Saneamento básico: um privilégio

0 24 novembro 2014 | 12:13

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou, em 2013, que o dia 19 de novembro passaria a ser considerado o Dia Mundial do Banheiro. O nome é curioso, mas a temática é séria: a ONU estima que cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivam sem condições sanitárias adequadas, o que pode ocasionar as mais diversas enfermidades. Para celebrar a data, a ONG Water & Sanitation for the Urban Poor (Água e Saneamento para os Pobres Urbanos, WSUP na sigla em inglês), em parceria com os fotógrafos da Panos Pictures, inaugurou, em Londres, a exposição fotográfica My Toilet (Meu Banheiro), retratando a realidade de mulheres ao redor do mundo no que diz respeito ao saneamento básico.

A escolha de contar essa história por meio de imagens é plenamente justificada. A força da narrativa fotográfica em questão faz com que, mesmo as legendas sendo apenas descritivas, possamos compreender o subtexto de imediato: a desigualdade social existe e o que para uns é mera rotina, para outros, é artigo de luxo. Ademais, a opção por usar mulheres como protagonistas nos lembra que as péssimas condições de higiene e segurança podem as tornar especialmente vulneráveis à violência de gênero. 


Em Bangladesh, Sukurbanu utiliza esse banheiro comunitário suspenso (do qual já sofreu quedas) e acredita que as frequentes doenças que enfrenta são oriundas da falta de higiene do local. 
[Fonte das imagens: Panos Pictures]


Na Etiópia, Masaret optou por utilizar, por segurança, o pátio da casa que divide com mãe, irmã e dois filhos como banheiro após se tornar viúva, pois o banheiro comunitário é longe de sua residência.


Martine, do Haiti, tem como sanitário um buraco no chão ao lado de sua casa, o qual só utiliza à noite para conseguir alguma privacidade. Durante o dia, precisa se dirigir ao banheiro comunitário. 


Mary, de Nova York, divide o apartamento (e o toalete) com outras duas pessoas, mas valoriza demais essa privacidade, pois precisou usar banheiro comunitário quando vivia em Pequim. 


A brasileira Isabela vive sozinha em uma cobertura do Rio de Janeiro e reconhece o privilégio que é poder desperdiçar 10 min de água corrente todos os dias. 

No livro A Narrativa Fotográfica, Michael Freeman fala sobre contar histórias por meio do ensaio fotográfico e a necessidade de uma escolha cuidadosa não apenas das imagens, mas também da ordem em que elas são expostas. Se tivéssemos visto o banheiro brasileiro antes das outras fotos, talvez o impacto não fosse tão grande e não refletíssemos tanto sobre o privilégio que é termos vaso sanitário e chuveiro com água corrente dentro de nossas casas. O fato é que não estamos tão distantes da triste realidade da falta de saneamento. Em seu livro mais recente, Freeman ressalta, ainda, que o ensaio fotográfico é capaz de contar toda uma história sem utilizar palavras. O incrível contraste entre as imagens dessas mulheres é capaz de causar impacto e nos mostrar: há algo errado. Em um mundo com equilíbrio social, essas fotografias seriam mais semelhantes. Por fim, na obra, o autor utiliza um capítulo para falar da interação entre imagens e palavras. Sem dúvida, nesse ensaio, ambas se completam. Enquanto as palavras trazem informações relevantes sobre o contexto, as imagens trazem a força emocional do tema. Posicionar essas mulheres diante de seu maior desafio ou pequena vitória rotineiros – o simples ato de ir ao banheiro – proporcionam um choque de realidade para o espectador. 


No Equador, Fabíola passou a infância utilizando banheiros comunitários e, hoje, se orgulha de possuir um apartamento com cinco deles.


Na Índia, Sangita passou a vida utilizando os campos de cultivo como sanitário (do que se envergonhava) e, quando se mudou para Nova Déhli, fez questão de construir seu próprio banheiro em casa.


No Japão, Eiko gosta de frequentar o banheiro da loja de departamentos próximo à sua casa para relaxar, pois ele em nada lembra os banheiros públicos sujos e mal cheirosos que utilizava na infância. 


No Quênia, Eunice e seu marido construíram banheiros pequeninos na escola em que trabalham para que apenas as crianças entrassem neles, pois, com a sujeira dos adultos, os pequenos preferiam utilizar o chão. 


Flora, de Moçambique, usa esse banheiro comunitário e o odeia, pois os homens costumam espiar as mulheres através da cerca. 


Susan é fundadora de uma escola para crianças com deficiência na Zâmbia e tem dificuldades de usar o banheiro, especialmente na época de chuvas, devido à sua deficiência, que a faz necessitar das mãos para andar. 

De acordo com a ONU, apenas no Brasil, são cerca de 114 milhões de pessoas sem condições sanitárias apropriadas. Dessas, aproximadamente 8 milhões ainda precisam fazer suas necessidades ao ar livre. A falta de saneamento é um problema de saúde pública, pois estima-se que um bilhão de pessoas no mundo estão expostas a doenças como cólera, diarréia, hepatite, desnutrição e até mesmo problemas cognitivos pela falta de ambientes sanitários apropriados. O Dia Mundial do Banheiro foi proposto pela ONU para conscientizar sobre essas questões e incentivar os governos a agirem, para que todos tenham de fato o direito (já assegurado) à água e ao saneamento. Nessa série de fotos da nossa Inspiração da Semana, fica também a reflexão: ter acesso à água encanada é um privilégio que precisamos valorizar e preservar

Fotografia que sabe contar histórias

0 17 novembro 2014 | 11:55

Renomado fotógrafo e escritor, Michael Freeman tem mais de vinte livros sobre a arte da fotografia. Desta ampla carreira, a Bookman já havia publicado oito obras, e agora lança no mercado o livro A Narrativa Fotográfica, no qual Freeman explora o universo do ensaio fotográfico. Buscando suporte nas técnicas narrativas, ele convida os colegas da área a refletirem sobre as possibilidade de contar uma história com imagens.


