Inspiração #85: Cultura pop e tradição

0 10 março 2014 | 08:52

Quem disse que o popular não é arte? Será que o erudito de hoje não era a mais simples representação da cultura local à sua época? Discussões acerca da definição de arte são sempre complicadas e intermináveis, mas não viemos aqui para concluir nada, viemos para mostrar e, é claro, inspirar. Hoje, mostramos três artistas que misturam estilos clássicos de arte ou técnicas milenares com cultura pop, trazendo um pouco de humor para suas obras e, também, provando que a inspiração para a arte não vem apenas do sublime e etéreo mas também das ruas, do imaginário coletivo e do popular

David Pollot define seu trabalho como arte com senso de humor. Ele procura quadros antigos em brechós, daqueles a que falta um pouquinho de vida, digamos assim, e adiciona elementos da cultura pop, como se fizessem parte do original. David se esforça para copiar cores e técnicas e nos fazer acreditar que o chewbacca foi, de fato, a inspiração original para essa paisagem:


Que bucólico.
[FONTE: David Pollot]


Quem vocês vão chamar?
[FONTE: David Pollot]


Zumbis na fazenda.
[FONTE: David Pollot]

Quem também faz um bom mix entre o tradicional e o moderno é Jeffrey Veregge, um designer que cresceu em uma reserva indígena norte-americana e, hoje, utiliza conhecimentos da arte Salish para desenhar personagens famosos. Formado no Art Institute of Seattle, ele afirma que sua arte é uma forma de unir sua paixão por brinquedos, quadrinhos e filmes com sua personalidade e formação como artista. Além de ser muito divertida. ;)  


Homem-morcego já é um ótimo nome indígena.
[FONTE: Jeffrey Veregge]


The Flash, também conhecido como flecha ligeira.
[FONTE: Jeffrey Veregge]

Por fim, Jed Henry é um ilustrador que, com a ajuda do gravurista David Bull, utiliza a tradicionalíssima técnica da xilogravura japonesa para retratar heróis populares na série Ukyio-e Heroes. Além das complexas gravuras feitas com madeira que vemos aqui, o artista também faz ilustrações com impressão giclée sobre o mesmo tema. Tem até batalha pokémon e cena do clássico videogame Street Fighter! 


Tartarugas ninjas milenares.
[FONTE: Ukyio-e Heroes]


Eu escolho você!
[FONTE: Ukyio-e Heroes]

Como vimos, o imaginário e as manifestações populares são, sim, fortementes ligados à cultura, seja ela pop ou erudita. O que hoje é tradicional, um dia foi um retrato do cotidiano de algum local ou grupo social específico. Para a educação não é diferente, a erudição pode e deve se inspirar na realidade, no dia a dia e nas necessidades de cada comunidade. Sobre esse tema, uma dica de leitura essencial é o livro Educação Social de Rua - As bases políticas e pedagógicas para uma educação popular, que aborda a educação social, trazendo novas definições, desafios e soluções para a área da pedagogia. 

Inspiração #55: Inspiração. Inspiração. Inspiração.

0 1 julho 2013 | 11:17

Sabe quando a gente repete uma palavra tantas vezes que ela perde o sentido? Quando a gente fala tanto a mesma combinação de letras e fonemas que começa a questionar como é que elas foram se juntar daquele jeito e já não se sabe onde começa uma palavra e termina outra? Então, o artista sueco Thomas Broome criou uma série de ilustrações chamada Modern Mantra (mantra moderno), que trata justamente desse conceito: a repetição. A intenção é usar o recurso para mostrar o quão absurdas podem ser as mensagens criadas pelas mais diferentes mídias – como imagens, música, filmes e publicidade. Nesses casos, a repetição é utilizada para criar necessidades e evocar desejos tão fortes no receptor das mensagens que grandes questões existenciais acabam passando batido. Ou seja, essas mensagens se tornam mantras que guiam suas vidas. 

Considerando suas preocupações com o repeteco, fica a dúvida se Thomas sobreviveria para teorizar sobre o tema após passar um carnaval ouvindo as músicas veranis brasileiras e seus estribilhos onomatopeicos cantados em looping (ai aiai, tchetchetchereretchetche, aiaiaiaiaiai e por aí vai). Deixando de lado as brincadeiras, as ilustrações são lindas e como a maioria se trata de cômodos, elas realmente dão a sensação de que as palavras vão nos esmagar ou abraçar. E, por meio da repetição, está passada a mensagem de que mensagens são passadas por meio de repetição. Sabe aquele filme Inception, que em português ficou A Origem? Pois é.


