O desafio de observar

1 13 dezembro 2012 | 10:22

*Por Sandra Chelmicki

Você já se perguntou se é um bom observador? Ou o quanto presta atenção em detalhes? Se é capaz de observar o todo, o conjunto de uma cena? Para nós, editores, habilidades relacionadas à observação são essenciais. É preciso estar atento a cada letrinha que compõe uma palavra, mas também é necessário avaliar mais integralmente o que se produz, levando em conta não somente o conteúdo, mas a forma.

Nariz de cera finalizado, vamos ao que interessa! Há poucos dias, fui provocada a pensar nas perguntas que abrem este texto. Parei por 5 minutos e observei as pessoas ao meu redor, para depois registrar, durante mais 5 minutos, meus pensamentos e minhas sensações durante esse desafio – digo exercício. Não, desafio mesmo! Nada fácil esse ato de observar...


E se a gente observasse mais o mundo ao nosso redor? [Foto via sekkha.]

Não foram os 5 minutos mais longos da minha vida, mas... quanta coisa cabe em tão pouco tempo! Foi divertido, me senti como uma espiã. Ao mesmo tempo experimentei um misto de embaraço, por não estar produzindo, e obrigação – como se estivesse no “banco do castigo”. Quanta sandice! Ou será que não

Observar é se colocar no papel de espectador (não por acaso usei a palavra “cena” anteriormente). Mas o espectador – aquele que contempla – não é muito bem visto em um mundo que supervaloriza o busy. Talvez por isso tenham surgido esses sentimentos contraditórios no meu desafio.


Você consegue ser espectador em mundo que prioriza a ação? [Foto de Thomas Hawk.]

Ok, produzir é legal e todo mundo gosta. É essencial. Nos impulsiona e impulsiona quem está ao redor. A grande dúvida que fica depois de todas essas reflexões é: o que o exercício mais frequente do papel de espectador poderia fazer por nós, incluindo nossa produtividade? Desafio lançado! Mas só depois do “fechamento” do mês, ok? :-)

* Sandra é editora sênior da área de publicações técnicas e profissionais.

Correndo para viver bem

5 14 novembro 2012 | 16:08

Por Arysinha Affonso*

Tem gente que resolve a vida enquanto corre; eu não penso em nada, só no pace em que preciso fechar o próximo quilômetro.

Essa era a conversa do colega que encontrei por acaso na pista em que costumo treinar semanalmente. Ele é (ou era, faz tempo que não falamos) um daqueles malucos capazes de fazer em dupla a Volta à Ilha. Para quem não sabe, essa é uma prova de revezamento bastante popular cujo trajeto é uma volta completa na ilha de Santa Catarina (capital Florianópolis). Maluco aqui é um adjetivo que carrega uma pontinha, bem pequenininha mesmo, de inveja (do tipo, como é que esse cara consegue?). Enfim...

Eu me classifico como uma corredora em fase ascendente. Comecei há três anos e corri três meias-maratonas, melhorando significativamente o meu tempo. No grupo do qual faço parte, tenho alguns modelos de inspiração. Mulheres da minha faixa etária capazes de treinar por muitos quilômetros no maior papo, o tempo todo, aparentemente sem qualquer esforço. Já eu não sou de falar muito; menos ainda nessas horas. Não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo: correr e falar. Em lugar disso, eu gosto mesmo é de pensar.

Arysinha Affonso no Mountain Do
Suando a camisa – e pensando na vida – na corrida Mountain Do, em Canela, Rio Grande do Sul.

Ouvi recentemente de uma colega de corrida, uma brasileira que vive na Alemanha há sete anos, sobre as dificuldades de adaptação a um país estrangeiro, longe da família e tudo aquilo que a gente sabe: A corrida salvou a minha vida.

Arysinha Affonso em um evento
Arysinha aproveitou a ida à Feira de Frankfurt, maior evento livreiro do mundo, para participar de uma corrida em Colônia, na Alemanha.

Pois eu também me sinto assim. Não vivo em um país estrangeiro, mas a corrida me salva semanalmente das dificuldades do dia a dia. Quando estou me enrolando para decidir algo, saio para correr. O que resolver aquela tradução que não está boa? Vou dar uma corridinha. Como conseguir que aquele fornecedor cumpra o prazo? Vou pensar até a (avenida) Beira-Rio. Bah, e aquele livrão que precisa ser feito em seis meses? O longão de domingo vai clarear minhas ideias. Vou conversar sobre um possível aumento de salário... Bom, antes de encarar esse assunto vou correr uma maratona inteira!

