo por semana ou mês – se destaca do perfil por cativar o público ao permitir que ele se identifique com aquela história comparando os eventos da narrativa com os do cotidiano normal do espectador.

Ao realizar ou avaliar fotos de pessoas, procure responder algumas questões, como:

- Existe alguma excentricidade no trabalho daquela pessoa?
- Quais são as atividades em grupo que o personagem participa?
- Os principais relacionamentos estão sendo abordados?
- Existe algo importante que aconteceu recentemente ou está prestes a acontecer exposto nas fotos?
- Quais são as esperanças e medos apresentados?
- Qual aspecto deveria ser o núcleo da narrativa?

Narrativas sobre lugares:


Michael Freeman também possui diversos trabalhos que apresentam países ou continentes específicos: Galeria: Lugares

Aqui se enquadram quaisquer narrativas que se dediquem a um espaço geográfico, sendo ele um país, uma cidade ou mesmo um bairro. Ao se planejar esse tipo de narrativa sua pesquisa deve responder ao que pode levar as pessoas a se interessarem por suas fotos. Essa resposta pode te ajudar a definir os melhores enquadramentos e, por consequência, vai influenciar totalmente na logística do seu projeto. Logística na fotografia engloba duas das questões importantes, tempo e custo. Qual o menor número de dias necessários para fotografar tudo que é necessário e quanto isso vai custar? Se tratando das narrativas sobre lugares, essa pergunta tem maior peso, pois engloba custos de transporte, viagens, entre outros.


Outro fotógrafo brasileiro que merece destaque, Matheus Beltrão procura retratar Recife e suas peculiaridades em seu Instagram, confira: Matheus Beltrão

Se tratando da essência do lugar, você deve considerar quais fotos com pessoas se tornam necessárias. Pessoas raramente vão estar de fora, visto que mesmo sua ausência em uma foto torna-se parte do significado daquela imagem. Ainda que você prefira, em sua maneira, produzir fotos com vistas gerais de paisagens ou pequenos detalhes, é importante compreender com antecedência qual espaço as pessoas terão no seu trabalho.

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Sobre o BlogA

Será que de médico, artista e louco todo mundo tem mesmo um pouco? Aqui no BlogA você vai encontrar de medicina a design, de filosofia a psicologia, de ilustração a poesia; pinceladas divertidas de todas as áreas de publicação do Grupo A. Quer nos enviar dicas ou sugestões? É só escrever para bloga(arroba)grupoa(ponto)com(ponto)br.

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