Imagine a paciência pra escrever cada palavrinha
Fonte: Thomas Broone


As imagens também são ótimas para aprender o nome dos objetos: fica a dica para os professores de inglês
Fonte: Thomas Broone


Um pouco menos de claustrofobia
Fonte: Thomas Broone


Fica a dúvida se essa é a ilustração de uma moça sofrendo em casa ou se a moça está sofrendo devido à casa que deram pra ela na ilustração
Fonte: Thomas Broone


Esta ilustração parece trazer uma mensagem bem consumista, não é mesmo?
Fonte: LiquidSquid 

Thomas Broone conseguiu expressar um conceito complexo por meio da ilustração, provando que, definitivamente, uma imagem vale mais do que mil palavras (tum dum tssss). Para quem concorda com a máxima ou está pensando em começar a rabiscar suas próprias mensagens ilustradas, que tal conferir a nossa sugestão de leitura Fundamentos da Ilustração, de Crush e Lawrence Zeegen? :-]

Inspiração #49: Cinco desenhistas que você precisa conhecer

0 15 abril 2013 | 17:58

Hoje é o dia mundial do desenhista! Não podíamos deixar esta data passar em branco, afinal, é um dia para se inspirar. o/ Selecionamos 5 desenhistas incríveis para você começar a semana cheio de ideias. Que tal dar uma olhada no trabalho destes verdadeiros artistas?

1. Gaikuo Captain: O ilustrador chinês faz desenhos incríveis com vários personagens superfamosos. O mais bacana é que ele mesmo interage com a obra! Demais, não?

2. Ricardo Liniers: O quadrinista argentino tem um traço simples e trabalha superbem com as cores! Os personagens das tirinhas são muito queridos e o texto dele tem boas pitadas de poesia. Além disso, Liniers já fez intervenções artísticas de rua e várias ilustrações para festivais de música. Fica a dica: o artista estará no Brasil no mês de Maio para a FestPoa Literária. o/


Tradução livre: Hoje Mafalda completa 50 anos.                                                      Como ela está inteira.

3. William Kentridge: o artista sul-africano não se limita apenas a uma forma de arte. Mas foi através dos desenhos que a obra dele se tornou marcante. Ele usa principalmente o carvão e trabalha metodicamente em uma mesma superfície. Cada alteração é fotografada e depois tudo é transformado em vídeo! A cada um minuto filmado, Kentridge leva em média uma semana. Seus temas são fortemente ligados à conjuntura social de seu país, como guerras e transformações ambientais.

4. Joshua Middleton: o designer americano trabalha com ilustração de animações, histórias em quadrinhos e livros. Ele já passou por grandes marcas como a DC Comics – na qual já fez histórias do Superman e Supergirl – e Warner Bros – trabalhando como diretor de arte de uma série do Lanterna Verde. Além disso, Joshua já publicou para diversas editoras e produtoras de cinema. É um desenho mais lindo que o outro!

5. Fernando Volken Togni: não podemos esquecer dos artistas do Brasil! O publicitário de formação utiliza principalmente técnicas digitais com cores supervibrantes. Fernando tenta retratar o cotidiano através de formas geométricas simplificadas. Seu trabalho já é reconhecido internacionalmente, tendo feito ilustrações de várias cidades do mundo. Ah! Ele também fez a identidade visual do Grupo A, que ilustra nossos cadernos, bloquinhos de anotações e fundos de tela. o/

E aí, que outro desenhista você acrescentaria à esta lista?

Se você curte desenhos e ilustração, vai adorar o nosso livro Fundamentos de Ilustração, de Zeegan. É ideal para quem quer construir uma carreira como ilustrador, trazendo diversos exemplos e entrevistas com profissionais da área! E o melhor: suas explicações são bem visuais e coloridas. ;-]

Inspiração da semana #18: A cura de Bobby Baker

0 10 janeiro 2012 | 14:58

Em 1996, a artista Bobby Baker foi diagnosticada com personalidade borderline. Pouco tempo depois, descobriu que tinha um câncer de mama. A solução para enfrentar o intenso desgaste físico e mental que a acometeu durante onze anos foi registrar, em um diário ilustrado, seu processo de cura. Ao todo, foram 711 desenhos – divertidos, emocionantes, inusitados, reveladores – que registram as diferentes fases do seu tratamento. Desses, ela optou por compartilhar 158, publicados em um livro no exterior. Confira algumas das suas surpreendentes obras:

Dia 303: registro de sua sessão de terapia em grupo.

Dia 320: chorando na aula de yoga.

Dia 397: os efeitos da medicação.