*Arysinha Affonso é gerente editorial da área de Ciências Exatas, Sociais e Aplicadas do Grupo A.

Se você, como a Arysinha, curte correr para desopilar, o livro Fórmula de Corrida de Daniels, de Jack Daniels, traz um treinamento que pode ser customizado para o seu nível de aptidão física. Fica a dica de leitura! ;-]

Encontro com Ellen Lupton

2 27 setembro 2012 | 08:50

*Por Mariana Belloli

Para aqueles editores que, como eu, trabalham quase exclusivamente com livros traduzidos, conhecer pessoalmente os autores das obras que publicamos é algo mais raro. Tive minha primeira oportunidade de conhecer um de nossos autores internacionais na semana passada, e já estreei com um nome de peso: a designer, curadora e educadora norte-americana Ellen Lupton, autora do nosso Design/Escrita/Pesquisa, esteve no Brasil dos dias 19 a 22 de setembro a convite da Bookman para dois eventos, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Conexões Criativas, organizado em parceria com a revista abcDesign, aconteceu entre os dias 20 e 21 de setembro, em São Paulo, e contou também com a participação do designer ítalo-germânico Luigi Colani. No primeiro dia de evento, Ellen deu um workshop sobre design thinking para profissionais da área. Os participantes desenvolveram produtos para um cliente real da autora – os organizadores do projeto The Imaginary App –, fazendo, inclusive, uma reunião com o cliente, que falou direto de Nova York via Skype. No dia seguinte, ela deu uma palestra em que resgatou o tema design thinking e falou também de tipografia (sua grande paixão), da importância do trabalho do designer e de como o designer deve criar não só pensando no produto final, mas também nos processos de produção desse produto. O evento foi um sucesso, com salas e auditório lotados e muitos pedidos de autógrafo.

Ellen durante palestra no Conexões Criativas.
Ellen durante palestra no Conexões Criativas.

Alunos exercitam seu
Alunos exercitam seu "design thinking" no workshop ministrado por Ellen.

No dia 22 de setembro foi a vez do Rio de Janeiro. Ellen foi recebida na ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) como uma verdadeira pop star, com direito a coletiva de imprensa, fila imensa para autógrafos e até uns “chiliquinhos de fã” por parte de alguns presentes. Durante uma hora, talvez um pouco mais, a autora falou sobre o ofício do designer hoje, seus desafios e perspectivas. A plateia, composta por alunos e professores dos cursos de Design da própria ESDI, da UFRJ e da PUCRJ, permaneceu vidrada o tempo inteiro. Um dos pontos altos da palestra foi quando a autora, ao falar de diferentes estilos e personalidades de designers, mostrou uma ilustração feita por ela mesma, algumas horas antes, com caricaturas de vários professores ali presentes. Uma simpatia! Já a mim coube a difícil tarefa de fazer as vezes de tradutora-intérprete da palestra – assim, no susto, de improviso. Isso estava totalmente fora dos planos e ainda não sei de onde é que tirei coragem para encarar uma plateia tão grande. Felizmente, deu tudo certo!

Ellen conversa com aluna após palestra.
Ellen conversa com blogueira após palestra.

Ellen Lupton é uma das pessoas mais fantásticas que já conheci – talentosa, generosa, extremamente bem-humorada e muito preocupada em estabelecer um vínculo forte com as pessoas a sua volta. Não é a toa que ela é uma das maiores figuras do design contemporâneo, seja em sua atuação como designer, seja como professora, teórica e curadora. Desse convívio de quatro dias com ela, foram muitas as lições aprendidas, profissionais e pessoais. Espero que oportunidades como essa se repitam muitas vezes – aí volto aqui para contar como foi. :-)

*Mariana Belloli é editora da área de Ciências Exatas, Sociais e Aplicadas.

Uma série "pra frentex"

1 29 julho 2012 | 22:20

*Por Mônica Ballejo Canto

Tornei-me “escritora” com o blog do Grupo A. Redobrei minha admiração pelos colunistas de revistas e jornais. Como ter ideias todos os dias? Como fazer as palavras brotarem em textos interessantes em meio a tanta correria?

