Curiosidade: Gestão dos postos de trabalho

12 13 março 2015 | 10:33

Você já ouviu falar sobre gestão dos postos de trabalho? Talvez não esteja completamente familiarizado com o termo, mas muitas partes da nossa vida cotidiana estão diretamente ligadas, ou são apenas possíveis devido às descobertas dessa área. Uma maneira de compreender exatamente do que estamos falando é conhecendo exemplos, e um dos mais famosos é o modelo Toyota, a partir do qual o empresário japonês e criador do sistema Taiichi Ohno escreveu o livro Gestão dos postos de trabalho, publicado no Brasil pela Bookman. 

Altair Klippel, revisor técnico da obra, explica do que se trata: o Sistema Toyota de Produção (STP), hoje um dos grandes pilares da área, foi criado no final da Segunda Guerra Mundial, com o intuito de identificar as perdas existentes no ambiente fabril. Foram definidas as chamadas sete grandes perdas: por superprodução, por transporte, por processamento, por fabricar produtos defeituosos, por estoque, por espera e por movimentação. A partir desse diagnóstico, o STP foi capaz de desenvolver métodos e ferramentas para eliminar ou reduzir essas perdas, de forma a diminuir os custos de produção e a aumentar a produtividade do sistema em um cenário de alta competitividade. Podemos dizer, então, que essa é uma boa definição para a gestão dos postos de trabalho: uma forma de maximizar a produção, minimizando os custos. 


Taiichi Ohno foi o criador do Sistema Toyota de Produção.
[FONTE: Plywerk]

Quando falamos de perdas e de postos não estamos nos referindo apenas a maquinário e equipamentos. O profissional da área também lida com a melhor utilização de recursos humanos. Altair cita o livro Uma revolução na produtividade: a gestão lucrativa dos postos de trabalho, obra da qual é coautor, com Junico Antunes, André Seidl e Marcelo Klippel, para explicar como isso funciona. “Os ativos de uma organização são os ativos de capital e os ativos de conhecimento. O ativo de capital é aquele direcionado pelo mercado, pela realização de investimentos feitos pelos acionistas ou proprietários. Já o ativo do conhecimento é construído com a agregação de conhecimento e crescimento intelectual dos colaboradores da organização”, define. E completa: “esse ativo está diretamente relacionado com as pessoas e com sua capacidade de adquirir e desenvolver conhecimento por meio de treinamento”. 

Nesse sentido, segundo o autor, cabe ao gestor de postos de trabalho procurar implantar melhorias contínuas, o que passa, necessariamente, por gerar uma mudança comportamental em todos os colaboradores da organização por meio do aumento de seu ativo de conhecimento. As habilidades a serem desenvolvidas nos colaboradores são as seguintes: humildade e empatia, criatividade e comunicação e, por fim, trabalho em equipe. Altair explica ainda que, para o STP, as pessoas são o recurso mais valioso da organização. 

Na verdade, a própria gestão de pessoas é capaz de atuar positivamente na otimização do uso do maquinário. No momento em que os colaboradores agregam conhecimento por meio de treinamentos e atualizações a respeito de trabalho em equipe e sobre os métodos e ferramentas utilizados na empresa, a aplicação desse conhecimento sobre o maquinário aumenta a produtividade e reduz os custos de produção, atuando diretamente sobre as já definidas grandes perdas. Dessa forma, todos se direcionam para a meta da organização, “que é ganhar dinheiro”, diz Altair. 


A indústria automobilística não foi a única beneficiada pelo STP, mas mudou muito desde então. 
[FONTE: Indústria Hoje]

Formado em engenharia de minas, Altair Klippel tem graduação, mestrado e doutorado finalizados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No entanto, após entrar em contato com a engenharia de produção e, principalmente, se especializar no modelo Toyota, passou a atuar como consultor, implementando melhorias em empresas de diversos segmentos industriais, além da mineração. Por isso, baseado em sua atuação profissional, Altair define um dos maiores desafios da área: conquistar todos os colaboradores de uma organização para realizar a gestão dos postos de trabalho de acordo com conceitos, métodos e ferramentas do STP, aliados a outras metodologias de gestão. Uma dessas metodologias adjacentes é Teoria das Restrições (TOC, na sigla em inglês para Theory of Constraints), que fala justamente dos obstáculos que cada organização enfrenta, constantemente, para atingir seus objetivos. Para Altair, portanto, o desafio se coloca no momento em que, para alcançar a meta da empresa, são necessários não somente os gestores, que dão condições para que a produção se realize, como também os operadores, que fazem a produção, e todos os demais colaboradores da instituição.

Para que possamos, sem deixar dúvidas, compreender de que maneira a gestão dos postos de trabalho afeta positivamente nosso cotidiano, vamos a um pouco de história. “A partir da crise do petróleo na década de 1970, o mundo ocidental se surpreendeu com a recuperação da Toyota Motor Company, visto que a empresa já estava preparada para enfrentar um cenário de alta competitividade, produzindo baixos volumes de produção e grande variedade de produtos”, conta Altair. Ao constatar que a razão do sucesso japonês era devido aos conceitos criados por Taiichi Ohno, as empresas ocidentais passaram a copiar esse modelo de gestão. Altair friza que as diferenças culturais trouxeram algumas dificuldades para a transmissão do conhecimento. Porém, a partir daí, as empresas passaram a implementar métodos cada vez mais modernos de gestão, a fim de sobreviver em cenários cada vez mais competitivos, gerando postos de trabalho e mantendo a produção. Podemos afirmar, portanto, que essa é uma área que requer perseverança, para alcançar um padrão ótimo, e, principalmente, perspicácia, para perceber quais processos podem ser melhorados. As mudanças são complexas, mas, quando ocorrem, mudam uma organização inteira e, quem sabe, o mundo da indústria, como aconteceu com o modelo Toyota.

Ficha técnica: Guia de farmacoterapia

9 11 março 2015 | 10:25

Médicos e farmacêuticos são aliados no tratamento de doenças e na administração de medicamentos. Unindo conhecimentos, esses dois profissionais aliviam sintomas e curam enfermidades. Mas não há maneira de armazenar na memória todas as variações, possibilidades e combinações de remédios adequados para cada caso. Por isso, existem diversos guias, manuais e outros materiais de consulta que auxiliam o dia a dia do profissional e tornam o tratamento mais ágil.