Dia 526: o pássaro colorido representa a esperança.

Dia 698: recuperação da quimioterapia.

Bobby Baker fala sobre seus desenhos nesta matéria do jornal britânico The Guardian.

Via.

Sobre o transtorno borderline, a Artmed Editora lançou os livros Transtornos da Personalidade, Terapia Cognitivo-Comportamental para Transtorno da Personalidade Borderline e Vencendo o Transtorno da Personalidade Borderline com a Terapia Cognitivo-Comportamental.

Inspiração da semana #13: Todas as pessoas de Nova York desenhadas

1 7 novembro 2011 | 17:08

Quatro anos atrás, Jason Polan traçou uma meta desafiadora para a sua carreira de ilustrador: desenhar cada uma das 8,391,881 milhões de pessoas que vivem em Nova York. Seu projeto Every Person in New York começou em março de 2008 e contém, até hoje, 807 ilustrações. Semanalmente, Jason publica suas criações no blog dedicado ao trabalho: de celebridades como as cantoras Patti Smith e Yoko Ono a anônimos dormindo no ônibus, ninguém escapa do seu traço simples e descompromissado. Confira uma seleção de cinco desenhos do artista, todos de pessoas lendo – nossos preferidos, é claro!

Conhece outros projetos legais para a gente divulgar aqui na Inspiração da Semana? Deixe suas dicas nos comentários. ;-)

Inspiração da semana #12: O desenhista Federico Fellini

0 31 outubro 2011 | 13:30

Há 18 anos, um dos maiores – e mais poéticos – ícones do cinema mundial, Federico Fellini, falecia. Diretor de filmes memoráveis como A Doce Vida, 8 ½, Satyricon, Amarcord e La Strada, o artista italiano influenciou de cineastas (Woody Allen e Martin Scorcese, por exemplo) a bandas (o visual dos B-52´s é retirado de suas obras). Muito já se discutiu sobre o seu incrível talento cinematográfico e sua habilidade em misturar sonho – inclusive usando a teoria de Carl Jung como fundamentação –, fantasia e desejos às suas histórias. Pouco se fala, no entanto, sobre a sua desenvoltura na área da ilustração. Fellini era um ótimo desenhista; em seu repertório constam criações a lápis e aquarela que retratam os sets de filmagens, ideias de vestimentas, atores e amigos. Na inspiração desta semana, confira uma seleção de oito desenhos de Federico:

Saiba mais sobre cinema no finalista ao Prêmio Jabuti Cinema e Loucura, de Landeira-Fernandez e Cheniaux. Dicas de ilustração você encontra em Fundamentos de Ilustração, de Zeegan.

Quer sugerir uma inspiração da semana? Escreva suas dicas nos comentários deste post!

Inspiração da semana #11: As divertidas ilustrações de Mary Blair

2 25 outubro 2011 | 11:12

A inspiração desta semana é dica do nosso designer Rafael Ocaña, fã confesso de ilustração. O Rafa nos chamou a atenção para a página inicial do Google na sexta passada: em vez do logo padrão da empresa, lá estava um doodle em comemoração aos 100 anos da artista Mary Blair. Para quem perdeu essa homenagem, este era o desenho:

Nascida nos Estados Unidos, Mary ficou bastante conhecida na década de 1940 e 1950 ao animar desenhos da Walt Disney. Entre seus trabalhos de sucesso destacam-se Peter Pan, Alice no País das Maravilhas e Cinderela. A ilustradora também pintou murais de atrações na Disneylândia e criou desenhos para livros infantis. Com um estilo colorido e despretensioso, Mary é, com certeza, uma inspiração a ser seguida. Alegre a sua semana com uma seleção de suas criações! :-)

Confira outras ilustrações de Mary Blair no Animation Archive. Saiba mais sobre ilustração com o livro Fundamentos de Ilustração, de Zeegan.

Cinco obras do pai da pop art

0 14 setembro 2011 | 16:32

"A pop art é popular, transitória, descartável, de baixo custo, produzida em massa, jovem, espirituosa, sexy, chamativa, glamourosa, e um grande negócio."

O autor desta frase é Richard Hamilton, considerado o pai do movimento que tem nele, em Roy Lichtenstein e em Andy Warhol seus maiores expoentes. Hamilton faleceu ontem e deixou uma obra criativa, prolífica e inspiradora como legado. Misturando imagens de revistas, fotografias e ilustrações em colagens irreverentes, ele foi capaz de transmitir as revoluções culturais de uma época. Seus trabalhos incluem ainda pinturas, desenhos e serigrafias.