Minha mesa tem de tudo um pouco: livros para registrar no sistema, obras para finalizar, capas para solicitar, atenção para cada colaborador, e sorrisos, muitos sorrisos!, para conseguir terminar as tarefas sem “esgoelar” alguém. Mas isso faz parte não só da vida de editor, como de todo trabalhador. Parar, observar esses detalhes e escrever sobre eles também é trabalho – e trabalho bom. É quase uma autoanálise: como damos conta de tudo e ainda escavamos assuntos para escrever sobre isso e tantas coisas? Parei para pensar. O telefone tocou. Perdi o foco...

... dois meses depois...

Muita coisa mudou. Como tudo acontece tão rápido! Lendo o último post da Arysinha Affonso sobre a Série A, refleti também sobre as mudanças que ocorreram nas formas e formatos de disseminar a informação. Professores têm de se adaptar às novas tendências, e é para auxiliá-los que surgiu essa nova Série do Grupo A. Além dos títulos com o selo Bookman (Marketing, Administração e Sistemas de Informação), a Artmed lançou a obra Psico. Livro-texto totalmente adaptado para o aprendizado sério e rápido, como a nova geração exige. A psicologia tem hoje à disposição um material didático ágil: um livro totalmente ilustrado, com dicas de fixação, conteúdo online, hotsite e material para o professor. Como diz Silvia Koller, professora do Instituto de Psicologia da UFRGS: “A psicologia, com o livro PSICO, traz à realidade o que tem sido de mais esperado para a ciência: inovação! Trata-se de um material científico para uso didático que propicia a aprendizagem, com interesse e dinamicidade”.

E a dinamicidade é a nova realidade. Editores, autores, designers, Web designers, professores, alunos, estamos todos aprendendo a absorver tanta informação, tantos "e-formatos". No meio de tanta loucura, a observação e a tranquilidade, muito raras hoje, fazem a diferença nas escolhas de conteúdos e formas de publicação atraentes para um consumidor cada dia mais exigente.

Como escreveu a Arysinha, “... e o mundo girou para o nosso lado”. Aí está uma série com todos os quesitos para ser um sucesso! Ela é alegre, colorida, dinâmica, “pra frentex” – gíria antiga, não? Não tem problema, a gíria é antiga, eu sou madura, mas “tô ligada” nas novidades apresentadas pela contemporaneidade.


A Série A é tão “pra frentex” que tem até tirinhas!

*Mônica Ballejo Canto foi coordenadora editorial do selo de Ciências Humanas do Grupo A.

... e o mundo girou para o nosso lado

1 4 julho 2012 | 15:39

papo de editor

Por Arysinha Affonso*

Se tem algo que aprendi nos meus anos como editora do Grupo A é que o mundo é redondo. Isso é óbvio, mas estou falando do sentido mais amplo que essa constatação pode adquirir. No decorrer da vida profissional (e também, pessoal, lógico) há muitas oportunidades de realmente “sentir” essa verdade. Estou falando de conquistas que almejamos um dia e não conseguimos alcançar, mas, com o tempo, acabam “voltando” para nós.

Na Bookman Editora, hoje uma vigorosa adolescente com um catálogo repleto de autores estrelados em áreas das ciências exatas, tivemos algumas experiências desse gênero. “Ah, como seria bom ter esse autor no Brasil. E aquele livro, tentamos e não conseguimos, que pena!”.

Seria capaz de lembrar várias histórias, algumas de insucesso, outras de melhor sorte. Mas fico com uma das tantas em que nossa aposta revelou-se acertada. A caixa de quatro volumes da edição definitiva do Lições de Física, de Richard Feynman. É uma edição comemorativa aos 100 anos da teoria da relatividade, base da física moderna. Embora não seja livro-texto, os leitores souberam reconhecer o valor da iniciativa da editora em traduzir para o português as famosas aulas de Feynman no Instituto Politécnico da Califórnia nos anos de 1962 e 1963. Além das boas vendas, traz grande satisfação para os editores ouvir de professores, alunos e amantes da ciência em geral que essa é uma obra imprescindível e publicada com esmero também no Brasil.

richard feynman
Feyman, o galã da Bookman.