Em Calcutá, na Índia, Freeman registrou o banho dos homens ao ar livre


A colheita de cocos na Tailândia, realizada por macacos

Em seu site, Freeman escreve: “contar histórias é a maior vocação da fotografia, ou, pelo menos, essa é a ideia que eu tenho da fotografia e o que eu sempre fiz. Às vezes, é impossível contar uma história (curta) em uma só imagem, geralmente é necessário um conjunto delas”. Esse conjunto pode configurar o ensaio fotográfico, uma reunião de imagens sobre um mesmo tema que nos trazem uma história sobre uma pessoa, um lugar, um momento ou qualquer outro recorte que o artista deseje criar.


Freeman acompanhou todo o processo de produção do chá na Ásia


O fotógrafo passou dias com os treinadores de falcões para obter os melhores registros

Em seu novo livro, Freeman apresenta a narrativa como uma história a ser construída pelo fotógrafo. Para sustentar seu ponto de vista, ele mostra como os ritmos, o andamento e a organização das imagens ajudam a despertar o interesse do público pelo ensaio. Criando tensão entre as fotografias na elaboração da sequência, é possível estabelecer conflitos, ações e resoluções: contar a história sem palavras.


Na Toscana, uma imagem de um campo de girassóis


As fazendas de peixes são grandes empreendimentos no sul tailandês

Adepto das novas tecnologias, o autor celebra as novas possibilidades que surgiram com a fotografia digital, as galerias online, os slideshows e a onipresença dos dispositivos móveis. Ele mesmo se beneficia dos novos formatos: a seção de ensaios em seu site foi perfeitamente pensada para exibição em computadores e tablets. De maneira intuitiva, seu público acompanha uma narrativa organizada por ele.


Freeman viajou ao Tibete para acompanhar a extração do sal


Seguindo a tradição espanhola, Cartagena, na Colômbia, organiza touradas

Durante muitos anos, Freeman foi um dos principais fotógrafos da Smithsonian Magazine, mas suas habilidades abrangem diversos campos, como viagens, arquitetura e arte. Em A Narrativa Fotográfica, ele dedica uma seção ao registro de eventos, outra à edição de imagens e ainda uma ao papel das legendas. O autor também aborda o fotojornalismo, ao analisar e comparar matérias, matérias para a web e comentar a combinação de diferentes mídias na contação de uma história. 


Toda a imponência do Taj Mahal pelas lentes do fotógrafo


O Túmulo de Humayun é um cenário impactante na Índia

A Narrativa Fotográfica é um grande lançamento que vai impressionar os fotógrafos que já conhecem a carreira e as obras de Michael Freeman, além de ser uma excelente porta de entrada para quem ainda não teve oportunidade de ler seus livros. Impossível não encontrar inspiração nas imagens e ideias deste brilhante fotógrafo.

Movember Azul

0 10 novembro 2014 | 12:15

Assim como temos no Outubro Rosa um mês inteiro dedicado à conscientização sobre a saúde da mulher e à prevenção do câncer de mama, estamos agora no Novembro Azul. A campanha tem por objetivo promover a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer de próstata, doença que poderá matar cerca de 12 mil homens apenas no Brasil em 2014, devido, principalmente, à sua descoberta apenas em estágios avançados. O diagnóstico feito por meio de exames preventivos, na fase inicial da doença, é responsável por cerca de 80% dos casos de cura. 

O símbolo da campanha é um bigode azul, cuja inspiração é o movimento chamado Movember (união das palavras moustache e november em inglês, ou seja, bigode e novembro), originado na Austrália. A ideia era que os homens cultivassem bigodões durante esse mês, com o intento de chamar a atenção para o câncer de próstata e outras questões sobre a saúde masculina, bem como arrecadar fundos para a instituição de caridade Movember Foundation. Daí para o marcante bigode azul que, hoje, identifica a campanha em todo o mundo, foi um pulo. Afinal, todos queremos ajudar, mesmo os que não possuem pelinhos embaixo do nariz. 

Para promover a campanha vale de tudo. Em 2012, um adorável Big Ben de bigodão azul chamou a atenção do mundo inteiro.  


Mas não é uma simpatia?
[FONTE: Daily Mail]

Outras construções e objetos inanimados também se empolgaram e deixaram bigodes crescerem para novembro. Esse ano, a tradicional alfaiataria Lugets, na Inglaterra, localizada em um prédio histórico de Exeter, já cultivou o seu. 


Ah! A boa e velha elegância tradicional representada em um belo bigode.
[FONTE: Express & Echo]

Nas últimas edições, já tivemos ônibus, aviões e até mesmo um campo aberto ostentando seus bigodes. A expectativa para esse ano, portanto, é grande.


Impondo respeito no trânsito dinamarquês.
[FONTE:
 Street Marketing]


E nos ares também, por que não?
[FONTE: Street Marketing]


Por via das dúvidas, que o símbolo da conscientização também possa ser visto do espaço. 
[FONTE: Street Marketing]

No Brasil, o movimento é mais conhecido pelo nome em português, Novembro Azul, mas a inspiração no bigode permanece. A campanha Meu Bigode Azul está incentivando blogueiros e internautas e participarem da arrecadação de fundos doando posts e utilizando o símbolo do movimento em seus avatares. É também tradicional no país a iluminação de prédios públicos e monumentos com a cor azul (como ocorre com o rosa em outubro), o que acaba se tornando não apenas uma lembrança sobre a prevenção da doença, mas uma bela homenagem aos que lutam contra ela.