O Guia de farmacoterapia é uma dessas importantes fontes de informação que devem estar sempre ao alcance das mãos do médico e do farmacêutico. O título serve como referência para consultas rápidas e foi organizado para facilitar ao máximo o acesso aos dados necessários: a obra é composta integralmente por tabelas e algoritmos. A disposição visual torna o conteúdo muito mais claro e fácil de assimilar.

Os capítulos são organizados por especialidade médica. As páginas apresentam os tratamentos sugeridos por evidências clínicas e há dicas adicionais que ajudam na escolha da melhor terapia para cada situação. Como não poderia deixar de ser, a obra traz detalhes de cada medicamento, como uma lista de benefícios e riscos, reações adversas, posologia, interações com outros medicamentos e respostas aos tratamentos.


Reprodução do livro

As especialidades abordadas são cardiologia, doenças infecciosas, endocrinologia, neurologia, gastrenterologia, pneumologia, nefrologia, reumatologia, psiquiatria, ginecologia, hematologia, terapia intensiva, fluidos e eletrólitos, tratamento da dor e urologia. Para tratar de todos esses temas com propriedade, a autoria da obra ficou a cargo de dois profissionais: Christopher P. Martin, professor no curso de Farmácia da Universidade do Texas, e Robert L. Talbert, professor de Farmácia e Medicina na mesma universidade, além de pesquisador do centro de educação farmacoterapêutica do Texas.

Na edição brasileira, a tradução ficou a cargo de Simone Köbe de Oliveira, Doutora em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pós-Doutoranda em Biotecnologia e Biociências na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Já a revisão técnica foi feita pelo farmacêutico bioquímico José Antonio de Oliveira Batistuzzo, que também é professor e coordenador do Curso de Pós-Graduação em Farmácia Magistral da Faculdade de Farmácia Oswaldo Cruz. 

A obra consolidou-se como um importante recursos para todos os profissionais da área e está disponível também em ebook.

As aparências enganam

8 10 março 2015 | 15:44

*Por Cristina Ustárroz

Você sabe como dizer resumo em inglês? Diga summary, porque se você usar a palavra resume estará dizendo retomar ou recomeçar. A não ser que esteja se referindo à resumé, que vem do francês e significa currículo. A coisa é mansa, mas atropela!

Você fez faculdade? Então você foi a um college, mas se o que você tiver em mente é colégio diga school. E sabe como se diz curso de graduação? Undergraduate program. Mas curso de pós-graduação é graduate program. Pode isso, Arnaldo?

O que parece não é e o que é não parece! Isso tem nome: falsos amigos! Você pode até pensar que o ser diabólico que inventou essas palavrinhas com o intuito perverso de pegar você, de fazer você cair na armadilha de achar que sabe o que elas significam somente porque elas se assemelham a palavras no português, está neste exato momento soltando sua risada maléfica. Só que não!  

Imagine que você está em qualquer país de língua estrangeira. E você quer entrar em um banco, ou loja, ou restaurante. Enfim, você precisa passar por uma porta. Você lê push e acha, porque push lembra puxe, que deve puxar a porta para abri-la. Nâ nâ ni nâ nâ! Quando você ler push, empurre. Só puxe quando estiver escrito pull. Muahaha!


[Fonte: creatiabusiness]

Você está a fim de almoçar? Pois almoço é lunch. Quer apenas fazer um lanche? Diga snack, mas se você escorregar na pronúncia e disser snake, estará pedindo cobra. É gato por lebre! Se quiser verduras, não tenha medo de dizer vegetables, já que vegetais são plants. Mas se quiser uma sopinha básica, diga soup, pois se disser soap você estará pedindo sabão ou sabonete. Aproveite e lave bem as mãos!

Falando nisso, acredito que você só vai falar com o chef quando quiser cumprimentá-lo pela excelente refeição. Mas se tiver problemas no trabalho é com seu chefe que você tem que se entender. Diga boss. Quer um conselho? Fale com seus pais. Que são os parents, mas se você quiser dizer parentes, então diga relatives. E já vou avisando: warn é aviso e conselho é advice. Se fosse bom era vendido. 

Aliás, vai a um café beber café? E quem disse que é a mesma coisa? O estabelecimento comercial é café e a bebida é coffee. Se for beber no refeitório, diga cafeteria. Mas se quiser dizer cafeteira, diga coffee pot. Desfrute seu café! Aproveite a oportunidade e diga enjoy, que não tem nada a ver com enjoar. Mas se ficar enjoado diga feel sick! E corte o café! É preto no branco!

Vai fumar? Se for cigarro diga cigarette, porque se você disser cigar estará se referindo à charuto. Terrível, não? Também acho! Diga terrible, porque se você disser terrific estará dizendo que charuto é ótimo! E charuto está longe de ser terrific! Durma com um barulho desses. E acorde de cara boa!

Sabe aquele colar de diamantes que você não comprou para sua namorada? Pois é! Diga necklace. Porque se disser collar, você estará dizendo gola ou colarinho. Você não vai comprar uma gola, vai? Suou no colarinho? Pois quem vai ficar irritada é ela: hot under the collar

Quer dizer sacada? Diga balcony. A cena da Julieta na sacada é uma das mais famosas de Shakespeare. Mas já ouvi se referirem a essa cena como a da Julieta no balcão. O fato é que balcão é counter. Engenhoso isso, não? Então diga ingenious. Mas se quiser dizer ingênuo, faça como os franceses e diga naive. Ou diga ingenuous. É a água e o vinho! Ou apples and oranges

Appointment é compromisso. Você quer dizer anotação? Diga note. E compromise é fazer concessão ou entrar em acordo. Anote na sua agenda! Você precisa de uma? Diga calendar, organizer ou, ainda, daily planner, se estiver se referindo à agenda onde você anota os compromissos, porque se usar a palavra agenda você estará se referindo à pauta da reunião ou ordem do dia. Mas se quiser dizer agenda de endereços, diga address book. Você ainda tem uma? Isso sim é maquiavélico! Muahaha para você!

Vai instalar uma antena? Diga aerial ou antenna, porque se você disser anthem estará se referindo à hino nacional. Quer assistir TV? Não, não diga assist TV. Assist é ajudar. Diga watch TV. Mas se quiser dizer assistir aula, diga attend class. Você tem razão: tem um engraçadinho rindo nas minhas costas! 

E se assistir aula é attend class, como se diz atender? Depende! Diga answer the phone, se estiver falando em atender ao telefone; e see a patient, se estiver falando em atender um paciente. Diga meet expectations, se estiver se referindo a atender expectativas; answer a prayer, quando pedir para alguém atender as suas preces; e, finalmente, diga serve ou assist a client, se estiver falando em atender um cliente. Ih, voltamos a assistir! Serviço de assistência ao consumidor? Customer service! Sua ligação é muito importante para eles!