Pois bem, essa é uma sensação parecida com a que tivemos aqui quando chegaram os três primeiros livros da nossa série A. São livros introdutórios de marketing, sistemas de informação e administração que chegam com a ambição de sacudir o padrão dos livros da área: totalmente coloridos, com muitas fotos, boxes, gráficos e ilustrações, têm apelo visual e de conteúdo suficiente para atrair os estudantes de hoje, tão demandados e absorvidos pelos apelos diários que vêm do trabalho, dos estudos, dos amigos, da família, das mídias sociais, da Internet. Estamos apostando tudo nesses três lançamentos e em mais três que devem chegar no segundo semestre e serão dedicados a propaganda, finanças e comportamento organizacional.

serie a

E onde entra a certeza de um mundo redondo nessa história toda? Essa série era nosso sonho de consumo desde que foi lançada pela editora americana, a McGraw-Hill. Foi amor à primeira vista. Só que ela tinha dono. Era da McGraw-Hill, que naquele momento tinha sua própria editora no Brasil e seria o veículo natural para a publicação das obras. Pois não é que logo depois do lançamento da série nos Estados Unidos, o Grupo A acabou se associando à editora americana! Como consequência dessa parceria, ganhamos o direito de publicar grandes autores, grandes obras e, entre elas, a série A.

Ainda bem que o mundo girou para o lado certo.

*Arysinha é gerente editorial do catálogo de Ciências Exatas, Sociais e Aplicadas do Grupo A.

Em pauta: a tecnologia e os rumos da educação formal

1 4 abril 2012 | 15:32

*Por Sandra Chelmicki

“Em tempos de mudança, aqueles que aprenderem herdarão a Terra, enquanto aqueles que já aprenderam encontrar-se-ão esplendidamente equipados para lidar com um mundo que não mais existe.”
Eric Hoffer1

Reuniões de pauta costumam ser, em qualquer publicação, cenário de debates intensos e diversos. Com as reuniões mensais da BMJ Brasil (para a definição de temas da edição seguinte) não é diferente. Em um de nossos encontros, um dos participantes do conselho editorial, que também é professor de Medicina, assim como a maioria dos outros membros, questionou como os seus pares lidam com a postura dos estudantes das novas gerações, que parecem nunca prestar atenção, sempre mais preocupados com seus gadgets, celulares e afins.

Como o conhecimento pode ser retido em meio a tantas distrações: trocas de mensagens, acessos e postagens no Facebook e no Twitter? Os futuros médicos conseguirão aplicar seu aprendizado na prática clínica? Serão capazes de ouvir atentamente um paciente, condição primordial para um bom atendimento? E, por outro lado, como os professores estão enfrentando o desafio de manter a atenção desses estudantes que parecem tão dispersos e incapazes de manter a concentração e o foco? Muitos acham esse novo universo maravilhoso, certamente, mas atire o primeiro smartphone quem nunca pensou em confiscar o celular de um aluno desatento.

social media vintage foto's

Um bom ponto de partida para essas reflexões é o livro Homo Zappiens1, que demonstra que as crianças, crescendo em um mundo de tecnologia e de mudanças constantes, apresentam maior relutância em encaixar-se no sistema educacional do que qualquer outra geração antecedente. Uma vez que a tecnologia nos capacita a obter informações com facilidade, a sociedade está mudando seu modo de considerar a aprendizagem, passando da simples obtenção da informação à comunicação, à interpretação e à negociação. Segundo esse livro, enquanto julgarmos a geração “Homo zappiens” por parâmetros ultrapassados, nunca entenderemos que seu comportamento é, na verdade, uma estratégia que começa a surgir para lidar com nosso futuro digital e criativo.

As dúvidas sobre o futuro da educação formal atingem a todos: pais, educadores, sociedade. Existem muitas formas de interpretar essa nova realidade, e qualquer conclusão nesse sentido é arriscada. Mas na nossa reunião de pauta chegou-se a um mínimo consenso: parece que a saída, já que não há estrada de volta no caminho da evolução, é tornar as aulas formais, enquanto elas predominarem na academia, mais atraentes. Assim, existiria a possibilidade de uma convivência frutífera entre as gerações X, Y e Z. “Aula é teatro”, disse um dos conselheiros. Para ele, é imprescindível que o professor tenha a habilidade necessária para fisgar e manter a atenção do aluno. Portanto, nada de confiscar os gadgets e celulares no início de cada aula.

1Homo Zappiens - Educando na Era Digital, de Wim Veen e Ben Vrakking.

* Sandra é editora sênior da área de publicações técnicas e profissionais.