O Congresso Nacional já está ostentando uma belíssima iluminação azul. 
[FONTE: UOL]


Bem como o Palácio Itamaraty.
[FONTE: Agência Brasil]


No ano passado, foi a vez do Cristo Redentor se iluminar com a cor azul.
[FONTE: Oncovitae]

Na página do Facebook da campanha do Instituto Lado a Lado pela Vida são divulgados diversos eventos esportivos, como caminhadas e jogos de futebol, e ações da campanha Novembro Azul em território nacional. É bastante comum que a divulgação de campanhas preventivas perpasse o tema do esporte, por ser um representante máximo da boa saúde. Nos Estados Unidos, por exemplo, no dia 29 de novembro irá ocorrer a grande Moustache Run, corrida beneficente que repassará a verba arrecadada para instituições que realizam pesquisas sobre o câncer de próstata. 

Por fim, em mais uma ação bem humorada, os músicos Jesse Hawkins (da banda In the Wilderness) e Richard Annet pegaram carona no sucesso da trilha sonora Let it Go, da animação Frozen, da Disney, e lançaram uma paródia. O novo hit Let it Grow (Deixe crescer), incentiva os homens a deixarem seus pelos faciais crescerem livres e formarem belos bigodes, tudo pela conscientização sobre o câncer de próstata.

As ações são divertidas, mas o tema é muito sério. O preconceito e a falta de informação, muitas vezes, fazem dos homens vítimas fatais do câncer de próstata. Informe-se e conscientize amigos e familiares: a vida vem sempre em primeiro lugar. E let it grow! ;)  

Da sala de aula virtual para o mundo

1 3 novembro 2014 | 12:25

A educação a distância (EAD) tem revolucionado formas de ensinar e aprender. Muitas vezes, quando pensamos em EAD, imaginamos a tecnologia transformando o ensino em algo quase futurista, sem barreiras de tempo e espaço. No entanto, mesmo em locais em que os métodos mais desenvolvidos de ensino online ainda não chegaram, algumas lições da sala de aula virtual têm transformado a vida de muitas pessoas. Seja em comunidades ou em locais remotos, essas pequenas amostras de EAD nos trazem grandes esperanças no futuro da educação e algumas histórias inspiradoras. Confira!

#1 Celular x analfabetismo

De acordo com relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, na sigla em inglês), muitas pessoas não leem por um único motivo: elas não têm acesso a livros. Graças à era digital e, especialmente, aos dispositivos móveis, pessoas de países em desenvolvimento estão mudando esse quadro. 


A integração entre a natureza e o tecnológico, o tradicional e o moderno: tudo em favor da educação. 
[FONTE: Meducation Alliance]

Na África subsaariana, por exemplo, cerca de 51% das escolas não têm livros, mas, atualmente, grande parte da população tem acesso a smartphones. A Unesco estima que a leitura via dispositivo móvel é cerca de 300 a 500 vezes mais barata que a tradicional e está apostando nessa via para aumentar os índices de leitura naqueles países. Na verdade, os resultados já existem. Foram entrevistadas 5 mil pessoas em Gana, Sudão, Índia, Quênia e Paquistão, entre outros locais, e constatou-se que elas não apenas estão lendo mais, como buscando mais conteúdo e também lendo para seus filhos. Além disso, os níveis de alfabetização estão subindo.

As mulheres têm sido as mais beneficiadas pelo acesso à leitura em dispositivos móveis pois, muitas vezes, não vão à escola.
[FONTE: Unesco]

#2 Videoaulas + oportunidade no vestibular

Quando fazia intercâmbio em Bangladesh, há cerca de quatro anos, o estudante japonês Atsuyoshi Saisho percebeu uma grande diferença de oportunidades para ingressar no ensino superior entre moradores daquele país. Enquanto os estudantes da capital, Dhaka, tinham acesso a cursos preparatórios para os exames de admissão, os residentes do interior, não. Saisho, então, resolveu distribuir DVDs com videoaulas retiradas dos cursos preparatórios e distribuir nas zonas remotas de Bangladesh. Acostumado ele mesmo a tomar lições por meio de vídeos, o jovem estudante viu aí uma chance de sucesso para outros alunos. E deu certo. Hoje, cerca de 200 jovens bangladeshianos ajudados por Saisho estão na educação superior. O e-Education Project cresceu e, hoje, também atua na Jordânia e em Ruanda.


Saisho e seus “alunos” em Bangladesh.
[FONTE: Edsurge]

#3 EAD + pessoas com deficiência = inclusão

A tecnologia utilizada na educação a distância é essencial para incluir pessoas com deficiência no aprendizado. O ensino online é uma alternativa capaz de empoderar não apenas aqueles que têm a mobilidade reduzida, mas também os que não podem deixar o leito. Esse é o caso de Yusra Al Hattali, dos Emirados Árabes, que passou a vida no hospital junto a um respirador, devido a uma condição genética, e sempre quis estudar. Graças a tecnologias inerentes à EAD, em 2013 ela realizou o desejo de se inscrever na Universidade de Zayed. “Estou vivendo um sonho”, disse.


Yasra não pode deixar o leito, mas realizou o sonho de começar uma graduação graças à tecnologia da EAD.
[FONTE: The National]

As pessoas com deficiência visual também são amplamente beneficiadas pela tecnologia no ensino. O uso de softwares, como leitores de tela e digitalizadores de texto, até mesmo na sala de aula da instituição física facilita, e muito, o aprendizado do aluno especial. Afinal, aprender apenas em braile pode se tornar cansativo para o estudante e é mais dispendioso.


O uso de softwares com leitura de tela e digitalização de texto incluem o aluno com deficiência visual.
[FONTE: Indian Association for the Blind]

#4 EAD - limitações de tempo = uma segunda chance

Para pessoas que já estão inseridas no mercado de trabalho, muitas vezes completando longas jornadas, voltar a estudar pode ser um sonho distante. No entanto, as possibilidades do ensino digital têm mudado esse quadro. Nos Estados Unidos, os chamados adult learners (aprendizes adultos), estão tomando conta dos cursos a distância, especialmente na pós-graduação. A formação tardia (que não contempla apenas os recém saídos do ensino médio) também é tendência no Brasil. O perfil do estudante de EAD mais comum no país é a mulher com cerca de 30 anos e que trabalha.