Confira cinco criações do artista que será tema de uma grande retrospectiva em Los Angeles, Filadélfia, Londres e Madri em 2013/2014:

Sua criação mais famosa: Just What Is It that Makes Today's Homes So Different, So Appealing?, uma colagem de 1956. (© Richard Hamilton.)

I´m Dreaming of a Black Christmas, de 1971. (© Richard Hamilton.)

Swingeing London 67, de 1968-9. (© Tate/Richard Hamilton 2004.)

The Citizen, de 1981-3 (© Richard Hamilton.)

'AAH!' in perspective, um exemplo de suas ilustrações, de 1963. (© Richard Hamilton.)

Confira outras obras de Richard Hamilton no site do museu Tate.

Saiba mais sobre ilustração e desenho em Fundamentos de Ilustração, de Zeegan, e Desenho de Moda, de  John Hopkins.

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Inspiração da semana #1: Walter Crane

2 15 agosto 2011 | 15:18

O artista de Liverpool Walter Crane inaugura com a tradicional elegância inglesa o nosso primeiro post da seção Inspiração da Semana. A partir de hoje, todas as segundas-feiras compartilharemos neste espaço algumas imagens para começar bem a jornada semanal: ilustrações, fotografias, portfólios de artistas, e o que mais possa levantar os ânimos daqueles que ainda não se conformaram com o fim do domingo. :-)

Nascido há exatos 166 anos, Walter Crane (1845-1915) foi um prolífico ilustrador de livros infantis. Integrante do movimento Artes e Ofícios, seu estilo tem como principais influências o grupo artístico pré-Rafaelita – que rejeitava o estilo de pintura clássica do Renascimento –, e o Ukiyio-e – técnica japonesa similar à xilogravura.

Chapeuzinho Vermelho, O Príncipe Sapo e A Bela Adormecida foram alguns dos célebres contos que ganharam versões desenhadas por Crane. Confira abaixo cinco intricados trabalhos do artista inglês:

Veja mais obras de Crane na página no Projeto Gutemberg. Para dicas sobre ilustração, confira a obra Fundamentos de Ilustração, de Zeegan.

Quer nos ajudar a escrever o Inspiração da Semana? Mande sugestões de post para bloga@grupoa.com.br. Aguardamos as suas dicas! ;-)

Carl Gustav Jung, o ilustrador

9 6 junho 2011 | 16:06

Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” Há exatos 50 anos falecia o autor desta frase enigmática e inspiradora, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Discípulo de Freud, Jung rompeu com as ideias do neurologista austríaco para fundar a psicologia analítica e popularizar temáticas como análise dos sonhos, inconsciente coletivo e teoria dos arquétipos.

Além de estudar os mistérios da mente humana, Carl também foi um talentoso ilustrador. Em 1913, quando tinha 38 anos, o psiquiatra teve uma visão apocalíptica: ao viajar de trem de Zurique para Schaffhausen, na Suíça, ele sonhou ter visto a Europa inteira inundada por um mar de sangue. Esta assombração foi o impulso para uma autoanálise que durou 16 anos e resultou em uma obra com 205 páginas em texto caligráfico e 53 ilustrações, chamada Liber Novus.

Confira alguns dos desenhos intricados, impressionantes e por vezes assustadores criados por aquele que é tido como um dos mais importantes psiquiatras modernos:

Jung usava os desenhos como meio de traduzir os anseios e desesperos de sua imaginação.

As imagens de Jung foram publicadas pela primeira vez em 2009, 48 anos após sua morte.

O psiquiatra esboçou as primeiras mandalas enquanto trabalhava para o exército suíço, em 1917.

As imagens revelam arquétipos presentes no que Jung classificou como "inconsciente coletivo".

As cobras são um elemento recorrente nas ilustrações do psiquiatra.

E você, o que achou das ilustrações de Carl Jung?

 

Sobre Jung, a Artmed Editora publicou as obras Jung Vida e Obra: Uma Memória Biográfica, de Barbara Hannah, e Manual de Cambridge para Estudos Junguianos, de Polly Young-Eisendrath e Terence Dawson. Para saber mais sobre ilustração, confira Fundamentos de Ilustração, de Zeegan e Crush, publicado pela Bookman Editora.

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Será que de médico, artista e louco todo mundo tem mesmo um pouco? Aqui no BlogA você vai encontrar de medicina a design, de filosofia a psicologia, de ilustração a poesia; pinceladas divertidas de todas as áreas de publicação do Grupo A. Quer nos enviar dicas ou sugestões? É só escrever para bloga(arroba)grupoa(ponto)com(ponto)br.

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