A vantagem de um livro complexo

2 14 março 2012 | 10:49

Por Alberto Schwanke*

Outro dia, chegaram mais alguns capítulos traduzidos de um livro que está em produção aqui na divisão de biociências: o Manual de Neurocirurgia. Abri os arquivos, como de costume, e examinei o trabalho do tradutor. Entre todos os livros em que já trabalhei, o Manual de Neurocirurgia talvez seja um dos mais complexos quanto à linguagem e aos termos técnicos utilizados. Um dos trechos traduzidos dizia o seguinte: “A zona de entrada da raiz (também conhecida como zona de Obersteiner-Redlich) é o ponto onde a mielina central (proveniente das células da oligodendróglia) se transforma em mielina periférica (proveniente das células de Schwann).”

Quando vejo uma frase como essa, que não pertence ao meu universo de formação acadêmica, lembro de outro projeto em que trabalhei alguns anos atrás: um livro com algumas páginas na língua árabe. Nas duas ocasiões, tive aquela inquietude de quem não compreende o conteúdo (alguém aí já teve sensação parecida?) e valorizei ainda mais o trabalho dos diversos profissionais que colaboram na produção de um livro, cada um contribuindo com sua habilidade específica.

Um desses profissionais, um rapaz chamado Dave Glover que conheci quando trabalhava na Inglaterra, tinha sempre uma atitude positiva em relação ao seu ofício e usava muito a gíria da língua inglesa “it's not brain surgery”, quando queria dizer que alguma tarefa não era assim tão difícil. Pois o Manual de Neurocirurgia é a antítese da gíria inglesa, na medida em que trata exatamente de... cirurgia do cérebro (brain surgery)!

Desde o momento em que comecei a trabalhar no livro, já percebi que não seria um projeto muito simples. Mas o Manual de Neurocirurgia traz consigo uma grande vantagem: faz os outros livros da minha programação parecerem mais fáceis.

*Alberto é editor de Biociências e o bendito fruto entre as editoras do Grupo A!

Editar é quebrar paredes

7 29 fevereiro 2012 | 09:58

Por Sandra Chelmicki*

Alguém neste blog já falou sobre a mania que editores têm de trabalhar fora do horário do expediente. Não pelo fato de levar trabalho para casa, mas por tentar editar desde o cardápio do restaurante no jantar ao jornal no café da manhã. Mas sejamos sinceros: nós, como editores, e como seres humanos, não nos detemos apenas na gramática. Eu, por exemplo, me flagro frequentemente editando a aparência dos ambientes e das pessoas ao meu redor. Também por isso me impressionou tanto o filme argentino Medianeras, que assisti recentemente.

Eu explico: nele, os personagens principais, resolvem “editar” suas moradas para ganhar um pouco mais de luz natural. Envolvidos pela solidão e pela apatia, eles encontram um novo sentido para suas vidas depois de tomarem a decisão de abrir janelas nas paredes laterais de seus apartamentos – prática ilegal, mas nem por isso incomum em Buenos Aires. A luz entra em cena, ou melhor, em casa, e aponta para novas direções, novos rumos. Uma linda metáfora.

Já dizia um grande poeta que “escrever é cortar palavras”. Penso que no caso dos protagonistas de Medianeras a frase poderia ser adaptada para “viver é quebrar paredes”, pois editando ambientes foi possível começar a escrever uma nova história. Isso exemplifica, de forma otimista, a influência dos espaços urbanos e suas configurações nas nossas emoções. Do mesmo modo, um filme ou um livro bem feito (o que compreende também uma boa edição) pode trazer mais clareza e consciência às pessoas. No “the end”, é o que todos buscamos, editores ou não.

Confira o trailer de Medianeras:

*Sandra é editora da Revista BMJ Brasil e dos livros do selo Tekne.

O dia em que conheci o pen drive

4 15 fevereiro 2012 | 18:11

Por Mônica Ballejo Canto*
 
Meu dia de escrever no Papo de Editor chegou! Recebi da Elisa Viali [coordenadora de comunicação digital] algumas ideias para pautar minha escrita, mas pensei, pensei e... cruzes! Ela quer minhas histórias antigas que já contei milhares de vezes, cheias de termos esquisitos que ninguém entende: retranca, fólio, composer, paica, etc.! Assim, em vez de voltar tanto ao passado, resolvi comentar uma experiência quase recente, que aconteceu em 2005.