Emancipação feminina: as mulheres são maioria na procura por cursos de EAD para formação tardia. 
[FONTE: Crea]

A EAD também é uma ótima oportunidade para estudantes da terceira idade, pois, além de promover a inclusão digital, é uma possibilidade de manutenção da saúde mental do idoso. As pessoas mais velhas têm se mostrado especialmente dedicadas e participativas, especialmente em cursos abertos online. E, é claro, isso tudo prova de que nunca é tarde para o aprendizado e para a realização de um sonho.


Aprendizado não tem idade: a educação a distância é especialmente encorajadora para o aprendiz idoso. 
[FONTE: Flanders Today]

Histórias e dados como esses mostram que a educação é o instrumento poderoso para a inclusão social. Mulheres em países subdesenvolvidos, estudantes com pouco acesso à educação, trabalhadores, pessoas com deficiência e idosos: o que todos têm em comum – além da vontade de aprender – é o fato de, durante muito tempo, não terem sido protagonistas de sua educação. No entanto, isso vem mudando, e a inspiração na sala de aula virtual tem tudo a ver com isso. ;)

Oscar de la Renta: o mito da moda

0 27 outubro 2014 | 12:32

Quem deseja trabalhar na indústria da moda precisa conhecer os grandes mestres que vieram antes e hoje nos servem de inspiração. Oscar de la Renta é um desses grandes nomes da moda. Conhecido por vestidos sofisticados, que iam desde os tons pasteis aos estampados exuberantes, por suas jaquetas alinhadas e trajes de noite glamourosos, o estilista se dedicou à moda até seus últimos dias de vida.

Adorado por celebridades e primeiras-damas ao redor do mundo, o estilista faleceu no último dia 20 deixando milhares de fãs e admiradores de sua trajetória criativa e seu legado ao mundo fashion. Aos 82 anos, Oscar ainda era um mestre da costura de moda. Tanto que um de seus últimos grandes vestidos foi aquele usado pela advogada Amal Alamuddin em seu casamento com George Clooney. Além dela, as mais célebres estrelas de Hollywood já desfilaram em suas criações e declararam seu apreço pelo designer.


Amal Alamuddin tornou-se esposa de George Clooney vestindo Oscar de la Renta
[FONTE: US Weekly


A valorização das formas femininas é um dos traços marcantes do estilista
[FONTE DAS IMAGENS: Vogue


A atriz Jessica Brown Findlay foi fotografada por Boo George em maio de 2014

Nascido na República Dominicana, ele começou sua carreira na Europa, quando foi estudar arte na Espanha. Em pouco tempo, as aulas de costura, modelagem e corte foram substituídas por dias em cafés e noites em clubes. Grande parte de sua renda acabava nas mãos de um alfaiate que lhe fazia ternos sob medida, como convém a um homem que, desde cedo, aprendeu a valorizar a estética.

Seus primeiros desenhos de roupas nasceram quase no improviso. Oscar os vendia a jornais e revistas e ganhava um pouco de dinheiro extra. Nas palavras do próprio, seu trabalho, na época, não era original nem tecnicamente competente, ao contrário do que se esperaria de um estudioso do bem vestir. Mas o treino faz o especialista, e o dominicano logo pegaria o jeito das tesouras.


Oscar de la Renta deixa suas modelos brilharem na apresentação da coleção de primavera/verão de 2013


Gisele Bündchen também teve a honra de vestir as criações do designer


As origens latinas de Oscar transparecem em alguns de seus trabalhos

Apesar da autocrítica, os desenhos de Oscar chamaram a atenção de Francesca Lodge, esposa do embaixador americano. Ela pediu ao estilista iniciante um vestido para a festa de debutante de sua filha, e essa foi sua primeira grande aparição, quando a menina estampou a capa da revista Life naquele mesmo ano. Pouco depois, Oscar passou a trabalhar com Cristobal Balenciaga, um dos melhores desenhista da época. Afinal, trabalhar com quem tem.experiência é parte importante da formação de um estilista. Daí em diante, sua ascensão foi rápida.


Sarah Jessica Parker, outro ícone da moda, era fã de Oscar de la Renta


A cantora Taylor Swift pisou no tapete vermelho desfilando uma criação do estilista

Logo, ele trocou a Espanha por Paris, onde começou a colaborar com Antonio del Castillo, designer da Lanvin. Depois de dois anos, se mudou para os Estados Unidos, e se uniu a Jane Derby. Quando ela se aposentou, ele assumiu a empresa, que só cresceu sob sua liderança inspiradora. Circulando com naturalidade entre EUA e Europa, Oscar foi a estrela de inúmeros desfiles, conquistou fãs e entrou para a história da moda.


Elegância e irreverência eram traços marcantes de seu trabalho


A atriz Audrey Tautou apareceu vestindo o designer na revista Vogue de 2009


Modelagem impecável: as roupas do designer se ajustam perfeitamente ao corpo feminino

Uma das chaves de seu sucesso foi saber diferenciar o que acontece nas passarelas e o que as mulheres usam na vida real. Certa feita, ele definiu: “a passarela é um espetáculo. Só se transforma em moda quando uma mulher veste as roupas. Estar bem vestido não tem tanto a ver com possuir boas roupas, é mais uma questão de ter equilíbrio e bom senso”. A editora britânica da Vogue assina embaixo. Para ela, nenhum outro estilista era tão competente em fazer uma mulher se sentir bonita. “Ele era a primeira opção para quem queria se sentir no seu melhor”, ela resumiu. 