Você pretende participar de um concurso? Diga contest, pois se disser context estará dizendo contexto. Trata-se de um concurso de fantasias? Pois fantasia é costume. Mas se você disser custom estará dizendo costume. E pretender? Diga intend, porque se disser pretend você estará dizendo fingir ou fazer de conta. Não faça! Just do it!

Casualidade é chance, mas casualty é vítima de acidente. Delight não é delito, é prazer. Delito é crime. Ou offence. E defendant não tem nada a ver com defesa: ele é o próprio réu. Já advogado de defesa é defense attorney. Você se machucou no acidente? Diga injury, pois injúria é insult. Azar do Valdemar! 

Sabe como dizer azar? Diga bad luck, pois se disser hazard estará dizendo risco. Além de injury, você teve prejuízo no acidente? Diga damage, pois se disser prejudice estará dizendo preconceito. Hazard o Valdemar? Posso sentir daqui seu preconceito contra piadas sem graça!

Journal é revista especializada, enquanto que jornal é newspaper. Você vai dar uma palestra? Diga lecture, pois se disser reading estará dizendo leitura. Quer ir à biblioteca? Diga library, porque se usar a expressão bookstore significa que você quer ir a uma livraria. Vá a uma e compre um livro sobre esse assunto! Ou siga lendo meu texto!


[Fonte: Honduras]

Já sei, você quer ler um romance! Diga simplesmente novel. Mas se o que você realmente quer é assistir novela, então diga soap opera. Você não quer nada disso? É um simples novelo de lã que você precisa? Diga yarn. Convenhamos, duvido que você vá precisar dela. Foi buscar lã e saiu tosquiado!

Por sinal, seus novos vizinhos são pra lá de esquisitões? Diga strange, pois se disser exquisite você estará dizendo que eles são refinados. Esquisito isso, não? Very strange! Você quer dizer estrangeiro? Não diga stranger, que significa desconhecido. Diga foreigner

A propósito, como se diz legenda para filme estrangeiro? Diga subtitle, porque se disser legend estará dizendo lenda. E se o filme não tiver legenda e você precisar de uma tradução? Diga translate, pois se disser traduce estará dizendo caluniar. Com amigos assim, quem precisa de inimigos? 

Media é meio de comunicação; média é average. Notice é nota, aviso, comunicação; notícia é news. Já o verbo notice é perceber, enquanto que noticiar é inform. Não seja tão sensível. Seja sensato! Diga sensitive e sensible.  Para bom entendedor, é melhor explicar tudo direitinho.

Você quer dizer atualmente? Diga nowadays ou currently, porque se usar a palavra actually você estará dizendo na verdade. De fato!  Dados é data, data é date. E date também significa namorar. Fabric é tecido, mas fábrica é factory. Ou plant. Que também é vegetal! Que coisa, não? É cara de um, focinho de outro!

E, por falar em amigo, não, grip não é gripe. Significa agarrar firme. Gripe é flu. E tenant não é tenente. É inquilino. Lieutenant é que é tenente. Se exit significa saída, como se diz êxito em inglês? Básico: success! Ficou embaraçado com essas pequenas confusões? Não fique! Afinal, você ainda está aprendendo. Mas quer um conselho? Não use a palavra embaraçado; diga constrangido. Vá que você esteja em país de língua espanhola. Quem avisa amigo é! 

Notas altamente esclarecedoras

Galvão Bueno tira dúvidas referentes a lances do jogo com Arnaldo César Coelho, especialista em arbitragem.

Falsos amigos (false friends) são palavras em um idioma muito parecidas com outras em outro idioma. Pela semelhança, presumimos que possuem o mesmo significado, quando na verdade não possuem.

E abstract? Figurinha fácil nos Trabalhos de Conclusão de Curso, abstract é um resumo em língua estrangeira do que estará sendo abordado no trabalho.

Você sabe a diferença entre white collar e blue collar? White collar é quem trabalha em escritório (e usa camisa, gravata e terno), e blue collar é quem trabalha no chão de fábrica. Logicamente, referem-se à cor das vestimentas e dos colarinhos.

Agenda: pauta, ordem do dia, programa de governo; calendar: agenda de compromissos; address book: agenda de endereços.

E mais agendas: agenda de reforma é reform agenda; agenda comercial é trade agenda; agenda econômica é economic agenda; agenda da igualdade é equality agenda, e agenda escondida é hidden agenda.

A palavra embarazada significa grávida em espanhol.

*Cristina Ustárroz é a professora de inglês preferida dos colaboradores do Grupo A. Ela escreve mensalmente para o BlogA. :)

Perfil: Elvino Barros

5 9 março 2015 | 10:42

Mesmo se tratando de uma ciência milenar, a medicina continua sendo uma área de transformações rápidas e numerosas, o que torna quase obrigatória a constante consulta a novas bibliografias, incluindo-se aí os manuais didáticos, especialidade do nosso Perfil do mês. Elvino Barros, autor e colaborador de diversos títulos pela Artmed Editora, é um desses doutores que também se expressam e ensinam por meio das letras, facilitando a vida de estudantes e profissionais da área. Especialista em nefrologia, Elvino Barros trabalha no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e é professor do Departamento de Medicina Interna da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em sua formação, além da graduação em Medicina pela Universidade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (UFCSPA) e do mestrado em nefrologia pela UFRGS, há também um doutorado realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um pós-doutorado em Harvard (EUA).

Dentre as obras publicadas pelo Grupo A, destacam-se Medicamentos de A a Z, um manual indispensável para o profissional da área médica e que está em sua quarta edição, bem como se sobressai o ecletismo da temática de seus livros. Elvino costuma transitar entre diversas áreas da medicina interna, apesar de sua especialidade. Em uma conversa com o BlogA, o especialista contou um pouco sobre suas escolhas, desde a própria medicina até a nefrologia, e sobre as características de suas obras. Confira!

Como se deu sua aproximação com a medicina?

A primeira lembrança que tenho, antes de decidir pela carreira médica, vem do primeiro grau (na época, primeiro ano do ginásio), quando comecei as aulas de ciências biológicas. Via o ser humano como uma máquina perfeita e tinha imensa curiosidade de saber como funcionava. Sou de família pobre e não tive nenhum parente ou conhecido médico. Estudava em um colégio simples, orientado para cursos técnicos. No final de uma aula de ciências o professor perguntou a cada aluno o que faria como profissão, respondi que seria médico. Ouvi, muito triste, a gargalhada dos colegas. Mais tarde, um deles me procurou e disse que eu tinha sido muito arrogante dizendo que seria médico. Como poderia pensar tão alto se estudava em uma escola de orientação técnica?  Cinquenta anos depois desse episódio, em uma festa de confraternização, o mesmo colega veio me cumprimentar por ter conseguido atingir meu sonho. 