Recebemos, diretoria e eu, os autores Mário e Diana Corso, para a entrega de um original [para os que não trabalham no meio editorial: original é o texto do livro conforme escrito pelos autores, ainda sem revisão, edição e diagramação]. Tratava-se de Fadas no divã. Todo o tempo da reunião o Mário tinha nas mãos um objeto estranho, que parecia um chaveiro. Eu tentava decifrar, mas era impossível. Nunca tinha visto aquilo. Conversamos muito sobre o novo projeto e, ao final do encontro, ele me entregou aquele objeto e disse que o arquivo do livro estava ali. Eu, com cara de quem sabia do que se tratava, comentei que iria copiar. Mas copiar como, se eu não tinha ideia do que era! (Ainda bem que ele havia enviado por e-mail e eu já tinha o arquivo guardado!). Desci e fui direto pedir ajuda “aos universitários”, nossos meninos da equipe de design. O Felipe Couto [hoje analista de novos negócios] olhou e me disse: “é um PEN DRIVE!”. Ele também nunca tinha visto um ao vivo. Ele e a Patrícia [coordenadora da equipe de design gráfico e digital] procuraram a entrada de USB (que eu também conheci naquela hora) e copiaram o arquivo. Voltei para a sala de reuniões, entreguei o objeto e disse que estava copiado. Todos nós conhecemos o pen drive naquele dia, e até hoje não contei para o Mário e para a Diana essa história!

A partir dessa segunda metade dos anos 2000, o mundo correu, correu, correu tanto que lá se foram as minhas histórias! No lugar, vieram os aplicativos, eBooks, iPad, iPod, Android, tablet... é tanta informação!  Engraçado é que, para produzir alguns aplicativos (ou seja lá o nome que se dá hoje), são usados códigos muito parecidos com os que eu conheci lá nos anos 1990 com o MS DOS (alguém ainda sabe o que é isso?). Ou seja: conhecimento adquirido nunca é ultrapassado.

Beijocas e até o próximo papo. Quem sabe eu ainda conto a história de uma empresa que faliu... o que foi a melhor coisa que aconteceu naquele momento, não é Letícia Bispo [gerente de Biociências e amiga da Mônica]?

*Mônica é editora sênior da área de Humanas do Grupo A.

Tapete vermelho para o nosso Jabuti

4 22 dezembro 2011 | 10:48

Por Arysinha Affonso*

Tudo é grandioso em São Paulo. Para quem não mora na maior cidade do Brasil, essa é uma sensação revisitada a cada passagem pela capital. Engarrafamentos monstruosos, filas intermináveis, trânsito indescritível, dilúvios bíblicos. Imaginem tudo isso pelos olhos de uma gaúcha, acostumada com a hoje não tão tranquila Porto Alegre, mas que cresceu no interior do Rio Grande do Sul, em uma casa que só dispunha de energia elétrica à noite. Imaginem essa gaúcha desembarcando de um táxi em frente à magnífica Sala São Paulo para receber, em nome da Bookman Editora, o prêmio Jabuti.

A Sala São Paulo faz a gente se sentir pequena. Edifício imponente, retrata uma época de abundância dos produtores de café brasileiros. Na fila para ingressar no prédio, na noite da entrega do prêmio, senti o privilégio de estar ali entre centenas de pessoas diretamente ligadas ao mundo do livro. Alguns famosos, muitos anônimos, todos dedicados e orgulhosos de uma indústria que vive um momento decisivo da sua história, assediado por novas e poderosas tecnologias.

Enquanto aguardava a abertura da sala onde ocorreria a entrega dos prêmios, o ambiente era meio estelar. Algumas caras conhecidas, daquelas que a gente cumprimenta quase instintivamente, tantas vezes já vimos na TV ou no jornal. E há aqueles a quem temos o impulso de pedir um autógrafo, tal admiração nos causa. Sem falar nos colegas a quem gostaria de me apresentar e perguntar: “Como é que você consegue?”. De repente, viro para o lado e vejo alguém: “Aquele ali não é o fulano???”. E era ele. “Isto aqui é o máximo”, digo para minhas colegas.

O astral da noite é ótimo. Além de encontro/reencontro, a festa se estende com a premiação de todas as categorias, que leva muita gente ao palco, gente que tem seu trabalho e seu talento reconhecidos nacionalmente. O troféu é uma gracinha e carrega um charme digno do tapete vermelho que usamos para chegar até a sala. O Jabuti merece!

*Arysinha Affonso é gerente editorial de Ciências Exatas, Sociais e Aplicadas do Grupo A e editora do livro Multinacionais Brasileiras, de Moacir Miranda e organizadores, que recebeu este ano o 53º Prêmio Jabuti na Categoria Economia, Administração e Negócios.

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