Oscar de la Renta: * 22 de julho de 1932 + 20 de outubro de 2014

As maravilhas da engenharia

0 20 outubro 2014 | 16:17

O que seria do mundo sem os engenheiros? O primeiro de nossos ancestrais que decidiu sair da caverna para construir sua própria moradia certamente foi um dos precursores da engenharia civil. E o que dizer de quem descobriu a roda? Homenagearemos essa incrível e útil ciência em nossa Inspiração da Semana, trazendo uma lista com dez grandes feitos da engenharia moderna.

Todas essas incríveis construções foram possíveis graças a mentes brilhantes da engenharia, cujas capacidades devem ir além da criatividade e da excelência em cálculo. O livro Habilidades para uma Carreira de Sucesso na Engenharia, novidade no catálogo do Grupo A, demonstra que outras capacidades que muitas vezes não estão nos currículos dessa graduação são essenciais para esse profissional, tais como boa comunicação, gestão de equipe e tempo e gerenciamento de projeto.

#1 A grande pirâmide de Gizé

Nosso primeiro feito não está apenas nessa lista, mas é também a única remanescente dentre as Sete Maravilhas do Mundo. Também conhecida como Pirâmide de Queóps, a maior das três tumbas de luxo que se encontram na necrópole de Gizé seguiu sendo a maior obra feita pelo homem de 2550 a.C. até 1989, quando foi erguida a Torre Eiffel. O trecho “feita pelo homem” permanece sendo questionado por algumas teorias da conspiração, mas não há dúvida sobre a genialidade dos engenheiros envolvidos. O fato é que a habilidade de gerir equipes não faltou para os projetistas, afinal, foram necessários milhares de trabalhadores para erguer esses incríveis monumentos. 


Ninguém sabe ao certo como foi feito, mas quem fez está de parabéns. 
[FONTE: Bright Hub]

#2 A Muralha da China

O leitor mais atento pode perguntar: mas é apenas um muro enorme, por que seria um feito da engenharia? Nós respondemos: não é apenas o maior muro de todos os tempos, como permanece em pé! Nós diríamos também que pode ser visto da Lua, mas isso já foi desmentido. Aparentemente, se tratava de um rio o que foi visto pelos astronautas que inocentemente propagaram o boato. Mas aí reside o maior mérito: o paredão chinês é tão grande que o primeiro pensamento de quem viu, do espaço, um risco na China, foi: “só pode ser a Grande Muralha!”. E, como essa foi uma estratégia militar de defesa das fronteiras, não temos dúvida de que habilidade de liderança não faltou aos responsáveis pelo projeto. 


São mais de 20 mil quilômetros construídos para a defesa militar do país. 

#3 Channel Tunnel

Carinhosamente chamado de chunnel, o túnel do Canal da Mancha liga a França à Inglaterra por meio de um sistema ferroviário embaixo d’água. São quase 40Km de túnel submerso, sendo que o trecho mais profundo está a 75 metros da superfície. E aí? Bateu uma claustrofobia só de se imaginar viajando nesse trem? Certamente um projeto bastante ousado. 


Embora a ideia de ir de um país a outro por um túnel embaixo d’água possa ser assustadora, os passageiros viajam em altíssima velocidade. Quando viu, já foi. 

#4 CN Tower

Localizada em Toronto, no Canadá, a Torre CN foi construída inicialmente para telecomunicação, mas, hoje, é também um grande ponto turístico. Do alto dos seus 553 metros de altura, a CN Tower foi nomeada pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis (juntamente com o chunnel) como uma das Maravilhas do Mundo Moderno. Muitas mídias transmitem programação por meio de sua estrutura, que conta ainda com observatórios e até mesmo um restaurante. Essa é uma prova física de comunicação e engenharia andam de mãos dadas.


Precisou rolar muito a página para chegar até aqui? Pois esse é só o topo da torre. 

#5 Estádio Nacional de Beijing

Também conhecido como The Bird’s Nest (ou o ninho do pássaro), o estádio erguido para as Olimpíadas de 2008 tem mais aço em sua estrutura do que qualquer outra construção no planeta: 110 toneladas. No início desse mês, esse foi o cenário do Superclássico das Américas de futebol, disputado por Brasil e Argentina. A imagem noturna do estádio é de tirar o fôlego. Os engenheiros que idealizaram o Estádio Nacional de Pequim foram hábeis ao capturar informação para trazer a identidade nacional ao projeto, de modo que o povo chinês se sentisse bem representado nessa grande construção. 


Ninho do Pássaro é um apelido fofo, mas imagina o tamanho do passarinho que viveria aí. 

#6 Projeto Delta

Localizado na Holanda, essa maravilhosa engenhoca foi idealizada para ser um sistema de defesa contra as subidas de marés. Aqueles são países baixos, sabemos, e, em 1953, uma brecha em um dique provocou a morte de quase duas mil pessoas, além de ter foçado outras 70 mil a evacuarem a área. O projeto é extremamente inteligente e ambicioso. Merece com louvor seu lugar na lista. Podemos imaginar que talvez os idealizadores do Projeto Delta tenham corrido contra o tempo ao erguer esse sistema de defesa, sem saber quando uma nova maré alta poderia assolar a costa. O gerenciamento de tempo, sabemos, é uma grande habilidade a ser trabalhada por um engenheiro. 


É útil, salva vidas e, ainda por cima, uma bela paisagem.

#7 Canal do Panamá

Uma das maiores amostras da capacidade do homem em usar a natureza a seu favor, o Canal do Panamá liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. A travessia é feita por navios, dura entre 20 e 30 horas e é essencial para o comércio marítimo internacional. Mas o sucesso não veio fácil: a construção do canal durou muitos anos e foi interrompida diversas vezes devido à alta mortandade dos trabalhadores por doenças tropicais. Nesse momento, podemos dizer que os responsáveis pela construção do canal se viram diante de dilemas éticos. Essa é uma realidade enfrentada por muitos engenheiros, e é imprescindível saber como agir diante dessas dificuldades. 