Por que o senhor escolheu a nefrologia como especialidade?

A nefrologia é uma das especialidades mais completas da medicina. Os rins, órgãos vitais, desempenham um papel extraordinário no organismo, mantendo o equilíbrio necessário para o seu funcionamento e também de vários outros órgãos. Eles interagem com coração, cérebro, fígado, glândulas, pele e etc., mantendo a estabilidade necessária para manutenção da vida. Interessante é que, apesar de o rim ser um órgão vital, pois sem ele o indivíduo não poderia sobreviver, a medicina, por meio de incríveis desenvolvimentos, criou uma máquina, conhecida como “rim artificial”, que substitui a função renal. A máquina de hemodiálise permite a manutenção da vida. No Rio Grande do Sul, a primeira máquina de hemodiálise foi doada pela família Chaves Barcelos para a Santa Casa de Misericórdia, sendo usada pela primeira vez no dia 1º de janeiro de 1963. Até esta data, as pessoas morriam quando os rins paravam de funcionar. Hoje, no Brasil, mais de 100 mil pessoas fazem uso desse equipamento. Existem 750 unidades de diálise cadastradas no Brasil; no Rio Grande do Sul, são 73 unidades. Além dessa máquina maravilhosa, o transplante renal é outra maneira de tratamento quando os rins param de funcionar. Hoje, ele é realizado rotineiramente em todo o Brasil, agregando mais qualidade de vida aos pacientes. Felizmente, nos dias de hoje os pacientes com insuficiência renal terminal têm as opções de diálise e transplante renal para se manterem vivos e com boa qualidade de vida, graças à nefrologia e aos nefrologistas. Uma especialidade tão completa como essa é muito atraente, não é?

Mesmo sendo especialista em nefrologia, seus títulos tratam de temas bastante diversificados. Qual a razão dessa escolha?

Para exercer a medicina, muitos conhecimentos são necessários. Por exemplo, todo médico deve conhecer muito bem os antibióticos. São medicamentos fundamentais no tratamento de infecções, que ocorrem em todos os sistemas do organismo. Esses antibióticos, em grande parte, são excretados pelos rins. Pacientes com problemas renais podem ter dificuldade na excreção desses medicamentos, acumulando o antibiótico e intoxicando o organismo. Sempre que usarmos um antibiótico ou outro medicamento, precisamos saber se o mesmo é excretado pelos rins ou pelo fígado, e ajustar as doses, quando necessário, para evitar essas intoxicações. Por esse motivo, tenho editado livros sobre medicamentos e antibióticos.


Os rins são órgãos vitais, mas, com o avanço da ciência, sua falência já não é mais sentença de morte. 
[FONTE: Huffington Post]

O senhor tem preferência por redigir manuais?

Sempre gostei de manuais, livros práticos que ajudam no dia a dia do atendimento médico. A medicina é cada vez mais complexa e, com novos conhecimentos chegando todos os dias, fica muito difícil a atualização de todos os conteúdos. Por isso, são cada vez mais frequentes as subespecialidades. Os manuais são úteis nesse contexto, pois ajudam a resolver rapidamente as dúvidas de doses, efeitos adversos, interações, entre outros. Além disso, são utilizados por médicos, farmacêuticos, enfermeiros e demais profissionais da saúde.

Qual a contribuição, para a área médica, de livros como Medicamentos de A a Z e seus sucessores?

Esse é um bom exemplo de manual muito usado por todos os médicos. Ele traz as principais informações de forma objetiva e é de fácil manuseio. É impossível o médico guardar os nomes comerciais dos medicamentos, doses, intervalos de administração e tudo o mais. O manual nos ajuda, no momento da escolha dos medicamentos, a prescrever de maneira correta, com menos possibilidade de ocorrerem erros.

Durante sua formação, o senhor costumava ler e consultar manuais da área?

Durante a formação, necessitamos de conhecimentos mais amplos da medicina. A leitura de artigos científicos e revisões sistemáticas são obrigatórias para ampliar e atualizar os conhecimentos médicos. Os livros são fundamentais para a ampliação do conhecimento, eles sintetizam de forma didática os conteúdos médicos. Nessa etapa, os manuais são menos importantes, eles serão mais úteis no final da formação médica no momento das prescrições de medicamentos. 

A paixão de Elvino Barros pela medicina e, mais precisamente, a essencial nefrologia o levou a redigir um manual tão importante quanto Medicamentos de A a Z, bem como a colaborar com outros títulos como Exame clínico, Antimicrobianos, Clínica médica, Medicina interna na prática clínica e, é claro, Nefrologia. Conhecendo a história do médico e sua paixão pela ciência do corpo humano, bem como acompanhando a evolução da nefrologia no Brasil exposta por ele, é que podemos perceber o quanto a pesquisa, o aprendizado e a dedicação na prática médica salvam cada vez mais vidas. E, às vezes, um simples manual pode fazer a diferença para facilitar a vida do profissional que precisa colocar em prática, diariamente, tudo o que foi aprendido em anos de estudo e reflexão sobre a área médica. 

 

 

Debate: o professor na era da educação digital

10 6 março 2015 | 11:00

Como aprendemos a viver, pensar, decidir e agir na atmosfera densa e mutante da era digital global? Que papel está ocupando a escola convencional neste processo? É possível ter uma escola verdadeiramente educativa, que ajude cada indivíduo a se construir de maneira autônoma, sábia e solidária?

Essas são algumas questões que o futuro da educação instiga. Os novos estudantes estão cada vez mais conectados, exigindo dos professores um comportamento diferente e novas metodologias. Atentos para essa realidade, o Grupo A criou a SAGAH, empresa que oferece soluções integradas de educação para instituições de ensino superior, produzindo conteúdo para cursos de graduação e pós-graduação usando a metodologia de aprendizado ativo.

A SAGAH foi desenhada a partir de alguns conceitos que estão revolucionando o ensino superior no Brasil e no mundo, tais como Blended Learning (aprendizagem híbrida), Flipped Classroom (sala de aula invertida) e, sobretudo, na mudança do modelo de ensino just in case para o modelo just in time, comprovadamente mais eficaz do que os modelos tradicionais.