Não tem passagem aquática por aqui? Sem problemas, a gente constrói. 

#8 Golden Gate Bridge

Personagem de muitos filmes de Hollywood, a ponte localizada na Califórnia é um famoso cartão postal norte-americano. Além disso, a belíssima construção liga a cidade de São Francisco, que é uma península, a regiões vizinhas. Para o delírio dos engenheiros de plantão, ela se utiliza da teoria da deflexão, por ser suspensa por cabos. Isso quer dizer que a ponte tem capacidade de ondular de forma compensatória sob fortes ventos, mantendo intacta sua estrutura.


Olhando essa imagem, alguém lembrou de algum filme estrelado pela Golden Gate?

#9 Viaduto de Millau

Sim, amigos, são nuvens o que cerca o viaduto na imagem. Localizado na França, essa é a ponte mais alta do Europa, chegando a ficar a 343 metros do chão. Em seu ponto mais alto, o Viaduto de Millau supera até a mesmo a Torre Eiffel, se tornando a construção mais alta daquele país. 


Viajar pelo Viaduto de Millau é estar com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. 

#10 Estação Espacial Internacional

Não é apenas um projeto de engenharia, mas um projeto conjunto de diversos países e que – um plus – está no espaço. Essa é a única estrutura permanente que foi boa parte construída em órbita, o que exigiu muitas missões espaciais russas, americanas, além da colaboração da Agência Espacial Europeia, para sua conclusão. E você aí reclamando de ter que pegar duas conduções para o serviço, hein? A confecção da EEI traz à tona a abordagem sistêmica na engenharia, na qual os conhecimentos de diversas ciências são conjugados para chegar ao resultado final. E que resultado!


Olhando assim parece pequenininha, mas a Estação Espacial Internacional contém diversos módulos e abriga seis tripulantes por vez. 

Menção honrosa: o hotel de gelo

Não basta fazer um grande projeto de engenharia e construí-lo, é preciso reerguê-lo anualmente, em diferentes locais. Essa é a proposta do Ice Hotel, cuja estrutura é toda feita de esculturas de gelo. Sua montagem exige que os construtores encarem temperaturas de até 40 graus negativos durante o trabalho (brrrrrr). Ponto para os projetistas – e para todos que tornaram esse hotel possível – especialmente no quesito criatividade. 


A rainha de gelo do desenho animado bem podia dar uma mãozinha pro pessoal da montagem, né?

E você? Ficou interessado pela profissão? É certamente um desafio e tanto. ;)

A agridoce festa da democracia

0 13 outubro 2014 | 12:12

A cada dois anos, no mês de outubro, o Brasil passa por um processo eleitoral. Chamamos popularmente esse processo de festa de democracia, mas nem sempre essas celebrações ocorrem baseadas na alegria que só a afirmação da cidadania sabe trazer. Selecionamos hoje imagens que contam um pouquinho da história da democracia no Brasil e no mundo, que é para nos mantermos todos devidamente inspirados para a grande missão que teremos no final do mês. ;)

#1 O direito das mulheres

As mulheres, por muitos anos, foram privadas de realizar as mesmas atividades que os homens e, com o voto, não foi diferente. Nos Estados Unidos, a partir do final do século XIX, militantes do sufrágio universal travaram uma verdadeira guerra para garantir às mulheres o direito de participarem do pleito. Em 1920, finalmente, elas puderam votar, mas não sem as chamadas suffragettes encontrarem muita resistência pelo caminho.


Hoje não conseguimos conceber que mulheres não sejam consideradas cidadãs aptas a votar, mas foi muito difícil conquistar esse direito.
[FONTE: World History]


O movimento sufragista inspirou mulheres por todo o mundo, e muitas foram presas por seus protestos. 
[FONTE: Glasgow’s Women’s Library]

#2 A resistência da democracia no Brasil

A famosa Campanha da Legalidade teve sede em Porto Alegre, mas comoveu todo o Brasil. Em 1961, após a renúncia do então presidente Jânio Quadros, os militares tentaram impedir a posse de seu vice, João Goulart. Comandada por Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul à época, a rebelião durou duas semanas e garantiu a posse de Jango, mantendo-se a ordem jurídica.


O movimento pela Legalidade obteve forte apelo popular, especialmente nas regiões sul e sudeste do país.
[FONTE: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul]


O programa de rádio da resistência realizado por Leonel Brizola de dentro do Palácio Piratini, em que estava sitiado, foi transmitido por mais de 15 rádios, formando a Cadeia da Legalidade.
[FONTE: A Verdade]

#3 Diretas Já e Impeachment

No fim e logo após a ditatura militar (1964-1985), o Brasil passou por dois momentos em que foi demonstrada a força do povo em prol da democracia. No movimento Diretas Já (1983-1984), manifestações pediram que o presidente, até então definido pelos militares, voltasse a ser eleito por voto popular. Em 1985, Tancredo Neves foi eleito pelo colégio eleitoral em eleições indiretas, uma vitória parcial do movimento. Em 1989, nas primeiras eleições diretas após a ditadura, Fernando Collor de Mello foi eleito. Após muitos escândalos e corrupção, o povo foi às ruas novamente pedindo o seu impeachment, e Collor renunciou ao mandato. 


O movimento por eleições diretas e pelo fim da ditadura levou um mar de gente às ruas do Brasil.
[FONTE: Minuto Ligado


Os jovens saíram as ruas vestindo preto e com verde e amarelo nas faces pelo fim do mandato de Collor, em movimento que ficou conhecido como sendo dos caras-pintadas.
[FONTE: Redes Moderna]

#4 A democracia em dois lados distintos

Inimigos políticos, Estados Unidos e Afeganistão experimentam a democracia cada um a seu jeito. Nos EUA, o voto não é obrigatório, mas em 2012, ano em que Barack Obama foi reeleito, grandes filas se formaram nas urnas. Já o Afeganistão teve, em 2014, sua primeira transferência democrática de poder após a queda do regime talibã, e um dos principais temas foi justamente as relações com o governo norte-americano.


O ano de 2012 foi marcado por um comparecimento recorde de eleitores às urnas nos Estados Unidos, em que o voto não é obrigatório e que é realizada por meio de colégios eleitorais
[FONTE: The Guardian]


Nas zonas mais remotas do Afeganistão, mulas foram utilizadas para carregar as urnas em pleno 2014, em um pleito que passou até mesmo por acusações de fraude. 
[FONTE: Reuters]

#5 O povo nas ruas hoje

O ano de 2013 foi marcado por diversas manifestações populares em território nacional, especialmente no mês de junho. Levantando as mais diversas bandeiras, o povo foi às ruas, dando origem a frases de efeito como “o gigante acordou” e “não é pelos 20 centavos”, referente ao aumento das passagens de ônibus, o estopim do movimento. Os protestos foram marcados por imensa participação popular e diversos conflitos com a polícia. 

Já em Hong Kong, diversas manifestações pró-democracia estão sendo realizadas nesse mês de outubro, especialmente por jovens e estudantes, o que lembra bastante os movimentos brasileiros de junho de 2013. Os manifestantes se rebelam contra o fato de a China haver proibido eleições livres na região, permitindo apenas candidatos leais a Pequim.


Junho de 2013 foi marcado por diversos protestos no Brasil. O povo tomou as ruas no Rio de Janeiro...
[FONTE: Germinal]


… e no Congresso Nacional, em Brasília.
[FONTE: Wikipedia]


Manifestantes têm tomado as ruas de Hong Kong sistematicamente nesse mês, exigindo eleições livres na região.
[FONTE: Rising Powers]

Esses são apenas alguns exemplos de situações em que o poder das massas foi exercido, seja por meio do comparecimento às urnas ou por protestos realizados em via pública. Para entender a essência da participação popular em todas as suas manifestações, o livro Teorias da Democracia é um prato cheio, pois traz uma introdução crítica ao tema, focando-se nos debates contemporâneos.

O outubro rosa de cada dia

0 6 outubro 2014 | 15:10

No Brasil, assim como no resto do mundo, outubro será o mês do rosa. Pelas próximas semanas, estaremos envoltos em uma luta que é global. Outubro Rosa é uma campanha de conscientização cujo objetivo é alertar a sociedade, especialmente as mulheres, sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Criado em 1990, o projeto vem ganhando a cada ano mais relevância e até já inspirou a criação de uma segunda campanha, o Novembro Azul, que busca alertar os homens sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o câncer de mama é primeira causa de mortes frequentes por câncer em mulheres e a quinta causa de morte por câncer em dados gerais. Portanto, poucos são aqueles que têm a sorte de não se deparar com essa doença terrível em suas famílias ou no seu grupo de amigos. Especialmente o de mama, que não afeta apenas a saúde das mulheres, mas também sua autoestima.


Mulheres se desnudam para as lentes de David Jay no The Scar Project
[FONTE: The Scar Project]

Muito se ouve falar de mulheres que fazem cirurgia plástica para diminuir a agressividade da cirurgia de remoção do câncer de mama, mas pouco se escuta sobre aquelas que nada fizeram e que carregam consigo suas cicatrizes. Pensando nisso, o fotógrafo David Jay criou o The Scar Project. A iniciativa propõe uma reflexão sobre a campanha reunindo imagens de mulheres que carregam consigo suas cicatrizes da mastectomia (retirada da mama). Não por acaso o slogan é: Câncer de Mama não é um laço rosa. Afinal, é preciso lembrar que a luta contra o câncer tem vários estágios, da prevenção ao apoio psicológico às vítimas.


Fotógrafo buscou mulheres de todas as etnias e idades para mostrar que o problema é global
[FONTE: The Scar Project]


Fotos do The Scar Project vêm ao Brasil para uma exposição no MAC de Niterói, no Rio de Janeiro
[FONTE: The Scar Project]

A partir do dia 10 de outubro, moradores e visitantes do Rio de Janeiro poderão ver de perto algumas das fotos do The Scar Project. Isso porque as impactantes imagens de David Jay estarão em exposição até dia 2 de novembro no MAC de Niterói. A iniciativa é uma promoção da Fundação Rosa e do MAC Niterói.

Outro projeto interessante para refletir sobre os perigos do câncer de mama é Grace. Enquanto o preto e branco das fotos de David Jay nos mostram uma verdade nua e crua, as cores de Charise Isis dão mais vida às mulheres que não reconstruíram a mama após a remoção do tumor. Mais do que isso, em Grace, a fotógrafa busca inspiração na Grécia antiga para colocar essas mulheres em uma espécie de Olimpo, representando as deusas e heroínas que elas verdadeiramente são. E tal qual Jay, Charise Isis busca no site do seu projeto doações para transformar seu trabalho em livro e, assim, fazer a sua parte na luta contra o câncer de mama. E você, como vai fazer a sua nesse Outubro Rosa?


Grace é o projeto de uma fotógrafa inspirada no helenismo
[FONTE: Hypeness]


Em suas fotos, Charise Isis transforma as mulheres operadas em deusas gregas
[FONTE: Hypeness]


Quem aí reconheceu a Vênus de Milo nessa foto?
[FONTE: Hypeness]

Nutrição artística e divertida

2 29 setembro 2014 | 12:16

Uma das maiores reclamações entre pais e mães é a dificuldade em fazer seus filhotes comerem de forma saudável. Porém, verdade seja dita, quantos adultos conhecemos que não colocam um verdinho no prato de jeito nenhum? Alguém se acusou? Hoje, em nossa inspiração da semana, mostraremos verdadeiras obras de arte feitas com deliciosas comidinhas. Todos os nossos artistas são progenitores que, insatisfeitos com a alimentação de seus rebentos, resolveram ser criativos na resolução do problema. Cada um em um local do globo, Lee Samantha, Ming Li e o famoso Lunchbox Dad miraram na nutrição, mas acertaram também na diversão e na cultura pop. 