Esses e vários outros conceitos atrelados à tecnologia são peças-chave na sala de aula do futuro, colocando o aluno como protagonista de seu aprendizado, conduzindo o professor para outro papel tão fundamental quanto na forma do ensino clássico.


Ángel I. Pérez Gómez é autor do livro Educação na era digital: a escola educativa.
FONTE: Divulgação

O pesquisador espanhol Ángel Pérez Gómez, autor do livro Educação na era digital: a escola educativa, discute exatamente o que significa aprender e se educar nesse complexo contexto contemporâneo. Além disso, ele apresenta ao leitor o conceito de escola educativa. 

“Em que situa o aprendiz no centro, no foco de sua preocupação, e concebe o conhecimento e as disciplinas acadêmicas não como uma finalidade em si, mas como o melhor instrumento para se compreender e agir. Uma escola educativa é aquela que ensina a viver e a conviver em grupos humanos cada vez mais complexos e heterogêneos, bem como a resolver os inevitáveis conflitos sociais a partir do diálogo e do respeito mútuo”, explica Gómez.

O autor, entrevistado da revista Pátio de março explica que, afora a barreira tecnológica, todos nós precisamos eventualmente romper com o padrão convencional. A cultura escolar dominante, enraizada não só nas instituições, mas nos alunos, nas famílias, nos professores e nos gestores é o primeiro obstáculo a transpor quando se fala em uma educação ativa. 

Gómez, inclusive, afirma que a inovação educativa, por ir na contramão da escola dominante, é sempre minoritária, marginal e efêmera, além de ser tarefa para heróis. Rodrigo Severo, gerente de projetos da SAGAH, acredita que esse cenário esteja mudando: “É difícil quebrar este paradigma que existe entre a sala de aula do passado e a sala de aula do futuro. Precisamos trabalhar para que o professor entenda que seu papel está mudando, não basta colocarmos computadores nas salas de aula. É preciso mudar a abordagem. Hoje, poucas instituições conseguem fazer isso de maneira eficiente, mas aquelas que o fazem já estão colhendo os frutos com maior satisfação dos alunos e maior ganho de aprendizagem”.


Rodrigo Severo, da SAGAH, empresa que produz conteúdo para cursos de graduação e pós-graduação.
FONTE: Divulgação

O professor no olho do furacão

Sem dúvida nenhuma o aluno é importante nessa transformação da educação, mas é o professor o primeiro impactado, uma vez que grande parte dos docentes nasceu e se formou em um cenário completamente diferente. Na opinião de Gómez, doutor em Pedagogia pela Universidade Complutense, de Madri, e titular da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade, de Málaga, o professor da era digital já não pode apenas se considerar ou ser um transmissor de informação. 

“A informação está em todas as partes, acessível e gratuita para qualquer um que acesse a internet. O docente atual tem uma missão muito mais especializada e complexa: ajudar a promover aprendizagem relevante em todos e em cada um de seus alunos. Não basta saber explicar bem, é preciso saber orientar e acompanhar cada um dos alunos para que desenvolvam ao máximo suas possibilidades, as competências ou qualidades humanas que exige o complexo, mutável e incerto cenário contemporâneo”, explica o pesquisador. 

Rodrigo Severo concorda que o papel do docente, hoje, é mais de mediação, o que exige do professor mais comprometimento com os conteúdos abordados. “O professor precisa provocar o aluno, colocar ele frente a problemas reais, instiga-lo a pensar em formas práticas sobre como deve resolver problemas da sociedade com os conhecimentos que adquiriu.”

Para o professor espanhol, o desafio da educação atual reside em ajudar cada aprendiz a transitar da informação para o conhecimento e do conhecimento para a sabedoria. “Os cidadãos vivem saturados de informação e rodeados de incerteza. A provocação está em aprender a diferenciar, discriminar, valorizar a informação útil e descartar a que é puro lixo. Construir com a informação mais valiosa modelos, esquemas e mapas mentais que ajudem a transitar pela complexidade da vida contemporânea”.

Nessa nova era da educação, o professor deve formar-se da, na e para a prática profissional, compreendendo a complexidade da sala de aula, dos grupos e dos indivíduos. E a SAGAH pretende ser um apoio para o professor. Todas as Unidades de Aprendizagem têm desafios que fazem com que os alunos reflitam sobre assuntos reais e trabalhem na solução de problemas. Além disso, os conteúdos são atrativos e dinâmicos, para poder falar a língua dos nativos digitais que estamos todos nos tornando.

 

BlogA entrevista: David Aaker

42 5 março 2015 | 12:11

Recém-lançado, o livro On Branding: 20 princípios que decidem o sucesso das marcas é um importante guia para estudantes e profissionais de marketing que desejam trabalhar com a construção e a solidificação de marcas. Escrito por David Aaker, vice-presidente da Prophet Brand Strategy e professor emérito de Estratégia de Marketing na Berkeley-Haas School of Business, o livro surge como obra compacta que traz a essência de obras anteriores.


[FONTE: Business Wire

Nesta entrevista, Aaker, que já foi traduzido para dezoito idiomas e teve mais de cem artigos publicados, fala sobre o que um profissional de marcas deve e não deve fazer, sobre a importância da diversão no trabalho e sobre os desafios contemporâneos na construção de marcas.

Você poderia nos dar bons exemplos de marcas fortes de hoje?
Se você entrar no meu blog em davidaaker.com poderá ver porque eu gosto de marcas como Skype, Chobani, Burberry, Whole Foods, HerkeleyHass, Uniqlo, Tesla e Muji.   

Você escreveu o livro On Branding: 20 princípios que decidem o sucesso das marcas pensando em profissionais, estudantes ou no público em geral? Quem é seu principal leitor?
Todos aqueles que precisam se atualizar sobre os aspectos básicos da criação de marcas, precisam de uma revisão para aprender os novos conceitos ou, ainda, precisam criar e gerenciar marcas. Ou seja, isso inclui os novatos e também as pessoas mais experientes que trabalham com marcas. Mas o livro também se direciona a pessoas que precisam de uma versão compacta dos meus outros cinco livros sobre marcas.

Vinte anos atrás, você publicou Construindo marcas fortes, que se tornou um clássico. Quais as principais diferenças entre aquela obra e o seu livro mais recentes?
Este livro contém os destaques do On Branding além de abordar gerenciamento da liquidez de marcas, liderança, gerenciamento de portfólios, relevância e silos territoriais.