Lee Samantha é uma mãe malasiana que começou a fazer pratos divertidos em 2008, para que a filha passasse a comer de forma independente, como a Merida. 
[FONTE: Lee Samantha]


A filha cresceu e a fama ficou. Também pudera, olha esse Snoopy pescador!
[FONTE: Lee Samantha]


Devorando e adquirindo os poderes do Rei do Pop!
[FONTE: Lee Samantha]


E do Rei do Rock também, por que não?
[FONTE: Lee Samantha]


Passamos a gostar de picles imediatamente após visualizar esse prato! Samantha pode ser encontrada também no Instagram
[FONTE: Lee Samantha]

A preocupação dos pais com a alimentação dos filhos procede e muito. Hoje, com tanto alimento industrializado e cheio de açúcar à disposição, fica difícil convencer os pequenos a comerem de forma natural e saudável. Esse é um dos grandes desafios da nutrição contemporânea, juntamente com a falta de tempo dos adultos para prepararem seus próprios alimentos. Mas, mesmo que não consigamos fazer refeições com cenários de sonho, um prato colorido também tem seu charme, não?


Li Ming é uma mãe de Cingapura que também faz pratos lindos e nutritivos para os rebentos. Esse é simples, fofo e uma refeição completa.
[FONTE: Bored Panda]


Confessamos que esse prato, em especial, vai dar um pouquinho de pena de comer. 
[FONTE: Bored Panda]


Os meninos costumam sugerir ideias para a mãe, e então surgem coisas fantásticas como o almoço Super Mario!
[FONTE: Bored Panda]


Não são só as mães que se destacam, o pai Beau é o famoso Lunchbox Dad, que faz lanches criativos e saudáveis para os filhos, como esse sushi de mentirinha. 
[FONTE: Lunchbox Dad]


Segredo para ser o mais popular do prezinho: um lanche com a imagem da tartaruga ninja Michelângelo e seu tchaco. Cool!
[FONTE: Lunchbox Dad]

E aí? O leitor se empolgou para montar um prato cheio de salada e variedade no buffet? Ou para fazer uma comidinha nutritiva e divertida para os pimpolhos? Então nossa missão nesta segunda-feira está cumprida. ;)

Pequenas criaturas inspiradoras

2 22 setembro 2014 | 16:32

Qual criança nunca imaginou um mundo em miniatura logo que ouviu falar de duendes, seres pequenos com grandes poderes mágicos? Ou passou a tarde deitado na grama pensando em como seria a vida secreta das formigas, o que elas realmente fazem dentro de suas casas quando ninguém está olhando. E, ainda, ao despertar no meio da noite, procurou se certificar de que os brinquedos não haviam ganhado vida. Se você se viu em umas dessas situações vai sorrir quando conhecer mais do trabalho de Isaac Cordal. E refletir também.


Morri e fiquei aqui abandonado
[FONTE: So bad, so good]


Envelhecer a dois é isso

Artista espanhol versado na arte da escultura e da fotografia, Cordal criou um mundo paralelo de seres minúsculos que habitam as ruas do México na série Cement Eclipse, ou, na tradução livre, eclipse de cimento. O nome, aparentemente lúdico e sem sentido, na verdade dá pistas do que o escultor pretende com seus pequenos bonecos de cimento, todos feitos à semelhança do criador, ou seja, humanizados. E tal qual o fenômeno responsável por cobrir a lua com o sol ou vice e versa, a série Cement Eclipse evidencia um pouco do que nós, seres humanos, somos, mas às vezes não queremos ver


Eu vejo flores em você


Alguém me tire daqui!
[FONTE: Fusion]

A série de bonecos encontrados nas ruas de Chiara pode parecer só mais uma expressão de arte urbana, outra vertente do trabalho de Isaac Corral, mas é muito mais do que isso. Com suas figuras esqueléticas, o artista não só homenageia a cultura local, sua predileção por caveiras e sua relação com a morte, como faz uma critica sutil àquela sociedade, parte do todo em que vivemos. Em seus trabalhos, ele critica a política, a falta de cuidados com o meio ambiente e até mesmo o fato das pessoas passarem todos os dias por obras de arte e não as apreciarem. As criações de Corral podem ser pequenas, mas não são invisíveis e, se apreciadas com atenção, abrem um mundo de possíveis leituras.


Dois menores abandonados


A eterna espera
[FONTE: So bad, so good]

Segundo o próprio artista, a ideia é que os bonecos funcionem como fósseis da cidade, e, não por acaso, são encontrados em poças d'água, em restos de canos ou simplesmente atirados no chão. Uma crítica semelhante e que mostra onde Cordal quer chegar pode ser encontrada na série anterior, a Follow The Leaders, na qual as mãos inteligentes do espanhol transformam pequenos homens de negócios em retratos que bem poderiam ser da vida real. Coloca homens de terno e suas pastas em situações que nos fazem refletir sobre o capitalismo nosso de cada dia. 


Afinal, quem é ladrão?
[FONTE: Fusion]


Vamos discutir… glub, glub, glub

Marginalizadas, as esculturas de cimento de Isaac não têm futuro, especialmente se pensarmos nas esqueléticas encontradas no México, mas será que sua existência, em cenários reais, não é capaz de nos fazer ver a beleza nos pequenos detalhes? Pense nisso e compartilhe conosco sua impressão sobre mais essa inspiração semanal. ;)

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