Muito do trabalho de criação de marca depende do produto à venda. Um bom profissional pode construir uma marca forte para um produto ruim? E, mais importante, deveria?
Não, é uma perda de tempo. O papel da construção de marca nesse caso seria identificar os pontos fracos no produto que precisam de solução.

Em On Branding: 20 princípios que decidem o sucesso das marcas, você diz que a construção de marcas e estratégias são atividades divertidas. Se um profissional adota essa postura, ele apresentará melhores resultados?
Sim, todo mundo deveria ter a sorte de um emprego divertido, significativo e recompensador.  Pessoas motivadas têm melhor desempenho. Por isso, quando uma marca possui um propósito elevado, as pessoas em torno dessa marca têm mais energia e determinação.

Vivemos em um mundo que globalizou mercados, processos de produção e distribuição de produtos. Isso é uma vantagem ou um novo obstáculo na criação de marcas fortes?
É um desafio para quem deseja atuar globalmente (embora a marca possa ser capaz de aproveitar os aspectos positivos do país de origem) ou para quem precisa competir com marcas globais que estejam ingressando em seu mercado local (a marca poderá explorar o fato de ser local na cultura e a oferta de benefícios de expressão pessoais).

Recentemente, no Brasil, tivemos dois casos de empresas que estão sendo investigadas pelo CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) por criar histórias ficcionais sobre suas origens. Existe um limite para o storytelling na construção de marcas?
Sem dúvida, o segredo para que uma história seja eficaz é que ela seja autêntica. Se ela não for verdadeira, o tiro pode sair pela culatra.

O livro On Branding: 20 princípios que decidem o sucesso das marcas também está disponível em versão ebook e é uma fonte indispensável para gestores, estrategistas de marketing e de marca, além de ser uma excelente leitura de entrada para as outras publicações de David Aaker.

Você viu? Precisamos debater a identidade de gênero

34 3 março 2015 | 17:32

Você viu o caso de Romeo, capa da revista Nova Escola? Não por acaso as relações de gênero estão nos Parâmetros Curriculares Nacionais como tema transversal há quase duas décadas. Porém, de acordo com pesquisa recente da Unesco, apenas 68 cursos de Pedagogia no Brasil possuem menção em seus currículos ao tema, sem mencionar outras licenciaturas. A realidade, apesar de controversa, enfatiza a crescente importância de se debater, ainda na escola, a questão relativa à identidade de gênero e à sexualidade. 


[Fonte: Outras Linhas]

De acordo com o especialista em Técnicas de Ensino e Aprendizagem, mestre em Ciências Humanas, pela USP, Celso Avelino Antunes, o primeiro passo seria vincular esses temas a uma ou algumas disciplinas curriculares do curso, além de “estudos de caso” trazendo a temática ao debate e, portanto, a sua conscientização por parte de futuros professores. Para Antunes, revisor técnico do livro Questões sociais desafiadoras na escola, até questões que envolvessem temas como o segregacionismo ou homofobia poderiam ser trabalhados desde a Educação Infantil, envolvendo toda comunidade docente e as famílias. “Assim, a criança cresceria acolhendo o outro com empatia autêntica e, nesse caso, as manifestações de rejeição, quando ocorrem, são trabalhadas com serenidade e eficiência”, explica o pesquisador.

Para a titular da Academia Brasileira de Ciências e pesquisadora emérita da Faculdade de Saúde Pública da USP, Elza Berquó, não adianta obrigar o professor a seguir um currículo se ele não sabe o que vai ensinar. A formação dos professores torna-se protagonista nessas situações, porém o que se constata é que as licenciaturas não tratam de nenhum assunto dessa área.

Geralmente o tema é tratado apenas quando surge no ambiente escolar, de forma reativa, sem a iniciativa por parte dos educadores. De acordo com Jane Felipe, doutora em Educação, pela UFRGS, revisora técnica na obra Cérebro azul e rosa, existem inúmeras possibilidade de se trabalhar com o tema, a começar pelas atividades propostas, bem como a linguagem utilizada (sem discriminar o menino ou a menina), os livros didáticos e paradidáticos, os livros de literatura selecionados, os filmes discutidos em aula, as músicas e as brincadeiras. “Todos esses artefatos culturais podem promover experiências diversas e interessantes discussões sobre diversidade, discriminação e equidade de gênero”, analisa a pesquisadora, integrante do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero e do Grupo de Estudos em Educação Infantil e Infâncias.

Envolver as famílias nessa conversa é de extrema importância. Discutir sobre amor romântico e suas idealizações de família, de relações afetivo-sexuais, as formas pelas quais gerenciamos nossas vidas nesse campo e de que forma todas essas questões se conectam a violência de gênero. “Nos últimos anos, as políticas públicas, em especial no âmbito federal, têm feito um esforço no sentido de promover e incentivar programas que possam combater às discriminações de gênero e sexuais. No entanto, cabe aos estados e municípios desenvolverem programas permanentes de formação docente, bem como projetos envolvendo diretamente os alunos e suas famílias”, salienta Jane.

Para agir frente a realidade é importante ter iniciativa. Se você possui alguma história ou relato para enriquecer o debate, compartilhe sua experiência conosco.

 

Você viu? Filme premiado em Oscar traz o Alzheimer de volta aos holofotes

8 27 fevereiro 2015 | 10:49

No último domingo, a atriz Julianne Moore foi premiada com Oscar de melhor atriz por sua atuação no longa Para sempre Alice, que traz a história de uma renomada professora de linguística diagnosticada com Alzheimer precoce. Nos últimos anos, muito tem se falado sobre a doença, inclusive com a ficção se apropriando do drama sofrido por quem a desenvolve ou convive com ela, cativando o público justamente por ser algo muito próximo da realidade. Mas será que toda essa exposição é benéfica e informa? Ou será que mais confunde do que ajuda na hora de prevenir e lidar com o Alzheimer da vida real? 

Para o médico e especialista em neurologia Leonardo Caixeta, autor de títulos como Doença de Alzheimer, a divulgação de doenças pela mídia leiga acaba dando ensejo a dois fenômenos sociais. O primeiro deles diz respeito a um maior conhecimento sobre aquele aspecto mórbido pela população, o que atende a uma necessidade de se atentar para uma epidemia até então silenciosa, no caso, ligada ao envelhecimento. O segundo, negativo, é o mau uso da informação, por meio de dois mecanismos: a tendência a generalizar todos os tipos de demência como Alzheimer e o medo hipocondríaco de que qualquer problema de memória represente sintoma da doença.


A perda de memória é um dos principais sintomas do Mal de Alzheimer, mas nem toda a perda de memória é sintoma da doença. 
[FONTE: 24 Informations]

Embora ainda se saiba pouco sobre o Alzheimer (e também sobre as doenças degenerativas de forma geral), Caixeta afirma que os achados mais recentes demonstram que o metabolismo anômalo de duas proteínas presentes no cérebro está relacionado ao processo patológico do mal. A partir daí, tem-se tentado identificar medicações que possam atuar precisamente nesses mecanismos moleculares. Várias drogas estão sendo testadas com esse propósito. 

Como dito anteriormente, Alzheimer não é sinônimo de demência. Caixeta, que também é autor do livro Demências do tipo não Alzheimer, esclarece que toda a doença de Alzheimer constituirá uma demência, ao passo que o oposto não é verdadeiro. A demência é uma síndrome, e não uma doença, caracterizada pela alteração cognitiva ou de comportamento que implica em limitações funcionais e para a qual existem mais de 140 causas diferentes.

Em Para sempre Alice, a personagem-título começa a apresentar sinais de Alzheimer precocemente, em uma idade pouco usual. Leonardo Caixeta afirma que, embora de maneira bem mais rara que a forma senil, a doença pode, sim, se manifestar na meia-idade. O sintoma inaugural, nesses casos, é sempre a perda de um tipo de memória para material recente, chamada memória episódica. O termo Alzheimer de Início Precoce é utilizado para designar os tipos que se manifestam antes dos 65 anos.


No filme, a personagem de Julianne Moore começa a apresentar sintomas relativamente jovem. 
[FONTE: Divulgação]

Um dos maiores desafios ao enfrentar a doença fica por conta dos parentes e cuidadores do paciente. Não é fácil ter que lidar com uma pessoa fragilizada por estar ciente da doença e correndo riscos devido aos constantes esquecimentos ao mesmo tempo em que se lida com as consequências da perda de memória. Muitas vezes, nos estágios mais avançados, o paciente pode não reconhecer entes queridos e se distanciar cada vez mais da realidade. Caixeta aconselha a quem convive com uma pessoa que está desenvolvendo Alzheimer a buscar informações com um médico psiquiatra especialista na doença. Além disso, é essencial que fiquem atentos para o chamado “estresse do cuidador”, que frequentemente atinge quem é responsável por cuidar de uma pessoa com a doença. O quadro em questão necessita ser adequadamente avaliado e, muitas vezes, pode precisar de tratamento psiquiátrico. O fenômeno que atinge os cuidadores deve ser levado a sério e é descrito em detalhes no título Doença de Alzheimer


Tratar a depressão, comum na terceira idade, é uma forma de prevenir o surgimento do Alzheimer.
[FONTE: The Times]

Embora diversos estudos chamem a atenção para a leitura, o aprendizado de outras línguas e a escrita como formas de manter a memória em funcionamento, o especialista chama atenção para outros quesitos que podem ser decisivos na prevenção do Alzheimer. Segundo ele, o manejo e a prevenção dos fatores de risco vasculares, como a hipertensão, a diabetes, a obesidade, o alcoolismo, o tabagismo e a dislipidemia, bem como o tratamento da depressão na terceira idade, são formas de prevenir a doença. 

Ou seja, embora o Alzheimer seja uma doença degenerativa bastante comum na terceira idade, alguns cuidados podem fazer com que seus sintomas demorem a aparecer ou sequer apareçam, especialmente enquanto ainda não existe tratamento para a doença. E, para os que já convivem e assistem pessoas que já desenvolveram a doença, é importante relembrar: não basta cuidar com amor do paciente, deve-se cuidar também de si, para uma melhor qualidade de vida para toda a família ou grupo que o acolhe. 

BlogA entrevista: Luciene Machado

6 25 fevereiro 2015 | 16:04

Destinado aos mais variados profissionais da moda, o livro Ilustrações de moda: do conceito à criação traz uma abordagem passo a passo do desenho de peças de roupas. Escrita por Steven Stipelman, a obra apresenta mais de mil ilustrações coloridas feitas pelo próprio autor, professor da Fashion Institute of Technology e ex-ilustrador da Henri Bendel e da Womens Wear Daily. O material ainda é acompanhado por um DVD no qual Stipelman demonstra diversas técnicas de representação, fazendo deste título um excelente guia para profissionais experientes e estudantes.

Traduzido por Luciene Machado, o livro parte da identificação dos elementos das vestimentas, aborda as técnicas básicas e até as mais complexas. O autor ainda se aprofunda em conceitos avançados, como a manipulação da figura de moda, o desenho de peças drapeadas e a criação de desenhos planos, sem deixar de lado a história da moda. A revisora técnica é mestre em Design pela Unisinos, especialista em Moda pela ESAMC-SP e professora de Design e Design de Moda da ESPM-Sul, com quem conversamos a respeito da obra de Stipelman e sobre as características das ilustrações de moda.

O livro Ilustração de moda foi escrito por um norte-americano, mas sabemos que a moda é bastante globalizada. Como os conceitos e ideias de ilustração de outras partes do mundo podem ajudar os profissionais brasileiros?

Os conceitos e ideias sobre ilustração de moda partem de um mesmo princípio: o de representar de modo mais fiel possível a criação de uma peça ou peças de roupa, sendo vestidas em um manequim de moda, através do desenho ilustrado e em cores. Esta representação inclui mostrar o caimento do tecido, além de outras características como transparências, texturas de superfície, estampas, brilho, tudo por meio da técnica de luz e sombra combinada com o uso adequado das cores. Isso auxilia os profissionais para uma melhor compreensão e visualização das ideias do criador de moda, quando as transfere para o papel, em forma de desenho ilustrado.

Qual a contribuição da obra para o cenário da profissionalização da produção de moda no Brasil?

A obra tem grande contribuição, no sentido de mostrar um passo a passo de modo bem didático e fácil de seguir, mostrando a construção, a ilustração e a representação de ideias através do desenho de moda. Traz algumas referências de peças ícones, como alguns tipos de casacos, em que há uma descrição bem detalhada das partes que compõem a peça, de acordo com a moda da época. Traz não só a representação do corpo feminino e suas proporções (que é a mais comum de se encontrar em outras obras deste tipo), mas também a dos corpos masculino e infantil de forma bastante detalhada, além de representações de diversos estilos. Também há um enfoque em como desenhar acessórios, desenho técnico das peças, breve histórico das silhuetas, representação detalhada de algumas características de tipos distintos de tecidos e estampas. É uma obra bastante completa.


[Reprodução]

A história da moda também é abordada pela obra, qual a importância, para o futuro profissional da área, de adquirir esse conhecimento?

Sem o conhecimento do passado, não se pode projetar inovações no futuro. Portanto, a abordagem da história da moda torna-se um elemento fundamental para complementar a ilustração de moda, em que se pode observar as diferentes silhuetas, comprimentos, e estilos das roupas. Alguns usamos ainda hoje e retornam sempre como tendências redesenhadas para nossa época. A moda é um ciclo, no qual tendências passadas sempre voltam com um toque de modernidade, sem deixar de ter um ar de retrô ou nostálgico. Daí a importância da história. É uma busca de referências para novas criações.

Ilustração de moda vem acompanhado de um DVD. O que o leitor pode esperar desse material e como melhor utilizá-lo?

O DVD ilustra de modo também didático e complementa todo o passo a passo descrito de como fazer os desenhos. Está separado por assuntos em formato de videoaulas curtas e inspiradoras. Pode-se ver o DVD após a leitura do assunto relacionado para obter uma melhor compreensão de como fazer. Os vídeos mostram o processo e a técnica de desenho do próprio autor, bem como, outros materiais alternativos que podem ser utilizados para ilustrar um desenho, além do lápis de cor.

Qual a importância da ilustração para a moda? Quais são as principais técnicas?

A ilustração é muito importante para poder transmitir a ideia de uma peça ou look de moda criados, assim como para vender essa ideia. Também é importante no desenvolvimento de coleção de moda, a qual é a ferramenta de representação bidimensional utilizada para expor as ideias do estilista ou designer de moda. Na criação de uma coleção, é a partir da ilustração dos desenhos (denominados de desenhos de estilo ou croquis) que são realizados os desenhos técnicos da peça, com sua descrição em uma ficha técnica. Em seguida, vem o desenvolvimento dos moldes, na sequência, a confecção da peça piloto e, posteriormente, a produção em larga escala. Deste modo, a ilustração é o ponto de partida para representar as ideias para uma coleção. Dentre as técnicas de ilustração, pode-se usar materiais distintos, como grafite (em P&B), lápis de cor comum ou aquarelável, canetas hidrocor, tinta guache, entre outros materiais, além de trabalhar com luz e sombra dando uma sensação mais realista para o desenho, ou então, em cores sólidas com aspecto de quadrinhos.

Qual o conceito de representação dentro das técnicas de ilustração de moda?

O conceito de representação é visualizar uma ideia, fazer ver a ideia, por meio da ilustração de moda, tornando tangível o produto de moda criado (as roupas, acessórios). A representação pode ser mais artística, quando se tem um desenho bem próximo a uma foto, mostrando as características físicas do manequim de moda de forma detalhada, com expressões na face, movimento dos cabelos, do corpo, a pose, o andar, o movimento da roupa... Ou pode ser de forma estilizada, onde o enfoque são os detalhes da roupa e não muito no corpo do manequim de moda, o qual pode mostrar apenas linhas básicas de contorno. Tais tipos de representação estão ilustrados no livro.  

O livro Ilustração de moda já está em sua terceira edição e é um dos mais importantes guias para os profissionais que desejam trabalhar com desenho de peças de roupas. A obra é um título do selo Bookman e um dos manuais mais bem conceituados da área.

Você viu? Inglaterra proíbe fumar em carros com crianças

7 20 fevereiro 2015 | 18:35

Não é apenas no Brasil que as leis antifumo estão cada vez mais rígidas, a Inglaterra também acaba de aprovar maiores restrições aos fumantes. A nova lei britânica proíbe que se fume dentro de carros que estejam transportando crianças. O objetivo é manter os jovens afastados do cigarro tanto quanto possível, evitando que eles se tornem fumantes passivos desde cedo.

A exposição precoce ao tabaco pode trazer graves problemas às crianças. Conforme explica o pneumologista Luiz Carlos Corrêa da Silva, autor do livro Tabagismo, “até os oito anos de idade, os pulmões ainda não estão totalmente desenvolvidos, e tudo que prejudicá-los terá consequências muito mais graves”. Além do cigarro aumentar os riscos de asma, meningite e morte súbita, existem mais de cinquenta problemas advindos da fumaça. “Tudo dependerá da suscetibilidade individual e do inóculo de produtos nocivos, como tempo de exposição, número de pessoas fumando no ambiente fechado, grau de vedação e volume deste ambiente”, completa o médico, que é Pneumologista da Santa Casa de Porto Alegre e coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.


Crianças são mais sensíveis aos perigos do cigarro
[FONTE: Driver Layer

Além dos riscos impostos aos fumantes passivos, a exposição das crianças ao cigarro aumenta a chance de que elas se tornem fumantes no futuro. Para Corrêa da Silva, “pais são modelos para seus filhos e não terão autoridade para o aconselhamento de um estilo de vida saudável”, além de estarem facilitando o inicio da dependência química nas crianças que inalam as substâncias presentes na fumaça.

Questão de saúde pública

Leis que interferem nos hábitos individuais das pessoas sempre geram resistência junto a alguns segmentos da sociedade. Regras similares à britânica já existem em partes do Canadá, da Austrália e dos EUA, enquanto a Escócia estuda aprovar a mesma medida em seu território. Afinal, casos como esse se tornam do interesse da gestão pública da saúde, uma vez que afetam crianças, ainda incapazes de se protegerem sozinhas de situações que envolvem fumantes adultos. 

Para o pneumologista Corrêa da Silva, a instauração de leis como a britânica é “correta e adequada”, uma vez que é difícil mudar o comportamento das pessoas quando se trata de hábitos diários relacionados a tabaco, álcool, trânsito e outras situações corriqueiras. Para muita gente, é impossível fiscalizar os motoristas e passageiros de todos os carros, mas associações antitabagismo garantem que é melhor regulamentar a situação do que fazer vista grossa ao problema. “Leis se fazem necessárias por constituírem a maneira mais rápida e impactante de obter resultados em curto prazo”, conclui.


Uma mão para fora é uma mão a menos no volante
[FONTE: Huffington Post

Por fim, como lembra o profissional, os motoristas fumantes ainda assumem outros riscos ao dirigirem com um cigarro na mão, já que queimaduras podem gerar acidentes. Independente das opiniões pessoais, a tendência mundial mostra estar em uma só direção: restringir a exposição ao cigarro e garantir a segurança e a saúde de quem não é fumante. Você concorda com medidas nessa linha? Deixe aqui seu comentário.

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